quinta-feira, janeiro 28, 2021

Justiça divina ou justiça popular?


Vai dar no mesmo. Uns milhares de cidadãos de classe média reuniram-se à volta de um chat do Reddit e decidiram comprar milhares de acções da GameStop, um retalhista de videojogos que estava a ser objecto de especulação manhosa por parte da Melvin Capital, uma hedge fund de Wall Street que apostava na destruição da empresa e que por isso tinha investido à grande na baixa cotação das suas acções. Resultado: a cotação das acções da Gamestop começou a subir loucamente (cerca de 300% e isto é que é usar as armas do inimigo contra ele próprio) e em 48 horas os bandidos da Wallstreet perderam biliões de dólares e foram levados à falência. Sim biliões. Isto enquanto o grupo de investidores justiceiros ganhou dinheiro como quem monopoliza o Monopólio. 



Esta história é simplesmente maravilhosa e demonstra inequivocamente como a vontade popular pode fazer sofrer, à séria, as miseráveis elites que temos e fazer uma espécie de divina justiça sobre a ganância e a total ausência de escrúpulos dos vampiros do mercado bolsista.

Os dois bons marretas do Lotus Eaters explicam melhor que eu o que aconteceu num segmento hilariante do seu podcast que recomendo vivamente porque é super divertido.

Tulsi: a única democrata capaz de denunciar o processo totalitário em curso.

Ainda há menos de uma ano atrás, Tulsi Gabberd fazia parte do elenco dos candidatos às primárias do Partido Democrata. Hoje é a única voz, no partido, com a coragem e a lucidez de dizer o que é preciso dizer. Além disso, a rapariga é um borracho de cair para o lado.

quarta-feira, janeiro 27, 2021

A Bíblia não. Pornografia infantil, sim.

Os censores do Facebook acham que a Bíblia é ofensiva e deve ser banida das suas páginas, enquanto permitem que a plataforma seja usada para normalizar o abuso sexual de menores.

No entretanto, o Twitter censura toda a gente que desconfie da legalidade e legitimidade do processo eleitoral de 20 de Novembro, mas permite que pedófilos divulguem abertamente as suas criminosas actividades.

Se isto não é uma definição do mal absoluto, não sei mais que vos diga, amigos.

terça-feira, janeiro 26, 2021

Às vezes penso que vou acordar

deste pesadelo. Mas não. A presente realidade dá uma abada aos piores sonhos que posso ter.

Fascismo à boca cheia.

As forças totalitárias que agora presidem aos destinos da América já nem sequer tentam esconder a vilania das suas intenções. Toda a gente que discorda da sua visão deve ser silenciada, ponto. o sempre corajoso Tucker Carlson dedica este monólogo ao arrepiante assunto e merece toda a nossa atenção. Mas reparem especialmente no que diz o "Head Security Officer" do Facebook, em declarações à CNN, ao minuto 18:09. É assustador. Até um ditador sul americano, até um líder nazi, até um dirigente soviético, até um comissário do partido comunista chinês teria pudor em pronunciar estas palavras. Inacreditável.

segunda-feira, janeiro 25, 2021

Máscara para que te quero.

 

60,5 % de abstenção e está tudo dito.

Não há muito para dizer sobre as presidenciais desta triste república. O palerma do Marcelo conseguiu continuar a enganar uma boa maioria dos portugueses, que acham que ele é o máximo. O Ventura falhou completamente em resgatar o voto dos cidadãos que geralmente se abstêm e que são tantos como aqueles que votaram no palerma do Marcelo. A imbecil-histérica da Ana Gomes não conseguiu mais que um terço dos votos do PS, o João Ferreira ficou longe de somar o que vale eleitoralmente o seu partido estalinista e a Martinha ou Marina ou lá como é que ela se chama demonstrou, mais uma vez, que o Bloco já deu o que tinha a dar. Tudo na mesma e mais do mesmo, portanto. E nem sei se valeu a pena escrever este parágrafo.

A discoteca da minha vida #77: "The Music", The Music

The Music : The night fever - Addict Culture

A banda que pomposamente decidiu chamar-se "The Music" é um daqueles epifenómenos difíceis de entender. Editaram 3 discos explosivos entre 2002 e 2008 e depois desapareceram para sempre. O seu primeiro trabalho, homónimo, é uma coisa sem explicação: Robert Harvey fica com as tripas de fora de tanto ter que gritar por cima da electricidade que a banda debita em doses industriais e a ideia subjacente a este ensaio sobre o ruído é que o apocalipse se aproxima a passos largos e que cabe ao músicos exercerem com furiosa energia todos os acordes possíveis, a grande velocidade e no máximo volume, enquanto é tempo.
Oiço hoje este disco intenso e poderoso e soa-me como uma espécie de elegia aos heróis esquecidos do rock and roll. Porque se é certo que estes grandes malucos caíram completamente no esquecimento, isso não faz deles uma banda menor ou deste disco um subproduto. Pelo contrário. Essa bruma oblívia é uma coroa de louros. Um monumento ao soldado desconhecido. Uma fuga gloriosa para o lado obscuro da criação.

quinta-feira, janeiro 21, 2021

Covid 19 e o Great Reset: um documentário a sério.

Este tipo de jornalismo está em vias de extinção. Recomendo vivamente o seu consumo. Enquanto ainda é possível.

 

Joe, o mal amado.

O mais votado presidente americano de sempre parece ser bastante impopular no Youtube. Nas últimas 24 horas, a página da Casa Branca mostra estes números elucidativos:

 

E isto é porque a Casa Branca desactivou os comentários. Caso contrário, em complemento da dureza dos números também teríamos acesso à crueza das palavras.

O melhor futebolista de todos os tempos.



Cristiano Ronaldo marcou hoje, na final da supertaça italiana, o 760º golo da sua carreira e é agora o futebolista com mais golos marcados em jogos oficiais na história da modalidade. Exceptuando naturalmente os argentinos e os catalães, ainda há alguém que duvide que este rapaz é o melhor de sempre?

E é assim.


quarta-feira, janeiro 20, 2021


 

A discoteca da minha vida #76: "Songs for the Deaf", Quens Of The Stone Age

Continuamos no profícuo ano de 2002. "Songs for the Deaf", o terceiro albúm dos Queens Of The Stone Age, explode como um barril de pólvora nuclear pelos ouvidos do mundo a dentro. Com uma ajudinha de Dave Grohl, baterista dos Nirvana e líder dos Foo Fighters, Josh Homme consegue aqui a sua pièce de résistance: um maníaco e poderoso manifesto rock, de máxima intensidade voltaica e mínima elaboração harmónica. Ouvem-se estes temas e as pernas querem pular, os braços querem voar, enquanto o cerebelo implora por uma aspirina. O trabalho de produção é notável, fechando a selvática progressão da banda num palco sonoro quente e árido, e o disco, que foi conceptualmente pensado como banda sonora para uma roadtrip pelo deserto que separa Los Angeles de Joshua Tree, resulta de facto numa viagem alucinante, odisseia volátil e fantasmática que vai acabar por se engalfinhar no arame farpado da atormentada alma americana.

Ditadura Militar dos Estados Unidos da América #03

 Talvez o melhor, talvez o mais poderoso monólogo de Tucker Carlson. Imperdível.

segunda-feira, janeiro 18, 2021

Sobre a boa e a má violência.

Se abrires uma conta no Twitter e postares apelos à mais extremada violência, (do género: enforca o Trump, mata os conservadores, frita os polícias na sua própria banha, tira os filhos das famílias conservadoras e coloca-os em campos de reeducação, etc., etc.), não te acontece nada. Mas se postares alguma dúvida sobre as boa intenções do movimento Black Lives Matter ou se colocares em causa a legitimidade eleitoral de Joe biden, és rapidamente banido da plataforma. Porque há uma violência que é boa e uma violência que é má. A boa violência é mesmo violenta e é boa. A má violência nem sequer chega a ser violência. É mera discordância. E isso é que não pode ser permitido. Tucker Carlson elabora sobre o assunto:

Gab: o sítio da liberdade.

Depois do Twitter ter sistematicamente censurado milhões de vozes conservadoras e do Parler ter sido completamente aniquilado pelo processo totalitário em curso nos EUA, o Gab é o único servidor de microblog sobrevivente da purga. E daí os números malucos: 50 milhões de visitas por semana, um milhão de novos subscritores em cada 48 horas. O facto desta rede social permitir total liberdade de expressão (limitada apenas pela lei constitucional americana), trabalhar com os seus próprios servidores e não depender grandemente do alojamento da aplicação nas lojas electrónicas da Google e da Apple, permitiu o seu triunfo sobre a pressão fascista de Sillicon Valley.

Mas há sempre uma candeia / dentro da própria desgraça / há sempre alguém que semeia / canções no vento que passa. / Mesmo na noite mais triste / em tempo de servidão / há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não.

Itálico carregado de ironia.

Ditadura Militar dos Estados Unidos da América #2

Ditadura Militar dos Estados Unidos da América.

Neste momento, estão 25 mil soldados estacionados em Washington, de forma a proteger a inauguration do Sleepy Joe Biden (Beijing Biden para os amigos). Os Estados Unidos da América são agora completamente uma república totalitária. Ao estilo sul americano.

Lockdown Rally #2









 

Uma imagem vale por quantas palavras?

A discoteca da minha vida #75: "Love Box", Groove Armada

"Life is slow when the groove is on
Tripping lights fantastic disco show"

Os imperadores do cool regressam em 2002 com uma retumbante vitória sobre o silêncio. "Love Box" oferece, com a mesma intensidade, um chuto de energia big beat e uma viagem às profundezas da tradição rythm & blues americana.
E é tudo tão bem interpretado, tão bem produzidinho, que até faz impressão. Uma impressão duradoura, porque dezoito anos depois, volto a ouvir os Groove Armada com pasmo e veneração.
Discaço do caraças.

segunda-feira, janeiro 11, 2021

Breaking news:

Enquanto ainda é possível ter voz.

O General Thomas McInerney tem uma carreira distinta: veterano da guerra do Vietname, em que somou mais de 400 missões de combate como piloto da força aérea (!), agraciado por inúmeras vezes com algumas das principais condecorações militares das forças armadas americanas (Distinguished Service Medal 2x, Defense Superior Service Medal, Legion of Merit 2x, Distinguished Flying Cross 2x, etc.), liderou na sua carreira várias forças militares destacadas pela Nato e pela Força Aérea norte americana em diversos cenários do teatro global. Isto tudo para dizer: não se trata propriamente de um palhaço qualquer. E o que ele disse ontem, numa conversa informal mas "on the record" com alguns jornalistas presentes num corredor da Casa Branca, merece não só a credibilidade devida a um herói, como alguma reflexão sobre o que está de facto a acontecer neste momento nos Estados Unidos da América.
Convém ouvir o senhor já, antes que o Youtube censure este substancial e significativo testemunho.

domingo, janeiro 10, 2021

Fascismo total.

Nos últimos 6 a 4 anos, as big tech têm desenvolvido, protegidas pelo esquema monopolista dos seus negócios e pela cumplicidade das super-estruturas políticas, financeiras e mediáticas das nações ocidentais, um programa de censura e cancelamento sobre qualquer opinião divergente que tornou irrelevantes os pesadelos de Orwell. E não se trata apenas de liquidar a liberdade de expressão: corporações como a Shopify ou a Paypal ou a Patreon objectivam em última análise a falência técnica daqueles que renegam as verdades oficiais, impossibilitando o exercício da sua actividade económica.

Talvez o caso mais sinistro deste movimento totalitário perpetrado pelas elites de Silicon Valley sobre o livre arbítrio e o exercício de cidadania das massas é o que aconteceu nos últimos dias com a plataforma Parler. Mas vamos por partes.

Como tinha previsto no post sobre os eventos de dia 6, a reacção de natureza totalitária da esquerda radical e dos poderes estabelecidos da sociedade americana não se fez esperar. Numa atitude completamente inédita, o Twitter fechou a conta daquele que ainda é legalmente o Presidente dos Estados Unidos, retirando-lhe o seu último reduto mediático, horas depois do motim do Capitólio. O Facebook fez o mesmo. Não contentes com este escandaloso e perverso exercício de poder absolutista, as corporações de Silicon Valley passaram os últimos dias a fechar contas nas suas plataformas. Do Youtube ao Instagram, centenas de milhar de criadores dissidentes de todo o mundo foram cancelados e despojados não só do seu direito à opinião, não só do seu direito ao contraditório, não só das suas audiências, mas também e na verdade das suas fontes de receita.

Pressionados pelo zelo censório das grandes corporações, criadores e públicos têm procurado conduzir conteúdos e atenções para plataformas alternativas, como o Rumble e o Bitchute (alternativas ao Youtube), o Minds e o Locals (alternativas ao Facebook e ao Blogger) e, muito principalmente, o Parler (alternativa ao Twitter), que ainda ontem e como reacção ao fecho da conta de Donald Trump, constava como aplicação mais descarregada na App Store da Apple. 

Acto contínuo, e porque o bom fascista não suporta que a dissidência tenha qualquer hipótese de sobreviver, A Apple e a Google apressaram-se a banir das suas lojas electrónicas a aplicação renegada.

Ainda ontem, Dan Bongino, o pundit ex-CIA que é um dos sócios fundadores do Parler, protestava justamente sobre o que se estava a passar e lançava o aviso: aqueles que acham que é boa ideia censurar os que expressam uma opinião discordante da sua, vão acabar também por ser censurados. É uma questão de tempo, na medida em que todos os processos totalitários não funcionam com base em princípios, mas em lógicas do poder pelo poder.

Existia ainda e porém a hipótese de os utilizadores acederem directamente ao site do Parler, sem necessidade de instalação da app. Mas até isso é inconcebível para os oligarcas deste admirável mundo novo e a Amazon, que albergava o Parler nos seus servidores, afirmou hoje que a partir da meia noite vai desactivar o serviço, eliminando, para todos os efeitos, a presença online desta aplicação.

Convém dizer que o Parler é de facto um espaço de diálogo que permite grande liberdade de opinião, sendo que a moderação não é feita pelos quadros da empresa mas por júris constituídos por utilizadores certificados e seleccionados por algoritmo. Por isso mesmo, e porque a liberdade tem sempre um preço, é natural que passem, aqui e ali, mensagens mais extremadas. E dado que o Twitter é hoje um câmara de eco das vozes de esquerda, o Parler congregou as sensibilidades da direita, num processo de polarização da opinião que é de trincheira, mas que tem como principais responsáveis, claro está, os censores que iniciaram a divisão. Tanto mais que o Twitter, como qualquer utilizador minimamente lúcido percebe, também permite extremismos de toda a ordem (hoje no trending desta plataforma podíamos ler #Hang Mike Pence), desde que sejam de esquerda ou que alinhem com a narrativa oficial.

Não é preciso ser um génio para perceber que retirar qualquer hipótese de expressão a milhões de pessoas só pode gerar revolta e ressentimento e um aumento exponencial dos extremismos e, assim, abrir caminho para mais episódios de violência, que poderão muito bem escalar para um levantamento civil de consequências difíceis de prever.

Civil War graph.png

No entretanto, e enquanto milhões de pessoas por todo o mundo sofrem as mais nefastas consequências económicas, sociais e psicológicas decorrentes dos confinamentos que imperam à escala global, enquanto a América se posiciona periclitantemente a um passo da guerra civil, os barões da alta finança rejubilam e Wall Street regista níveis nunca vistos de repelente euforia: 

https://cms.zerohedge.com/s3/files/inline-images/euphoria%20model_0.jpg?itok=1bb2TUZE

Este espantoso gráfico é a prova provada de que o bem comum já não é uma preocupação das elites. A tomada de poder absoluto, doa a quem doer e mascarada com valores humanistas e socialistas e ecológicos é a prioridade e está a correr esplendidamente. Bem-vindos ao triunfo total das elites sobre as massas. Agora numa versão marxista, mas ao contrário.

Mr. Reagan: um dos poucos

que não tem medo de dizer o que milhões sentem como verdade sobre o que aconteceu a 6 de Janeiro. Porque da esquerda à direita, as elites do costume têm adoptado a posição enojada do costume. Porque tudo o que é manifestação da vontade popular à direita do espectro político os deixa enojados. Mesmo aqueles que se dizem conservadores, mesmo aqueles que se dizem libertários, mesmo aqueles que se dizem populistas, são incapazes de, por uma vez, assumir a revolta. Este rapaz aqui, e um punhado de valentes renegados como ele, ainda conseguem assumi-la. Mas vão ser calados rapidamente. É ouvi-los enquanto ainda os deixam falar.

Mais de um milhão e quatrocentos mil votos ilegais, em seis estados.

E ainda há quem tenha a capacidade de afirmar, sem perder a compostura nem corar de vergonha, que as eleições de novembro elegeram um presidente legítimo. Este quadro aqui diz tudo sobre a ilegitimidade de Joe Biden. E justifica completamente, lamento dizer, aquilo que se passou no Capitólio a 6 de Janeiro.

sexta-feira, janeiro 08, 2021

A inevitável contra-revolução.

Missouri lawmakers react to protests in Washington | KSNF/KODE -  FourStatesHomepage.com

O que aconteceu na terça-feira, 6 de Janeiro, em Washington não pode surpreender ninguém. E muito menos pode surpreender quem tem a paciência de acompanhar este blog. O tag "Guerra Civil Americana" tem só 89 entradas e eu escrevo sobre a alta probabilidade do levantamento popular na América já há muitos anos.

É fácil condenar a violência, o vandalismo e o niilismo da turba, mas eu não gosto de facilidades e por isso prefiro falar das razões que levaram milhares de pessoas a invadir o Capitólio, num movimento irado que deixou 4 cadáveres no chão de mármore da sede da democracia americana. 

A classe média não urbana americana tem sido sujeita, nos últimos 12 anos, a uma mordaça ideológica e económica sem paralelo na história do país, perpetrada pelas elites instituídas, patrocinada pelas big tech de Silicon Valley e pelos bilionários globalistas e agudizada em 2020 com os despropositados e draconianos confinamentos e os motins da esquerda radical, sancionados pelos media e por toda uma falange de políticos marxistas que promoveram o caos como arma política.

A utilização de métodos totalitários como a censura, a coação e a incendiária divisão racial tem sido uma constante e para que a tempestade, já de si perfeita, ganhasse contornos épicos, as eleições de Novembro, escandalosamente manipuladas pelos media e pelas redes sociais e completamente corrompidas por  agentes radicais infiltrados no processo de contagem dos votos, deixaram metade dos cidadãos com a convicção de que vivem afinal numa república sem lei nem instrumentos de representação da sua vontade, onde os valores, os direitos e as liberdades que foram ensinados a venerar e que estão na origem social e fundamentação constitucional do país, foram definitivamente anulados. Para muitos dos que ontem se manifestaram em Washington, não parece existir outra saída para além da rebelião. Não há solução para além da violência.

Mais a mais, aqueles que agora gritam contra esse recurso à violência, são basicamente os mesmos que a louvaram durante todo o ano de 2020, enquanto foi interpretada pelas milícias da Antifa e do BLM. A violência, por si, não é um mal. Tudo depende de quem a implementa. Os motins, as pilhagens, os incêndios, os mortos e os feridos desse movimento imparável da esquerda radical foram saudados e financiados por capitalistas e jornalistas, tecnocratas e atletas e actores e toda a espécie de gente que odeia na verdade o país em que vive, apesar dos privilégios incríveis que o país lhes proporcionou. Esquecidos agora desse terrível entusiasmo, preparam com fervor a vingança contra a inevitável reacção dos que têm sido preteridos e insultados e mentidos e empobrecidos e enclausurados na grande bolha dos deploráveis - gente de segunda categoria que não tem direito à divergência, nem legitimidade para cumprir o seu destino.

Daqui para a frente, as coisas só vão piorar, claro. O establishment não mostra sinais de querer parar o processo totalitário em curso, pelo contrário, nem parece preocupado com a divisão abismal e terminal polarização da população americana. De certa maneira, os acontecimentos de terça-feira servem às mil maravilhas à revolução neo-marxista. Os dissidentes vão ser tratados como terroristas. O partido Republicano vai distanciar-se ainda mais do seu eleitorado. Trump pode acabar por ser preso. Há congressistas não alinhados que vão, muito provavelmente, ser expulsos do Capitólio. As redes sociais vão apertar ainda mais o cerco à liberdade de expressão. O panorama político vai ficar ainda mais fechado numa unanimidade pavorosa e politicamente correcta. As rupturas e os ressentimentos vão grassar, de um lado e do outro do horizonte político. Mais tarde ou mais cedo, surgirá a secessão. E, com ela, o fim da civilização ocidental como ainda a entendemos.

Deus queria que eu esteja errado.

segunda-feira, janeiro 04, 2021

Da natureza do tempo.

"Time is what keeps everything from happening at once."
Ray Cummings

O que é o tempo? É o que impede as coisas de acontecerem todas em simultâneo? É a quarta dimensão do tecido da realidade? É um mero instrumento da termodinâmica? É a forma como a matéria encontra o seu ordenamento? Ou apenas um subproduto cósmico, emergente e inconstante? O tempo é "desde sempre" ou um fenómeno relativamente recente no universo? E será, enfim, que o tempo existe de facto ou não passa de uma construção subjectiva, para-psíquica, meta-física, em que nos vemos enclausurados?
A Professora Sabine Hossenfelder, mais conhecida por Doutora Frita-Miolos, disserta sobre o tema. E, por uma vez, sem deixar os leigos completamente mais confusos do que já estavam. Estou a brincar. Vale sempre a pena ouvir esta rapariga.