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quarta-feira, dezembro 07, 2011

segunda-feira, dezembro 05, 2011

The :Kubrik Experience


Mais uma experiência :Kubrik.

Terreiro do Paço Terreiro do Paço

Levo a vida passo a passo,
gasto as solas ao compasso
da cidade que pulsa e arde.
O Paço que passeio é um terraço,
o chão que piso é de ferro e aço
e vibra e brilha ao sol da tarde.

Terreiro do Paço, Terreiro do Paço,
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Paro e tiro um cigarro do maço;
transitam transeuntes em cansaço
com a pressa que levam na boa.
Vão d’ombros caídos pelo Paço,
o destino é um cheirinho de bagaço
e de sonhos traídos à toa.

Terreiro do Paço, Terreiro do Paço,
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Este é o movimento escasso,
é a praça que devagar devasso,
são as ruas do tempo que voa.
O futuro é um buraco no espaço,
esta é a distância que eu abraço
e roubo aos deuses de Lisboa.

Terreiro do Paço, já não sei o que faço.
Terreiro do Paço, já nem sei o que faço.

quarta-feira, novembro 30, 2011

The :Kubrik Experience


Esta música inicia a apresentação do albúm "Dance Poetry". Este trabalho tem por base o registo de voz do PodCast "A Poem a Day", apenas com duas exepções, que publicarei mais tarde.
O conceito passa por criar música para alguns dos poemas e dos autores que me perseguem a existência. E assim sendo, tinha mesmo que começar com uma pequenina pérola do James Joyce:

Alone (feat. James Joyce) de :kubrik Alone, de James Joyce :kubrik

The noon's greygolden meshes make
All night a veil,
The shorelamps in the sleeping lake
Laburnum tendrils trail.

The sly reeds whisper to the night
A name-- her name-
And all my soul is a delight,
A swoon of shame. 

The :Kubrik Experience


Este é o primeiro tema retirado do álbum "The Soul Soundtrack" que reúne composições orquestrais e bandas sonoras de sites. Para ouvir ao fim da tarde.

Soul Search de :kubrik Soul Search :Kubrik

segunda-feira, novembro 28, 2011

The :Kubrik Experience


Depois de anos a tentar fazer qualquer coisa que se aproxime daquilo a que convencionalmente chamamos música, abri uma página aqui, com alguns dos temas que acho menos indecentes.

É claro que se trata de um registo amador, tanto no que respeita à produção como à prestação artística, mas estão todos convidados a ir lá vaiar ou patear, ou seja lá o que for que se faz hoje em dia, quando o ouvido protesta. No entretanto, fica já aqui uma amostra ruidosa:

Canção do Vento de :kubrikCanção do Vento :Kubrik

O meu verso é fechado,
não tem rima, não tem fado.
Eu sou quem não se encontrou,
tu vais onde eu nunca vou.

Não sei o que te diga, se te cante esta cantiga:
tu és a estrela e eu o cometa, planeta desfeito.
Tu vens de berço eleito, eu careta, provenho da proveta
e prisioneiro no nevoeiro, não sei se chego inteiro ao fim da cançoneta.
Tu és demais, voas p'las cartas astrais, sabes p'ra onde vais.
Eu sou de menos, reduzido a átomos pequenos, serenos locais.
É do inferno que eu sou. Tu chegas ao céu e ao cais.
Tu vais onde eu nunca vou.

O meu mundo é quadrado,
é um prisma só de um lado.
Eu sou quem não se encontrou,
tu vais onde eu nunca vou.

Para dizer a verdade, majestade, sou mais baixo de que a idade
e mais velho do que a medida. Tu és a minha vida e eu sou só metade
do que prometo, cometo o pecado de não ser suficiente e de repente,
tu deixas-me cair lento, com o vento.
Vou afogar a solidão nos copos da taberna,
caverna da servidão moderna, aberta para nunca mais.
É do inferno que eu sou. Tu chegas ao céu, chegas ao cais,
tu vais onde eu nunca vou.

O meu sonho sabe a pouco,
o destino não dá troco.
Eu sou quem não se encontrou,
Sou quem o vento levou.
Tu vais onde eu nunca vou.

Não chego para ti, já vi, fico curto aquém do bem e é melhor assim,
sem a erva ruim que envenena o teu jardim,
sem o mal que te faço, sem o ferro e sem o aço.
É melhor para o teu percurso, longo curso, linha aérea sobre o espaço.
Deixa-me por aqui de repente, monge doente no labirinto.
Vou afogar a solidão com uns copos de absinto,
no bar aberto para nunca mais. É do inferno que eu sou.
Tu chegas ao céu, chegas ao cais, tu vais onde eu nunca vou.

O meu verso é fechado,
não tem rima, não tem fado.
Eu sou quem não se encontrou
tu vais onde eu nunca vou.

O meu mundo é quadrado,
é um prisma só de um lado.
Eu sou quem não se encontrou,
sou quem o vento levou.

O meu sonho sabe a pouco,
o destino não dá troco.
Tu vais onde eu nunca vou
e tudo o vento levou.
 

terça-feira, junho 30, 2009

Joana Trama, ou a propriedade da culpa (singela homenagem ao falecido senhor Jackson)


Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

A próxima música celebra, ao meu desajeitado jeito, o vigésimo quinto aniversário da edição do álbum mais vendido na história - Thriller, de Michael Jackson.
Aqui há uns tempos decidi-me não a uma tradução de Billie Jean (missão impossível por causa do extremo pop dos versos e da sua métrica alucinada), mas à construção de uma versão em português. Como achei alguma piada ao resultado quis encontrar um registo sonoro de balada arrastada e trágica, que acompanhasse os versos num código inverso à orgia dançante do tema original. A minha pobre vocalização prosada, o protagonismo do piano e a percussão de registo orquestral acabaram por cumprir com a antítese desejada. É que sendo o personagem Jackson da ordem dos grandes nojentos, a sua arte sempre escapa (acontece isto com vários génios) e só a linha de baixo de Billie Jean merece uma vida de vénias: era óbvio que não valeria a pena tentar fazer qualquer coisa de parecido.
Apresento-vos, portanto, Joana Trama, grande grávida do mais temido dos equívocos.



Joana Trama - One :kubrik

Ela era do tipo miss malveira, bela fiteira
Eu disse tudo bem mas nem penses que eu sou o tal
que vai dançar e rodar pelo chão
Ela disse que eu sou o tal que vai dançar e rodar pelo chão

Disse que se chamava Joana Trama e fez um drama
p'ra todos verem que podem sonhar ser o tal
que vai dançar e rodar pelo chão

Sempre me disseram p’ra ter cuidado com o que faço
não andar por aí a destruir corações às miúdas
A minha mãe sempre me disse p’ra ter cuidado com quem amo
p’ra ter cuidado com o que faço, porque mentir é um embaraço

A joana não é minha amante
ela é que pensa que o culpado sou eu
mas o puto não é meu.
Ela diz que o pai sou eu, mas o filho não é meu

Dias e dias e a noite é bela com a lei do lado dela
Já não se atura a criatura cheia de cenas e planos
só porque dançámos e rodámos pelo chão
Por isso ouve meu irmão, pensa duas vezes nesta canção
(Pensa duas vezes)

Contou à outra que dançámos até às três, olhou de revés
e mostrou a foto: a outra passou-se porque o puto tem os meus olhos
Vais dançar e rodar pelo chão

Sempre me disseram p’ra ter cuidado com o que faço
não andar por aí a destruir corações às miúdas
Mas ela apareceu a meu lado toda doce e perfumada
isto aconteceu de madrugada e ela deu-me uma morada

A joana não é minha amante
ela é que pensa que eu sou um tal de romeu
mas o puto não é meu

A joana não é minha amante
ela é que pensa que o culpado sou eu
mas o puto não é meu

Ela diz que o pai sou eu, mas o filho não é meu

A joana não é minha amante
A joana não é minha amante
A joana não é minha amante
A joana não é minha amante

quinta-feira, julho 31, 2008

Um monstro do sono.

Toda a gente que me conhece sabe que, se há uma danada característica que me distingue dos correntes mortais, é a maneira como durmo. Ou nadinha, ou muitíssimo e geralmente de dia. Não é invulgar que me apanhem no abismo dos dorminhocos profundos por volta das 16h00. Nem anormal que às 9h00 seja tempo de surgir em cena o meu bastante esquizofrénico e exclusivo João Pestana. Talvez por isso, me retrate a minha sobrinha Madalena querida assim desta maneira genial:


No contexto do magnífico boneco e do meu épico-trágico-sonoro abandono ao Senhor Morpheu, trago para aqui um poema que é tão antigo ou mais do que este blog, agora cozinhado numa panela sónica de aço inoxidável, ruído deveras desagradável, mais ou menos como o ressonar que eu não oiço (porque sou eu que ressono), ou a paz que não sinto, como quem entra em coma de absinto. Enfim, e apesar de tudo, uma barulheira enorme:

Ode Sorporífera 2.aif -

ODE SOPORÍFERA

Mesmo antes do primeiro bocejo,
vem do inferno o João Pestana
para me dar um beijo.
Traz no hálito o ópio da noite,
esse doce leito em que me deito,
esse incenso maldito que vomito.
E como quem parte rumo ao esquecimento,
durmo o abandono.
Não dou sinais de vida
nem arrais ao pensamento;
apenas ressono.
Mergulho numa tranquila inconsciência sem retorno,
um transe profundo e quieto,
um delírio de silêncios completo:
Morpheu é meu senhor e dono
e eu sou enfim um monstro em coma
no sarcófago do sono.

domingo, junho 22, 2008

Sobre a morte certa.


Esta música tem origem num conteúdo lírico que publiquei aqui no blog e que desagradou bastante a algumas pessoas por ser mais ou menos sinistro. Ora, não há nada mais sinistro que a vida, pelo que a morte - neste contexto - mantém um director de marketing extremamente incompetente que não consege capitalizar as reais valias do produto e que deve ser despedido com apropriada celeridade. Atendendo à condição humana, à história das civilizações e ao actual estado do mundo, não se percebe porque é ainda há gente que tem medo de morrer.
Seja como for, e dado o teor gótico da letra (concedo), optei por uma composição musical não redundante, que procura referências no rock independente americano do princípio da década de 90. Espero que vos agrade, gentil plateia.

Vala Comum 2.aif -

Vala comum.
Nascem os homens apenas para a decomposição do futuro
e é somente justo que esta espada que seguro
sirva ao meu carrasco de guilhotina.
Tudo está certo neste mundo quando a vida termina
e não há tipo mais porreiro, que o meu amigo coveiro.

E não há tipo mais porreiro, que o meu amigo coveiro.

Enquanto há morte, há esperança - um sonho de redenção;
só faz sentido a vida enquanto dura o ramadão.

Os deuses, graças a deus, também sabem morrer danados,
esquecidos, banhados em sangue e humilhados,
incapazes de sobreviver à criação.
A imortalidade não tem mais que uns dias de duração
e caem que nem folhas como todos os trolhas.

Caem que nem folhas como todos os trolhas.

Ninguém quer viver para sempre, é uma chatice, uma ilusão;
só faz sentido a vida enquanto dura o ramadão.

Cometas, planetas, galáxias verdes e maduras
apodrecem outrossim em quânticas curvaturas.
Quanto mais curioso o telescópio mais defuntas as realidades:
o universo é um belo cemitério de eternidades
em decadência formal, até ao último funeral.

Até ao último funeral.

Enquanto há morte, há esperança - um sonho de redenção;
só faz sentido a vida enquanto dura o ramadão.

Ninguém quer viver para sempre, é uma chatice, uma ilusão;
só faz sentido a vida enquanto dura o ramadão.

E não há tipo mais porreiro, que o meu amigo coveiro.

sábado, abril 12, 2008

Esses deprimentes e aborrecidos lamentos têm mesmo que acabar.


Esta é a hora do grande bardo. Direitinho das ruelas de Stratford-upon-Avon para a avenida da eternidade, o falecido senhor Shakespeare rebentou com a escala da glória e estes versos, retirados de "Much Ado about Nothing", são dos meus preferidos, não só porque me agrada o tom paternalista e reaccionário, mas também porque é um texto que tem muita música pop lá dentro. Senão reparem:

Sigh no more, ladies, sigh nor more;
Men were deceivers ever;
One foot in sea and one on shore,
To one thing constant never;
Then sigh not so,
But let them go,
And be you blithe and bonny;
Converting all your sounds of woe
Into. Hey nonny, nonny.
Sing no more ditties, sing no mo,
Or dumps so dull and heavy;
The fraud of men was ever so,
Since summer first was leavy.
Then sigh not so,
But let them go,
And be you blithe and bonny,
Converting all your sounds of woe
Into. Hey, nonny, nonny.


Quando comecei a brincar com o Garage Band, veio-me à ideia criar um tema que acompanhasse estas sábias palavras, mas numa versão em Português. Trata-se, repito, de uma versão e não de uma tradução, tarefa que transcende largamente as minhas capacidades.

Não, senhoras, não suspirem mais;
Os homens sempre foram diletantes;
Um pé no mar, outro no cais,
Nunca por coisa alguma constantes.
Chega enfim de suspirar,
É deixá-los andar
E manter a graça no entretém;
Convertendo os vossos sons de pasmar
Num sim querido, tudo bem.
Nem mais cantem esse lamento;
Tão deprimente e aborrecido;
O homem sempre foi fraudulento
Desde que o Verão primou florido.
Chega enfim de suspirar,
É deixá-los andar
E aproveitar o vai e vem;
Convertendo esses sons de arrepiar
Num sim querido, tudo bem.


Por fim, o tema musical para a versão em português surgiu quando consegui meter mão nuns loops porreirinhos de cravo, que, aqui entre nós, era o que a coisa estava mesmo a pedir. Lamento, mas teve que entrar a cana rachada outra vez.
Espero que me compreendam a paixão pelo velho William e já agora, que não sejam sensíveis à ousadia.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Terreiro do Paço

É um pouco estranho, eu sei, mas na verdade esta música deve-se a umas fotos que tirei na Praça do Comércio, em 2005, a propósito de um seminário sobre cidadania que ocorreu em Palmela e para o qual fiz o design gráfico de promoção. Como gostei das fotos, esgalhei umas rimas muito aliteradas para acompanharem a inserção de algumas das imagens no blog. Mais tarde, quando comecei a brincar com o Garage Band lembrei-me que a estrutura métrica do poema se adaptava bem a uma musiquinha pop e pronto, está a história contada.
Esta é a única música, até agora, em que tento realmente cantar. Pela falta de vergonha - e de talento - peço desde já mil desculpas à gentil audiência. É que, decididamente, não nasci para isto. E, como muito bem diz uma querida amiga minha, preciso urgentemente de um vocalista.
Uma última nota: não gosto de efemérides (nem da palavra) e deixei passar em branco a que assinalava o regicídio, um dos mais tristes, canalhas e cobardes episódios da história de Portugal. Sendo, apesar de tudo, um republicano mais ou menos convicto, fiquei com remorsos de não ter editado fosse o que fosse sobre o assunto aqui no blog. Por isso, aproveitei o tema desta canção para colocar no clip algumas gravuras do atentado terrorista que vitimou um dos mais decentes monarcas da nação (e não foram muitos) mas não me sinto lá muito redimido por isso, pelo que, um destes dias - talvez amanhã, talvez em Outubro de 2014 - voltarei à carga.



Terreiro do Paço - One :kubrik

Levo a vida passo a passo:
gasto as solas ao compasso
da cidade que pulsa e arde.
Da cidade que pulsa e arde.
O Paço que passeio é um terraço,
o chão que piso é de ferro e aço
e vibra e brilha ao sol da tarde.
E vibra e brilha ao sol da tarde.

Terreiro do Paço. Terreiro do Paço.
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Paro e tiro um cigarro do maço:
transitam transeuntes em cansaço
com a pressa que levam na boa.
Com a pressa que levam na boa.
Vão d’ombros caídos pelo Paço,
o destino é um cheirinho de bagaço
e de sonhos traídos à toa.
E de sonhos traídos à toa.

Terreiro do Paço. Terreiro do Paço.
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Este é o movimento escasso,
é a praça que devagar devasso,
são as ruas do tempo que voa.
São as ruas do tempo que voa.
O futuro é um buraco no espaço,
esta é a distância que eu abraço
e roubo aos deuses de Lisboa.
E roubo aos deuses de Lisboa.

O Paço que passeio é um terraço,
o chão que piso é de ferro e aço:
Terreiro do Paço, Terreiro do Paço,
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Já não sei o que faço.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Joana Trama ou a propriedade da culpa.


A próxima música celebra, ao meu desajeitado jeito, o vigésimo quinto aniversário da edição do álbum mais vendido na história - Thriller, de Michael Jackson.
Aqui há uns tempos decidi-me não a uma tradução de Billie Jean (missão impossível por causa do extremo pop dos versos e da sua métrica alucinada), mas à construção de uma versão em português. Como achei alguma piada ao resultado quis encontrar um registo sonoro de balada arrastada e trágica, que acompanhasse os versos num código inverso à orgia dançante do tema original. A minha pobre vocalização prosada, o protagonismo do piano e a percussão de registo orquestral acabaram por cumprir com a antítese desejada. É que sendo o personagem Jackson da ordem dos grandes nojentos, a sua arte sempre escapa (acontece isto com vários génios) e só a linha de baixo de Billie Jean merece uma vida de vénias: era óbvio que não valeria a pena tentar fazer qualquer coisa de parecido.
Apresento-vos, portanto, Joana Trama, grande grávida do mais temido dos equívocos.



Joana Trama - One :kubrik

Ela era do tipo miss malveira, bela fiteira
Eu disse tudo bem mas nem penses que eu sou o tal
que vai dançar e rodar pelo chão
Ela disse que eu sou o tal que vai dançar e rodar pelo chão

Disse que se chamava Joana Trama e fez um drama
p'ra todos verem que podem sonhar ser o tal
que vai dançar e rodar pelo chão

Sempre me disseram p’ra ter cuidado com o que faço
não andar por aí a destruir corações às miúdas
A minha mãe sempre me disse p’ra ter cuidado com quem amo
p’ra ter cuidado com o que faço, porque mentir é um embaraço

A joana não é minha amante
ela é que pensa que o culpado sou eu
mas o puto não é meu.
Ela diz que o pai sou eu, mas o filho não é meu

Dias e dias e a noite é bela com a lei do lado dela
Já não se atura a criatura cheia de cenas e planos
só porque dançámos e rodámos pelo chão
Por isso ouve meu irmão, pensa duas vezes nesta canção
(Pensa duas vezes)

Contou à outra que dançámos até às três, olhou de revés
e mostrou a foto: a outra passou-se porque o puto tem os meus olhos
Vais dançar e rodar pelo chão

Sempre me disseram p’ra ter cuidado com o que faço
não andar por aí a destruir corações às miúdas
Mas ela apareceu a meu lado toda doce e perfumada
isto aconteceu de madrugada e ela deu-me uma morada

A joana não é minha amante
ela é que pensa que eu sou um tal de romeu
mas o puto não é meu

A joana não é minha amante
ela é que pensa que o culpado sou eu
mas o puto não é meu

Ela diz que o pai sou eu, mas o filho não é meu

A joana não é minha amante
A joana não é minha amante
A joana não é minha amante
A joana não é minha amante

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Sobre a Entropia.


Esta musiquinha fala de uma raça mais arrepiante que os extraterrestres da outra: os deuses da desgraça. Não sei se vos acontece, mas, às vezes, parece-me que a minha vida é por demais acidentada. E alguém deve ser responsável por isso.



"Homem Acidente" - One :Kubrik

Só há uma árvore no caminho. Mas é sempre ali que saio da estrada.
Crash. É o desastre de repente.
Se as coisas estão a correr mal, o normal é correram pior daqui a nada.
Nem a lei de Murphy é assim contundente.
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

As sete pragas do nilo cairam sobre esta minha vida desgraçada
esta minha existência decadente:
as horas que morrem seguem e correm em entropia danada,
da desordem total para a disfunção permanente.
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

E sempre que a borboleta do Japão levanta a sua vaidade alada
num esvoaçar alheado e inocente,
o caos que se cria acerta em cheio no dia desta agenda azarada
Sou eu que me afogo por nadar contra a corrente.
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

E sempre que lá no alto do Olimpo há um deus senhor da madrugada
que se aborrece ou cai doente,
quem sai prejudicado é este vosso criado aqui estendido na estrada;
crash, sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

Só há uma árvore no caminho. Mas é sempre ali que saio da estrada.
Crash, sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

As sete pragas do nilo cairam sobre esta minha vida desgraçada
esta minha existência decadente:
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

sábado, fevereiro 09, 2008

Eis, finalmente, o meu lado :K


Depois de muitos esforços e cambalhotas lá consegui arranjar maneira tecnológica de partilhar com a ilustre e escassa audiência umas cançõezinhas de minha lavra. O projecto fanaticamente individual chama-se :Kubrik e, até indicação em contrário, os próximos posts dedicados a este assunto apresentam temas cuja letra, música, voz (falada) e video são da minha autoria (direitos de imagem à parte), com a ajuda do GarageBand e do IMovie HD. Os poemas já foram editados algures no tempo, aqui no blog, mas como sofreram alterações voltam a entrar ao barulho, literalmente.
Boa sorte, querido ouvinte.



"Eles andam aí" - One:Kubrik

Vêm lá dos confins do espaço
em busca dos desertos americanos.
Aconchegados em discos de aço
vão chegando os marcianos.

Olhos espirais, antenas telepatas
e espertas orelhas pontiagudas:
são assim p'ró feinho os piratas
do Triângulo das Bermudas.

Uns vêm e deixam saudades,
outros por fome de carne humana.
Contra todas as probabilidades
visitam-nos uma vez por semana.

Eles andam aí.
Alienígenas indígenas
de planetários corsários,
Eles andam aí.

Não há como negar o facto:
eles andam aí e são apanhados
a construir aeroportos no mato
e a ceifar o trigo dos prados.

Arriscam-se à bestial pestilência
dos encontros de grau terceiro.
Amiúde, deixam descendência,
são fornicadores em passeio.

Habitam há que tempos a História,
deixaram-nos príncipes e faraós,
(as pirâmides são prova e memória
de que nunca estivemos sós).

Eles andam aí.
Marcianos bacanos,
Extraterráqueos batráquios,
Eles andam aí.

Escreveram tábuas e pautas
para mitos, cultos e religiões:
são os deuses astronautas
que aterram aos trambolhões.

Podem até ser sapiens em férias,
do século D.C. quarenta e tal.
Tiram fotografias, trocam pilhérias,
vêem em safari temporal.

Na verdade nem me interessa
de onde vêem e para onde vão.
Gosto é de os ver assim com pressa
em imagens de baixa resolução.

Eles andam aí.
Répteis com projecteis
Psicopatas de três patas,
Eles andam aí.

Eles andam aí.
Alienígenas indígenas
de planetários corsários,
Eles andam aí.

Eles andam aí.