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quinta-feira, março 25, 2021

Piloto de F1 vs. Piloto de trazer por casa.

Como já aqui escrevi por várias vezes, a fronteira entre as corridas reais e as corridas virtuais é cada vez menos definida. Até porque há gente do universo real que aparece nas corridas virtuais e há gente do universo virtual que aparece nas corridas reais e, num caso como noutro, com relativo sucesso. 

Um bom exemplo dessa transfusão é Steve Alvarez Brown, mais conhecido no Youtube por Super GT. Provando a sua habilidade no GT Sport e nos campeonatos ingleses amadores de Go Kart, Steve tem tido uma muito bem sucedida carreira como youtuber e piloto virtual. De tal forma que Lando Norris, o jovem ás da equipa F1 da Mclaren, decidiu contratá-lo para a sua Quadrant, a marca que anuncia um projecto ambicioso e multimediático, que abrange corridas virtuais e corridas reais. 

Neste contexto, o vídeo em baixo é absolutamente uma pedra preciosa. Lando e Steve degladiam-se num kartódromo, durante cinco voltas super renhidas. Entre o profissional de Fórmula 1 e o profissional de Gran Turismo Sport, adivinha lá, gentil espectador, quem triunfa sobre a linha de chegada.



É verdade que Lando Norris não defende os ataques de Steve Brown, enquanto, principalmente na última volta, o youtuber fecha completamente a trajectória ao seu patrão. É verdade que, neste momento das suas vidas, o piloto amador está mais confortável num Go Kart do que o piloto profissional. Seja como for, é espantoso que Steve consiga levar a melhor.

quinta-feira, abril 07, 2022

A Polyphony é uma companhia séria.

Ao contrário de tantas outras empresa de vídeo jogos, a Polyphony provou hoje à audiência global que é uma companhia que preza a sua comunidade. Perante os protestos dos utilizadores sobre o valor das recompensas versus o preço dos automóveis no Gran Turismo 7, lançou hoje uma actualização que resolve completamente o problema (eu até acho que exageraram).

Steve Brown resume e ilustra a substância super amigável da actualização 1.11. Agora, só mesmo quem não der valor ao dinheiro ou correr muito pouco é que terá que gastar mais do que aquilo que pagou pelo jogo.



Parabéns à Polyphony, por ouvir os seus clientes, rejeitar a ganância e permanecer fiel à sua filosofia de sempre. Já não há muitas empresas assim.

sexta-feira, novembro 29, 2019

Como humilhar um campeão do mundo.

Por uma qualquer pipa de massa a Polyphony conseguiu convencer Lewis Hamilton a marcar tempos em vários circuitos do GT Sport. Erro monumental para o actual campeão do mundo de Fórmula 1, competição que conquistou pela sexta vez,  já que está a ser copiosamente batido por montes de gente. Gente como Steve Brown, o célebre youtuber Super GT, que dizima todos os tempos do seu glamoroso compatriota com uma calminha incrível, enquanto conversa com a malta e, em boa parte dos casos, depois de umas poucas tentativas apenas. Convenhamos: não há moeda no mundo que pague este bailareco.



Lewis Hamilton, que precisa de dinheiro como o diabo de um micro-ondas, podia ter poupado o ego a esta exposição pornográfica. Apesar de ser a primeira vez que a Polyphony disponibiliza um DLC pago para o GT Sport, e de este update não ter mais que 48 horas, já foram registados online centenas (milhares?) de tempos inferiores, em todos os circuitos da competição. É um bocado triste, pensando bem. Porque na sua profissão Hamilton também tem que correr - e corre - em simuladores. E, pelo menos no campo dos simuladores, perde 1 segundo por volta para muita gente, pá.

Sinceramente.

quinta-feira, março 31, 2022

Carrinhos de esferas no GT7.

Quando craques absolutos do sim racing sentem dificuldades num qualquer modo do GT7, nós, pilotos virtuais normalóides, devemos ficar apreensivos. E aprender com eles para não cometer os mesmos erros iniciais.

Isto em teoria, porque na prática os primeiros minutos ao volante do Kart Shifter do GT7 foram assim como documentam estes 3 clips:

Steve Alvarez Brown (Super GT) entra inadvertidamente nas boxes de Kioto Park:



Jimmy Broadbent entra inadvertidamente nas boxes de Kioto Park:



Paulo Hasse Paixão entra inadvertidamente nas boxes de Kioto Park:



Agora mais a sério. Com maiores ou menores percalços, Steve e Jimmy acabam por se adaptar rapidamente à condução dos Karts do GT7 e eu, apesar de ter corrido apenas num circuito que é de baixa exigência técnica, não encontrei grandes dificuldades em dominar o Shifter, sendo certo que a direcção é muito mais sensível (como na condução do mundo real) e deves evitar as bermas mais altas (outrossim como na realidade), dissidências à rotina que requerem uns minutos de adaptação.

Nesta corrida de 5 voltas em que passo de 20º a líder logo à primeira tentativa, o que critico, como sempre no Gran Turismo, é a pobre resposta da inteligência artificial.



As provas online continuam a ser a melhor opção para corridas renhidas no Gran Turismo. O problema é que o modo online do GT7 ainda está por burilar e mesmo no GT Sport só funcionava bem para dois tipos de jogadores: aqueles com comunidades sólidas e disciplinadas que permitiam organizar boas corridas; aqueles com ratings muito altos, e quando digo muito altos digo entre os primeiros mil mundiais. Abaixo disso só enerva.

Por isso é que eu, regra geral, só compito online em contra-relógio. Não estou no sim racing para me aborrecer.

sexta-feira, abril 29, 2022

Super GT vai às couves ou a realidade como cópia de jogos vídeo.

Sendo um condutor virtual muitíssimo competente, Steve Alvarez Brown também corre em campeonatos mais ou menos amadores de kart da vida real, no Reino Unido. O que não tinha feito até aqui era pilotar automóveis concretos. Com chassis e tudo.  E teve que o fazer porque foi contratado como piloto pela Quadrant, de que é proprietário Lando Norris, e precisa da carta de piloto internacional e para aceder a essa licença tem que começar da estaca zero e a estaca zero neste caso é pegar num Mazda MX-5 quase de série e ir competir para os autódromos.

Eis senão quando, acontece isto:



Que por acaso até parece um clip tirado do Gran Turismo.

As fronteiras entre os ambientes digitais e físicos esbatem-se a grande velocidade, mas o que me espanta não são bem os momentos em que o virtual fica muito próximo do real. O que me deixa boquiaberto é quando o real parece copiar o virtual, como se de um meme criado por Escher se tratasse.


quarta-feira, março 02, 2022

O Gran Turismo 7 na grelha de partida.

Steve Alvarez Brown, AKA Super GT, já tem o Gran Turismo 7 a bombar há uns dias, por cortesia da Polyphony.  E o primeiro roteiro crítico que faz do jogo será de interesse para aqueles que o vão comprar. O rapaz sabe deste simulador como ninguém, onde é rápido como poucos; também é piloto de karts na vida real e ainda por cima tem mesmo jeito para youtuber. O resultado são uns minutos valentes de competente conteúdo, que abrem loucamente o apetite para horas de puro prazer e divertimento que o GT7 promete.



Já percebi que permanecem algumas manias e teimosias da Polyphony, como a perspectiva dos habitáculos não ter uma versão sem volante ou os níveis de dificuldade da inteligência artificial serem apenas 3, o que é extremamente redutor e muito aborrecido para pilotos experimentados, que se vêm obrigados a escolher carros menos potentes do que a concorrência para conseguirem uma corrida equilibrada.

Mas visualmente o jogo está uma maravilha. Mais detalhado e definido e dinâmico. E como a física também parece ter evoluído, mais imersivo do que nunca.

Mal posso esperar. Mas não pelo jogo, que também corre na PS4, que já reservei e que vai estar online amanhã ou depois. Mal posso esperar por uma merda de uma Playstation 5 que não consigo comprar em lado nenhum. Até o facto de, um ano depois de ter sido lançada, a plataforma continuar desaparecida das redes de retalho nos ajuda a perceber a destruição doida que foi desenvolvida sobre o mundo civilizado nestes últimos anos.

segunda-feira, março 21, 2022

O GT7 debaixo de fogo.


As coisas não estão a correr nada bem para a Polyphony, neste primeiro mês de GT7. Por causa de um erro de código na actualização 1.07, a empresa teve que suspender o servidor e mesmo aqueles que adquiriram a versão física do jogo ficaram sem o poder jogar durante mais de 24 horas.

Ainda por cima, esta actualização visava a redução dos prémios monetários em certas corridas, despertando a ira dos gamers, que acusam a Polyphony e a Sony de ganância pura e dura, já que a relação entre o alto preço dos carros e os parcimoniosos prémios dos desafios está nitidamente pensada para conduzir os utilizadores às microtransacções.

Num jogo que já não é barato à partida, parece de facto excessivo que os carros tenham que ser adquiridos através da compra de vouchers que ainda por cima são caríssimos. Até porque um voucher de 45 euros não serve sequer para comprar apenas um dos muitos automóveis de preço astronómico que o jogo integra. Isto não faz sentido.

Pela minha parte, nunca farei qualquer microtransacção para adquirir seja o que for neste jogo. E não estou sozinho, claro.

É verdade que o modo de carreira é curto, neste momento, mas para sermos justos com a Polyphony, devemos partir do princípio que o Gran Turismo 7 é um jogo de ciclo de vida longo. A empresa vai fazer actualizações periódicas com novos conteúdos que vão permitir mais receitas. E a aquisição dos automóveis não é tão difícil como isso: já tenho para cima de cem modelos coleccionados, em quatrocentos e tal possíveis, e ainda agora comecei a jogar.

Neste sentido, e mesmo considerando que a vontade de aumentar os lucros através das microtransacções é evidente, acho que este assunto está a ser excessivamente dramatizado pela comunidade. É perfeitamente possível tirar bom partido do jogo sem gastar mais dinheiro. É só uma questão de manter a calma. E isso não é novo neste franchise de simulação de corridas. Com excepção do GT Sport, o Gran Turismo sempre exigiu persistência e paciência para desbloquear a totalidade dos seus conteúdos.

E enquanto a malta faz crashar a net com protestos e acusações, eu vou somando horas de puro divertimento. Numa das últimas corridas do modo carreira, tenho três voltas para passar de vigésimo a primeiro, no lendário traçado de La Sarthe. Estou outra vez ao volante do Porsche 911 RSR (991) GT3, que soma 650 PP (porque tem pneus de corrida macios), num desafio que recomenda 700 PP.

Como já fiz centenas de horas de corridas em Le Mans, a já de si fraquinha inteligência artificial não tem hipótese nenhuma e cumpro o desafio em duas voltas apenas. Mas são duas voltas muitíssimo divertidas. Porque o GT7 pode não ser o melhor simulador da história universal dos simuladores, mas apenas como vídeojogo, é brutal.