quinta-feira, junho 23, 2005
sábado, junho 18, 2005
Barbearia
Ah, ir ao barbeiro como quem recomeça!
Ir de cara lavada, ir, erudito, ao barbeiro para renascer!
E o barbeiro, que está lá para a redenção, redimir-me!
E o vizinho que está lá a gastar o tempo, absolver-me do tempo!
E a minha imagem ridícula, despropositadamente punk e própria de cliente de barbeiro,
com muito cabelo num hemisfério e nenhum no outro hemisfério;
e a minha imagem ridícula em apartheid capilar que está ali para me salvar, salvar-me!
Ah, ir ao barbeiro e começar de novo!
(1996)
quinta-feira, junho 16, 2005
Orwell e o falecido Dr. Cunhal.
A história avalia o génio dos homens escassas vezes pelas suas glórias, mas frequentemente pelos seus desvarios.
O caso raro é Orwell: dando a perceber à humanidade que a utopia não era concretizável dentro do contexto da natureza humana, inventou este belo e verdadeiro complexo semântico da Distopia. E se é verdade que, 20 anos antes, Ievgueni Zamantiane já nos tinha alertado para esta coisa tenebrosa de procurar deus nos sonhos organizacionais dos homens, foi ele, George, que instalou em definitivo o problema. Com essa proeza, ganhou um lugarzito na bancada da posteridade.
O caso prosaico é Cunhal: nunca percebeu a inevitabilidade distópica (em português direito: o supra-poderoso potencial para o desastre egotista do indivíduo), e por teimar no dogma, por casmurrar no dislate, vencerá a lei da morte, sim, mas em décadas apenas.
A presença heróica que dure por centúrias e milénios na memória dos homens, sairá sempre mais cara ao protagonista. Estaline, por exemplo, pagou o preço mais caro de todos (na verdade, tratou-se de um péssimo investimento). Mas, começando pelo princípio, Ulisses pagou e inventou a imortalidade com um valente par de cornos, mais 52 tempestades; Aquiles pagou com a morte do amante; Sócrates pagou ao beber pelo mesmíssimo cálice com que, um bocado depois, Cristo foi levado à cruz (a este, também não lhe saiu a eternidade em conta); Aristóteles pagou com a medievalidade na Europa, Alexandre pagou com a pressa da morte; César com a infâmia dos Césares, Átila com a retirada de Roma (um mistério); Constantino com uma civilização inteira (um disparate); S. Tomás de Aquino com a virgindade; Shakespeare pagou a glória eterna com um espaço em branco; Bórgia com a reputação; Da Vinci com a inconsistência; Velazquez pagou com o mau hálito dos reis e, a dobrar, com o mau feitio dos papas; Mozart pagou com a infância; Newton com uma maçã na cabeça; Cromwell com o líbido dos exércitos; Kant com o provincianismo; Robespierre com o seu próprio remédio; Napoleão com uma úlcera no cérebro e a Goethe (como antes a Marlowe) ficou-lhe caríssima a imortalidade, sendo até necessário um primeiro comércio com o Diabo; Bismark pagou com a Alemanha; Einstein com a fotografia no jornal; Hitler largou as despesas da embalagem facínora e equivalentes à fortuna de Charlie Chaplin, mais um bigode lamentável; Churchill pagou acima do razoável com a derrota maluca nas eleições de 45 (ou 46?), Picasso, com uma camisola de marinheiro gay, Spielberg com o síndroma Miguel Ângelo e assim sucessivamente até à banca rota do mercado financeiro que é o da salvação das almas.
Álvaro Cunhal, não pagou o preço justo (até porque morre de velho) e, sobretudo, estava demasiado errado e era excessivamente teimoso para aceder ao Olimpo. A sua inteligência, a sua sensibilidade de artista, a sua argúcia natural, não convencem os deuses.
quarta-feira, junho 08, 2005
Ter um blog compensa
Apesar de abandonado pelo dono e, naturalmente, desertificado de públicos, o blogville ainda me consegue dar alegrias. Hoje recebi um email muito simpático do Engenheiro Rui Moura, de que falei em Janeiro, quando toda a conversa sobre a fraude ambientalista começou. Na altura mencionei-o pela sua lúcida e corajosa participação numa edição do Expresso da Meia Noite sobre as grandes questões ambientais. No seu mail, o Engenheiro mostra-se solidário com os pontos de vista que aqui coloquei sobre o assunto, facto que muito me honra. Mas quem de facto estiver interessado em saber a verdade sobre as reais evoluções climáticas a nível global deve visitar o blog dele , cujo rigor científico e o carácter pedagógico colocam as minhas considerações ao nível da rábula humorística.
Já agora: este blog não morreu. Sofre apenas e temporariamente do meu desleixo fásico.
Já agora: este blog não morreu. Sofre apenas e temporariamente do meu desleixo fásico.
sexta-feira, maio 06, 2005
Um Portugal competitivo.
Grande jogo e enorme conquista do Sporting na Holanda. Em três anos, Portugal está em 4 finais europeias, o que coloca o País no seu devido lugar, como potência futebolística emergente. Somando estes sucessos com o fenómeno Mourinho e a influência dos jogadores portugueses nas grandes equipas do velho continente, podemos concluir que, ao menos no que diz respeito ao pontapé na bola, temos um país competitivo.
terça-feira, abril 26, 2005
SOS Hubble
Por estes dias, discute-se na NASA a viabilidade do Hubble. Como se pudéssemos já passar sem ele. Como se não fosse um crime de lesa-humanidade desistir da jóia da coroa da ciência contemporânea. Agora que vimos a luz, vamos ficar cegos outra vez?
Ah, um congresso como deve ser.
No fim-de-semana que celebra os 31 anos de Terceira República, o CDS esclareceu os portugueses sobre aquilo que falamos quando é de democracia que estamos a falar. Há muito tempo que não acontecia um congresso assim (para aí desde que o palerma do Meneses foi corrido do Coliseu dos Recreios) e foi edificante. Ribeiro e Castro ganhou - a sós e em tempo real - contra um candidato muito forte e sem apresentar listas nem precisar de assumir compromissos, ou seja: só com política e sem politiquices. O lamentável Expresso da semana que passou colocava Ribeiro e Castro no fundo da escala dos altos e dos baixos, por ser um candidato incompetente, distraído e condenado e blá, blá e pois, pois. A falabaratice dos analistas debochava de um partido cadáver que ninguém queria liderar e coisa e tal. Pois agora calem-se, senhores. Calem-se o mais silenciosamente que forem capazes de se calar.
quarta-feira, abril 20, 2005
O desastroso - e criminoso - legado de João Paulo II só podia dar nisto: a eleição de Ratzinger, o cacique mor da Opus Dei, para Papa. Dan Brown inspirou-se nele para criar o personagem Manuel Aringarosa - o Bispo maléfico do Código DaVinci - e analisando a composição do Conclave é difícil imaginar um cardeal menos adequado para o cargo. A eleição relâmpago - concretizada em menos de 48 horas, diz bem do poder da máfia de deus e da fragilidade dos poucos cardeais lúcidos com que conta o Vaticano. Assim sendo, vamos ter, na próxima década, uma igreja de costas viradas para o mundo, fechada num dogma rico em formalismos e liturgias medievais, pobre em semântica pastoral e completamente alheada da realidade. É verdade que os verdadeiros ensinamentos de Cristo se diluem vertiginosamente, à medida que caminhamos pelo futuro a dentro. Mas, caramba, é ignóbil que seja precisamente a igreja dos seus apóstolos quem primeiro suje com corrupção, alienação e vácuo espiritual uma herança moral e filosófica que é em grande parte responsável pelo que de melhor constitui a civilização ocidental.
quarta-feira, abril 13, 2005
O zero constitucional.
"Na Europa, muita coisa é inventada duas vezes, sendo a primeira vez na Grécia, em Atenas, e a segunda na Europa dos primórdios da modernidade; é esse o caso, por exemplo, da democracia, do teatro e também da filosofia."
- Dietrich Schwanitz - Cultura
A Constituição da União Europeia deveria ser a carta de um novo modelo regimental sobre as nações da Europa. Deveria ser a referência do pensamento ocidental contemporâneo sobre os mecanismos da democracia, do seu aperfeiçoamento e do aprofundamento dos valores que consideramos universais.
A Constituição da União Europeia devia estar para as cartas constitucionais resultantes das revoluções americana e francesa, como estas para o pensamento político dos atenienses antigos: um testemunho iluminado da evolução do pensamento - e do sentimento - humano.
A Constituição da União Europeia deveria ter sido construída pelos seus reais constituintes: os povos da Europa. Deveria ter sido discutida, problematizada, polemizada, corrigida, analisada, estudada, recriada, rescrita, emendada, pensada, participada, deveria ter sido sujeita a uma década inteira de debate aberto, de combate aceso, de ataques ferozes e de defesas eloquentes.
Esta Constituição deveria ser a bandeira para o relançamento moral e ideológico da Europa. Deveria ser uma terceira invenção da democracia, a assumpção de algo de novo capaz de rejuvenescer o velho continente.
Mas não. Trata-se apenas de uma circular entre burocratas, papel esotérico e desinteressante, documento de arquivo, procedimento protocolar. Simples peça de hardware na rede informática da decadência. E, por isso, mesmo que rectificada pelas gentes ignorantes do seu conteúdo, nunca será instrumento do progresso histórico. Nunca será - em suma - um ideal. E logo agora, que tanto precisávamos de alguma coisa em que acreditar.
A Constituição da União Europeia é o exemplo acabado de uma oportunidade perdida.
- Dietrich Schwanitz - Cultura
A Constituição da União Europeia deveria ser a carta de um novo modelo regimental sobre as nações da Europa. Deveria ser a referência do pensamento ocidental contemporâneo sobre os mecanismos da democracia, do seu aperfeiçoamento e do aprofundamento dos valores que consideramos universais.
A Constituição da União Europeia devia estar para as cartas constitucionais resultantes das revoluções americana e francesa, como estas para o pensamento político dos atenienses antigos: um testemunho iluminado da evolução do pensamento - e do sentimento - humano.
A Constituição da União Europeia deveria ter sido construída pelos seus reais constituintes: os povos da Europa. Deveria ter sido discutida, problematizada, polemizada, corrigida, analisada, estudada, recriada, rescrita, emendada, pensada, participada, deveria ter sido sujeita a uma década inteira de debate aberto, de combate aceso, de ataques ferozes e de defesas eloquentes.
Esta Constituição deveria ser a bandeira para o relançamento moral e ideológico da Europa. Deveria ser uma terceira invenção da democracia, a assumpção de algo de novo capaz de rejuvenescer o velho continente.
Mas não. Trata-se apenas de uma circular entre burocratas, papel esotérico e desinteressante, documento de arquivo, procedimento protocolar. Simples peça de hardware na rede informática da decadência. E, por isso, mesmo que rectificada pelas gentes ignorantes do seu conteúdo, nunca será instrumento do progresso histórico. Nunca será - em suma - um ideal. E logo agora, que tanto precisávamos de alguma coisa em que acreditar.
A Constituição da União Europeia é o exemplo acabado de uma oportunidade perdida.
sexta-feira, abril 08, 2005
Cansaço
Todos os que me estão mais ou menos próximos que me perdoem ou que não me desculpem, mas a verdade média é que estou só. Não estou só como quem está sozinho. Estou só como quem não tem a devida companhia. Estou só como um gorila na cidade. Estou só como um violino na discoteca. Estou só como um monstro na vila da perfeição. Estou só como um princípe na aldeia dos macacos. Estou cansado das pessoas que se cansam de mim. Estou cansado das pessoas que se cansam comigo. Estou cansado da mediocridade dos outros e da minha inerente mediocridade. Onde é que estão os abençoados de Cristo?
quarta-feira, março 30, 2005
domingo, março 27, 2005
A fraude ambientalista: o aquecimento global.
Deixei para o fim este assunto, porque é o que de longe melhor representa as fragilidades do dogma ambientalista.
Para já quero dizer que não há dúvida nenhuma que o planeta está a aquecer... No ocidente do hemisfério Norte. No hemisfério Sul e mesmo em vastas regiões da América do Norte e da Ásia tal fenómeno não é pura e simplesmente verificável. Acresce que, como já aqui escrevi, as temperaturas de um dado ecossistema físico-planetário não se podem reduzir a médias. A complexidade do sistema é de tal ordem que qualquer tentativa de fechar num logaritmo a sua multiplicidade térmica é de uma arrogância absolutamente não científica. Mas vamos supor - meramente pelo prazer académico da suposição - que se verificava de facto um aumento das temperaturas a nível global. Ora, tal fenómeno seria até normal, considerando que estamos ainda a sair da última Idade do Gelo. Mas mesmo que o não fosse, não existem factos científicos que nos garantam que a subida das temperaturas se deva ao denominado "efeito de estufa". E admitindo ainda assim que o efeito de estufa fosse mais do que aquilo que é - uma teoria - seria difícil provar que esse fenómeno se deve com toda a certeza à actividade humana. As temperaturas aumentaram e diminuiram dramaticamente ao longo da imensa e venerável idade do planeta, sem precisarem dos gases nocivos da nossa indústria, que está aliás para o mapa cronológico da Terra como um nanosegundo está para a o calendário de um ano cristão. As conclusões paradigmáticas e - estas sim - científicas (porque respeitadoras do método e demonstráveis na realidade) da recentemente falecida Dra. Petra Udelhofen ajudam-nos a perceber que um hipotético efeito de estufa e o consequente aquecimento global podem depender directamente da cíclica intensificação dos fluxos de radiação solar que atingem a terra e não da quantidade de dióxido de carbono libertada pela civilização.
Por outro lado, os cenários mais alarmantes que nos são apresentados referem-se a aumentos de temperatura na ordem de 2ºC a 3ºC em 100 anos, que não terão nenhuma consequência apocalítptica no equílibrio hídrico do planeta: os 30 a 40 cm de subida do nível das águas com que nos tentam aterrorizar deixam logo de ser dramáticos se pensarmos que no século XX assistimos a uma subida do nível da água entre 10 e 25 cm, em grande parte devido à expansão térmica da água por aquecimento e não por fusão de glaciares. A boa lógica dos glaciares é até a inversa: a Antárctida contribuirá a prazo para a diminuição do nível dos mares, já que o gelo derretido irá arrefecer a água e provocar assim uma consequente contracção térmica. Nas palavras do Professor Buescu, a ideia de que icebergues que se soltam e derretem devido ao aquecimento global vão contribuir para a subida do nível dos mares é apenasmente "patética" e um erro elementar que qualquer caloiro de Física sabe detectar. Na verdade, um bloco de gelo que se derrete na água deixa o seu nível inalterado. Se parte do gelo flutua é porque a sua densidade é menor do que a da água em estado líquido e até Arquimedes já sabia que um icebergue desloca um volume de água que é equivalente ao seu peso. Quando derrete, deixa no mar um volume igual ao que já ocupava (pode fazer a experiência em casa, colocando uma pedra de gelo num copo, enchendo-o de água até ao limite e verificando que depois do gelo derreter, nem uma gota escorreu para fora do copo).
Só para terminar, gostaria ainda de esclarecer o seguinte: se tenho recorrentemente trazido este assunto à conversa do blog não é para tranquilizar as pessoas. É mais para, muito humildemente, contrariar o mainstream de inverdades, incorrecções e simples dislates que nos são fornecidos constantemente pela enorme diversidade de meios da comunicação contemporânea. Sempre achei que o planeta não é tão frágil como muitas vezes - vezes de mais - nos é dito. Mas atenção, o mesmo não é verdadeiro para a civilização que implementamos desenfreada e irresponsavelmente à sua superfície. O recente episódio no Índico é bem eloquente sobre o potencial de destruição apocalítica de que a mãe natureza ciclicamente faz recurso. Entre a erupção de grandes vulcões, a queda de meteoritos, a eclosão de explosões massivas no campo solar e as constantes mutações climáticas que estão no âmbito do equilíbrio natural da Terra, podemos e devemos temer o pior. Para amanhã, ou para daqui a 65.000 anos. O relógio do planeta mede em segundos os nossos milénios, mas não se atrasa nunca.
Para já quero dizer que não há dúvida nenhuma que o planeta está a aquecer... No ocidente do hemisfério Norte. No hemisfério Sul e mesmo em vastas regiões da América do Norte e da Ásia tal fenómeno não é pura e simplesmente verificável. Acresce que, como já aqui escrevi, as temperaturas de um dado ecossistema físico-planetário não se podem reduzir a médias. A complexidade do sistema é de tal ordem que qualquer tentativa de fechar num logaritmo a sua multiplicidade térmica é de uma arrogância absolutamente não científica. Mas vamos supor - meramente pelo prazer académico da suposição - que se verificava de facto um aumento das temperaturas a nível global. Ora, tal fenómeno seria até normal, considerando que estamos ainda a sair da última Idade do Gelo. Mas mesmo que o não fosse, não existem factos científicos que nos garantam que a subida das temperaturas se deva ao denominado "efeito de estufa". E admitindo ainda assim que o efeito de estufa fosse mais do que aquilo que é - uma teoria - seria difícil provar que esse fenómeno se deve com toda a certeza à actividade humana. As temperaturas aumentaram e diminuiram dramaticamente ao longo da imensa e venerável idade do planeta, sem precisarem dos gases nocivos da nossa indústria, que está aliás para o mapa cronológico da Terra como um nanosegundo está para a o calendário de um ano cristão. As conclusões paradigmáticas e - estas sim - científicas (porque respeitadoras do método e demonstráveis na realidade) da recentemente falecida Dra. Petra Udelhofen ajudam-nos a perceber que um hipotético efeito de estufa e o consequente aquecimento global podem depender directamente da cíclica intensificação dos fluxos de radiação solar que atingem a terra e não da quantidade de dióxido de carbono libertada pela civilização.
Por outro lado, os cenários mais alarmantes que nos são apresentados referem-se a aumentos de temperatura na ordem de 2ºC a 3ºC em 100 anos, que não terão nenhuma consequência apocalítptica no equílibrio hídrico do planeta: os 30 a 40 cm de subida do nível das águas com que nos tentam aterrorizar deixam logo de ser dramáticos se pensarmos que no século XX assistimos a uma subida do nível da água entre 10 e 25 cm, em grande parte devido à expansão térmica da água por aquecimento e não por fusão de glaciares. A boa lógica dos glaciares é até a inversa: a Antárctida contribuirá a prazo para a diminuição do nível dos mares, já que o gelo derretido irá arrefecer a água e provocar assim uma consequente contracção térmica. Nas palavras do Professor Buescu, a ideia de que icebergues que se soltam e derretem devido ao aquecimento global vão contribuir para a subida do nível dos mares é apenasmente "patética" e um erro elementar que qualquer caloiro de Física sabe detectar. Na verdade, um bloco de gelo que se derrete na água deixa o seu nível inalterado. Se parte do gelo flutua é porque a sua densidade é menor do que a da água em estado líquido e até Arquimedes já sabia que um icebergue desloca um volume de água que é equivalente ao seu peso. Quando derrete, deixa no mar um volume igual ao que já ocupava (pode fazer a experiência em casa, colocando uma pedra de gelo num copo, enchendo-o de água até ao limite e verificando que depois do gelo derreter, nem uma gota escorreu para fora do copo).
Só para terminar, gostaria ainda de esclarecer o seguinte: se tenho recorrentemente trazido este assunto à conversa do blog não é para tranquilizar as pessoas. É mais para, muito humildemente, contrariar o mainstream de inverdades, incorrecções e simples dislates que nos são fornecidos constantemente pela enorme diversidade de meios da comunicação contemporânea. Sempre achei que o planeta não é tão frágil como muitas vezes - vezes de mais - nos é dito. Mas atenção, o mesmo não é verdadeiro para a civilização que implementamos desenfreada e irresponsavelmente à sua superfície. O recente episódio no Índico é bem eloquente sobre o potencial de destruição apocalítica de que a mãe natureza ciclicamente faz recurso. Entre a erupção de grandes vulcões, a queda de meteoritos, a eclosão de explosões massivas no campo solar e as constantes mutações climáticas que estão no âmbito do equilíbrio natural da Terra, podemos e devemos temer o pior. Para amanhã, ou para daqui a 65.000 anos. O relógio do planeta mede em segundos os nossos milénios, mas não se atrasa nunca.
sábado, março 26, 2005
O fémur apresenta-se irreverente. Brilha irónico à luz dolorosa e fluorescente da sala de espera do banco de urgências de Santa Maria. Devo dizer que sofro como um condenado. Dói-me a fractura em exposição e a fragilidade exposta. Dói-me o orgulho e o osso erecto, fálico, sobre a pele esfacelada. Merda, merda, merda. Três da tarde de um magnífico sábado de Junho e eu aqui perneta, e eu aqui dorido da vida, envergonhado de um acidente sem maiúsculas, e eu aqui a ser insultado por lâmpadas indiscretas, vítima da curiosidade das crianças e da piedade fingida desta gente que habita os hospitais públicos, gente sinistrada, gente solitária, gente hipocondríaca, gente aflita, gente angustiada, gente indiferente, gente suja, gente apenas gente. Tudo porque um cachorro decidiu atravessar a rua no exacto momento em que decidi esforçar a pedalada. Ia a descer. Azar do caraças ir a descer e a dar gás à vertigem, disparado pelo asfalto a 40 quilómetros por hora. Da canela para baixo é que já não sinto nada e estou a ficar com o estômago revoltado por causa do sangue nas peúgas. Tarda nada vomito no oleado vomitado deste calabouço para ciclistas infelizes. De súbito e com estrépito, uma gordinha cheia de nódoas numa bata que um dia foi branca dá entrada na antecâmera da agonia. Pornógrafos de todo o mundo, retirem as enfermeiras de cena. Não há realismo numa enfermeira sexy. A moçoila passa a língua pelos lábios que de facto não existem e, com jeitos de sargento miliciano, cospe: a bicicleta, de quem é? Como não me abetece responder e é muito provável que nenhum dos restantes atrasados de espírito tenham chegado ali a pedalar, faz-se um silêncio meio comprometido. O diabo é que a gaja insiste: quem é o engraçadinho que deixou a bicicleta em cima de uma maca? Aproveito a deixa e digo-lhe: ah, esse engraçadinho sou eu. E o que está a geringonça a fazer em cima de uma maca? Quer saber a inquisidora mor. E eu satisfaço-lhe a curiosidade: senhora dona enfermeira, a minha bicla sofreu um grave acidente ao tentar evitar a morte trágica de um cachorro indefeso, imagine, uma cambalhota a 40 à hora! A pobre bicicleta não se aguentava em pé, pelo que deduzi que precisava de tratamento urgente antes que lhe sobreviesse uma comatose terminal. Coloquei-a na maca na esperança de que um dos elementos do zeloso pessoal médico a conduzisse aos cuidados intensivos. Constato agora que tal esforço foi em vão. E porque me encontro neste magnífico salão palaciano à coisa de duas horas pressuponho que por esta altura o desgraçado veículo cicloturístico faz já parte do clube dos cadáveres esquecidos pelo que agradecia que o acondicionassem condignamente na morgue rodoviária do hospital. No que me diz respeito, garanto-lhe que não pretendo levantar o tutu deste excelente cadeirão, produto da mais fina carpintaria clínica, abrindo talvez uma reticente excepção perante a remota e eventual hipótese de ser chamado algures no tempo da minha insignificante existência para que me façam o devido curativo. Como pode facilmente observar, estou mais necessitado de uma intervenção cirúrgica do que de levantamento e arremesso de bicicletas em avançado estado de decomposição. A pobre criatura engole a língua, olha horrorizada para o desastre anatómico que exibo não sem alguma vaidade e sai com maior determinação do que entrou. A verdade é que o meu discorrer retórico, que raras vezes me deixa ficar mal, não caiu em saco roto. Momentos depois sou levado solenemente, como um tesouro da sinistralidade urbana, para o fulcro e o frémito dos cuidados hospitalares: radiografias, testes, análises e enfim, bloco operatório. Metem-me qualquer coisa nas veias e adormeço antes que as pálpebras se fechem. Quando acordo, já não me doi a perna, ou melhor, já não me doi apenas a perna: doi-me tudo, a cabeça, a razão, o gesso e a roupa interior. Sentado na cama está o meu velhote, entre o alívio e o embaraço. Como é que te sentes? E antes que eu consiga responder: mas que história é essa de pores a bicicleta em cima de uma maca? O meu muito querido e muito palerma paizote, espectacularmente preocupado com a sanidade mental do filho e sem saber que a bicicleta tinha ficado na Gomes Pereira, o local do crime. O meu muitíssimo abstruso e crédulo papá que nem sequer pôs a hipótese de ser completamente impossível a um ser humano com uma fractura exposta na perna esquerda arrastar uma bicicleta destroçada até ao hospital de Santa Maria. Reúno todas as forças para lhe dar uma gentil e complacente palmadinha no joelho e asseguro-lhe: pai, essa bicicleta não era a minha bicicleta. Eu quis trazê-la comigo mas os gorilas da ambulância não foram nisso. Agora vai comprar o Record e deixa-me dormir mais um bocadinho. (1997)
segunda-feira, março 21, 2005
A fraude ambientalista: a camada de ozono.
Graças aos alarmismos cavalgantes debitados sem parcimónia nas décadas de 80 e 90, a Camada de Ozono voltou hoje aos níveis de 1950. Isto, claro está, só foi possível graças a reconversões industriais que custaram milhões e milhões em dinheiro e empregos. E porquê? Para compreendermos o ridiculo desta questão é preciso pensar só nisto: a que latitude, com a camada de ozono intacta, corresponderia a radiação UV-B hoje recebida em Lisboa? 180 km a Sul. Assim sendo a redução de espessura da camada fez dos lisboetas vítimas da radiação na mesma medida em que o eram os habitantes de Odeceixe, lá pelo ano 1905. Por isso - e seguindo uma lógica linear, muito do agrado dos ecologistas - recomendaria a quem sofre de hipocondrias relacionadas com este assunto que não vá passar férias de Verão para o Algarve. Se for para a praia da Adraga, arrepios à parte, terá muito menos hipóteses de contrair cancro de pele...
domingo, março 20, 2005
Confiança
"Em Salónica conheço alguém que me lê.
E em Bad Nauheim.
Já são dois."
Gunter Eich
- In Rosa do Mundo
E em Bad Nauheim.
Já são dois."
Gunter Eich
- In Rosa do Mundo
A fraude ambientalista: poluição atmosférica.
Ao contrário do que toda a gente parece pensar, a libertação de gases ditos nocivos para a atmosfera diminuiu eloquentemente, nos países do primeiro mundo, desde 1950. Já escrevi isto não sei quantas vezes e já o disse a toda a gente que conheço, mas não me importo de repetir nem me canso do exemplo lapidar: a última vez que respirar o ar de Londres foi tão recomendável como é hoje em dia vivia-se o ano de 1585!
É claro que no Terceiro Mundo a poluição do ar tem vindo a piorar muito significativamente, já que faz recurso agora à tecnologia comparativamente mais "suja" utilizada pelos países industrializados do príncipio do Século XX. Porém, está estatísticamente demonstrado que a poluição produzida por um país em desenvolvimento tem tendência a diminuir abruptamente a partir de um limiar de 2500 dólares anuais per capita. Mais uma vez o senso comum é displicente: "o crescimento económico promove um ambiente menos poluído" e é de crer que, na ausência de novas e revolucionárias variáveis, a situação só irá melhorar.
A propósito, alguém ainda se lembra da chuva ácida? A "Hiroxima ambiental" deveria, pelo que nos foi dito e redito durante os anos 80, ter deixado as florestas da Europa Central reduzidas a cinza radioactiva. Bom, está hoje conclusivamente demonstrado que o grau de acidez das chuvas não afecta o desenvolvimento das árvores. Existem até - e ironicamente - algumas espécies que agradecem o facto (!!!!!). Na verdade, a área florestal da Europa Central aumentou nos últimos 20 anos.
É claro que no Terceiro Mundo a poluição do ar tem vindo a piorar muito significativamente, já que faz recurso agora à tecnologia comparativamente mais "suja" utilizada pelos países industrializados do príncipio do Século XX. Porém, está estatísticamente demonstrado que a poluição produzida por um país em desenvolvimento tem tendência a diminuir abruptamente a partir de um limiar de 2500 dólares anuais per capita. Mais uma vez o senso comum é displicente: "o crescimento económico promove um ambiente menos poluído" e é de crer que, na ausência de novas e revolucionárias variáveis, a situação só irá melhorar.
A propósito, alguém ainda se lembra da chuva ácida? A "Hiroxima ambiental" deveria, pelo que nos foi dito e redito durante os anos 80, ter deixado as florestas da Europa Central reduzidas a cinza radioactiva. Bom, está hoje conclusivamente demonstrado que o grau de acidez das chuvas não afecta o desenvolvimento das árvores. Existem até - e ironicamente - algumas espécies que agradecem o facto (!!!!!). Na verdade, a área florestal da Europa Central aumentou nos últimos 20 anos.
segunda-feira, março 14, 2005
GT4 adiction
Não é que alguém se queixe, mas por descargo de consciência fica o aviso à navegação: enquanto não me passar a febre da velocidade, não estarei disponível para a blogosfera. Vruum!
domingo, março 06, 2005
Quinze bocados do mundo concreto.
I - Kellog inventou os corn flakes para combater a masturbação masculina (por oposição aos afrodisíacos ovos com bacon do pequeno almoço tradicional anglosaxónico).
II - José Socrates foi recrutar ao Bloco de Esquerda o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Morreu o sonho do Portugal Atlântico.
III - A verdadeira paz está na solidão.
IV - No estado da Virginia, a actividade sexual praticada sob a luz eléctrica só foi legalizada no fim da Segunda Guerra Mundial.
V - Cravinho não faz parte, ainda bem.
VI - Não é verdade que a inteligência europeia da Idade Média acreditasse que a a Terra era plana.
VII - Constâncio não figura e é pena.
VIII - Um espirro sai do nariz a 160 quilómetros por hora.
IX - Vitorino desapareceu e é grave.
X - É possível demonstrar matematicamente que uma atitude de cooperação premeia invariavelmente um dado ser vivo num dado ecossistema.
XI - Até 1889, a idade de consentimento para o sexo conjugal nos Estados Unidos variou entre os 7 e os 10 anos de idade.
XII - 8 ministros não militantes e um governo enxuto. Boa.
XIII - O centro de um buraco negro massivo é do tamanho de um grão de areia. Com o peso do sol, multiplicado por 3 milhões.
XIV - A primeira pandemia global foi a sífilis.
XV - Thomas Edison tinha medo do escuro.
II - José Socrates foi recrutar ao Bloco de Esquerda o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Morreu o sonho do Portugal Atlântico.
III - A verdadeira paz está na solidão.
IV - No estado da Virginia, a actividade sexual praticada sob a luz eléctrica só foi legalizada no fim da Segunda Guerra Mundial.
V - Cravinho não faz parte, ainda bem.
VI - Não é verdade que a inteligência europeia da Idade Média acreditasse que a a Terra era plana.
VII - Constâncio não figura e é pena.
VIII - Um espirro sai do nariz a 160 quilómetros por hora.
IX - Vitorino desapareceu e é grave.
X - É possível demonstrar matematicamente que uma atitude de cooperação premeia invariavelmente um dado ser vivo num dado ecossistema.
XI - Até 1889, a idade de consentimento para o sexo conjugal nos Estados Unidos variou entre os 7 e os 10 anos de idade.
XII - 8 ministros não militantes e um governo enxuto. Boa.
XIII - O centro de um buraco negro massivo é do tamanho de um grão de areia. Com o peso do sol, multiplicado por 3 milhões.
XIV - A primeira pandemia global foi a sífilis.
XV - Thomas Edison tinha medo do escuro.
Revisitação dos Anos Noventa - V
“I’m so ugly, that’s ok ‘cause so are you.”
Kurt Cobain - Nevermind
Kurt Cobain - Nevermind
quinta-feira, março 03, 2005
O que eu durmo, muito ou pouco, é igual ao litro. Porque hão-de as pessoas que me são distantes (ou que pensam que me são próximas) clamar maldições pelo meu sono prolixo? Porque hão-de aqueles que fingem alguma preocupação, preocuparem-se comigo? Quero ser claro: se eu durmo 16 horas seguidas, que mal vem ao mundo? Mesmo a esse pequeno mundo das relações que as pessoas gostam de alimentar, a qualquer custo. Quando eu durmo tenho a certeza que não estou a aborrecer ninguém. Tenho a certeza que não estou a ofender ninguém, que não estou a magoar ninguém, merda, quando estou a dormir liberto menos carbono, excreto menos líquidos, menos sólidos, menos suores e espermas e sangue; quando estou acordado perco mais sangue do que quando estou a dormir! Por isso, deixem-me dormir. Por amor do vosso deus, deixem-me na paz do meu. Quero que me entendam: seja de que sonho sofrer, que se importam realmente as regras do cosmos? (1995)
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
A verdadeira seca.
Ontem verifiquei, em espanto e mágoa, que não há mesmo nada a fazer com o PSD. Na Quadratura do Círculo, um Pacheco Pereira muito fora de forma limitou-se a enumerar os cargos políticos (e as rendas financeiras) que perdeu por ser contestatário, vangloriando-se até ao vómito de atitudes que me parecem apenas normais. Enquanto isto, Marques Mendes salta para as luzes de uma ribalta que nem dois anos vai durar. Toda a gente sabe que o homem só será líder do partido porque ninguém de valor quer pegar nos pedaços pequeninos que restaram da insanidade egotista de Santana Lopes. O congresso extraordinário vai ser assim algo de insuportável, com protagonistas inenarráveis como Meneses, a debitar soundbytes de estupidez constante e realmente nada de novo para fazer da travessia do deserto uma viagem aprazível. Os próximos anos da política nacional vão ser, aliás, absolutamente áridos.
A fraude ambientalista - Energia
Apesar da especulação dos preços e das manchetes fáceis, não existe qualquer risco de crise energética. É verdade que consumimos cada vez mais petróleo, mas as reservas conhecidas nunca foram tão vastas, calculando-se que são suficientes para mais 45 anos. Isto, no entanto, não quer dizer que existam apenas jazidas petrolíferas para mais 45 anos. Entre reservas não identificadas e melhoramentos de eficiência na extracção e na utilização (um poço fecha hoje em dia com dois terços do petróleo por extrair), temos petróleo para séculos.
O óleo de xisto, um recurso alternativo ao petróleo, de conteúdo energético oito vezes superior e 242 vezes mais abundante, está à disposição da indústria humana, sem grandes problemas de conversão.
De qualquer forma, o ritmo exponencial da utilização das energias renováveis poderia tranquilizar mesmo os mais cépticos, se fossem bem informados. Desde 1970 que a energia solar tem descido de preço à média de 30% por década e prevê-se que em 2065 terá substituido praticamente todas as outras formas de energia. Com a capacidade actual das células fotovoltaicas, a totalidade das necessidades energéticas contemporâneas seriam satisfeitas utilizando uma árera correspondente a 2,6% do deserto sariano. "Tal como a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, a Era do Petróleo irá acabar - mas não por falta de petróleo."
O óleo de xisto, um recurso alternativo ao petróleo, de conteúdo energético oito vezes superior e 242 vezes mais abundante, está à disposição da indústria humana, sem grandes problemas de conversão.
De qualquer forma, o ritmo exponencial da utilização das energias renováveis poderia tranquilizar mesmo os mais cépticos, se fossem bem informados. Desde 1970 que a energia solar tem descido de preço à média de 30% por década e prevê-se que em 2065 terá substituido praticamente todas as outras formas de energia. Com a capacidade actual das células fotovoltaicas, a totalidade das necessidades energéticas contemporâneas seriam satisfeitas utilizando uma árera correspondente a 2,6% do deserto sariano. "Tal como a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, a Era do Petróleo irá acabar - mas não por falta de petróleo."
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Revisitação dos anos 90 - IV
"A imprensa, a rádio, a televisão e o correio electrónico trouxeram uma doença, a ansiedade pela informação, e contribuem para poluir o conhecimento."
F. Carvalho Rodrigues - Ontem, Um Anjo Disse-me
F. Carvalho Rodrigues - Ontem, Um Anjo Disse-me
A fraude ambientalista - Florestas.
As florestas não estão a diminuir. Pelo contrário, a área florestal global aumentou, entre 1950 e 1994, em cerca de 1%. Ao contrário dos números apocalíticos que são constantemente debitados pelos media, a desflorestação da Amazónia é de 14 por cento desde que foi intervencionada pelo Sapiens e 3% dessa área já foi novamente reflorestada pelo homem.
A ideia de que as florestas tropicais funcionam como pulmões do planeta é bizarra: uma floresta em equílibrio, com biomassa total constante, não produz excedentes de oxigénio.
A ideia de que as florestas tropicais funcionam como pulmões do planeta é bizarra: uma floresta em equílibrio, com biomassa total constante, não produz excedentes de oxigénio.
domingo, fevereiro 20, 2005
Obrigado por nada.
Quero agradecer aos Drs. Durão Barroso, Santana Lopes e Paulo Portas o facto de terem entregue o meu país à esquerda. Um crime de lesa-pátria, nem mais nem menos.
A fraude ambientalista - Introdução
Graças à inspirada sugestão do Viriato, estou mergulhado na leitura saborosa de “Da Falsificação de Euros aos Pequenos Mundos - Novas Crónicas das Fronteiras da Ciência”, um trabalho notável de desmistificação generalizada, da autoria do Professor Doutor Jorge Buescu, do IST.
Entre as incontáveis pérolas de esclarecimento científico que preenchem as 200 páginas deste livro, é difícil escolher um assunto de que se possa fazer post.
Mas como tudo veio a propósito da fraude ambientalista, vou deixar no blogville, de vez em quando, testemunho dos factos disponíveis à luz da ciência actual e referidos na obra do Professor.
Por caprichosa ironia, grande parte destes dados foi coligida por um antigo militante do Greenpeace - Bjorn Lomborg - que ao tentar demonstrar estatísticamente e de uma vez por todas que os ambientalistas estavam certos nos seus alarmes, ameaças e histerias - e fazendo recurso enciclopédico a todos os números fornecidos pelas comissões da insuspeita ONU - acabou por provar precisamente o oposto.
Para começar, uma citação lapidar sobre o mito do crescimento demográfico exponencial, baseado na fertilidade descontrolada:
“É falso que estejamos a reproduzir-nos como coelhos. O que se passa é que deixámos de morrer como moscas.”
Entre as incontáveis pérolas de esclarecimento científico que preenchem as 200 páginas deste livro, é difícil escolher um assunto de que se possa fazer post.
Mas como tudo veio a propósito da fraude ambientalista, vou deixar no blogville, de vez em quando, testemunho dos factos disponíveis à luz da ciência actual e referidos na obra do Professor.
Por caprichosa ironia, grande parte destes dados foi coligida por um antigo militante do Greenpeace - Bjorn Lomborg - que ao tentar demonstrar estatísticamente e de uma vez por todas que os ambientalistas estavam certos nos seus alarmes, ameaças e histerias - e fazendo recurso enciclopédico a todos os números fornecidos pelas comissões da insuspeita ONU - acabou por provar precisamente o oposto.
Para começar, uma citação lapidar sobre o mito do crescimento demográfico exponencial, baseado na fertilidade descontrolada:
“É falso que estejamos a reproduzir-nos como coelhos. O que se passa é que deixámos de morrer como moscas.”
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
Revisitação dos anos 90 - III
"Sucesso é sempre alguma coisa que pode ser colocada no banco."
-Ries / Trout - Marketing de Guerra II
-Ries / Trout - Marketing de Guerra II
FADO É CARNE VIVA.
A maior parte dos portugueses e até dos lisboetas, não percebe nada de Fado, mesmo que o ouça com algum prazer. É que o Fado não é música, é o lamento próprio de quem vive certas existências pitorescas que só realmente um português de Alfama consegue consubstancializar em ontologia. E quando falo de Fado não estou a falar das cantingas, mas das vidas que as perfazem. Ninguém entende o Fado porque o Fado canta o desígnio do fadista e o fadista - essa espécie em vias de extinção - é rouco de cigarros e asmático de sofrimentos: não tem voz para cantar no duche. O fadista - esse romanesco folhetim em forma de gente - está de ressaca no fígado ou no coração: não tem pachorra para o solfejo. O fadista é um fatalista no sentido em que sabe que não conta para os recenseamentos da razão e, por isso, é-lhe indiferente se o Tejo corre para Vila Franca de Xira ou traz para o Barreiro os venenos de Espanha; no fim, ele vive sossegado a sua vida de desventuras e enganos, de navalhadas na lógica e pontapés na boca, de ridículos e glórias insondáveis e vai de bolsos vazios pela madrugada, despreocupado e sábio, percorrendo os passeios da existência com habilidade, é certo, com desgosto também, mas acima de tudo com a tranquilidade do ser consciente da sua mais pura insignificância estatística, estética e moral. (1997)
A maior parte dos portugueses e até dos lisboetas, não percebe nada de Fado, mesmo que o ouça com algum prazer. É que o Fado não é música, é o lamento próprio de quem vive certas existências pitorescas que só realmente um português de Alfama consegue consubstancializar em ontologia. E quando falo de Fado não estou a falar das cantingas, mas das vidas que as perfazem. Ninguém entende o Fado porque o Fado canta o desígnio do fadista e o fadista - essa espécie em vias de extinção - é rouco de cigarros e asmático de sofrimentos: não tem voz para cantar no duche. O fadista - esse romanesco folhetim em forma de gente - está de ressaca no fígado ou no coração: não tem pachorra para o solfejo. O fadista é um fatalista no sentido em que sabe que não conta para os recenseamentos da razão e, por isso, é-lhe indiferente se o Tejo corre para Vila Franca de Xira ou traz para o Barreiro os venenos de Espanha; no fim, ele vive sossegado a sua vida de desventuras e enganos, de navalhadas na lógica e pontapés na boca, de ridículos e glórias insondáveis e vai de bolsos vazios pela madrugada, despreocupado e sábio, percorrendo os passeios da existência com habilidade, é certo, com desgosto também, mas acima de tudo com a tranquilidade do ser consciente da sua mais pura insignificância estatística, estética e moral. (1997)
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