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quinta-feira, janeiro 26, 2023

Sauditas confirmam plano de substituição do petrodólar.

As suspeitas de que o petrodólar vai deixar de ser a referência para as transacções com os países da OPEP e a Rússia confirmam-se nas declarações proferidas pelo ministro das finanças saudita, numa entrevista à Bloomberg.


 

terça-feira, março 15, 2022

Suicidas demasiado imbecis para perceberem que se estão a suicidar.

Ainda no sábado passado alertava para o fim do petrodólar e do sistema financeiro global sediado no Ocidente. Hoje, o The Wall Street Journal publica esta notícia:

Se necessário fosse uma prova material da  infantil incompetência e escandalosa falência estratégica dos líderes que temos, a impensada histeria de sanções e confiscos, num contexto económico altamente volátil e inflaccionário, serve perfeitamente.

Ao utilizarem o sistema financeiro global como arma de arremesso contra o estado russo e os seus cidadãos, as instituições ocidentais arruinaram-no, porque a confiança, o valor mais alto que regulamenta os mercados modernos,  desapareceu do mapa. E até os suíços foram na conversa. Que bilionário não ocidental vai voltar a confiar neles para cuidarem do seu dinheiro?

Ao imprimirem moeda ao ritmo de triliões por trimestre, os americanos aniquilaram um dos seus últimos instrumentos de domínio imperial: o dólar como divisa.

Ao aceitarem viver dependentes de fontes de energia localizadas em territórios onde a sua influência é hoje muito reduzida ou nenhuma, mesmo quando podiam simplesmente reactivar as suas próprias explorações, como acontece de forma gritante nos Estados Unidos (ou na Alemanha, que fechou todas as suas centris nucleares), os senhores do universo ocidental encontram-se agora esvaziados de poder negocial e os sauditas já nem sequer atendem os telefonemas de Joe Biden.

E agora digam-me: a integridade das fronteiras da Ucrânia justifica este descalabro?

quarta-feira, abril 27, 2022

Que remédio.


Como há três ou quatro semanas atrás já tinha previsto aqui, há muitos países europeus que não vão ter remédio senão aceitar a imposição de Putin e comprar o gás e o petróleo russos em rublos.

A Alemanha, a Áustria e a Eslováquia já cederam. A Hungria também anuiu, mas neste caso não se trata de uma cedência, porque Viktor Orbán simpatiza mais com Moscovo do que com Bruxelas.

É claro que as transações têm sido disfarçadas com procedimentos financeiros mais ou menos clandestinos (se depositares euros numa conta bancária e o banco depois pagar à Rússia em rublos, os dois lados do negócio podem afirmar o que mais lhes convém: que pagaram na moeda da União, que receberam na moeda russa), mas para todos os efeitos o petrodólar deixa de fazer parte da equação.

E com o arrastar da guerra na Ucrânia (que parece a cada dia que passa favorecer a Rússia e enfraquecer a Europa), o Ocidente vai ter que decidir entre ceder às exigências de Moscovo ou enfrentar o profundo desassossego político e social que a inflação e os altos custos energéticos vão certamente implicar.

É um jogo que Putin não pode perder. Afinal, é ele que está a vender o produto que encareceu loucamente. O negócio vai de vento em popa.

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Actualização às 15h05: O Kremlin interrompeu todas as exportações de gás para a Polónia e a Bulgária depois de ter expirado o prazo para que as nações paguem as energias que compram à Rússia em rublos.

sábado, março 12, 2022

Sobre a previsível fragmentação da economia global.

"We are witnessing the birth of a new world order centered around commodity currencies in the East that will weaken the Eurodollar system... After this war is over 'money' will never be the same again."

Zoltan Poszar . Credit Suisse strategist


No fim do seu monólogo de ontem, Tucker Carlson alerta para o impacto que a reacção histérica da administração Biden à invasão da Ucrânia está a ter nos mercados financeiros e energéticos. Se os Estados Unidos podem boicotar, por razão política, o livre curso da economia mundial e usar o sistema para fazer a guerra, como agora acontece com a Rússia, o império global do petrodólar não tem futuro, porque países como a China, a Índia, a Árabia Saudita ou o Brasil, para citar apenas os PIBs mais significativos, acabam de perder a confiança em mecanismos de troca que rapidamente se podem virar contra eles.

Isto não é dizer pouco. Sem a hegemonia monetária, a América vai empobrecer radicalmente e sair em definitivo de cena como nação dominadora à escala planetária. O que se calhar até é um bem. Não para os americanos, claro. E apenas se nos conseguirmos abstrair da natureza totalitária da potência quem vem a seguir.



Mas sobre a queda dos sonhos globalistas fabricados durante décadas pelo aparelho burocrático de Washington, que Biden se encarregou agora de provocar (talvez inadvertidamente, talvez não), os dois minutos e meio do clip em baixo, protagonizados por Robert Barnes, o célebre advogado californiano, são absolutamente essenciais.

Ao demonstrar que o Ocidente não pode regular a economia mundial porque manipula o seu funcionamento em função de caprichos ideológicos, os líderes políticos norte americanos e europeus estão a contribuir decisivamente para o óbito dos seus sonhos de grandeza e a despertar na Ásia e na América do Sul uma natural vontade de criar novos mercados, com mecanismos cambiais e moedas padrão que não escapem ao seu controlo. O petróleo, por exemplo, poderá perfeitamente ser negociado com base no valor do ouro.

Acontece que entre os dez países que mais ouro produzem, 8 não são ocidentais. E os dois primeiros produtores são a China e a Rússia.



A velocidade a que a História está a acontecer no Século XXI é verdadeiramente alucinante. Mal dá tempo para conseguir pensar. Talvez por isso, dá a sensação que quem dirige os destinos do Ocidente não está a raciocinar para além do imediato.

sexta-feira, março 25, 2022

Vira-se o feitiço contra o feiticeiro.

O petrodólar como moeda de troca para os combustíveis fósseis está a transformar-se ela própria num fóssil, e a uma velocidade estonteante.

E a culpa é de Putin? Claro que não. O inquilino do Kremlin está a fazer exactamente a mesma coisa que o ocupa da Casa Branca começou por fazer e que é a guerra aberta através da utilização de instrumentos económicos como armas de destruição maciça. E neste capítulo pelo menos, não me parece que Joe Biden esteja a sair vitorioso da contenda.

Chineses e indianos, brasileiros e paquistaneses, sul africanos e sauditas falam já à boca cheia que a moeda padrão do comércio energético global tem que mudar.

E se Putin ensaia a manobra de obrigar toda a gente a comprar rublos para aceder ao petróleo e ao gás russos é porque sabe que os seus adversários não têm grande remédio senão proceder como ele exige, como muito bem explica este texto do New York Post. O Ocidente fez um bluff infantil, que as cartas que tem na mão não justificam.

Mais a mais, o presidente russo aposta muito na ideia, na minha perspectiva completamente válida, de que o povo russo, dada a sua história e o seu carácter, está muito melhor preparado para as contingências e os sofrimentos inerentes a este braço de ferro do que os povos ocidentais. E é por isso que a sua estratégia também passa por aumentar o preço do crude até à insustentabilidade económica e social do Ocidente.

Ao fazerem o jogo do inimigo, os lideres políticos europeus e norte americanos não avaliaram bem as consequências últimas dos seus precipitados e desastrados actos. Não precisam de o fazer porque na verdade não são eles que pagam a factura. Quem paga a factura somos nós, claro.

É expectável que enquanto existirem eleições, algum custo será transferido para o lado destes imbecis sem nome, mas que sei eu?

No Ocidente, há muita gente que está de acordo com o sexo anal a que está a ser brutalmente submetida e essa inacreditável concórdia já nem é de agora, embora ganhe intensidade a cada dia que passa, a cada crise que surge ou que é fabricada. Será talvez necessário que as elites exerçam ainda maior violência política, psicológica e económica sobre a malta para que a malta comece a perceber o inferno em que está a ser enjaulada.

E essa é uma das razões pela quais estou certo de que as coisas vão piorar bastante, antes de melhorarem um pouco.