quarta-feira, outubro 30, 2019
"This is how the world ends,
not with a bang but with a whimper"
T.S. Eliot
Paul Joseph Watson . Clown World Order
T.S. Eliot
Paul Joseph Watson . Clown World Order
sexta-feira, outubro 25, 2019
Kobayashi e as abelhas.
vou-me embora —
arrendei a minha casa
às abelhas
flor aberta —
uma abelha penetra-a
com o ferrão
a minúscula abelha
pensa em grande —
flores do aniversário de Buda
as abelhas do campo
passam zumbindo
por dentro do templo
as abelhas com filhos
trabalham freneticamente
e recebem o seu salário
as abelhas
em volta do poste —
reunião de condomínio
Kobayashi Issa . Os Animais [haikus]
Assírio & Alvim . Versão em pt: Joaquim M. Palma
Sim Racing Beauty.
A propósito do último post, aqui fica o espectacular trailer da actualização V1.1 do Assetto Corsa Competizione, testemunho puro e duro do estado da arte moderna em simulação de corridas.
quinta-feira, outubro 24, 2019
O real e o virtual à mistura.
O Sul-africano David Perel é piloto em duas dimensões: na vida real conduz o Ferrari 488 GT3 Pro Am da Rinaldi Racing na Blancpain GT Series; e no palco virtual é um habitual ganhador de corridas online no Gran-Turismo, no iRacing e no Assetto Corsa.
O que vemos nos primeiros minutos deste vídeo é bem eloquente sobre a mistura explosiva que ocorre hoje em dia no automobilismo: os pilotos das corridas reais começam a aparecer nas corridas virtuais e os pilotos das corridas virtuais começam a aparecer na corridas reais. Cada vez mais. Neste caso super giro, David Perel escolhe, no Asseto Corsa, o carro que conduz realmente. Um momento verdadeiramente meta-fenomenal.
O que vemos nos primeiros minutos deste vídeo é bem eloquente sobre a mistura explosiva que ocorre hoje em dia no automobilismo: os pilotos das corridas reais começam a aparecer nas corridas virtuais e os pilotos das corridas virtuais começam a aparecer na corridas reais. Cada vez mais. Neste caso super giro, David Perel escolhe, no Asseto Corsa, o carro que conduz realmente. Um momento verdadeiramente meta-fenomenal.
domingo, outubro 20, 2019
Enquanto o co-piloto reza pela vidinha, Vatanen segue prego a fundo.
1983. Ari Vatanen, provavelmente o mais destemido e espectacular piloto de ralis da história do automobilismo, acelera o seu Opel Manta 400 pela Ilha de Mann como se não houvesse amanhã. A certa altura (2'09" do vídeo) bate num muro do seu lado esquerdo e - milagrosamente - consegue equilibrar o carro e evitar a colisão a alta velocidade com um portão. Ainda assim, o filandês continua teimosamente a carregar com o pé na tábua, independentemente do furo que a batida provocou, do nevoeiro que entretanto se instala, da estrada escorregadia com precipícios a centímetros do asfalto e de qualquer vestígio de bom senso. Cinco minutos épicos.
sábado, outubro 19, 2019
Sinais do tempo.
O patrão sinistro do sinistro Facebook concedeu recentemente à impecável Dana Perino uma
muito surpreendente entrevista em que - pasme-se - defende a liberdade de expressão.
Não que a pratique: o Facebook é uma máquina de censura tão porreira que obedece perfeitamente ao critério do Partido Comunista Chinês, com que Zuckerberg adora fazer negócio.
Ainda assim - e sem problematizar muito os motivos que o levaram a proclamar a heresia - é de louvar este desvio à política oficial dos últimos anos.
No entretanto, os atrasados mentais do Extinction Rebellion decidiram bloquear o metro de Londres na estação de Canning Town, pelas 7 da manhã de ontem.
Parece que até o metro, que é eléctrico e transporta muito apertadinhas as classes mais desfavorecidas da grande babilónia britânica, é um veículo condenável para os histéricos do clima.
A escolha da estação também não foi propriamente genial: Canning Town é reconhecidamente um bairro de gente de barba rija. Ainda assim, os rapazinhos decidiram subir para cima das carruagens com aquela irritante superioridade moral e total indiferença perante a vida das pessoas que está a começar a tornar-se insustentável. O que aconteceu a seguir é absolutamente delicioso.
Não sou um defensor da violência, em princípio. Mas há aqui uns pontapés que são bem merecidos.
Uma nota: a violência foi iniciada por um dos "activistas pacifistas", que agride o rapaz que o tenta puxar para o chão.
Não que a pratique: o Facebook é uma máquina de censura tão porreira que obedece perfeitamente ao critério do Partido Comunista Chinês, com que Zuckerberg adora fazer negócio.
Ainda assim - e sem problematizar muito os motivos que o levaram a proclamar a heresia - é de louvar este desvio à política oficial dos últimos anos.
No entretanto, os atrasados mentais do Extinction Rebellion decidiram bloquear o metro de Londres na estação de Canning Town, pelas 7 da manhã de ontem.
Parece que até o metro, que é eléctrico e transporta muito apertadinhas as classes mais desfavorecidas da grande babilónia britânica, é um veículo condenável para os histéricos do clima.
A escolha da estação também não foi propriamente genial: Canning Town é reconhecidamente um bairro de gente de barba rija. Ainda assim, os rapazinhos decidiram subir para cima das carruagens com aquela irritante superioridade moral e total indiferença perante a vida das pessoas que está a começar a tornar-se insustentável. O que aconteceu a seguir é absolutamente delicioso.
Não sou um defensor da violência, em princípio. Mas há aqui uns pontapés que são bem merecidos.
Uma nota: a violência foi iniciada por um dos "activistas pacifistas", que agride o rapaz que o tenta puxar para o chão.
quarta-feira, outubro 16, 2019
Budas das trevas.
Logo depois de Genghis Khan - o assassino que impera ímpar sobre a História Universal da Infâmia - vem Mao Zedong, exterminador de bastantes mais infelizes que o dueto sinistro de Hitler e Estaline em concerto afinado. Assim sendo, o actual Partido Comunista Chinês, accionista de facto de uma boa parte do capital de grandes corporações ocidentais e detentor de dívida soberana de uma quantidade aterradora de estados, é em simultâneo responsável material pelo segundo grande extermínio de que há registo na ensanguentada rábula dos homens.
Mas com a China ninguém se mete e a recente resolução do Parlamento Europeu, que equipara o horror do comunismo ao horror nazi, procura - formal e mediaticamente - evitar que qualquer salpico de crítica salte para o pano imaculável da bandeira do Império do Meio. Na notícia do Observador, boletim sempre muito obediente à cartilha mainstream, figuram apenas os dois satânicos marretas do costume: o russo e o alemão. Como se os totalitarismos de carácter marcadamente genocida, condenados na resolução, fossem uma particularidade geo-política: para cá dos Urais, matamos mais.
A anacrónica necessidade de votar uma resolução sobre este deprimente assunto é - em sim mesmo - espantosa. Pelos vistos, até aqui a posição oficial da União Europeia tem sido a de que o bom do Estaline tinha mais fama que proveito, que os Khmer Vermelhos eram anti-fascistas bem intencionados e que a família de presidentes da Coreia do Norte trabalha há três gerações para o bem da humanidade.
Mais a mais, a resolução permanece objectivamente falsa. Se os eurodeputados querem mesmo dedicar-se à discutível arte de medir o tamanho das pilinhas dos grandes homicidas, que o façam com rigor. O comunismo internacional matou duas ou três ou quatro vezes mais gente que o nazismo, até porque durou muito mais tempo; o tempo necessário para retirar qualidade de vida, liberdades e direitos a toda uma ópera de povos. Como produtor de infelicidade, o comunismo não tem rival pelo que a equiparação ao também tenebroso, mas muito menos bem sucedido regime nazi não é de todo credível.
Noto que a resolução recolheu 66 votos contra e 52 abstenções, pelo que temos 118 eurodeputados que são ineptos em Aritmética, ignorantes da História e destituídos de Moral. São muitos e são demais.
segunda-feira, outubro 14, 2019
Não há vida sem acto criador.
Ainda sobre o assunto do último post, o genial (é dizer pouco) James Tour, químico pós graduado em Perdue, Doutorado em Standford e Professor de Ciência de Materiais e Nano-Engenharia na Universidade de Rice, explica com enorme eloquência porque é que a ciência contemporânea chega facilmente à conclusão que existe um Criador por de trás da Criação.
Aconselho vivamente a toda a gente os próximos cinco minutos deste vídeo. A sério.
"Organisms care about life. Chemistry, on the contrary, is utterly indifferent to life. Without a biological derived entity acting upon them, molucules have never been shown to evolve toward life. Never."
James Tour . The Mistery of the Origin of Life
Aconselho vivamente a toda a gente os próximos cinco minutos deste vídeo. A sério.
"Organisms care about life. Chemistry, on the contrary, is utterly indifferent to life. Without a biological derived entity acting upon them, molucules have never been shown to evolve toward life. Never."
James Tour . The Mistery of the Origin of Life
A pergunta fundamental.
Aos 52 anos, chego à conclusão que a questão ontológica fundamental é esta: pode a ciência provar a existência de Deus?
Stephen Meyer, filósofo e director do Discovery Institute's Center for Science and Culture dá um contributo muito sério para uma eventual resposta à minha prioritária pergunta. Quem tem interesse na relação entre a ciência e a religião, deve prestar a esta palestra a atenção que ela merece.
Stephen Meyer, filósofo e director do Discovery Institute's Center for Science and Culture dá um contributo muito sério para uma eventual resposta à minha prioritária pergunta. Quem tem interesse na relação entre a ciência e a religião, deve prestar a esta palestra a atenção que ela merece.
quarta-feira, outubro 09, 2019
Junk pop e os cientistas do vício.
O sacaninha do Rick Beato consegue por-me a ouvir coisas deliciosamente intragáveis, como esta aqui:
Mabel . Don't Call Me Up
É claro que este blog não costuma abrir janelas para o pop mainstream americano, espécie de junk food para os ouvidos que não consola nem eleva, mas que tem, aqui e ali, um encanto imediatista que é difícil de resitir. A excepção à regra deve-se ao Rick e ao eloquente vídeo que explica porque raio é que esta música da Mabel funciona cientificamente como um Big Mac melódico que sabe bem nas primeiras dentadas e deixa remorosos no estômago da sensibilidade.
Mabel . Don't Call Me Up
É claro que este blog não costuma abrir janelas para o pop mainstream americano, espécie de junk food para os ouvidos que não consola nem eleva, mas que tem, aqui e ali, um encanto imediatista que é difícil de resitir. A excepção à regra deve-se ao Rick e ao eloquente vídeo que explica porque raio é que esta música da Mabel funciona cientificamente como um Big Mac melódico que sabe bem nas primeiras dentadas e deixa remorosos no estômago da sensibilidade.
segunda-feira, outubro 07, 2019
Thunderstruck rednecks.
Ou como os AC/DC podem ser revistos por uma banda folk. Brilhante.
Steve'n'Seagulls . Thunderstruck
Steve'n'Seagulls . Thunderstruck
Uma República pela metade.
Com a desonrosa excepção do CDS, que Cristas reconduziu espectacularmente à condição de partido taxista, toda a gente ganhou as legislativas de ontem. O PS, como era expectável, o PSD porque o inenarrável Rui Rio conseguiu escapar à mais que merecida humilhação (e isso, para a criatura, é em si mesmo uma vitória retumbante), o Bloco porque sim, porque é o Bloco e porque o Bloco é por natureza um triunfo (como o dos porcos do Orwell), o PCP como sempre (não há memória de um partido comunista sair derrotado de um acto eleitoral que seja e é por isso que, historicamente, o comunismo sempre procurou anular rapidamente o fastidioso acto eleitoral), o PAN porque é um fenómeno poltergeist, o Chega porque é insuportável e isso sempre dá votos, o Livre porque quer ser o Bloco quando for grande e a Iniciativa Liberal porque ainda há gente em Portugal (muito pouca) com algum optimismo e inocência bastante.
É mais que nítido, no entanto, que o resultado verdadeiramente significativo da fantochada eleitoral foi a abstenção, que obteve uma esmagadora maioria, segundo o critério de Hondt. Na altura que escrevo este post, 4,5 dos 10 milhões de eleitores registados ignoraram completamente o assunto da governação do País (eu também). E se somarmos à abstenção os votos brancos e os votos nulos, ficamos com quase, quase 50% para cada lado: uma República partida pela sua metade. Mas pelas caras sorridentes que vi, horrorizado e durante dez segundos, na televisão, pergunto-me: até que ponto é que os desgraçados intérpretes desta República vão continuar a assobiar para o lado, como se nada fosse? Qual é a percentagem de abstenção necessária para que esta corja perca a vergonha e reconheça o problema da legitimidade democrática e institucional que realmente existe? 60%? 70%? 80% de abstenção? Não creio. Depois de 45 anos de descaramento, a rapaziada formaria governo com 10 mil votos apenas. E de cara alegre, como sempre, porque o poder, mesmo que ilegítimo, é sempre um festival de contentamentos.
Tenho 52 anos. A minha vida está estabilizada e eu gosto dela. Não nutro, por isso, grandes desejos de revolução. Mas desconfio bem que esta cambada de palhaços ricos vai acordar um dia para uma muito desagradável surpresa. É uma questão de tempo. O tempo necessário para que a indiferença se transforme em ira.
É mais que nítido, no entanto, que o resultado verdadeiramente significativo da fantochada eleitoral foi a abstenção, que obteve uma esmagadora maioria, segundo o critério de Hondt. Na altura que escrevo este post, 4,5 dos 10 milhões de eleitores registados ignoraram completamente o assunto da governação do País (eu também). E se somarmos à abstenção os votos brancos e os votos nulos, ficamos com quase, quase 50% para cada lado: uma República partida pela sua metade. Mas pelas caras sorridentes que vi, horrorizado e durante dez segundos, na televisão, pergunto-me: até que ponto é que os desgraçados intérpretes desta República vão continuar a assobiar para o lado, como se nada fosse? Qual é a percentagem de abstenção necessária para que esta corja perca a vergonha e reconheça o problema da legitimidade democrática e institucional que realmente existe? 60%? 70%? 80% de abstenção? Não creio. Depois de 45 anos de descaramento, a rapaziada formaria governo com 10 mil votos apenas. E de cara alegre, como sempre, porque o poder, mesmo que ilegítimo, é sempre um festival de contentamentos.
Tenho 52 anos. A minha vida está estabilizada e eu gosto dela. Não nutro, por isso, grandes desejos de revolução. Mas desconfio bem que esta cambada de palhaços ricos vai acordar um dia para uma muito desagradável surpresa. É uma questão de tempo. O tempo necessário para que a indiferença se transforme em ira.
domingo, outubro 06, 2019
Os patrões do rock contemporâneo estão de volta.
Inacreditavelmente, só me apercebi ontem que os Black Keys editaram um novo disco, sendo que a Obra foi lançada em Maio deste ano. Imperdoável lapso. Ainda não ouvi o disco, confesso, mas fica já aqui uma malha, embrulhada num clip super divertido, principalmente se considerarmos a ironia do enredo. É que, ao contrário do que vemos no clip, Dan Auerbach e Patrick Carney são os melhores amigos de que há registo na história da humanidade e, teórica e praticamente, incapazes de uma zanga que seja.
A prova da afirmação polémica com que termino o parágrafo anterior é esta deliciosa entrevista que os dois bons e velhos camaradas concederam a Joe Rogan, no mês de Setembro último. Bem sei que, como todas as entrevistas de Rogan, a coisa se estende muito para além do razoável, mas que vale a pena, lá isso vale.
A prova da afirmação polémica com que termino o parágrafo anterior é esta deliciosa entrevista que os dois bons e velhos camaradas concederam a Joe Rogan, no mês de Setembro último. Bem sei que, como todas as entrevistas de Rogan, a coisa se estende muito para além do razoável, mas que vale a pena, lá isso vale.
Em busca da matéria perdida.
Uma equipa constituída por cientistas e engenheiros de todo o mundo está a construir no Arizona uma espécie de telescópio 3D - o DESI - que irá permitir, talvez, a detecção e identificação da energia negra, a força que constitui 27% da matéria cósmica e que é responsável pela expansão, a um ritmo exponencial, do universo e à sua alucinante perda de densidade. Se a complexa máquina experimental der resultados, comprovará que o modelo standard da física contemporânea ainda serve para alguma coisa. Caso contrário, mais vale começarmos do zero.
A ver vamos.
A ver vamos.
sexta-feira, outubro 04, 2019
Bom apetite.
No contexto da histeria colectiva a que chegámos com a versão Século XXI do apocalipse climático (e eu lembro-me bem de ser ameaçado até ao desespero com os vários apocalipses climáticos do século XX), isto já nem espanta:
quinta-feira, outubro 03, 2019
terça-feira, outubro 01, 2019
Um buraco inventado.
Parece que não sou só eu que tem muitas dúvidas sobre a credibilidade científica da recente e famosa imagem atribuída a um buraco negro. E outrossim parece que estou bem acompanhado ao desconfiar que esta imagem não corresponde de todo a qualquer buraco negro pela simples e muito provável razão de que os buracos negros nem sequer existem. E, se calhar, seria uma boa ideia fazer prova de que eles existem pelo recurso ao bom e velho método científico e não através de uma imagem que se faz circular, com euforia espampanante, nas capas dos jornais de todo o mundo. O Professor Pierre-Marie Robitaille elabora sobre o assunto. E ele sabe do que fala.
quarta-feira, setembro 25, 2019
Rock on, Rick.
Rick Beato. Músico, compositor, professor, produtor, youtuber, mas sobretudo, amante de música. E no canal dele percebe-se bem o romance. Num dos segmentos que edita com regular persistência e apaixonada veia, "What Makes This Song Great", Beato explica muito bem explicado porque é que a mais épica das malhas já inventadas pelos Queens of the Stone Age, "Nobody Knows", é assim tão malha e é assim tão épica. Escolhi este vídeo porque, claramente, gosto tanto da música como o alegre youtuber. Mas qualquer melómano curioso vai de certeza encontrar a desmontagem fascinante de uma canção de vida, nos sessenta e tal episódios desta série. Beato adora o que faz e o que faz brilhantemente é ensinar música. E irradiar uma deveras consoladora pedagogia do gosto. Programa de televisão do momento.
domingo, setembro 22, 2019
domingo, setembro 15, 2019
Som da Frente.
O bom do António Sérgio ia de certeza passar estes putos, depois da uma da manhã, na Rádio Comercial de 1992.
E isto não é dizer pouco.
Winterbourne . Too Many
E isto não é dizer pouco.
Winterbourne . Too Many
quinta-feira, setembro 12, 2019
Patologia americana.
Este tweet do New York Times dedicado à traumática e dramática efeméride de ontem é eloquente sobre o momento insano que atravessa o panorama político - e jornalístico - americano. Afinal, foram os aviões que decidiram, há 18 anos atrás, rebentar com as Torres Gémeas. Os aviões é que são os terroristas. A ideia de que aos comandos dos aviões estavam uns tipos muita porreiros a quem costumamos (costumávamos?) chamar radicais islâmicos e que esses tipos muita porreiros é que foram responsáveis pelo horror, é uma teoria da conspiração sem pés nem cabeça. Porque os aviões é que são os culpados. Os aviões, ouviram?
terça-feira, setembro 10, 2019
Elogio da solidão.
Desde criança que sempre apreciei a solidão. Convivo bem com ela porque sei, sempre soube, que faz parte grande e importante da vida. É a solidão que me permite escrever, trabalhar, pensar. É quando estou só que o meu raciocínio se aprofunda, que a análise que faço de mim e dos outros é mais certeira. Sou uma pessoa de companhia, claro. Gosto da componente social e conservo, apesar de tudo, muitos e bons amigos com quem adoro estar. Com quem adoro conversar, beber uns copos, desabafar, rir, confessar ridículos e partilhar glórias. Mas tenho a convicção sólida de que a saudável convivência social só é possível quando sabemos ficar a sós. Quando aproveitamos a solidão para um melhor entendimento do mundo. E para a superior exploração do nosso potencial. E pelos vistos, Alain de Botton e os senhores da notável The School of Life concordam comigo. Pelos vistos, na minha opinião sobre a solidão, não estou sozinho:
Bandeiras erradas.
Em Hong Kong, os manifestantes erguem a bandeira americana, como uma
tocha libertária. Em Boston, os militantes da Antifa queimam-na, como um símbolo do mal absoluto.
Manifestantes e militantes estão equivocados, claro. Uns deviam levantar a britânica Union Jack, que lhes ensinou a liberdade. Os outros deviam parar de queimar bandeiras, ponto. E dirigir essa energia antifascista contra as repúblicas que realmente expressam o mal absoluto. Dou ideias: República Popular da China, República Islâmica do Irão, República Bolivariana da Venezuela, República Árabe da Síria, República Popular Democrática da Coreia, República de Cuba, República da União de Myanmar, República Centro-Africana, República da Libéria, República Federal da Somália, e etc.
Manifestantes e militantes estão equivocados, claro. Uns deviam levantar a britânica Union Jack, que lhes ensinou a liberdade. Os outros deviam parar de queimar bandeiras, ponto. E dirigir essa energia antifascista contra as repúblicas que realmente expressam o mal absoluto. Dou ideias: República Popular da China, República Islâmica do Irão, República Bolivariana da Venezuela, República Árabe da Síria, República Popular Democrática da Coreia, República de Cuba, República da União de Myanmar, República Centro-Africana, República da Libéria, República Federal da Somália, e etc.
sábado, setembro 07, 2019
O triunfo de Cid.
Enquanto em Portugal não nos cansamos de promover a mediocridade profunda dos diversos Tonis Carreira que infectam a música popular, não deixa de ser irónico que os senhores da National Academy of Recording Arts and Sciences se tenham lembrado (a minha alma está parva) de atribuir a José Cid um mais que justo Grammy, que premeia a sua poderosíssima carreira como compositor, letrista, intérprete e impenitente romântico. Cid é, talvez a par de Zeca Afonso, o grande criativo da sua geração. E mantém ainda hoje, com a heroica idade de 77 anos, uma intensa actividade ao vivo, esgotando concerto sobre concerto nos mais diversos palcos.
Muito de vez em quando, neste mundo esquizofrénico, acontece algo que faz sentido. E celebrar o talento de José Cid faz todo o sentido.
José Cid . Morrer de Amor . 1981
Quando eu te conheci eras criança
Vivias no teu mundo de ilusão
E nem sequer sonhavas que poderias ser
A causa principal desta canção
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver a vida sem te ter
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver sem ti.
E o tempo foi passando lentamente
Mas não morri de amor, sobrevivi
Foi-me invadindo a alma uma tristeza imensa
Que ditou a canção que te escrevi
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver a vida sem te ter
A morrer de amor
É bem melhor do que viver sem ti.
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver a vida sem te ter
A morrer de amor
É bem melhor do que viver sem ti
Muito de vez em quando, neste mundo esquizofrénico, acontece algo que faz sentido. E celebrar o talento de José Cid faz todo o sentido.
José Cid . Morrer de Amor . 1981
Quando eu te conheci eras criança
Vivias no teu mundo de ilusão
E nem sequer sonhavas que poderias ser
A causa principal desta canção
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver a vida sem te ter
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver sem ti.
E o tempo foi passando lentamente
Mas não morri de amor, sobrevivi
Foi-me invadindo a alma uma tristeza imensa
Que ditou a canção que te escrevi
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver a vida sem te ter
A morrer de amor
É bem melhor do que viver sem ti.
Ah morrer de amor
É bem melhor do que viver a vida sem te ter
A morrer de amor
É bem melhor do que viver sem ti
domingo, setembro 01, 2019
Haikus da Baía #6
O discurso atónico de Jordan B. Peterson
cruza-se com os gritos assíncronos
das gaivotas.
Tudo converge numa sonata antiga.
_____
Os meus tímpanos conseguem discernir,
aqui e ali e ao longe,
o rotor de um ar condicionado,
o escape de uma motorizada,
o queixume de uma gaivota.
Mas aqui quem manda é o deus
do silêncio.
_____
A arte do haiku não está na sua
síntese,
mais do que reside na sua
permanência.
_____
Sermos todos filhos do mesmo
deus menor,
não nos faz iguais na nossa pequenez.
_____
Se um mero mortal sofre infernais labores
para apenas sobreviver,
imaginem a carga de trabalhos que é necessária
à imortalidade.
_____
O YouTube grita, grita,
mas não convence como a eloquência
deste fim de tarde.
_____
Chego à falésia
no feliz momento da retirada dos outros.
A idade é muito sábia.
_____
Sabes que tens um dia pacífico à tua frente
quando até a maré da manhã
faz silêncio.
_____
O haiku amanhece na minha cabeça
como um ataque de preguiça traz crepúsculos
aos meus ossos.
_____
Como seria ético
um universo sem moscas.
_____
Do outro lado da bússola,
o Atlântico protesta com furacões de grau cinco.
Deste lado, não.
Elogio do riff.
No meu modesto entender, a guitarra eléctrica é mais um instrumento de riff do que de solo. Para solar, há instrumentos mais prolixos e sensíveis, como o violino ou o piano ou a voz humana. Mas só a guitarra eléctrica consegue inventar acordes redundantes, extremamente poderosos, como estes aqui:
Chamo a atenção do gentil audiente para o facto de que este riff é de tal forma bem sucedido e eloquente que invalida a necessidade de um solo, numa música que em tudo o resto conserva inteirinha a tradicional arquitectura do rock.
Idlewild . All These words
Chamo a atenção do gentil audiente para o facto de que este riff é de tal forma bem sucedido e eloquente que invalida a necessidade de um solo, numa música que em tudo o resto conserva inteirinha a tradicional arquitectura do rock.
Idlewild . All These words
Comédia de culto.
Dave Chappelle, outra vez. Agora numa hilariante dissertação sobre o estranho caso de Jussie Smollett. E-s-p-e-c-t-a-c-u-l-a-r.
sábado, agosto 31, 2019
A verdade sobre os automóveis eléctricos.
Os governos, a imprensa e as próprias marcas continuam a mentir descaradamente, mas a verdade é que um automóvel eléctrico não é muito mais amigo do ambiente que um automóvel convencional. A diferença é quase nula, principalmente nos países que produzem electricidade a partir do carvão, como os Estados Unidos da América. Senão vejamos:
quarta-feira, agosto 28, 2019
Dave Chappele parte a loiça toda.
O inconformado - e corajoso - comediante Dave Chappelle tem um novo espectáculo a bombar na Netflix, Sticks & Stones, que é absolutamente demolidor, num momento da história em que é preciso ter muito cuidado com as palavras e é por isso que a comédia contemporânea é um cadáver absoluto. E é por isso que recomendo absolutamente a performance do homem. Se és de esquerda vais rir e vais sofrer. Se és de direita vais sofrer e vais rir. É bardoada, curta e grossa - e frequentemente hilariante - para todo o lado do espectro sócio-político. Vejam só este bocadinho, para abrir o apetite:
Um gajo indignado grita do balcão: "And what the fuck are you gonna do if Trump gets reelected?"
Chappelle responde: "I'll probably get a significant tax break."
Um gajo indignado grita do balcão: "And what the fuck are you gonna do if Trump gets reelected?"
Chappelle responde: "I'll probably get a significant tax break."
terça-feira, agosto 27, 2019
Haikus da Baía #5
A minha mulher passa tardes de tempo
entretida com um complicadíssimo jogo de gomas.
(Perante a complicação de um jogo de gomas ficas a saber
que nunca serás um intelectual).
______
Fim de tarde e a baía adormece,
mas as gaivotas ainda discutem.
O silêncio, paz de pássaros,
virá com a lua cheia.
______
A beleza de um parque de estacionamento
está na cara do condutor que encontrou
um lugar para estacionar.
______
A gaivota é um bicho stressado.
Até para as aves a vida é difícil.
______
O vento precisa da árvore para ter voz
e a árvore precisa do vento para ter vida.
A natureza não brinca em serviço.
______
A baía é um triunfo.
Todos os dias vence sobre o caos.
______
Quanto mais vezes testemunho o decaimento do sol,
melhor entendo a razão de Deus.
______
Sobre o valor do dinheiro estamos todos de acordo,
mas quanto vale em euros
esta tarde de Julho?
______
De tanto escrever haikus do alto da falésia,
fico com vertigens.
entretida com um complicadíssimo jogo de gomas.
(Perante a complicação de um jogo de gomas ficas a saber
que nunca serás um intelectual).
______
Fim de tarde e a baía adormece,
mas as gaivotas ainda discutem.
O silêncio, paz de pássaros,
virá com a lua cheia.
______
A beleza de um parque de estacionamento
está na cara do condutor que encontrou
um lugar para estacionar.
______
A gaivota é um bicho stressado.
Até para as aves a vida é difícil.
______
O vento precisa da árvore para ter voz
e a árvore precisa do vento para ter vida.
A natureza não brinca em serviço.
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A baía é um triunfo.
Todos os dias vence sobre o caos.
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Quanto mais vezes testemunho o decaimento do sol,
melhor entendo a razão de Deus.
______
Sobre o valor do dinheiro estamos todos de acordo,
mas quanto vale em euros
esta tarde de Julho?
______
De tanto escrever haikus do alto da falésia,
fico com vertigens.
terça-feira, agosto 20, 2019
Novas harmonias vampirescas.
Os Vampire Weekend regressam com "Father of the Bride", um disco feito nitidamente à revelia do habitual registo da banda, mas que soa muitíssimo bem. Senão ouçamos:
Vampire Weekend . Harmony Hall
Vampire Weekend . Harmony Hall
Serviço de Emergência.
A prova que a Teoria da Emergência, de que já falei aqui no blog, está a ganhar tracção na comunidade científica, é este vídeo da respeitável Quanta Magazine, que tenta, com algum sucesso, a difícil missão de sintetizar uma tese super complexa em 3 minutos e meio.
domingo, agosto 11, 2019
Completamente.
Jeremy Clarkson nunca se cansa de ser um herói dos antigos. E neste pequenino e brilhante manifesto está a demonstração de que nem toda a gente ensandeceu. Ainda há uns quantos sobreviventes que permanecem lúcidos. Mas até quando?
Punk Disco Funk Rock.
Idlewild. Estou só a começar a ouvir o último álbum destes rapazes, Interview Music, mas já vou bem lançado pela opinião deste meu amigo aqui e porque realmente, logo à primeira audição, isto começa a bombar por todos os lados. Há temas que parecem saídos de uma cave britânica em 1989 e há outros que soam a FM americano de 1992 e há outros que são pós-psicadélicos e depois, pop!, também há isto, para dançar:
A coisa promete.
Idlewild . There's a Place for Everything
A coisa promete.
Idlewild . There's a Place for Everything
quinta-feira, agosto 08, 2019
Cânones, variações e como entre Bach e Sibelius se encontra a felicidade.
Nahre Sol. Esta rapariga é um prodígio de talento e sensibilidade. E o canal dela no YouTube é um antídoto absolutamente proverbial para um Agosto meio deprimente. Neste clip admirável, percebemos melhor o pensamento matemático, multi-dimensional, de Bach e a arquitectura divina das Variações de Goldberg, talvez a mais genial composição da história da música. Mas percebemos também, e se calhar isto é mais importante, que a humanidade é uma espécie muito, mas mesmo muito especial. Capaz de coisas como as Variações, ou como a singela e lindíssima peça que, entre o modelo canónico de Bach e as harmonias de Sibelius, Nahre consegue criar no espaço de uma ou duas semanas.
Um vídeo contra o pessimismo.
Um vídeo contra o pessimismo.
Máximo susto.
Jos Verstappen, vencedor da categoria LMP2 das 24 horas de Le Mans em 2008 e piloto de Fórmula 1 entre 1994 e 2003, mete-se num Renault GT3 com o filho ao volante, para dar uma voltinha calma ao circuito de Spa-Francochamps.
A circunstância ocorre no ano de 2015, pelo que o condutor do veículo, o actual herói da F1 Max Verstappen, ainda nem sequer tem idade para possuir carta de condução.
Os olhares do pápá e do filhote dizem tudo sobre o que se passa a seguir. Enquanto Max parece calmo e focado, Jos, apesar de ter sido piloto profissional toda a vida, fica por várias vezes muito próximo de sucumbir à apoplexia da velocidade (na subida de Eau Rouge deve ter feito um xi-xi).
Depois da volta concluída, quando o automóvel se detém finalmente nas boxes, a curta conversa em holandês é qualquer coisa como isto:
Max asks: "And?"
Jos: "Not normal man, you did that deliberately didn't you?"
Max: "I went faster with mum on board."
Jos (not believing him): "Yeah, sure."
Ao sair de Francochamps, Jos Verstappen estava por certo completamente convencido que criou um monstro. E tem toda a razão.
Três minutos entre a comicidade e a alucinação.
A circunstância ocorre no ano de 2015, pelo que o condutor do veículo, o actual herói da F1 Max Verstappen, ainda nem sequer tem idade para possuir carta de condução.
Os olhares do pápá e do filhote dizem tudo sobre o que se passa a seguir. Enquanto Max parece calmo e focado, Jos, apesar de ter sido piloto profissional toda a vida, fica por várias vezes muito próximo de sucumbir à apoplexia da velocidade (na subida de Eau Rouge deve ter feito um xi-xi).
Depois da volta concluída, quando o automóvel se detém finalmente nas boxes, a curta conversa em holandês é qualquer coisa como isto:
Max asks: "And?"
Jos: "Not normal man, you did that deliberately didn't you?"
Max: "I went faster with mum on board."
Jos (not believing him): "Yeah, sure."
Ao sair de Francochamps, Jos Verstappen estava por certo completamente convencido que criou um monstro. E tem toda a razão.
Três minutos entre a comicidade e a alucinação.
quarta-feira, agosto 07, 2019
E a propósito da pomba que chora,
uma grande canção do paleolítico inferior.
Prince . When Doves Cry
Prince . When Doves Cry
A graça limitada, a pomba que chora, o polegar dentro da lata de cerveja e a rapariga de cabelos atados à locomotiva, ou porque é que os mexicanos não chegam a astronautas.
Se é verdade que a máquina de Hollywood entrou em modo disfuncional, para não dizer patético, já há uns anos valentes, não é mentira nenhuma que a sensibilidade do espectador vai sendo, aqui e ali e ainda assim, salva pela indústria televisiva (na dimensão stream da palavra, claro).
Perpetual Grace LTD, a série da Epix criada por Seteven Conrad e Bruce Terris é um daqueles produtos cinemáticos que prima por um absoluto princípio de disrupção. A julgar pelos seis episódios que já vi desta primeira temporada, os personagens falam como nunca ouvimos outros personagens falar. O fio da história desenrola-se como nunca vimos outra história porfiar, as circunstâncias da narrativa são nunca vistas, os factos são de fé e a fé troca-se numa loja de penhores por um colar de pérolas. A obra é filmada e editada de uma forma estonteantemente inovadora e tudo nesta magnífica, estranha, hilariante e excruciante série parece configurar o princípio de uma nova - e convincentemente insana - maneira de fazer as coisas.
O elenco, chefiado por Jimmi Simpson e Sir Ben Kingsley (que no sexto episódio interpreta um cover fabuloso de "When doves Cry") e secundado por uma mão cheia de brihantes e quase desconhecidos actores deixa, qualitativamente, qualquer produção mainstream a distâncias astronómicas. Há, também aqui, um trabalho de direcção de actores que traz novas texturas aos rostos, novas cores aos diálogos e uma reinaugurada humanidade à cinematografia.
Se gostas de séries, gentil leitor, experimenta esta. Mas prepara-te. Vais estar perante algo que não é parecido com nada que até agora tenha atingido a alma da tua retina. À excepção, mal comparada, de Breaking Bad.
Boa sorte e boa viagem.
Perpetual Grace LTD, a série da Epix criada por Seteven Conrad e Bruce Terris é um daqueles produtos cinemáticos que prima por um absoluto princípio de disrupção. A julgar pelos seis episódios que já vi desta primeira temporada, os personagens falam como nunca ouvimos outros personagens falar. O fio da história desenrola-se como nunca vimos outra história porfiar, as circunstâncias da narrativa são nunca vistas, os factos são de fé e a fé troca-se numa loja de penhores por um colar de pérolas. A obra é filmada e editada de uma forma estonteantemente inovadora e tudo nesta magnífica, estranha, hilariante e excruciante série parece configurar o princípio de uma nova - e convincentemente insana - maneira de fazer as coisas.
O elenco, chefiado por Jimmi Simpson e Sir Ben Kingsley (que no sexto episódio interpreta um cover fabuloso de "When doves Cry") e secundado por uma mão cheia de brihantes e quase desconhecidos actores deixa, qualitativamente, qualquer produção mainstream a distâncias astronómicas. Há, também aqui, um trabalho de direcção de actores que traz novas texturas aos rostos, novas cores aos diálogos e uma reinaugurada humanidade à cinematografia.
Se gostas de séries, gentil leitor, experimenta esta. Mas prepara-te. Vais estar perante algo que não é parecido com nada que até agora tenha atingido a alma da tua retina. À excepção, mal comparada, de Breaking Bad.
Boa sorte e boa viagem.
terça-feira, agosto 06, 2019
Hey Scott Adams, you're totally wrong about Western Civilization.
Scott Adams, o criador de Dilbert, é só o meu cartoonista preferido de todos os tempos. Nos últimos anos tem dividido o seu tempo entre as notáveis tiras e o comentário político, que eu sigo quotidianamente no YouTube (Real Coffee With Scott Adams). Geralmente, concordo com o que diz o homem, mas hoje cometeu uma argolada de todo o tamanho, que deveras me surpreendeu. A argolada é esta aqui (primeiros três minutos):
Scott Adams está evidentemente equivocado sobre a natureza e a propriedade da Civilização Ocidental. Procurando esclarecê-lo, deixei no post correspondente este comentário em baixo.
I'm a great fan of your coffee, dear Scott, but it seems, to my surprise, that in relation to Western Civilization you're the one who is really desinformed, man.
To my knowledge, Plato was not an american, Jesus never dreamt with a hot dog and Kant never left Königsberg. And as it happens, these three extremely bright guys we're truly the founding fathers of our civilization.
What you call Capitalism (in its modern sense) was in fact invented in the late stages of the medieval era (we in Europe call it the Commercial Revolution) and it was later enhanced by the protestant reformation, that allowed people to earn money and still expect to go to heaven (you should read Max Weber about this very important issue).
The civil rights and liberties you now assume as an american product result directly from two typically british events: the Magna Carta (1215) and the Glorious Revolution (1640-1688). The French Revolution, which, despite the radicals, the heads off and the complete lunacy, was key to your own independence (your founding fathers freakin' loved it) and to the republican ideals you surely treasure, did not, obviously, take part in your beloved federation.
As culture interacts in great extent with the concept of civilization, you must recognize that Homero, who invented literature as we now know it; Bach, who invented music as we now listen to it; and the guys from the Italian Renaissance, that defined beauty as we now appreciate it, were not american types.
I could write an essay on your blatant error alone, but just think about this: where would the western civilization be (and what of the Pentagon) without Alexander the Great, Julius Caeser, Charlemagne, The Habsburgs, Admiral Nelson, Winston Churchill and all the non-american war lords (in the good sense of the word) that secured our ancient values and virtues by fiercely fighting barbarism, tiranny and corruption as well as extending the geography of the west? So, you see, just because you are reading this one book, it is perhaps a little premature to teach that the Western Civilization is all about America. Don't get me wrong: America is great. A great country. Probably the greatest country in History. But you will never walk alone.
Thanks for the coffee.
Scott Adams está evidentemente equivocado sobre a natureza e a propriedade da Civilização Ocidental. Procurando esclarecê-lo, deixei no post correspondente este comentário em baixo.
I'm a great fan of your coffee, dear Scott, but it seems, to my surprise, that in relation to Western Civilization you're the one who is really desinformed, man.
To my knowledge, Plato was not an american, Jesus never dreamt with a hot dog and Kant never left Königsberg. And as it happens, these three extremely bright guys we're truly the founding fathers of our civilization.
What you call Capitalism (in its modern sense) was in fact invented in the late stages of the medieval era (we in Europe call it the Commercial Revolution) and it was later enhanced by the protestant reformation, that allowed people to earn money and still expect to go to heaven (you should read Max Weber about this very important issue).
The civil rights and liberties you now assume as an american product result directly from two typically british events: the Magna Carta (1215) and the Glorious Revolution (1640-1688). The French Revolution, which, despite the radicals, the heads off and the complete lunacy, was key to your own independence (your founding fathers freakin' loved it) and to the republican ideals you surely treasure, did not, obviously, take part in your beloved federation.
As culture interacts in great extent with the concept of civilization, you must recognize that Homero, who invented literature as we now know it; Bach, who invented music as we now listen to it; and the guys from the Italian Renaissance, that defined beauty as we now appreciate it, were not american types.
I could write an essay on your blatant error alone, but just think about this: where would the western civilization be (and what of the Pentagon) without Alexander the Great, Julius Caeser, Charlemagne, The Habsburgs, Admiral Nelson, Winston Churchill and all the non-american war lords (in the good sense of the word) that secured our ancient values and virtues by fiercely fighting barbarism, tiranny and corruption as well as extending the geography of the west? So, you see, just because you are reading this one book, it is perhaps a little premature to teach that the Western Civilization is all about America. Don't get me wrong: America is great. A great country. Probably the greatest country in History. But you will never walk alone.
Thanks for the coffee.
Mais lenha para a fogueira americana.
Um fim de semana aterrador, nos Estados Unidos.
No sábado, um tresloucado radical de direita entrou num Walmart de El Paso, Texas, e começou a disparar indiscriminadamente. Matou 22 pessoas. Feriu 27.
No domingo, um tresloucado radical de esquerda cometeu a mesma atrocidade numa rua movimentada de Dayton, Ohio, matando 9 pessoas e ferindo 27.
Durante este fim de semana negro, foram registados 55 tiroteios entre gangs de Chicago, que resultaram em 7 mortos, incluindo uma criança de 5 anos, e dezenas de feridos. Este ano, mais de 1.600 pessoas foram feridas em tiroteios na grande metrópole de Illinois. 300 morreram.
Ainda neste fim-de-semana, a polícia de Baltimore reportou 17 horas seguidas de combate com armas de fogo. Mais de 200 pessoas já foram baleadas desde o início deste ano, nas ruas desta pobre e extremamente perigosa cidade americana.
Entretanto, jornalistas, políticos e pundits dos dois espectros ideológicos entretêm-se com acusações que oscilam entre o patético e o criminoso, colocando o discurso político americano num patamar de ruptura que assusta qualquer ser sensato.
O problema é que a sensatez desapareceu há muito da sociedade americana. E o que aí vem pode ser inimaginável. Amanhã, Trump vai a El Paso. Os democratas do Texas, que responsabilizam directamente e à boca cheia o Presidente dos Estados Unidos da América pela atitude de um assassino tresloucado, já o avisaram que não é bem vindo e que não se responsabilizam pela sua segurança, como se isto fosse uma atitude legítima. Como se Trump não tivesse sido eleito com os votos, maioritários, do Estado do Texas, em 2016. A situação pode rapidamente descambar.
A América é, neste preciso momento, um desastre à espera de acontecer.
No sábado, um tresloucado radical de direita entrou num Walmart de El Paso, Texas, e começou a disparar indiscriminadamente. Matou 22 pessoas. Feriu 27.
No domingo, um tresloucado radical de esquerda cometeu a mesma atrocidade numa rua movimentada de Dayton, Ohio, matando 9 pessoas e ferindo 27.
Durante este fim de semana negro, foram registados 55 tiroteios entre gangs de Chicago, que resultaram em 7 mortos, incluindo uma criança de 5 anos, e dezenas de feridos. Este ano, mais de 1.600 pessoas foram feridas em tiroteios na grande metrópole de Illinois. 300 morreram.
Ainda neste fim-de-semana, a polícia de Baltimore reportou 17 horas seguidas de combate com armas de fogo. Mais de 200 pessoas já foram baleadas desde o início deste ano, nas ruas desta pobre e extremamente perigosa cidade americana.
Entretanto, jornalistas, políticos e pundits dos dois espectros ideológicos entretêm-se com acusações que oscilam entre o patético e o criminoso, colocando o discurso político americano num patamar de ruptura que assusta qualquer ser sensato.
O problema é que a sensatez desapareceu há muito da sociedade americana. E o que aí vem pode ser inimaginável. Amanhã, Trump vai a El Paso. Os democratas do Texas, que responsabilizam directamente e à boca cheia o Presidente dos Estados Unidos da América pela atitude de um assassino tresloucado, já o avisaram que não é bem vindo e que não se responsabilizam pela sua segurança, como se isto fosse uma atitude legítima. Como se Trump não tivesse sido eleito com os votos, maioritários, do Estado do Texas, em 2016. A situação pode rapidamente descambar.
A América é, neste preciso momento, um desastre à espera de acontecer.
Bora-Bora do Norte Atlântico.
Passa ao largo um barco branco
de bombordo, perfil franco,
vibrante, brilhante flanco,
alba barca, marca nívea!
Passa com a majestade da idade
e a convicção da corveta,
a nau catrineta;
barco bravo, poeta e escravo
de motoreta!
Passa o bote claro, claro que romântico,
Bora-Bora do norte Atlântico,
bolina boa e alva bala, ala, ala!
Balsa bela que valsa na praça:
passa, passa!
de bombordo, perfil franco,
vibrante, brilhante flanco,
alba barca, marca nívea!
Passa com a majestade da idade
e a convicção da corveta,
a nau catrineta;
barco bravo, poeta e escravo
de motoreta!
Passa o bote claro, claro que romântico,
Bora-Bora do norte Atlântico,
bolina boa e alva bala, ala, ala!
Balsa bela que valsa na praça:
passa, passa!
Mais volts para acordar para a vida.
Rock de alta tensão. Ou um potencial substituto do café:
Catfish and the Bottlemen . Conversation
Catfish and the Bottlemen . Conversation
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