às palavras e às tonalidades e às melodias dos Bear's Den. É um vício bom. Um regresso à tranquilidade. Um perpetuo retorno ao covil uterino da música.
Sempre que oiço estes rapazes, faço as pazes com o mundo.
Bear's Den . Napoleon
sábado, setembro 18, 2021
Volto sempre aqui,
O General Sem Vergonha.
Podes chefiar um Estado Maior que tem como prioridade a equidade de género
em vez da eficácia no teatro das operações.
Podes liderar a pior retirada da história das debandadas.
Podes ter deixado para trás oitenta biliões de dólares em equipamento bélico,
transformando o inimigo numa potência militar.
Podes ter abandonado centenas de compatriotas civis à sua sorte, em território hostil.
Podes ser responsável por bombardear cirurgicamente uma família inocente, assassinando sete crianças.
Podes partilhar informação confidencial com a tribo contra a qual estiveste a lutar durante 20 anos.
Podes garantir que o teu rival geo-estratégico, a nível planetário, nunca será atacado sem aviso prévio.
Podes ter traído o teu país, o teu presidente, a tua Constituição.
És o general Mike Milley, pá. Podes fazer o que quiseres.
Haikus do Alto da Falésia (enésima edição)
O verão despede-se devagar
Como os amantes
Na gare.
O dia amanhece claríssimo.
Até as gaivotas franzem o semblante.
A brisa fresca traz notícias
Do Outono.
A vila sussurra um convite
Mas a preguiça é surda.
Um belo dia de praia é mais eficaz
Que uma receita de ansiolíticos.
O haiku perfeito está nos versos
Que ainda não escreveste.
A pescada fresca
Tem estatuto de marisco.
Já sabes grelhar um pregado.
O mundo é teu.
Este maravilhoso gin só é possível
Por causa daquilo que Deus fez
com o fim de tarde.
Podia morrer agora.
Sem revoltas nem remorsos.
Nem haikus em agenda.
A QUARTER of 'Covid inpatients' in England are primarily being treated for a different illness or injury, official data shows
Health service statistics show there were 6,146 NHS beds taken up by people who were coronavirus positive on September 14, the latest date data is available for.
But just 4,721 patients (77 per cent) were primarily being treated for the virus, with the remaining 1,425 receiving care for other illnesses or injuries. They could include patients who've had a fall or even new mothers who tested positive after giving birth.
In NHS hospitals in the Midlands, around a third of Covid patients were mainly being treated for another reason on September 14.
Separate NHS figures suggest as many as half of daily hospitalisations only test positive after being admitted for a separate condition.
Hospital numbers have become the key metric for ministers and their scientific advisers, now that vaccines have taken the emphasis away from infection numbers.
Boris Johnson has said lockdown curbs may have to be reintroduced if Covid hospital numbers rise sharply as part of his winter blueprint to tackle the virus, which could see masks and working from home mandated again.
But he did not put a firm figure on the threshold that would trigger the return of restrictions when he announced the contingency plans earlier this week.
The latest figures suggest the standard Covid hospital numbers have become a less reliable way of gauging the outbreak and NHS pressure.

(...) Daily Mail
Pentagon admits killing 10 civilians, including up to 7 children, in Kabul drone strike last month
“As the combatant commander, I am fully responsible for this strike and its tragic outcome,” U.S. Marine Corps Gen. Kenneth McKenzie, commander of U.S. Central Command, told reporters.
“I offer my profound condolences to the family and friends of those who were killed,” McKenzie said.
The drone strike came on the heels of a suicide bomb attack by the terrorist group ISIS-K that resulted in the deaths of 13 U.S. service members and dozens of Afghans near Hamid Karzai International Airport, where colossal evacuation efforts were underway as the U.S. pulled out from Afghanistan.
“This strike was taken in the earnest belief that it would prevent an imminent threat to our forces and the evacuees at the airport, but it was a mistake,” McKenzie said.
(...) CNBC
sexta-feira, setembro 17, 2021
Erráticos pássaros de Tóquio.
À primeira audição do último álbum dos Birds of Tokyo, "Human Design", é logo a primeira faixa, "The Greatest Mistakes", que me assalta claramente os tímpanos. Ainda não percebi é se o resto do disco é um erro ou um acerto. Lá chegaremos.
Birds of Tokyo . The Greatest Mistakes
O Bolsonaro passou-se completamente.
As coisas estão muito complicadas, no Brasil (como se não estivessem complicadas em todo o lado).
Atolado em acusações de corrupção, assolado pelo Tribunal Constitucional (que se transformou numa espécie de polícia política, executando mandatos e prendendo sem julgamento apoiantes do Presidente), sabendo perfeitamente que o seu futuro tem muito poucas saídas que não sejam a prisão ou a morte, Bolsonaro jurou, numa recente e massiva manifestação em S. Paulo, que vai parar de aceitar as normativas do primeiro tribunal da nação e que nunca será preso. É a permanência no poder, à tiranete, ou a morte, portanto.
Acontece que uma boa parte do país, principalmente a parte dos agricultores e - muito provavelmente - a parte dos soldados, está com ele.
Glenn Greenwald, que vive lá e que é talvez o único jornalista que mantém em simultâneo um alto perfil no Brasil e nos Estados Unidos da América, dá contexto à convulsão política que está a estremecer as fundações regimentais da potência sul americana. Apesar dele próprio estar envolvido na vida política brasileira (foi um dos activistas que levou à anulação da interdição de Lula ao processo eleitoral e é odiado por Bolsonaro), Greenwald consegue manter alguma objectividade, o que não deve ser nada fácil.
Um embróglio monumental que convém seguir de perto, no país tropical abençoado por Deus.
Faz o que te digo, não o que eu faço.
Se alguém tem dúvidas de que as máscaras, como as vacinas, são um instrumento de subjugação das massas, basta considerar este eloquente boneco da recente Met Gala. Enquanto os servos servem mascarados, a elite dispensa o jugo que exige à ralé.
Seguindo este horripilante trend, a NBA decidiu mandatar a vacina a toda a gente que trabalha na liga. Menos os jogadores, claro.
Esta espécie de Síndrome Maria Antonieta é flagrante por todo o lado. Políticos que não seguem os mandatos com que fascizam as populações, futebolistas que se ajoelham no relvado para logo depois serem presos por violação de menores, actores que vão a salvar o planeta de jacto privado, etc., etc., etc.
E se é verdade que todos sabemos o que aconteceu a Maria Antonieta, às vezes dá-me a impressão de que vivemos neste momento um pesadelo civilizacional cinematografado pelos produtores executivos da tetralogia Hunger Games. O mau gosto como substância do chique, o desprezo das elites, decadentes e imorais, pelos povos que dirigem, a aberrante clivagem sócio-económica, a subserviência generalizada.
Não sei se vou viver os anos suficientes para testemunhar um regresso à sanidade. Desconfio que não.
quinta-feira, setembro 16, 2021
É possível descer mais baixo nesta colina do inferno?
Imaginem, por um momento - e se conseguirem ser de tal forma fantasistas que estarão a correr o risco da esquizofrenia - que o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas Americanas, o General Mark Milley, faz, em Outubro de 2020, um telefonema secreto ao seu compadre chinês para lhe dizer o seguinte:
"Camarada, folgo em ouvir-te, pá. Olha, lá por termos um atrasado mental na presidência aqui desta confusão de estados, posso-te garantir que farei tudo o que puder para que a China não seja agredida pelas forças que comando. E, no caso maluco de te falhar nesta profissão de fé, juro que te dou nota prévia, que é para poderes matar soldados americanos à tua vontade, se for esse o caso, ou planeares a invasão de Taiwan sem stress nenhum.
Não, não me agradeças, por deus, obrigado sou eu, por seres um camarada tão querido.
Abração apertado e apresenta por gentileza cumprimentos meus à família e ao Comité Central."
Não é verdade. Não pode ser verdade. Se existe a figura de traição à pátria, num abstracto código militar, esta merda bate os recordes todos. Isto é má ficcção.
Exacto. A má ficção que consubstancia a realidade dos tempos que correm, satânicos.
A notícia de que o General Mark Milley teve de facto uma conversa do género que invento em cima, não vem de nenhum jornal conservador. Pelo contrário. Vem do Washington Post. E a "caixa" não é gerada por nenhum activista millenial da corda ou youtuber populista da treta. Não. A notícia é gerada por um livro, "Peril", escrito por Bob Woodward (um dos dois repórteres do célebre caso "Watergate") e Robert Costa. Ambos liberais. Ambos insuspeitos e altamente reputados personagens do establishment.
Mais: a fonte do infame telefonema será muito provavelmente o próprio General Mark Milley. Que sabe perfeitamente da impunidade que reina na sua terra de ninguém, e que está neste momento a ser celebrado pelos media por ter cometido este inacreditável acto de declarada desobediência a um princípio sagrado da Constituição Americana: quem manda nas tropas é o presidente da federação, que foi eleito para representar as aspirações dos seus eleitores.
O corrupto general é autor, objectivamente, de uma espécie de definição contemporânea de golpe de estado militar.
Ainda assim, vai continuar a presidir à maior máquina bélica da História da Humanidade. Agora expliquem-me lá que sentido faz isto.
quarta-feira, setembro 15, 2021
Haikus do Alto da Falésia #n

Ao largo, a NATO lança âncora.
Até a vila, comunista, se empertiga
em sentido.
O NRP D. Carlos I
tem casco de cientista.
Não sou de medos.
Até que um relâmpago incendeia a escuridão.
Tempestade de Verão.
Fanfarronice de S. Pedro.
Enquanto o relâmpago dista largos segundos do rugido do trovão,
Tens tempo para ser bravo.
Por muito que tenhas lido Jean Jacques Rosseau,
Deverás saber que não há na natureza
qualquer complacência para com o homem.
Pensas que és significativo
Até que o poder da trovoada
aniquila a noite com uma explosão de fotões.
Até a vila estremece
Quando ruge a tempestade.
A meia lua, dourada como o pote no fim do arco-íris,
Já não se pode esconder atrás do ciclone.
Amanhã, vais à praia.
Depois da tempestade,
Deus é generoso.
Pensa comigo, gentil leitor:
Se esta pandemia fosse mesmo perigosa, como te dizem que é, e se as vacinas fossem realmente eficazes, como te dizem que são, os cidadãos preocupados seriam aqueles que ainda não foram vacinados (já que estariam vulneráveis a uma terrível doença). E os cidadãos despreocupados, seriam aqueles que já tinham tomado a vacina (e assim, a salvo da morte certa).
Mas se parares um pouco para observares a realidade destes dias, reparas que é precisamente o inverso que se passa. São os vacinados que continuam preocupados com o Covid 19. São os não vacinados que permanecem despreocupados com a ameaça do vírus chinês.
Conclusão?
terça-feira, setembro 14, 2021
Sir Sly is going nowhere.
You woke me up in the middle of the night
Lit a candle and we bathed in the light
You said you're scared of the city we're in
Want to make it better, but I can't begin to
Make it alright
We'll write another story, we're fine
We'll make it alright
We'll write another story, we're fine
You said you know that you're going nowhere
Know that you're going nowhere
Know that you're going nowhere
I'll follow you there
I'll follow you there
Losing patience with the circles we draw
Talking slow and now I'm seeing all my flaws
I'm having trouble being honest again
Put the bottle down and slowly begin to
Make it alright
We'll write another story, we're fine
We'll make it alright
We'll write another story, we're fine
I know that I'm going nowhere
Know that I'm going nowhere
Know that I'm going nowhere
Follow me there
I know that I'm going nowhere
Know that I'm going nowhere
Know that I'm going nowhere
You follow me there
Try to figure out how to say this
I'm losing my mind in these mazes
I'm losing my mind in these pages
There's blood on my hands, I can taste it
Give us back the time that we wasted
If I'd have known how it ends I'd have changed it
And all those fucking nights that I wasted
And all those fucking nights that I wasted
I believed in you, then you fell apart
You broke my trust, you broke my heart
Again
Again
One more drop your stomach dies
Disintegrate before my eyes
Again
Again
Waiting on your bloodlines
Waiting on your bloodlines
Again
How could you make me wait?
Draw a picture with your bloodlines
Picture with the bloodlines
A thousand words and then escape
Sir Sly . Nowhere / Bloodlines
Sexy Fauci.
Correndo o risco de estar constantemente a expulsar os aleatórios visitantes deste blog, aviso: se não sabes quem é o Dr. Fauci, sai rapidamente daqui, que este post não te interessa minimamente.
Para aqueles que sabem quem é o distinto personagem, a revista People decidiu incluir esta estampa de um homem na lista para o prémio anual, que já de si é de polémico gosto e discutível senso, de "Sexyest Man Alive".
E com toda a razão porque o homem é lindo:
Acontece apenas que este belo bocado de sujeito está assim exposto à luxúria das multidões porque é, ou devia ser, um cientista.
E, da mesma maneira que Nietsche estava carregado de razão quando dizia que um filósofo casado pertence à comédia, um cientista que faça parte de uma qualquer lista de homens sexualmente atraentes é uma contradição em termos.
Nem vale a pena falar da vulgaridade prostituta e pro-establishment interpretada pelo júri deste magnífico troféu, até porque a minha questão aqui não é de ordem estética. Tenho a certeza que há milhões de mães americanas suburbanas que não só vão votar, com inocência e convicção, no Dr. Fauci para o título de gajo mais apetecível que ainda não morreu, como aposto que davam uma voltinha mais apertada com ele, se surgisse a oportunidade civilizada. As pessoas têm gostos de toda a espécie. Não há nada a fazer sobre isso e ainda bem. Eu próprio, com 54 anos, gosto de brincar com pistas de carrinhos eléctricos, portanto...
A minha questão é de ordem ética. O Dr. Anthony Fauci não é um actor de Holywood, não é um comediante de Nova York. Não é uma estrela do desporto profissional. Não é um "jornalista" célebre. Ou um Talking Head no Youtube ou um famoso por ser famoso. Não é sequer um político. Parte-se até do princípio que o Dr. Anthony Fauci é um reputado epidemiologista. Na situação, um epidemiologista com uma sobredose de poder nas mãos. Por muito esbelto que for, não pode ser sexy. Sexy e Fauci contradizem-se.
Ou bem que tens voz de ordem para fascizar milhões de pessoas, ou bem que és um galã. Das duas, uma. As duas ao mesmo tempo é que não pode ser. Isso é já pedir muito ao Deus de Job.
Até porque:
segunda-feira, setembro 13, 2021
Novos Haikus do Alto da Falésia
O Haiku precisa de tédio,
Como a buganvília de carinho.
A baía é mais bonita
Quando o tempo está feio.
Não tenho nada que fazer.
Por fim, o tempo corre
Devagar.
Entretenho a madrugada com palavras.
Definição de hobby.
As aplicações anunciam mau tempo.
Não acredito.
Quem faz a diferença
Entre a verdade e a mentira
És tu.
Só há um universo.
Mas todos temos direito
Ao nosso.
Hoje sonhei com a morte.
E acordei para a vida.
Qual é o preço em tempestades
Desta divina tarde de sol?
Lisboa chama por mim,
Do outro lado do Cabo.
Headphones.
Fake News Masterclass
Toda a gente com um centímetro de encéfalo sabe que a imprensa mente. E que o faz descaradamente. Porém, ao jornalismo da ciência, é dado algum crédito, ainda. E esse crédito, calhando, é mais perigoso para a verdade que uma peta qualquer sobre a vida política ou económica ou social das nações. Mentir sobre ciência é chegar ao ponto de não retorno da coisa.
E os jornais mentem imenso sobre ciência, na maior parte das vezes por ignorância de tudo, claro, noutras por agenda editorial. Por exemplo: quantas vezes já foste informado por um jornal, que as imagens espantosas que lá vês de galáxias, supernovas, buracos negros e outros astros megalíticos e lindíssimos do género resultam não de uma lente, mas de sensores comandados por algoritmos? E que esses algoritmos são afinados para captar os espectros certos que confirmem determinadas teorias? Já alguém te disse num jornal, caro leitor, que as imagens da astronomia actual são tão subjectivas como a especulação de um académico teórico?
Vende-se ciência nos jornais como se vende tudo o resto: empacatoda de tal forma que seja impossível pensar sobre o assunto. São paradigmas de parangona. Glórias facilitadoras do lead. Triunfos do click. Informam zero, doutrinam bastante e adiante que este post nem está a ser editado para amaldiçoar a imprensa, na verdade.
É que neste mundo ao contrário, que gira contrariamente a uma velocidade exponencial, as falsas notícias sobre ciência não são geradas pelos media. São geradas pelas universidades.
Um exemplo recente:
O título desta notícia da revista do Massachusetts Institute of Technology, talvez a mais conceituada universidade de engenharia e ciências do mundo, é falso. É completamente mentira que os chineses tenham teletransportado um fotão da Terra para a órbita terrestre.
Primeiro porque estamos a a falar de dois fotões. Um na Terra. Outro em Órbita. Esta experiência procura explorar o fenómeno que em Mecânica Quântica tem o nome de Entrelaçamento (Entanglement) e que consiste nisto: duas partículas que tenham sido criadas no mesmo momento do espaço e do tempo vão manter uma relação interactiva, mesmo que sejam separadas. Por exemplo: se uma destas partículas sofre, em Oxford, uma alteração de estado electromagnético, a outra partícula pode até estar no fim da galáxia, que vai somatizar os mesmos sintomas.
O que os cientistas chineses fizeram foi levar o Entrelaçamento Quântico a tal ponto que a Partícula colocada em Órbita assumiu a identidade da Partícula que estava na Terra. Isto não é teletransporte porque as partículas não mudaram de posição. Isto é "Spooky action at a distance", nas divertidas palavras de Einstein.
Na verdade, a experiência chinesa, sendo bem sucedida e importante no meio científico, principalmente no que diz respeito ao fluxo de bits de informação, não é a primeira (só nunca tinha sido executada com um dos fotões em órbita) nem traz nada de novo à retórica instituída. Basta ler o primeiro parágrafo da entrada na Wikipédia sobre o Entrelaçamento Quântico para percebermos isso:
O entrelaçamento quântico (ou emaranhamento quântico, como é mais conhecido na comunidade científica) é um fenômeno da mecânica quântica que permite que dois ou mais objetos estejam de alguma forma tão ligados que um objeto não possa ser corretamente descrito sem que a sua contra-parte seja mencionada - mesmo que os objetos possam estar espacialmente separados por milhões de anos-luz.
Apesar de parecer viver bem com a nomenclatura falaciosa, que, bem sei, tem origem académica, Sabine
Hossenfelder explica melhor e confirma completamente o que enuncio, no segmento em que
marquei o início deste clip.
Mais a mais, o teletransporte de um fotão para a órbita da Terra, é, no sentido práctico, inútil. Se o disparares na direcção de um sensor que o receba algures nas imediações siderais da Terra, ele vai lá chegar, para todos os efeitos, no mesmo instante em que partiu, já que o fotão é a única partícula que viaja à velocidade da luz (porque não tem massa e porque é precisamente a partícula que transporta a luz). E a essa velocidade chegas à Lua antes que o diabo possa coçar a ramela:
Velocidade da Luz: 1 080 000 000 Km/H
Distância entre a Terra e a Lua: 384 400 km
É fazer as contas.
Não deixa de ser verdade que o artigo do MIT Review, se for lido na sua integridade, esclarece o equívoco. Mas se a manchete é esta, na fonte, que notícia pensas, gentil leitor, que sairá amanhã no Público?
"Beam Me Up Scotty"?
Realidade vs percepção, outra vez.
No fim de Julho postei aqui um texto e um clip sobre o tema dos limites da percepção humana, que é extremamente interessante e que está na crista da onda do debate sobre a consciência, até porque se trata de um assunto multidisciplinar, com ramificações decisivas em várias áreas do conhecimento (neurociências, epistemologia da ciência, mecânica quântica, filosofia, psicologia, etc.).
Com excepção do pequeno excerto interpretado por Richard Dawkins, que é uma espécie de corte de ganza neste contexto e que, como sempre, não consegue nem por um momento disfarçar a sua arrogância positivista (o homenzinho devia ser arrumado numa cápsula do tempo e enviado de volta para o Século XIX, que é onde ele cabia perfeitissimamente), o clip de oito minutos que aqui deixo agora - uma breve colectânea de testemunhos prestados por vários cientistas de renome que se debruçam sobre a divergência entre aquilo que percepcionamos como real e a realidade em si mesma - é de grande utilidade iniciática para quem tem alguma curiosidade sobre o assunto.
E se tu, gentil visitante, não tens curiosidade nenhuma sobre este assunto, estás nitidamente no blog errado.
domingo, setembro 12, 2021
sábado, setembro 11, 2021
A que profundidade podes chegar, no fosso da infâmia?
São ainda reféns dos Talibãs centenas de cidadãos americanos.
E há duas forças gravíticas que os retêm no Afeganistão:
- Os talibãs, naturalmente, porque na definição de refém está implícita a ideia de que pode ser trocado por algo valioso (reconhecimento internacional de países como a China, o Irão e a Turquia; posição negocial para com os Estados Unidos).
- O Departamento de Estado Norte Americano, incrivelmente. Para além de não ter desenvolvido qualquer esforço diplomático para resgatar os cidadãos americanos que foram abandonados à sua sorte, a diplomacia do Regime Biden tem até dificultado com assaz determinação o trabalho de actores privados, que decidiram fazer a única coisa responsável e decente: mobilizar recursos e meios para salvar os compatriotas abandonados em território inimigo.
As razões desta infâmia sem nome, passam, claro, pela canalhice. E depois pelo embaraço. E depois pelo desprezo que a esquerda anglo-saxónica em geral, e os actuais inquilinos na Casa Branca em particular, não escondem pela América e pelos cidadãos americanos.
Dinesh D'Souza articula, melhor do que eu posso ou sei, o horror ético da situação.
O Regime Biden já nem tenta esconder o autoritarismo.
Estou de férias. E quando estou de férias não gosto muito de escrever sobre política, porque é o que faço em sobredose no resto do ano. Mas o recente mandato fascista do Regime Biden, obrigando as empresas com mais de 100 empregados a exigirem que os seus quadros sejam vacinados, ou testados uma vez por semana, enquanto declara guerra total ao poder dos estados da federação, é de tal forma aberrante, inconstitucional e autoritário, no contexto histórico, jurídico e político dos Estados Unidos, que tinha pelo menos que abrir uma entrada para o assunto.
E a melhor maneira de o fazer, porque estou mesmo muito cansado de me irritar com o impulso tirânico que vejo por todo o lado, é deixar aqui esta interessante e clarividente conversa sobre o assunto, interpretada por Michael Malice, Elijah Schaffer e Sydney Watson.
Uma coisa é certa: os que agora continuam a aceitar a pressão totalitária como a estão a aceitar, de cara alegre e a pedir por mais, vão, como acontece sempre, acabar por cair na realidade e vai ser de chapão, no cimento armado da total impotência e tarde demais para se voltarem a levantar.
Creio sinceramente que, para todos os efeitos, o Ocidente já foi. E a culpa não é dos tiranos. A culpa é do gado obediente.
Mais, mais e mais Haikus do Alto da Falésia.
As rosas do meu jardim
São voláteis
Como a paz.
Dia glorioso de sol.
Até a macieira da vizinha
Trabalha para o bronze.
Não há aplicação capaz
Da lírica que faz
Um bloco de papel em branco.
Cai a tarde.
Os haikus escrevem-se sozinhos.
Falas de política
Em vez de conversares sobre filosofia.
Tagarela.
Durante uns segundos o mundo cala-se completamente.
Nem a madrugada faz barulho
A respirar.
O Hotel está vazio.
Até as moscas decidiram alugar
apartamentos.
Cai a noite e o silêncio.
Assustas-te com a ignição de uma motorizada.
A marinha alegra de reflexos alvos
a escuridão marítima.
A baía também precisa do homem para ser feliz.
O teu corpo começa a acusar os cansaços.
Mas não sejas mariquinhas.
Faz todo o sentido que sejas mais sábio
Quando os músculos perdem a razão.
Cometes erros, pagas o preço.
Mas cumpres a dívida?
Quanto mais suspeito da humanidade,
Mais gosto de pessoas.
Em dez haikus,
Acerto um.
Boa média.
O mundo é uma complicação de coisas simples.
(Olhas para o relógio).
As ondas que faz a pequena traineira
têm implicações no scotch do Comandante
Do Navio Escola Sagres.
O Verão é a forma com que Deus te recompensa
Por te ter feito assim tão imperfeito.
Do horizonte negro
Escapa-se uma estrela.
Livre arbítrio.
A discoteca da minha vida #102: "I Had The Blues But I Shook Them Loose", Bombay Bicycle Club
O disquinho pegou. Porque está repleto de coisas poderosas como esta massiva e electrificada recensão rock:
Os Bombay Bicycle Club são uma fábrica de produção de volts. A energia deste primeiro disco, como dos outros quatro que editaram desde aí, é contagiante. E contrasta, em entretida dissidência, com a voz lamuriante e preguiçosa de Jack Steadman (AKA "Mr. Jukes"). A mistura, mais que explosiva, é épica:
Guardo, e para sempre guardarei, este disco acelerado e melodramático no meu coração auricular. Doze anos depois de o ter ouvido, lembro-me do que senti: vontade de subir drasticamente o botão do volume e de abanar o esqueleto da existência até à exaustão dos sentidos.
Bombay Bicycle Club. Rock com pedal para trocar as voltas ao mundo.
sexta-feira, setembro 10, 2021
1995 - 2021: uma ponte feita de som.
A música é uma bestial máquina do tempo. Estava a ouvir este contemporâneo "I Don't Belong", dos brutais Fontaines D.C., quando me lembrei de algo parecido (vagamente parecido), e com a mesma intensidade brutal, mas gravado ainda no século XX: Whipping Boy. "We Don't Need Nobody Else." Grande malha, bom Deus.
Nunca tinha ouvido falar neste gajo, mas subscrevo este parágrafo completamente:
Hoje, olhando as ruínas do 11 de Setembro, não consigo deixar de ali vislumbrar aquilo que de mais importante me escapou há 20 anos atrás: os escombros da concepção político-social que fez o Ocidente. E sendo eu um crente convicto no sucesso do risco-liberdade, bem como na tragédia que espera sempre aqueles que, munidos da obsessão pelo controlo, decidem seguir a avenida do medo, revendo agora as imagens das torres a desmoronar, invade-me a estranha intuição que foi também ali que, de certo modo, colapsou o mundo livre onde nascemos — e o momento em que, das cinzas, se começou a erguer a distopia sanitária que agora, para tristeza e revolta daqueles que ainda se lembram, merece aplauso generalizado nos media e nas redes sociais (convenientemente revistas e certificadas pelas “autoridades” competentes). Extraordinária e trágica mudança esta que vivemos em apenas 20 anos.
Nuno Lebreiro . "Vinte Anos Depois" . Observador . 10/09/21
quinta-feira, setembro 09, 2021
E ainda mais Haikus do Alto da Falésia.
Quando o calor te empurra para o mar,
Começa a chover.
Entre a bonomia e a tempestade,
Um Setembro indeciso.
Levas o guarda-chuva,
Esqueces-te do fato de banho.
E vice-versa.
Por muito que te queiram fascizar;
Deus quer-te livre.
Se estás aborrecido com a vida,
Abre uma garrafa de vinho.
O parque de estacionamento
A 50 metros da praia
É tão belo como outra coisa qualquer.
És frágil.
Como os outros.
De nada te serve a eloquência
Quando estás à conversa com as gaivotas.
Sê cegamente generoso.
Serás cegamente recompensado.
quarta-feira, setembro 08, 2021
Mais Haikus do Alto da Falésia
Quatro da manhã e não consegues ouvir o barulho diesel que faz a traineira.
Marés vivas.
O Atlântico faz de conta que está zangado.
Mas é traído pelas correntes quentes.
De repente começa a chover,
mas ninguém acredita nisso.
Tempestade de Verão.
Uma contradição em termos.
Passas a noite como que em tronco nu.
Não é agora que chove torrencialmente,
que vais ter frio.
Um Isósceles de pincelada barroca
decora o azul celeste.
Deus é uma pessoa de bom gosto.
Enquanto o horizonte ensaia uma tempestade,
Está-se muito bem na praia.
O Oceano protesta.
Mas não se percebe bem porquê.
Privilégios da idade:
A tua anca é um boletim meteorológico.
Está sempre bom tempo
Quando recebes amigos.
A baía desiste de ser pacífica.
Marés vivas.
terça-feira, setembro 07, 2021
Haikus do Alto da Falésia
Tarde triunfal de Setembro.
A baía abre o sorriso
De Buda.
Quanto custa em sofrimento,
Um dia feliz?
A Buganvília dos vizinhos
Está nitidamente a abusar
Da confiança que lhe dei.
Quando Deus criou as moscas,
Estava distraído.
Há, sim, pessoas que precisam
De provas palpáveis para acreditar em Deus:
Os cegos.
As plantas são animais
com raízes.
Quanto mais anos vivo,
Maior é o mistério.
E o espanto.
Da praia sobe o barulho
que as pessoas fazem a ser felizes.
Cala-te, gaivota.
Podes ser um iate com heliporto.
Mas nunca vais ser nobre
como uma traineira.
O ser humano quer ser peixe,
Quando for grande.
Hoje, Deus está bem disposto.
O melro copula.
O ambicioso guindaste rasga a paisagem.
Mas não impressiona a maré.
Para um ateu,
A vida deve ser mesmo muito difícil
De entender.
O modelo standard da fé cega.
Da longa série de equívocos que constituem o modelo standard da cosmologia contemporânea, um que é fundamental e sem o qual todo o aparelho teórico se desfaz em bocadinhos assaz insignificantes, é o Princípio Cosmológico (não confundir com Constante Cosmológica), segundo o qual a matéria se distribui de forma relativamente uniforme pelo tecido do espaço-tempo.
Acontece apenasmente que tal Princípio não concorda em nada com as evidências observáveis e mensuráveis. Muito antes pelo contrário. E essa infeliz divergência entre a teoria e a realidade, traz consigo implicações sísmicas. Por exemplo: se a densidade da matéria oscila significativamente em função das localidades cósmicas, então não precisamos, conceptual e matematicamente, da matéria negra para nada.
Com a sua habitual, germânica e desempoeirada retórica, Sabine Hossenfelder desenvolve o tema e desconstrói o mito, provando mais uma vez que a ciência dos dias que correm não é mais que um exercício de fé.
Life ain't always empty,
Life ain't always empty, Life ain't always empty, Life ain't always empty, Life ain't always empty, ou o regresso operático do punk rock.
Fontaines D. C. . A Hero's Death
sábado, setembro 04, 2021
Num mundo ao contrário, isto faz completo sentido.
Até aqui, existia um desgraçado que acreditava em Deus, na universidade de Harvard. Entre os 600 gajos que fazem parte, calculo eu, do corpo docente da mais prestigiada escola do Ocidente, havia para lá um singular e doido rapazinho que levava a sério a história monoteísta da tradição judaico-cristã. Era, claro, o capelão. Foi com os porcos, entretanto. E para o substituir, o quadro dirigente da ilustre academia decidiu escolher um ateu. Um ateu como os restantes 600 gajos ateus do restante corpo docente. Portanto, o actual capelão de Harvard é ateu. Que género de missa sairá daqui?
Mas pensando bem, se até o actual Papa é ateu, porque raio deve o capelão de Harvard ser crente?
O mundo ao contrário. O mundo ao contrário. O mundo ao contrário.
sexta-feira, setembro 03, 2021
quarta-feira, setembro 01, 2021
29 California Students Remain Stranded in Afghanistan After Evacuation Deadline
According to the Sacramento-area school district, those 29 students come from 19 families, and have not not returned to school campuses for the 2021-2022 school year.
The Sacramento school district is home to over 1,400 Afghan refugee students and previously believed that up to 150 students were stranded in Afghanistan, according to an earlier news report from Sacramento Bee.
(...) Newsweek























