segunda-feira, janeiro 14, 2019
A caixa que vai mudar o mundo.
Mas atenção: A IBM conseguiu criar um modelo técnico que garante estabilidade e estanquidade, permitindo que o sensível e gelado ambiente de processamento quântico - que exige total isolamento e temperaturas próximas do zero absoluto - não seja contaminado ou perturbado. Este é um passo muito significativo para a industrialização de uma geração tecnológica de computadores que vai mudar, radicalmente, o mundo.
Se eu disser que, dentro de 15 a 25 anos, poderemos ir à Worten comprar um computador acessível e facilmente operável, cujo processador seja constituído por qubits* e que por isso oferecerá performances inimagináveis (e sistemas de inteligência artificial que transcendem a ficção científica de agora), não devo estar a sonhar muito alto. A ver vamos.
*Sobre este assunto, no Blogville:
A diferença entre um bit e um qubit é que um bit ou é zero ou é um. Um qubit pode ser, no mesmo momento, zero e um. Mais: pode ser o zero e o um de outro qubit.
domingo, setembro 09, 2018
Um caminho.
Seja como for, o processo científico e industrial está a dar os seus primeiros passos. A ideia central é tirar partido de fantasmáticas "anomalias" do comportamento das partículas como a superposição e o entanglement, de tal forma que o actual código binário multiplique a sua produtividade na ordem dos milhares percentuais. A diferença entre um bit e um qubit é que um bit ou é zero ou é um. Um qubit pode ser, no mesmo momento, zero e um. Mais: pode ser o zero e o um de outro qubit. Isto levanta todos os potenciais que podemos imaginar, em termos de capacidade de processamento. E, também, do que será capaz de fazer a inteligência artificial na segunda metade do século XXI (para o bem e para o mal, como sempre).
Não se trata de uma revolução para agora, independentemente do que possam dizer os mais optimistas. Existem grandes dificuldades ao nível da coerência energética das partículas e é preciso trabalhar consistente e afincadamente em múltiplas frentes tecnológicas para que um computador quântico esteja à venda, a um preço de classe média, numa Worten perto de ti, caro leitor. Para que caiba em cima ou em baixo da tua secretária. Para que consiga ser completamente imune ao ambiente do teu escritório. Para que consiga manter estáveis temperaturas abaixo do zero absoluto.
Mas, como este vídeo bem demonstra, nos anos 50 do século passado também era precisa uma sala enorme para manter a funcionar um computador com um centésimo da capacidade de processamento do teu actual telemóvel.
Por isso, vamos deixar a malta trabalhar e ver o que é que sai daqui.
quinta-feira, fevereiro 27, 2025
Majorana: Processador quântico ou caixa de Pandora?
Sobre o processador quântico da IBM, as opiniões divergem entre o cepticismo, a euforia e o pânico. Mas uma coisa é certa - estamos a falar de uma tecnologia que:
- Não dominamos completamente;
- Tem um comportamento deveras bizarro.
Não dominamos completamente porque os próprios engenheiros da IBM reconhecem que não percebem bem como é que a máquina funciona e - mais arrepiante - em que é que ela está a pensar.
Tem um comportamento deveras bizarro porque, aparentemente, é capaz de dar resposta a um problema, antes do problema ser colocado, invertendo por completo a relação de causa e efeito.
Uma coisa é um sistema processar zeros e uns simultaneamente. Outra coisa é manifestar-se de forma paranormal. E o Majorana 1, se aquilo que os engenheiros da IBM têm dito sobre o seu protótipo for factual, produz fenómenos poltergeist em quantidade apreciável. Até porque, pelos vistos, se manifesta como um "inteiramente novo estado da matéria".
A couple reflections on the quantum computing breakthrough we just announced...
— Satya Nadella (@satyanadella) February 19, 2025
Most of us grew up learning there are three main types of matter that matter: solid, liquid, and gas. Today, that changed.
After a nearly 20 year pursuit, we’ve created an entirely new state of… pic.twitter.com/Vp4sxMHNjc
A solução 'topológica' para estabilizar os estados quânticos, primeiro obstáculo que a engenharia destes processadores qubit tem que ultrapassar, parece funcionar, mas a tradução de produto informacional derivado de moléculas topologicamente organizadas para um ambiente não topológico apresenta problemas teóricos e talvez por isso, o carácter esquizofrénico do comportamento do sistema, que enquanto faz o processamento da informação aproveita para alterar o tecido da realidade, funcionando, há quem especule, como um portal para universos paralelos ou realidades espaço-temporais divergentes.
O Majorana parece alterar os seus próprios resultados retroactivamente, depois de os apresentar e, estranhamente, os seus estados quânticos recusam-se a colapsar, persistindo na superposição, em insolente desacordo com as leis da Física.
Com afirmou um dos engenheiros do projecto, "é como assistir a uma máquina de calcular a argumentar consigo própria. E a ganhar o argumento."
A incerteza sobre o impacto nas nossas vidas e no mundo resultante da massificação de um processador destes, que ainda por cima tem um potencial de escalonamento brutal, é excessiva para evitarmos franzir o sobrolho. O que sabemos como certo historicamente, por exemplo, pode estar errado, quando voltamos a olhar. As memórias que temos podem de repente desalinhar-se com o passado concreto, que foi entretanto alterado por uma espécie de editor cósmico, que perece ignorar o factor tempo e, de uma maneira geral, os axiomas da mecânica das partículas.
Se calhar o melhor seria fecharem já, a sete chaves, esta caixa de Pandora. Não é isso, porém, que vai acontecer e a corrida para a industrialização de um processador de 1 milhão de qubits está lançada.

