segunda-feira, setembro 23, 2013

Escritos na areia #1


HINO AO ROSÉ

Tenho as plantas dos pés escaldadas. Arrisquei-me descalço pela areia impossivelmente abrasiva desta praia que grita luz e escaldei-me na aventura.
Tenho as plantas dos pés queimadas pelo branco improvável da areia viva e toda a gente sabe do incómodo de ter as plantas dos pés fervidas pelo eco do sol.
O que me salva agora do ardor da travessia, o que me dá sombra e oferece alívio, banho sagrado de paz e bem-estar numa dose de três quartos de um litro, é este Vinho Rosé geladíssimo, saborosíssimo, honesto e simples e fresco como uma pedra de gelo na nuca de deus.
O Rosé português de Azeitão que escorre da alma para as plantas dos pés, numa santa missão da mais pura medicina, é um vinho amável, curandeiro, solícito na sua rubra timidez de palheto.
Ao segundo copo, o meu corpo regressa ao paraíso perdido e, imerso já nessa suave utopia, rejuvenesce, vence o tempo e a temperatura, ergue-se dos reumáticos da idade para cantar a juventude.



A MORTE NECESSÁRIA

É preciso morrer: o cosmos precisa da morte para fazer circular os átomos e o tecido do espaço-tempo precisa da morte para manter a sua sorumbática consistência.
E tu, amigo, e eu, irmão, também necessitamos da cova como quem precisa de haxixe para um dia de praia ou de um scotch para depois do jantar.
A morte é o grande motor de redenção dos mundos e dos povos que infestam esses mundos e dos deuses que criaram tudo isto à semelhança de uma charada retirada da poeira catastrófica de uma estante de Alexandria.
É preciso morrer. O fim absoluto de todas as coisas é o objectivo primeiro e derradeiro do início absoluto de todas as coisas: ide e multiplicai-vos até ao apocalipse sacrificial, o fim orgíaco - celebração definitiva do sentido da vida.
É preciso morrer para perceber que a glória do caminho está no fim do caminho, que o regresso às cinzas é a única odisseia.
Estar vivo é estar a dever à morte. É preciso pagar a dívida. É preciso morrer.



AMIGOS NA PRAIA

Aqui, na praia aberta para todas as possibilidades, na praia em que é provável a existência de deus; aqui na orla do mar incerto, oceano permanente da poesia portuguesa; aqui na combinação subatómica de todos os factores possíveis; aqui no espaço que sobra entre a matéria e a anti-matéria, Belo pergunta a Kant: O que fizeste esta manhã?
Kant, claro, não se lembra. Mas entre o perguntar e o responder, estende-se todo um imperativo categórico de gaivotas.

Aqui, muito bem instalado na cadeira de baloiço do princípio da incerteza, aqui na praia inconcebível da matemática, entre o pulsar arrítmico do quasar e o recolhimento da esplanada do caos, recordo Platão e dou-lhe razão.



SOL DE LISBOA

Eu, que não conheço o mundo, que não sou viajado nem viajante, que tenho preguiça de low costs e alergias ao turismo; eu, o hipocondríaco dos quilómetros que me afastam de casa, ouso ainda assim acreditar que nalguns dias de Janeiro, como noutros de Julho, vivo na mais bela cidade do mundo.



FUNDAMENTOS DO BILHETE POSTAL

Ao cair da tarde, o Atlântico irrita-se ligeiramente com a nortada. No fundo azul profundo do céu, alguém com muitíssimo talento decidiu aplicar umas pinceladas de mutante púrpura, que navegam em exuberante evolução. Como se isto não bastasse ao aparato cenográfico, aproxima-se, lenta e solene, a inevitável traineira, no seu ruído de artrites, infestada pelo respectivo enxame faminto de gaivotas histéricas.
Entre a imagem, o som e o espanto, estou aqui esplendidamente estendido, a ver passar a multimédia.
Mais uns dias assim e começo a suspeitar que deus existe. Um deus esteta. Um deus que se está completamente nas tintas para o meu destino de infiel, mas que muito se aflige quando a tarde cai sem o seu apogeu cinematográfico.

segunda-feira, setembro 09, 2013

A televisão portuguesa a gostar dela própria.



O Canal 180 é uma espécie de grande redentor da televisão portuguesa.
Dá gosto ficar por aqui. Só que agora tenho que ir de férias.

sábado, setembro 07, 2013

A Punk Odissey

Lembrei-me da obra prima do Kubrick logo na primeira vez que ouvi o tema "Contact" dos Daft Punk. Pelos vistos não fui só eu, porque descobri entretanto um Youtuber que fez precisamente essa colagem. E a coisa corre estranhamente bem. 

Nas palavras do autor do trabalho:

On a whim, I tried playing Contact against the end segment of 2001 and it synced up flawlessly. The film and song aren't edited in any way, they both play out in full duration. It's incredible how well they match.

O triunfo dos porcos.

O Tribunal Constitucional da República Portuguesa é a Nemesis da República Portuguesa.
Quando precisamos dele para reformar o estado, é conservador. É reaccionário. Quando precisamos dele para moralizar a política, é liberal. É libertário. Numa coisa, porém, é coerente e constante: o prejuízo da nação.

A ideia de que um dispêndio de átomos como Filipe Meneses vai ser o próximo Presidente da Câmara do Porto dá-me vómitos.
Não aprendemos nada, nos últimos anos. Os batráqueos do charco partidário continuam a triunfar alarvemente.
Os que são generosos com o dinheiro dos outros, os que são humanistas de manifestação, os que são tolerantes para que ninguém repare que são de facto cobardes, os que são empreendedores por vocação e vigaristas por natureza, os que são tribunos porque não saberiam ser outra coisa, os que são deputados de estar ali, os que são ministros para fazer depois carreira, continuam a triunfar alarvemente.
Os trafulhas, os aldrabões, os mal criados, os idiotas, os crápulas que fogem para a Sorbonne, os traidores que fogem para a Comissão Europeia, os incompetentes que vão ser vices para o Banco Central Europeu, os ex-ministros das finanças que vão largar rapidamente os títulos da dívida pública portuguesa no emprego estrangeiro que desenterrarem a seguir, os líderes das centrais sindicais que, num estado de negação absolutamente recordista, continuam a não acreditar no simples facto de não haver dinheiro que pague o país que num dia triste imaginaram, os comentadores que fazem profissão disso, os políticos que são conhecidos por serem comentadores de futebol, que são eleitos por serem conhecidos comentadores de futebol, os presidentes da câmara que acham que resolvem as cidades portuguesas com um filme do Woody Allen e um labirinto de ciclovias, os spins-doctors do Bloco que querem legislar sobre o flagelo social a que chamamos piropo, os incapazes, os rapazes, os indigentes, os pequenos, os baixos, os feios, os porcos, os maus, continuam a triunfar alarvemente.


quinta-feira, setembro 05, 2013

O glorioso desenterro de Giorgio Moroder.



When I was fifteen, sixteen, when I really started to play guitar,

I definitely wanted to become a musician.
It was almost impossible because the dream was so big that
I didn't see any chance, because I was living in a little town, was studying...

And when I finally broke away from school and became a musician
I thought "Well, now I may have a litle bit of a chance."
Because all I ever wanted to do was music and not only play music but compose music.

At that time, in Germany, in 69-70, they had already discotheques.
So I would take my car and go to a discotheque, sing maybe thirty minutes.
I think I had about 7-8 songs.
I would partially sleep in the car because I didn't want to drive home, 

and that helped me for about almost two years, to survive, in the beginning. 

I wanted to do an album with the sounds of the 50s, the sounds of the 60s, of the 70s, 
and then have a sound of the future.
And I said, "Wait a second, I know the synthesizer. Why don't I use the synthesizer, 

which is the sound of the future?"
And I didn't have any idea what to do but I knew I needed a click ,

so we put a click on the 24 track which then was synced to the moog modular.
I knew that it could be a sound of the future but I didn't realize how much the impact 

would be.

My name is Giovanni Giorgio, but everybody calls me Giorgio.

Once you want to free your mind about a concept of harmony and music being correct, 

you can do whatever you want.
So nobody told me what to do and there was no preconception of what to do.



Daft Punk  |  Giorgio By Moroder

quarta-feira, setembro 04, 2013

Mais uma malha intensa do Sr. Alex Turner.



Artic Monkeys  |  Why'd You Only Call Me When Your're High?

Rocketville #7 - SpaceshipTwo flight



Telescope Footage of Virgin Galactic breaking the speed of sound in first rocket-powered flight of SpaceShipTwo. Taken by MarsScientific.com and Clay Center Observatory.

domingo, setembro 01, 2013

Setembro começa épico.



Atenção: nerds à solta. Cuidado com eles.  São capazes de grandes canções.

The Polyphonic Spree  |  Popular By Design (Live at WFUV)

sábado, agosto 31, 2013

Deixem os assassinos em paz!


Este atrasado mental aqui veio para a rua cheio de raivas por causa de uma presumível intervenção militar na Síria. Este atrasado mental aqui é contra. Este atrasado mental aqui achará provavelmente que os estados que gaseiam segmentos da sua população devem ser deixados em paz. Devem ser deixados em paz para cumprir o extermínio com a máxima tranquilidade. Um contributo muito sério para a minha tese de que não há ninguém mais perigoso que um pacifista.

sexta-feira, agosto 30, 2013

Coisas do CAM: os XX Dessins de Amadeu.



1912, Paris. Amadeu de Souza-Cardoso tem 25 anos e apresenta-se à comunidade artística da cidade luz com um assombroso conjunto de 20 bonecos que deixam os críticos completamente siderados. Os "XX Dessins" constituem um virtuoso ensaio gráfico a tinta da china e aguarela, que evoca vastos imaginários das tradições ocidental, oriental e africana; de D. Quixote às mil e uma noites. A obra está exposta integralmente na exposição do CAM - "Sob o Signo de Amadeu - Um Século de Arte" - e é simplesmente sublime.






Todo o restante espólio de Amadeu impressiona pelo talento exuberante e pela diversidade de referências e registos; e o que está exposto no CAM parece quase impossível de concretizar numa vida que durou apenas 30 anos, mas estes vinte desenhos são, para mim, especialmente maravilhosos.
Se Amadeu não fosse português, estaria ao lado dos imortais do século XX. Como teve a desgraça de nascer em Manhufe, ficou para sempre condenado à segunda divisão dos génios. É a vida. E, já se sabe, a vida é madrasta.



segunda-feira, agosto 26, 2013

Coisas do CAM: João Vieira | Alfabeto 1


Talvez por defeito profissional - a criação sobre fonte de letra sempre me interessou - esta foi uma das telas que mais me impressionaram na exposição "Sob o Signo de Amadeu - Um Século de Arte" que está patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
É claro que não faltam coisas espantosas nesta extensa mostra, mas o óleo do João Vieira, arrancado aos deuses da máxima inspiração no já distante ano de 1981, deixou-me com dificuldades respiratórias.
Como sempre nas obras primas, a reprodução não lhe faz justiça, até porque estamos a falar de uma tela com três metros por dois, carregadinha de uma textura enérgica, brutal, dir-se-ia instantânea. Mas só por si, este boneco justifica a visita ao CAM. Estou a falar a sério.

sexta-feira, agosto 23, 2013

Em vez de dormir com o inimigo, será talvez preferível ouvi-lo:



Enquanto a administração Obama anuncia um plano de ataque ao terrorismo que nem por uma vez inclui a palavra "Islão", esta reportagem aqui, sobre um canalha chamado Anjem Choudary, que lidera um grupo radical de islamitas sediado em plena cidade de Londres, ilustra bem o ponto escandaloso a que chegou a "tolerância" ocidental. O dito canalha não tem nenhum problema em assumir o que qualquer pessoa minimamente esclarecida já sabe ou devia saber: o Islão tem uma missão guerreira, impenitente, racista e fascista. O Islão pretende, em última análise, erradicar o conjunto de valores sobre os quais construímos a civilização ocidental, e substituí-lo, se possível através da violência, por um quadro de dogmas niilistas que incluem o fanatismo religioso, o sexismo mais retrógado e a medievalização das hierarquias sociais.
O Islão é o inimigo, ponto. Os imbecis, os traidores e os cobardes que governam a Europa e os Estados Unidos da América não conseguem ou não querem perceber isto. E, quando forem obrigados a agir, será, obviamente, demasiado tarde. A criança britânica que nesta reportagem vemos ser convertida aos ensinamentos draconianos do mais nojento fervor muçulmano, é o símbolo de uma derrota imensa. E todos os dias estamos a ser derrotados, imensamente, por esta tribo de selvagens que infestam as nossas cidades, que aviltam os nossos costumes, que desprezam a nossa herança filosófica.
Duvido muito que Jesus Cristo oferecesse a outra face a um filho da puta como Anjem Choudary. É realmente preciso combater esta gente.

quinta-feira, agosto 22, 2013

In the dark: mais coisas super giras sobre matéria negra, energia negra e buracos negros (que não são feitos de matéria negra).



"We understand about 4% of the universe. (...) We're dumb stupid ignorant about most of the universe. Which is really cool. It keeps the astrophisicists employed!"

"Dark matter is really not a good term. We should just call it Fred. Because we don't know if it is matter, we just don't know. So, to call it matter already puts a bias in the expectaion of what you would find. And that's not good science. It's better to call it something that doesn't make you think of anything. And that's why I just call it Fred."

"Black holes are dark, they are made of matter and they matter. But they are not dark matter."

"The particles that escape a Black Hole have the same inventory of al the particles that went in in the first place. The black hole did not forget what it had eaten."

"Nature is the biggest atom smasher that ever was."

"Dark matter could be regular matter linking from another universe. I mean, who knows?"

Neil DeGrasse Tyson - StarTalk Radio Show - Agosto 2013

Aviso à navegação.

segunda-feira, agosto 19, 2013

Apocalipse Not.



Hoje em dia já é mais frequente encontrar nos media quem não tenha medo nenhum de desmascarar a grande fraude ambientalista, mas em 2003, 2004 e 2005, quando primeiro no Ocidental Praia e depois aqui no Blogville eu já barafustava bastante, o assunto ainda era quase uma heresia.

Este aliás é um antigo cavalo de batalha do blog. Os links para os textos que resumem o meu pensamento sobre o tema e que escrevi em 2005, estão aqui:


E São Pedro, não manda nada?


A Frande Ambientalista: introdução.

Camada de Ozono
Florestas
Energia
Poluição Atmosférica
Aquecimento Global

Vem tudo isto a propósito do maravilhoso tema de capa da Wired de Setembro de 2012, que descobri, por acaso, ontem.
A reportagem reforça os argumentos que tenho vindo a repetir ad nauseam, mas como foi redigida por um cientista que nasceu para isto, a coisa é mais abrangente, mais rigorosa e sobretudo mais divertida, de tal forma que me parece obrigatório ler o que lá está escrito. O magnífico texto de Matt Ridley é construído de forma dialéctica - antes de contestar com os factos, que desmentem invariavelmente a possibilidade das mais terríveis profecias, o autor de "The Rational Optimist" integra uma colecção de disparates super alarmistas, do género Livro do Apocalipse, que ilustram bem o carácter dogmático, radical e absolutamente não científico do evangelho ambientalista. Por exemplo:


"The battle to feed all of humanity is over. In the 1970s ["and 1980s" was added in a later edition] the world will undergo famines—hundreds of millions of people are going to starve to death in spite of any crash programs embarked on now … nothing can prevent a substantial increase in the world death rate.”
Paul Ehrlich - 1968

“Scientists have solid experimental and theoretical evidence to support … the following predictions: In a decade, urban dwellers will have to wear gas masks to survive air pollution … by 1985 air pollution will have reduced the amount of sunlight reaching earth by one half.”

Life Magazine - January 1970 
“We could use up all of the proven reserves of oil in the entire world by the end of the next decade (...) World oil production can probably keep going up for another six or eight years. But sometime in the 1980s, it can’t go up anymore. Demand will overtake production.”
Jimmy Carter - televised speech - 1977
"THE FOREST DIES.” 
Der Spiegel - November 1981 
“An increase inTwilight Zone-type reports of sheep and rabbits with cataracts"
The New York Times - Report on the threat to the ozone layer 
“We need to radically and intelligently reduce human populations to fewer than one billion … Curing a body of cancer requires radical and invasive therapy, and therefore, curing the biosphere of the human virus will also require a radical and invasive approach.”
Paul Watson - The Sea Shepherd Conservation Society

Para além desta edição da Wired, é muito significativo o conjunto de vozes que nos últimos cinco anos se têm levantado para desmascarar a ciência fantasiosa de Al Gore e de um grupo de interesses com raízes profundas no establishment político, universitário e mediático, um pouco por todo o mundo. Quatro exemplos recentes desta agradável tendência 
podem ser encontrados aqui:

The Resilient Earth (site)

The Great Global Warming Swindle (documentário britânico)
The Rerum Natura  (Prof. Jorge Buescu)
Climate Depot

Uma coisa boa que tem a idade, é que nos dá a quantidade de tempo suficiente para ver nascer e ver morrer certos mitos. E eu estou a apreciar a queda deste, muito especialmente.


domingo, agosto 18, 2013

Todos morrem calçados.



U. S. Marshall Raylan Givens. Um herói simpático, educado, cordial, atraente. Um pistoleiro de gatilho alegre, que mata dois suspeitos por episódio, em média. Justified é uma série meio saloia, meio genial, criada pelo grande Elmore Leonard, que não está cá com grandes problemas éticos. Sempre que Raylan Givens mata mais um desgraçado, ninguém fica com dores de consciência. Os tiros certeiros justificam-se todos na medida em que, do outro lado, encontraremos invariavelmente um vilão que está mesmo a pedi-las. E, no Kentucky, o que não faltam são vilões assim, a pedir despacho.
Wyatt Earp: eat your heart out.

sábado, agosto 17, 2013

Eléctrico e mariquinhas.



Electric Guest | This Head I Hold

Carta aberta ao General al-Sisi

Caro General;

Tenho seguido com cínico interesse e simpatia confessa, os desenvolvimentos da sua sagrada missão.

Vossa Excelência, quero que o saiba, é um verdadeiro herói. Digam o que disserem os bandidos da grande Al Jazeera que é a imprensa ocidental, Vossa Excelência é um libertário dos sete costados.

E preciso de lhe dizer isto: o General não é autor de um golpe de estado. O General limitou-se a reagir ao golpe de estado que estava a ser perpetrado pela Irmandade, logo que infectou os corredores do regime.

O General, que está apenas a proteger a constituição da sua república e a venerável tradição laica do estado egípcio; o General, que sempre soube que a Primavera Árabe anunciava o inverno islamita; o General que, ao contrário do que mentem as imagens televisivas, não combate contra civis, combate contra milícias; o General é um guardião dos bons e velhos valores ocidentais que nós, aqui no Ocidente, mais não fazemos que deixar cair, com estrondo de falência histórica. E eu saúdo o seu zelo!

Vossa Excelência está a fazer o que pode para salvar o Egipto do mais terrível dos fascimos: o religioso. Vossa Excelência está a lutar pela possibilidade de um futuro no Médio Oriente. E isto, convenhamos, não é dizer pouco.

Aplaudo a sua determinação, a valentia da sua cruzada. E só lamento - sou sincero - que esta seja, em última análise, inglória. É que a tarefa, sendo de transcendente importância, é sobre-humana, caro General.

Sabe, tenho feito cálculos. No seu país, só radicais islâmicos devem ser para aí uns vinte milhões e, considerando a velocidade a que o general os está a matar, calculo que a Irmandade Muçulmana será erradicada lá para o ano 2232. Aprecio a sua diligência, mas a este ritmo não vamos lá.

Estes factos não obstam porém a que lhe agradeça o que está a fazer, contra todos e apesar de tudo, em defesa do meu quadro de valores civilizacionais.

É pois com sincera gratidão e votos de vitória que me subscrevo,

Paulo Hasse Paixão

segunda-feira, agosto 05, 2013

Grupo B ou os gloriosos malucos das máquinas assustadoras.



No tempo em que o WRC era uma competição realmente épica, com heróis de barba rija (Michelle Mouton incluída) ao volante de monstros de 500 cavalos; no tempo em que as classificativas eram desenhadas pela multidão; no tempo em que éramos todos loucos em Sintra e em Fafe e em Arganil, mas éramos felizes na mesma medida; no tempo em que automóveis como o Audi Quattro eram mais que automóveis, eram personagens; nesse tempo a glória era algo de tangível. Estava suspensa em cada curva. Era imanente em cada segundo.
Estes carrinhos do WRC de agora, não matam ninguém, é verdade. Mas também não criam imortais.
E é uma pena.

terça-feira, julho 30, 2013

Se calhar não é razão para tanto.



Esta malha é a definição do Rock. Eloquente, poderosa, transcendental. Mas, por favor, o grafiti no comboio tem a ver com o quê, precisamente?

Graffiti On The Train | Stereophonics

Mais uma preciosidade da blogothèque.



1901 - Phoenix - A Take Away Show

segunda-feira, julho 29, 2013

Mesmo à rasquinha.


No ano passado, tinha prometido a mim mesmo que na edição da GT Academy de 2013 iria competir para uma classificação dentro dos 100 primeiros portugueses. Acabei de facto por cumprir o objectivo, mas não podia ter sido mais no limite: no fechar da competição, fiquei em nonagésimo nono lugar...
No que diz respeito ao ranking global, o 4011º posto é um resultado pior do que o 3678º da edição anterior, mas este ano a qualificação contou com mais 300.000 participantes, num total de 1.311.810, pelo que me parece mais ou menos normal ter descido estes trezentos e tal lugares.
Em 2014 há mais. E, com um bocadinho de jeito e sorte, talvez consiga fazer melhor.




sábado, julho 20, 2013

Ruca, o grande.


Depois de se ver afastado do top ten do Tour por ter sido obrigado pela equipa a esperar pelo seu líder Valverde, numa etapa plana que deixou muitas marcas na Movistar, Rui Costa, já sem pensar na classificação geral, dedicou-se a dar espectáculo e, com o triunfo de hoje, soma duas vitórias na edição 100 da corrida mais louca do mundo, igualando o recorde de Joaquim Agostinho, o único português que até hoje tinha ganho duas vezes numa só edição do Tour de France.

Na etapa de Gap, como nesta de hoje, que por acaso era até a mais dura da competição (200 kms, 5 prémios de montanha), o ciclista português dominou os muitos e bons adversários de fuga de uma forma absolutamente eloquente, chegando à meta bem isolado. Para além das suas muito fortes características físicas e da versatilidade atlética que demonstra, Rui Costa é um rapaz extremamente inteligente, que sabe escolher muito bem os momentos de ataque e de defesa. Que sabe ler muito bem a corrida.

Em 2014, vamos vê-lo, tudo indica, a correr como chefe de fila. Não na Movistar, onde Quintana e Valverde são difíceis de contornar, mas numa outra grande equipa do circuito profissional, isso é certo. É que temos aqui ciclista para nos dar muitas alegrias.

quinta-feira, julho 18, 2013

Uma pequena opereta pop.



Phoenix  |  Trying To Be Cool

Orgulhem-se de outra coisa qualquer.

"Que importa, realmente, onde e por quem o teu sexo se arrebita?"
Marco António | Carta a César Octávio Augusto | 41 A.C.

Um gajo que é maricas, orgulha-se disso porquê? Um tipo, só porque gosta de levar no cú, deve achar que é mais que os outros? E na directa simetria, eu também devo ser contente comigo porque me recuso a levar no cú?
Olhem para mim, todo vaidoso por gostar de raparigas! Sim, olhem para mim na parada dos gajos normais, a exibir garbosamente a minha sexualidade como se isso fosse uma virtude do camandro!

Por deus, porque raio é que os gostos de cama são chamados para o despudor da rua?
E que tenho eu a ver com isso dos gostos de cama de cada um?

(Gentil leitor: se na praia, à vista de uma boa nádega do nadador salvador, a tua pila se arrebita, deves ser maricas. Mas não te inquietes, tens o direito natural de seres maricas. Não há problema. E sobretudo, eu não tenho nada a ver com isso, percebes?)

Sou contra as paradas dos paneleiros como seria contra as paradas dos que não são paneleiros.
Se os desfiles gay já são uma manifestação esteticamente deplorável, imaginem o horror visual de uma parada Hetero-Macho-Latino.

É que para ser a favor das paradas dos paneleiros, eu teria outrossim que incentivar a afirmação pública de todas as inclinações sexuais. Por exemplo: os heterosexuais que preferem sexo anal. Ou os atrasados mentais que preferem foder ovelhas. Ou os masturbadores de todo o mundo: uni-vos, criaturas, para afirmação pública e mediática da vossa glória!

Toda a gente na rua apontando para o sexo, devidamente etiquetado com a preferência correspondente. Eis, em síntese, o conceito contemporâneo de justiça social.

Hoje no Público, leio que a ministra da justiça alemã convidou a rapaziada da selecção de futebol para o desfile do orgulho gay. Porque parece que há para lá um paneleiro ou outro, na selecção alemã.

Ora, convidar a mannschaft inteira para um desfile gay, porque há para lá, na mannshaft, um paneleiro ou dois, é o equivalente epistemológico da figura da Dizimação nos exércitos do Império Romano. Uns poucos de legionários têm a cobarde ingenuidade de abandonar a batalha, mas é toda a legião que paga pela medida grande.

Como dizia o outro: ora bolas para a gente ter que aturar isto!

segunda-feira, julho 15, 2013

Espectacular. Com drogas ou sem drogas.



Este é o momento mágico da centésima edição do Tour de France.
Chris Froome, atleta extraterrestre, está a sete quilómetros da meta, situada no cume do Monte Ventoux, a 2.000 metros de altitude. Tem Contador na roda. Mete uma ou duas mudanças abaixo e dispara, simplesmente, numa pedalada maluca, por ali acima. Contador parece que fica parado. Froome parece que vai de mota. Numa questão de cinco minutos, já leva 30 segundos de avanço, garantindo, depois de passar, mais à frente, Quintana, a vitória na etapa e na competição.
Esta era a etapa mais longa desta histórica edição, com quase 250 kms de corrida. A média horária, no fim, e incluindo uma hora de escalada pelo Ventoux acima, foi de 41,7 kms/hora. Quem é capaz de fazer uma coisa destas, por mim, pode dopar-se à vontade.

terça-feira, junho 25, 2013

Audi uber alles.


















Esta besta aqui, para além de ser campeã do mundo do primado estético, vai ficar para a história do inferno a que chamam Le Mans e da febre a que nos referimos quando falamos de automobilismo.
O R18 E-tron será, talvez, um dos últimos grandes produtos tecnológicos da civilização ocidental. Mas respira glória como quem anseia por oxigénio.

sexta-feira, junho 07, 2013

Ainda bem que não há clip.



Assim, dá para centrar a atenção no som apenas. Grande malha.

Train With No Name | The Veils

segunda-feira, maio 27, 2013

Anti-SLB: amor de perdição.


Não é de agora. Já há muitos e muitos anos que tenho desgosto por ser do Benfica. Esta triste e fatal paixão é uma das razões que me impede de ter um pouco mais de consideração por mim mesmo. O insuportável dejecto sociológico em que se transformou o SLB dá-me cabo da auto estima. Sinto até alguma repulsa, algum nojo pelo clube e por mim, que sou do clube. Como é que é possível a alguém decente simpatizar com uma organização dirigida por homens como estes? Como é que é possível perder tanto, com tanto estrondo? Como é que é possível a esta gente armar aos cucos da maneira que arma aos cucos e, depois da queda abismal, depois da humilhação e da gargalhada, depois da desvergonha e das mentiras, recomeçar outra vez, no eterno ciclo entre as cinzas de um ano e as cinzas do outro?

Ser benfiquista não é como diz a canção. Ser benfiquista é uma pena pesada. Uma cruz para a vida toda. Uma perdição.

Já estes dois atrasados mentais aqui em cima nunca perdem. Têm a felicidade dos vis: como não são do Benfica, não são esmagados pelas derrotas colossais, e como gerem o clube como uma organização mafiosa, ganham fortunas todas as épocas.

Já eu, estou farto de perder. Estou farto do Benfica. E estou farto de mim.

Pior que eu, claro, só mesmo um desgraçado que seja adepto do Sporting Clube de Portugal. Porque é preciso que um ser humano seja muito, mas mesmo muito infeliz, para retirar felicidade das derrotas e das misérias de um rival tão fraquinho como o Sport Lisboa e Benfica.

Space Oddity



Directamente da International Space Station, o comandante Chris Hadfield, primeiro entertainer da história da astronáuticaapresenta uma versão revista e actualizada da obra-prima de ficção científica que é esta canção do Bowie. Para além do clip, a pista de voz foi mesmo gravada na ISS, facto que, segundo parece, marca a entrada da humanidade na era do pop espacial. Sejam bem-vindos.

sábado, maio 11, 2013

Não sou eu que sou aldrabão, a realidade é que é esquizofrénica.



No outro dia coloquei aqui um gráfico que deixou muita gente céptica, até porque não inclui a fonte. Mas não faz mal nenhum que não acreditem em mim. É fácil duvidar de um leigo. Será talvez mais difícil desacreditar o Professor Michio Kaku. Vale a pena investir 5 minutos neste video. Primeiro porque Michio Kaku é um comunicador de eleição. E depois porque sempre se fica com uma noção da esquizofrenia do cosmos (segundo as conclusões e as especulações da física contemporânea).

A propósito disto, deixa-me recomendar-te, gentil visitante, o projecto Big Think. Um canal de ensino da ciência que é realmente notável.

terça-feira, maio 07, 2013

Filhos da puta da pior espécie.


É verdade: alimento uma especial antipatia por jornais e jornalistas. É verdade que acho a maior parte dos jornais - senão todos - uma vergonha. E a maior parte dos jornalistas - senão todos - uns filhos da puta da pior espécie. A profissão obriga, não há nada a fazer. Durante muitos e muitos anos - é verdade - pensei que os filhos da puta da pior espécie eram os publicitários, porque tenho a tendência de pensar sobre mim o pior possível, e sobre a minha profissão o pior possível. Mas esses dias acabaram. Já não acho que faça parte da pior espécie de filhos da puta. É verdade.

A imagem que ilustra este post mostra a edição online do Público desta noite. Garanto-vos: nunca, durante esta época, um resultado do Benfica foi noticiado com este destaque. Na quinta feira passada, o clube chegou a uma final europeia, pela primeira vez em mais de duas décadas e conquistando a presença de duas equipas portuguesas no top dez dos clubes europeus. Essa notícia foi colocada, convenientemente, na coluna da direita da grelha editorial, lugar subsidiário, porque existiam na altura assuntos mais importantes que o futebol. Eu também acho que existem assuntos mais importantes que o futebol. Isto embora não partilhe filosoficamente das prioridades editoriais do Público, que se parecem limitar à descarada amplificação da campanha socialista. Hoje porém, parece que o Público resolveu sacrificar a campanha socialista para dar descarado destaque ao empate do Benfica. Ora, o tipo de política editorial que vive dos fracassos dos outros, que vive de derrotas e de humilhações, que vive de desgraças e de maus números, que vive das altas taxas de desemprego e do testemunho dos coitadinhos, que vive num e de um Portugal deficitário e que elogia o Portugal deficitário e que combate militantemente pelo Portugal deficitário (até porque o jornalismo "sério", "contemporâneo" e "responsável" não pode nem deve ser patriótico); o tipo de política editorial Robim dos Bosques que é serva do xerife de Nottingham, que é valente pelos desempregados enquanto despede o seu quinhão, que é hipócrita até cair para o lado e socialista quanto baste para que os assalariados de miséria da Sonae continuem a virar a sua raiva para os políticos (únicos incompetentes em Portugal); o tipo de política editorial que promove e eleva homens baixos e vis como Vítor Pereira e José Sócrates, este tipo de política editorial é que está a matar os jornais.

Os jornalistas "sérios" (leia-se neo-socialistas), faustosamente assalariados por grupos empresariais de comportamento neo-liberal, gritam batota por causa dos jornalistas cidadãos independentes da rede global e os accionistas de referência desses grupos empresariais gritam falência por causa da electrónica e da concorrência honesta, enquanto tentam aterrorizar as pessoas com a ameaça de um vácuo informacional que, infelizmente para eles, não existe de todo. Mas convenhamos, não é a internet que está a matar os jornais. É o que os jornalistas fazem com os jornais que está a matar os jornais. Até porque estes filhos da puta da pior espécie realizam online exactamente o mesmo argumento que escrevem no papel. Aviltam, com a sua cobardia, com a sua manha, com o seu oportunismo, com a sua esperteza saloia, com a sua falta de educação, um veículo mediático da mesma forma que aviltam o outro. O problema não está no meio, está na mensagem. Até porque, entretanto, as pessoas na Europa toda, para não falar de outros lugares selvagens e igualmente infestados de jornalistas, já perceberam que a verdade não tem nada a ver com o jornalismo. E que o jornalismo não tem nada a ver com a decência.

O jornalismo evoca no jornalista, como no consumidor de jornalismo, as piores características humanas.

Jacques Séguéla, o famoso publicitário francês que em má hora elegeu Miterrand para o seu derradeiro mandato, dizia: "não digam à minha mãe que sou publicitário. Ela pensa que eu toco piano num bordel." Mas que podem dizer hoje os jornalistas às suas tristes mães? Filhos da puta da pior espécie, são comerciais como o mais vendido dos apóstolos. Filhos da puta da pior espécie, são tendenciosos como o mais imparcial dos fanáticos. Filhos da puta da pior espécie, são aldrabões como o mais desonesto cidadão da república.

Afinal, quem joga sujinho, sujinho, sujinho é o jornal Público. E muitos outros jornais como o jornal Público. Porque a infâmia humana é uma pandemia.

sábado, maio 04, 2013

É ou não é o melhor treinador do universo?



Com cábula ou sem cábula e mesmo quando não ganha, José Mourinho consegue ser grande. Enorme. E é claro que é o melhor treinador do universo. Deste universo e de outro qualquer onde se jogue futebol. E o que é mais: nem precisa já, a meio da sua carreira, de provar seja o que for.

terça-feira, abril 30, 2013

sexta-feira, abril 26, 2013

Tudo o que não sabemos.


A dimensão da ignorância humana é absolutamente devastadora. No gráfico em cima, que representa, grosso modo, a repartição comparativa da matéria cósmica, ilustra-se bem a tragédia da ciência contemporânea. Sabemos alguma coisa sobre a matéria atómica e subatómica, mas não o bastante para uma teoria unificada de campo. Alguns vêem na Teoria das Cordas essa solução compatibilizadora entre comportamentos atómicos e sub-atómicos. Mas ainda assim, esta teoria refere-se a cerca de  4% do tecido do cosmos. Quanto aos restantes 96%, zero de conhecimento. Sabemos só que existe energia negra e matéria negra, porque a arquitectura do modelo standard assim o exige e porque alguma coisa tem andado a contrariar as forças da gravidade no universo, caso contrário a sua expansão seria impossível. Mas mais nada. Rigorosamente mais nada.
Homo Sapiens. A sério?

quinta-feira, abril 18, 2013

Elogio do erro #2



Telekinesis  |  Power Lines

Este clip parece que foi criado para confirmar o post anterior. Os rapazes (e a rapariga) não podiam ser mais feinhos e desajeitados. A cenografia é de sentido estético próximo do zero absoluto e os artistas fazem questão em vestir-se como se fossem montar uma estante na garagem. O vocalista apresenta um lamentável problema epidérmico e todos em uníssono desafinam até dizer chega. Mas o tema é brilhante. É simplesmente brilhante. E no fim, sempre descobrimos o belo e a consolação.

When I was young, 
I thought I was a power line.


quarta-feira, abril 17, 2013

Elogio do erro ou "Eu sózinho consigo levantar este automóvel na boa".



Walk The Moon  |  I Can Lift a Car

Well, no misunderstanding,
I'm not saying that you came
but you did.
I can lift a car up all by myself.

Uma coisa maravilhosa que tem o rock é que perdoa, admite e inclui o erro humano. Aqui estes heróis do momento falham, erram e desafinam umas quantas vezes, num registo que é muito menos que perfeito. Muito menos que perfeito e resulta, ainda assim, na perfeição. Esta música, mesmo como aqui está, dá vontade de levantar não sei quantos automóveis.

Agora imaginem que a mesma margem de erro era aplicada a uma interpretação dos Concertos de Brandenburgo. Seria o desastre total, verdade? Depois de assistir a semelhante cataclismo, ninguém teria energia para levantar um carrinho de supermercado que fosse. Felizmente para Bach, o barroco não admite deslizes.

Já o rock é mais simpático. Sem deixar de ser genial, conforme figura em anexo.

segunda-feira, abril 08, 2013

Bye bye Maggie, god bless.

“Essa coisa da sociedade não existe. Existem homens e mulheres e as suas famílias."
Margaret Tatcher - 1987

Non stop.



Leagues | Spotlight

A um dado momento, alguém neste planeta está a compor uma grande canção. E este pensamento reconforta-me. Faz-me gostar um bocadinho mais da raça humana. Mas só um bocadinho.