sexta-feira, janeiro 02, 2015
segunda-feira, dezembro 29, 2014
A dor do tempo que passa, segundo Johnny Cash.
Johnny Cash . Hurt
É a segunda vez que publico este clip aqui no Blogville, mas não encontro melhor substância medicinal para suportar a dor de mais um ano que passa, para enfrentar a dor de mais um ano que chega.
É a segunda vez que publico este clip aqui no Blogville, mas não encontro melhor substância medicinal para suportar a dor de mais um ano que passa, para enfrentar a dor de mais um ano que chega.
Mensagem de Ano Novo
Estou à espera de uma invasão de extra-terrestres desde que era criança. Peço desculpa pela imodéstia mas esta velha expectativa só prova que não era uma criança completamente estúpida porque, 40 anos depois, a única solução para termos um ano novo melhor do que o anterior continua a ser precisamente uma invasão de homenzinhos cinzentos com mau feitio e fuscas de potência mega atómica e cheios de fome de carne humana. Submetida a raça sapiens à lógica da sobrevivência, começaríamos decerto por servir aos ávidos conquistadores uma entrada substancial com os radicais islâmicos de todo o planeta. Assim, entre a entrada e o prato principal, sempre tinhamos a oportunidade de apreciar as virtudes inumeráveis de viver num planeta sem radicais islâmicos.
2015 também podia trazer silêncio. Aquele género de silêncio tumular, aquela espécie de silêncio que é o mais silencioso possível, sem surdinas nem fugas; um silêncio-vento-divino para calar os que estão presos e os que mandam prender e os que estão soltos e os que mandam neles. Um silêncio higiénico que emudeça os banqueiros e muito especialmente os banqueiros que faliram. Um silêncio que una, numa épica e endémica concórdia, sindicalistas e patrões, juízes e advogados, ministros e cronistas, deputados e jornalistas, médicos e pacientes, professores e alunos, heróis e vilões, vítimas e agressores, crentes e ateus, santos e filhos da puta, todos juntos numa oração sem decibéis, orgíaca elegia do ruído zero.
Alegra-me a possibilidade bem real de que no próximo ciclo à volta do sol aconteçam coisas menos boas a gente menos recomendável como o sr. Abu Bakr al-Baghdadi, o sr. Mullah Mohammed Omar, o Sr. Ali Khamenei, o sr. Kim Jong-un, o sr. Vladimir Putin, o sr. Michel Platini, e - este é de estimação - o sr. Julian Assange.
Para me dar alguma satisfação aos dias, conto também com uma previsão auspiciosa, que calculo com a exactidão de um astrólogo de corte: vem aí um ano infernal para Barak Obama.
E outrossim para José Sócrates.
Tenho fé que em 2015, alguém, num gabinete obscuro de Princeton, descubra uma solução minimamente decente, minimamente elegante, para o Problema da Costante Cosmológica, mas alerto: esta fé é tão religiosa como aquela do Deus católico. Na verdade, a minha metafísica de ateu desconfia bem que o Problema da Costante Cosmológica não tem solução (o que deveras me escangalha qualquer tipo de optimismo no futuro).
Claro, era excelente que o ano novo prometesse menos impostos e mais uma arca a rebentar de poemas do Pessoa (devo confessar que desejo isto mais que a paz no mundo e o fim da fome), e também seria superiormente agradável que o Benfica fosse campeão nacional, mas como estes desejos conseguem ser mais irrealistas que a fé católica ou o Modelo Standard da Física das Partículas, é melhor parar por aqui.
É que, muito sinceramente, não estou com paciência alguma para um ano de excessos.
2015 também podia trazer silêncio. Aquele género de silêncio tumular, aquela espécie de silêncio que é o mais silencioso possível, sem surdinas nem fugas; um silêncio-vento-divino para calar os que estão presos e os que mandam prender e os que estão soltos e os que mandam neles. Um silêncio higiénico que emudeça os banqueiros e muito especialmente os banqueiros que faliram. Um silêncio que una, numa épica e endémica concórdia, sindicalistas e patrões, juízes e advogados, ministros e cronistas, deputados e jornalistas, médicos e pacientes, professores e alunos, heróis e vilões, vítimas e agressores, crentes e ateus, santos e filhos da puta, todos juntos numa oração sem decibéis, orgíaca elegia do ruído zero.
Alegra-me a possibilidade bem real de que no próximo ciclo à volta do sol aconteçam coisas menos boas a gente menos recomendável como o sr. Abu Bakr al-Baghdadi, o sr. Mullah Mohammed Omar, o Sr. Ali Khamenei, o sr. Kim Jong-un, o sr. Vladimir Putin, o sr. Michel Platini, e - este é de estimação - o sr. Julian Assange.
Para me dar alguma satisfação aos dias, conto também com uma previsão auspiciosa, que calculo com a exactidão de um astrólogo de corte: vem aí um ano infernal para Barak Obama.
E outrossim para José Sócrates.
Tenho fé que em 2015, alguém, num gabinete obscuro de Princeton, descubra uma solução minimamente decente, minimamente elegante, para o Problema da Costante Cosmológica, mas alerto: esta fé é tão religiosa como aquela do Deus católico. Na verdade, a minha metafísica de ateu desconfia bem que o Problema da Costante Cosmológica não tem solução (o que deveras me escangalha qualquer tipo de optimismo no futuro).
Claro, era excelente que o ano novo prometesse menos impostos e mais uma arca a rebentar de poemas do Pessoa (devo confessar que desejo isto mais que a paz no mundo e o fim da fome), e também seria superiormente agradável que o Benfica fosse campeão nacional, mas como estes desejos conseguem ser mais irrealistas que a fé católica ou o Modelo Standard da Física das Partículas, é melhor parar por aqui.
É que, muito sinceramente, não estou com paciência alguma para um ano de excessos.
domingo, dezembro 28, 2014
terça-feira, dezembro 23, 2014
Uma crónica para a história.
Paulo de Almeida Sande, um dos mais notáveis cronistas do Observador (o que não é dizer pouco, já que os artigos de opinião deste jornal são, de longe, o seu argumento forte), publicou hoje um texto inspirado, que me emocionou profundamente. Quem ainda tem algum amor por este país Portugal deve ler isto.
O postal de Natal do astronauta Alexander Gerst.
Este vídeo condensa, numa sequência em time lapse de seis minutos, as 12.500 imagens fotográficas que Alexander Gerst pacientemente recolheu durante a sua estadia de seis meses na Estação Espacial Internacional.
O resultado é absolutamente magnífico. E, de certa forma, natalício.
segunda-feira, dezembro 22, 2014
Play around Australia.
Os meus amigos Susana Palma e JP Santos passaram um mês do outro lado do mundo. E este é o produto em vídeo, super-giro, que resultou da odisseia. Cinco estrelas.
sábado, dezembro 20, 2014
sexta-feira, dezembro 19, 2014
Poema do Natal no Estado Islâmico
Muahmmad, o tira-cabeças, sua as estopinhas.
O sol inclina-se já sobre o horizonte calado do deserto
mas ainda há muito que fazer.
Muhammad, o tira-cabeças, prefere enterrar crianças vivas,
mas hoje o Califa - Alá o proteja - decidiu dar novo préstimo
às suas reconhecidas qualidades.
Este biscate é mais cansativo e desagradável
que os trabalhos do costume. Muhammad prefere, de longe,
degolar jornalistas ocidentais.
Muhammad, o tira-cabeças, prefere mil vezes arrumar curdos
na vala comum (até porque isso dá direito, geralmente, a uma voltinha daquelas
com uma infiel bem escolhida).
Abu Bakr, o impiedoso - Alá abençoe o Califa - deu-lhe a ordem
e a Muhammad só resta cumprir, mas ainda assim,
preferia torturar dez xiitas.
Daqui a nada cai a noite e depois vai ser complicado
acertar com os pregos.
Muhammad, o tira-cabeças, já tem as mãos feridas, pelo repetir do martelo.
Os jornalistas ocidentais borram-se todos na altura do fim,
e choram como as crianças na vala não choram,
mas o que Muhammad não daria agora por esse cheiro a medo.
Enquanto, a esforço, prega mais um porco herético à cruz,
Muhammad, o tira-cabeças, pergunta-se:
mas onde foi o califa - Alá o salve de todo o mal - desencantar a madeira necessária
para pendurar tanto cristão?
---
Crucificações no Estado Islâmico
Eugène Delacroix, The Death of Sardanapalus, 1844, oil on canvas, 73,7 x 82,4 cm, The Philadelphia Museum of Art.
quarta-feira, dezembro 17, 2014
Mais importante que fuzilar crianças.
É com imensa tristeza e alguma indignação que constato que o Observador considera que as seguintes notícias são bem mais relevantes que o infame atentado em Peshawar:
(sic)
EUA abrem embaixada em Cuba.
Queda do Rublo leva a corrida às lojas.
Ricardo Salgado pior executivo de 2014.
Costa corrige declaração sobre Bloco Central.
Homicida manda a juízes postais das Caraíbas.
Os filmes da Disney matam. E não é pouco.
Fisco faz mega operação de controlo de inventários.
Kant ou Marx? Primeiras edições vão a leilão.
D'oh! Os Simpsnos fazem 25 anos.
O Terceiro "O Hobbit" ou o regresso à Terra Média.
Um Pai Natal assaltou um banco. E escapou.
Papel de Natal. Animação portuguesa e ecológica.
Segue-se a caixa "vaidades", que é de uma relevância jornalística extrema e só depois, quase no fim da página, é que lá se fala do crime hediondo, perpetrado na madrugada de hoje.
Este é o mundo manhoso a que me condenaram os deuses. Mas até quando, Pai Natal?
(sic)
EUA abrem embaixada em Cuba.
Queda do Rublo leva a corrida às lojas.
Ricardo Salgado pior executivo de 2014.
Costa corrige declaração sobre Bloco Central.
Homicida manda a juízes postais das Caraíbas.
Os filmes da Disney matam. E não é pouco.
Fisco faz mega operação de controlo de inventários.
Kant ou Marx? Primeiras edições vão a leilão.
D'oh! Os Simpsnos fazem 25 anos.
O Terceiro "O Hobbit" ou o regresso à Terra Média.
Um Pai Natal assaltou um banco. E escapou.
Papel de Natal. Animação portuguesa e ecológica.
Segue-se a caixa "vaidades", que é de uma relevância jornalística extrema e só depois, quase no fim da página, é que lá se fala do crime hediondo, perpetrado na madrugada de hoje.
Este é o mundo manhoso a que me condenaram os deuses. Mas até quando, Pai Natal?
O mal pelo mal.
Um só infeliz, em Sidney, e uns quantos bandidos em Peshawar, protagonizaram nas últimas horas o roteiro de sange dos jornais de todo o mundo. Sendo o sequestro de café um acto tresloucado sem grande significado para além da morte de dois reféns e da incrível displicência com que as autoridades australianas lidaram com Man Haron Monis (um fanático insandecido com um longo historial de fúrias e demências); a incrível barbaridade cometida hoje pelos Talibans no Paquistão é, porém, bem elucidativa sobre a natureza dos movimentos extremistas islâmicos que assolam o mundo, com crescente ambição, brutalidade e niilismo, desde o último quartel do Século XX.
Os simpáticos jihadistas entraram por uma escola a dentro e desataram simplesmente a fuzilar todos os alunos que encontraram. Resultado: 140 mortos, a maior parte adolescentes e crianças.
"'God is great,'" the Taliban militants shouted as they roared through the hallways of a school in Peshawar, Pakistan.
Then, 14-year-old student Ahmed Faraz recalled, one of them took a harsher tone.
" 'A lot of the children are under the benches,' " a Pakistani Taliban said, according to Ahmed. " 'Kill them.' "
Não há razão que justifique isto, a não ser a razão do mal pelo mal. E do seu poder inesgotável. E estes desgraçados exercem esse poder orgíaco porque podem. Porque nós deixamos.
Até quando, Pai Natal?
Os simpáticos jihadistas entraram por uma escola a dentro e desataram simplesmente a fuzilar todos os alunos que encontraram. Resultado: 140 mortos, a maior parte adolescentes e crianças.
"'God is great,'" the Taliban militants shouted as they roared through the hallways of a school in Peshawar, Pakistan.
Then, 14-year-old student Ahmed Faraz recalled, one of them took a harsher tone.
" 'A lot of the children are under the benches,' " a Pakistani Taliban said, according to Ahmed. " 'Kill them.' "
Início da reportagem de Sophia Salfi, CNN
Até quando, Pai Natal?
terça-feira, dezembro 16, 2014
Poema da companhia bandeira.
Se fosse eu a mandar, ah que volúpia,
vendia a TAP já
ao primeiro sucateiro que me aparecesse com uma nota de 50 euros.
E a única contrapartida do minimal caderno de encargos
era que o sucateiro transformasse já
a TAP em sucata.
E, claro, que despedisse aquela gente toda, especialmente os pilotos
(esses seriam despedidos já),
mas sem deixar, no fim, uma alminha com um emprego que fosse.
Mas sem deixar, no fim, alguém que pudesse fazer mais
uma puta de uma
greve.
vendia a TAP já
ao primeiro sucateiro que me aparecesse com uma nota de 50 euros.
E a única contrapartida do minimal caderno de encargos
era que o sucateiro transformasse já
a TAP em sucata.
E, claro, que despedisse aquela gente toda, especialmente os pilotos
(esses seriam despedidos já),
mas sem deixar, no fim, uma alminha com um emprego que fosse.
Mas sem deixar, no fim, alguém que pudesse fazer mais
uma puta de uma
greve.
segunda-feira, dezembro 08, 2014
Ver o que se quer ver em vez de ver o que lá está.
Para além da qualidade cinemática propriamente dita, o que me deslumbra neste filme que Danny Cooke realizou para a CBS e que rapidamente se disseminou nas redes sociais é o triunfo da natureza sobre as estruturas da civilização. Apesar do verde exuberante, o que lemos nas notícias e nos comentários relacionados com o filme demonstra a cegueira da maioria das pessoas em relação ao que é representado: fala-se de cinzentos, de apocalipses, de radiação, de morte, mas o que se vê não é isso. O que se vê é a natureza vigorosa e dominadora, que toma conta das avenidas, que invade os apartamentos, que esconde a decadência do horizonte urbano.
Os efeitos da radioactividade nos ecossistemas são motivo para acessas polémicas na comunidade científica há já muitos anos, e não quero neste momento entrar por aí, mas o que podemos constatar nestas belíssimas imagens da cidade fantasma de Pripyat é que, pelo menos no que diz respeito à flora, o meio ambiente manifesta-se bastante indiferente ao desastre de Chernobil. Como invariavelmente se constata, a natureza é muito mais resistente do que parece. E as estruturas da realização humana são sempre mais frágeis do que julgamos.
segunda-feira, dezembro 01, 2014
Um futuro exuberante.
Esta deve ser a mais bela curta de ficção científica que já vi na vida. Um filme de Erik Wernquist, narrado por Carl Sagan, para ver em full screen e HD, por favor.
Afeganistão: um testemunho crucial.
Lara Logan, a célebre correspondente de guerra da CBS que passou largos anos no Afeganistão, diz aqui, numa versão consensada do seu depoimento de 2012 em Chicago, muito do que é preciso ser dito sobre a infâmia da retirada das forças militares ocidentais deste palco estratégico para o combate ao terrorismo islâmico. Um testemunho eloquente e conclusivo sobre o carácter (ou a ausência dele) da presente - e moribunda - administração americana.
quarta-feira, novembro 26, 2014
Odell Beckham Jr. ou a missão impossível.
Watch and wonder: is this the best catch in history, or what?
Da banalidade do crime #2
O cliché dos últimos dez anos diz-nos que Mário Soares não deve ser levado a sério. Que está senil. Que está demente. Que é um cão raivoso.
Mas se Mário Soares não deve ser levado a sério, então os media não devem amplificar a sua voz brincalhona. Se está senil, a família devia impedir o homem de se pronunciar publicamente. Se é demente, devia ser internado. Se é um cão raivoso devia fazer-se com ele aquilo que se faz aos cães raivosos (metaforicamente, claro, que o Blogville não concorda com a pena de morte nem para cães raivosos nem para socialistas impenitentes).
Mas uma coisa é certa: o que disse hoje Soares à porta do chilindró onde - em boa hora - o juíz Carlos Alexandre decidiu colocar José Sócrates, é simplesmente criminoso. No contexto da situação actual, declarar à imprensa que o juíz é um malandro e que o processo é uma bandalheira, é criminoso. É comum ouvirmos dizer das declarações de Soares que são incendiárias. Pois bem, desta vez foram além disso. Configuram objectivamente várias ofensas à Constituição da República (artigos 13º, 25º, 26º e 32º) bem como ao seu Código Civil (art. 70º, nº1). São declarações criminosas.
Como é criminosa a incrível e despudorada violação do segredo de justiça por parte da mulher do advogado de Sócrates, ontem de madrugada, no Twitter.
Como é criminosa a opinião dos que atacam o processo para disfarçar a escandaleira.
Como é criminoso tentar convencer os portugueses que é ilegítimo julgarem politicamente Sócrates - e os socráticos - enquanto o processo não transitar em julgado (uma coisa é o processo penal, outra é o processo político).
Como é criminoso comparar o caso Tecnoforma com a dimensão das vilanias de que José Sócrates é suspeito.
Mas em Portugal vale tudo, mas mesmo tudo para que o PS não perca o seu estatuto de partido hegemónico, dono do estado, da razão e da moral. E se não salvador da pátria, porque no Largo do Rato nem se faz uso desta palavra, redentor de tudo o resto.
Há porém sinais indesmentíveis de que os portugueses estão a começar a ficar realmente fartinhos dos vermes que infestam o seu ecossistema. E estão a agir assertivamente a fim de combater, ou pelo menos colmatar, a praga. Em áreas tão distintas como a economia, a justiça e o jornalismo, é perceptível a corrente de ar fresco que tem vindo a melhorar substantivamente a qualidade atmosférica do país. E isto tem sido possível não por causa de manifestações ou de greves, não por causa de alguma decisão estratégica do regime, não por causa de alguma iluminada contribuição da Troika. Os portugueses estão a alterar o status quo estabelecido, as suas regras e a sua moral, com trabalho puro e duro. Com persistência e dignidade. Com coragem.
É preciso muita coragem para dar a José Sócrates a morada de Évora. Como vimos hoje, não é porém coisa que aconteça sem estrondo e promessas de apocalipse social. Afinal, neste momento, e também por causa das palavras criminosas de Mário Soares, é a sobrevivência do Partido Socialista que está em jogo.
Mas se Mário Soares não deve ser levado a sério, então os media não devem amplificar a sua voz brincalhona. Se está senil, a família devia impedir o homem de se pronunciar publicamente. Se é demente, devia ser internado. Se é um cão raivoso devia fazer-se com ele aquilo que se faz aos cães raivosos (metaforicamente, claro, que o Blogville não concorda com a pena de morte nem para cães raivosos nem para socialistas impenitentes).
Mas uma coisa é certa: o que disse hoje Soares à porta do chilindró onde - em boa hora - o juíz Carlos Alexandre decidiu colocar José Sócrates, é simplesmente criminoso. No contexto da situação actual, declarar à imprensa que o juíz é um malandro e que o processo é uma bandalheira, é criminoso. É comum ouvirmos dizer das declarações de Soares que são incendiárias. Pois bem, desta vez foram além disso. Configuram objectivamente várias ofensas à Constituição da República (artigos 13º, 25º, 26º e 32º) bem como ao seu Código Civil (art. 70º, nº1). São declarações criminosas.
Como é criminosa a incrível e despudorada violação do segredo de justiça por parte da mulher do advogado de Sócrates, ontem de madrugada, no Twitter.
Como é criminosa a opinião dos que atacam o processo para disfarçar a escandaleira.
Como é criminoso tentar convencer os portugueses que é ilegítimo julgarem politicamente Sócrates - e os socráticos - enquanto o processo não transitar em julgado (uma coisa é o processo penal, outra é o processo político).
Como é criminoso comparar o caso Tecnoforma com a dimensão das vilanias de que José Sócrates é suspeito.
Mas em Portugal vale tudo, mas mesmo tudo para que o PS não perca o seu estatuto de partido hegemónico, dono do estado, da razão e da moral. E se não salvador da pátria, porque no Largo do Rato nem se faz uso desta palavra, redentor de tudo o resto.
Há porém sinais indesmentíveis de que os portugueses estão a começar a ficar realmente fartinhos dos vermes que infestam o seu ecossistema. E estão a agir assertivamente a fim de combater, ou pelo menos colmatar, a praga. Em áreas tão distintas como a economia, a justiça e o jornalismo, é perceptível a corrente de ar fresco que tem vindo a melhorar substantivamente a qualidade atmosférica do país. E isto tem sido possível não por causa de manifestações ou de greves, não por causa de alguma decisão estratégica do regime, não por causa de alguma iluminada contribuição da Troika. Os portugueses estão a alterar o status quo estabelecido, as suas regras e a sua moral, com trabalho puro e duro. Com persistência e dignidade. Com coragem.
É preciso muita coragem para dar a José Sócrates a morada de Évora. Como vimos hoje, não é porém coisa que aconteça sem estrondo e promessas de apocalipse social. Afinal, neste momento, e também por causa das palavras criminosas de Mário Soares, é a sobrevivência do Partido Socialista que está em jogo.
terça-feira, novembro 25, 2014
É legítimo supor.
Extraodinário texto do grande José Gomes Ferreira, aqui. E, sim, sim, é legítimo supor o pior.
Da banalidade do crime.
“The sad truth is that most evil is done by people who never make up their minds to be good or evil.”
Hannah Arendt
Hoje à noite, logo depois de sabermos que a medida de coacção aplicada a José Sócrates era a prisão preventiva, a SIC Notícias convidou o Miguel Sousa Tavares, a Clara Ferreira Alves e o Pacheco Pereira para opinarem sobre o acontecimento. Devo dizer que o Blogville não gosta nada do Miguel Sousa Tavares e da Clara Ferreira Alves (antigas desavenças aqui e aqui, respectivamente). E o debate demonstrou bem porquê. Longe de se mostrarem minimamente chocados ou sequer surpresos com o facto de um ex-primeiro-ministro da República Portuguesa ser suspeito de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção qualificada, o Miguel e a Clara preferiram fazer uma análise crítica à forma como o processo foi conduzido até agora. E por muito que o Pacheco Pereira lhes dissesse que a questão fundamental estava, nesse preciso momento, longe de ser aquela, não houve maneira de aplacar a indignação.
O Miguel e a Clara são só duas falências entre muitas outras falências que tenho ouvido e lido nos últimos 3 dias. A hipótese altamente inconveniente mas cada vez mais provável de se demonstrar em tribunal que José Sócrates é um bandido da pior espécie - e suas nefastas consequências para a esquerda em geral e para o Partido Socialista em particular - é tão alarmante e perigosa, que não há remédio senão atirar na direcção das autoridades judiciais. E atirar a matar. Sem meiguices nem poupanças de léxico.
Quando o Ministério Público e o juíz da inquirição deviam ser louvados por terem a coragem - e a competência - de fazer aquilo que precisava de ser feito, dada a ostentação ordinária e absolutamente despudorada de José Sócrates, o que têm recebido em troca são rajadas de projécteis moralistas, como se de grandes vilões da sagrada república se tratassem.
Daqui conclui-se que o problema em Portugal não se resume à competência e ao carácter dos constituintes da classe política. Nem aos altos funcionários do aparelho administrativo. Nem aos protagonistas do poder judicial. O problema é de conjunto. É na interacção entre estes poderes e destes com a sociedade que se gera o drama que decorre no Portugal contemporâneo. E essa interacção é muitas vezes conduzida pelos media. E essa condução é uma contaminação. Contamina o comportamento das esferas de poder, tanto quanto a qualidade da opinião pública. É preciso perceber que, para além dos escândalos financeiros e institucionais do estado e da banca, o aparelho mediático português estabelecido é também palco de vários banditismos: ideológicos, sociológicos e, claro, económicos. Os Migueis e as Claras que por aí andam muito preocupados com a república dos juízes, não invocam os princípios da sua utopia de trazer por casa em nome de Portugal, mas sim de um conceito ideológico, que é, por definição, de vocação universal. Protegendo o modelo, protegem-se como podem, porque também têm que fazer pela vida, como toda a gente.
Não vejo grande diferença moral entre políticos e advogados. Entre políticos e jornalistas. Entre políticos e analistas da política. Nem me apercebo bem das assimetrias éticas entre sindicalistas e ministros, patrões e trabalhadores, vilões e heróis. Em Portugal, o espectro mediático é preenchido por uma constante de gente vulgar. Gente que tem virtudes e ganâncias e competências e defeitos como toda a gente as tem. Ora o problema é que as elites funcionais são formadas por pessoas invulgares. E é aqui que encontramos a raiz do estado a que chegaram as coisas: a sociedade portuguesa não está a saber gerar pessoas de invulgar mérito técnico, intelectual e deontológico em quantidade suficiente para a ocupação crítica das lideranças estratégicas e sectoriais. Em certo sentido, e considerando a relativa juventude da nossa democracia, podemos dizer que Portugal sofre de banalidade precoce.
Hannah Arendt tentou explicar que o mal absoluto se encontra com mais frequência no seio da vulgaridade do que no contexto da excelência. José Sócrates, não sendo de todo uma figura de absolutos, é um excelente exemplo de homem mediano. E como tal, enquanto alto quadro do regime, foi porventura vítima da sua impreparação psíquica e intelectual e das terríveis tentações do poder. Motivado por uma ética ferozmente individualista, cedeu, provavelmente, à força gravítica de não ter qualidades notáveis.
Hannah Arendt
Hoje à noite, logo depois de sabermos que a medida de coacção aplicada a José Sócrates era a prisão preventiva, a SIC Notícias convidou o Miguel Sousa Tavares, a Clara Ferreira Alves e o Pacheco Pereira para opinarem sobre o acontecimento. Devo dizer que o Blogville não gosta nada do Miguel Sousa Tavares e da Clara Ferreira Alves (antigas desavenças aqui e aqui, respectivamente). E o debate demonstrou bem porquê. Longe de se mostrarem minimamente chocados ou sequer surpresos com o facto de um ex-primeiro-ministro da República Portuguesa ser suspeito de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção qualificada, o Miguel e a Clara preferiram fazer uma análise crítica à forma como o processo foi conduzido até agora. E por muito que o Pacheco Pereira lhes dissesse que a questão fundamental estava, nesse preciso momento, longe de ser aquela, não houve maneira de aplacar a indignação.
O Miguel e a Clara são só duas falências entre muitas outras falências que tenho ouvido e lido nos últimos 3 dias. A hipótese altamente inconveniente mas cada vez mais provável de se demonstrar em tribunal que José Sócrates é um bandido da pior espécie - e suas nefastas consequências para a esquerda em geral e para o Partido Socialista em particular - é tão alarmante e perigosa, que não há remédio senão atirar na direcção das autoridades judiciais. E atirar a matar. Sem meiguices nem poupanças de léxico.
Quando o Ministério Público e o juíz da inquirição deviam ser louvados por terem a coragem - e a competência - de fazer aquilo que precisava de ser feito, dada a ostentação ordinária e absolutamente despudorada de José Sócrates, o que têm recebido em troca são rajadas de projécteis moralistas, como se de grandes vilões da sagrada república se tratassem.
Daqui conclui-se que o problema em Portugal não se resume à competência e ao carácter dos constituintes da classe política. Nem aos altos funcionários do aparelho administrativo. Nem aos protagonistas do poder judicial. O problema é de conjunto. É na interacção entre estes poderes e destes com a sociedade que se gera o drama que decorre no Portugal contemporâneo. E essa interacção é muitas vezes conduzida pelos media. E essa condução é uma contaminação. Contamina o comportamento das esferas de poder, tanto quanto a qualidade da opinião pública. É preciso perceber que, para além dos escândalos financeiros e institucionais do estado e da banca, o aparelho mediático português estabelecido é também palco de vários banditismos: ideológicos, sociológicos e, claro, económicos. Os Migueis e as Claras que por aí andam muito preocupados com a república dos juízes, não invocam os princípios da sua utopia de trazer por casa em nome de Portugal, mas sim de um conceito ideológico, que é, por definição, de vocação universal. Protegendo o modelo, protegem-se como podem, porque também têm que fazer pela vida, como toda a gente.
Não vejo grande diferença moral entre políticos e advogados. Entre políticos e jornalistas. Entre políticos e analistas da política. Nem me apercebo bem das assimetrias éticas entre sindicalistas e ministros, patrões e trabalhadores, vilões e heróis. Em Portugal, o espectro mediático é preenchido por uma constante de gente vulgar. Gente que tem virtudes e ganâncias e competências e defeitos como toda a gente as tem. Ora o problema é que as elites funcionais são formadas por pessoas invulgares. E é aqui que encontramos a raiz do estado a que chegaram as coisas: a sociedade portuguesa não está a saber gerar pessoas de invulgar mérito técnico, intelectual e deontológico em quantidade suficiente para a ocupação crítica das lideranças estratégicas e sectoriais. Em certo sentido, e considerando a relativa juventude da nossa democracia, podemos dizer que Portugal sofre de banalidade precoce.
Hannah Arendt tentou explicar que o mal absoluto se encontra com mais frequência no seio da vulgaridade do que no contexto da excelência. José Sócrates, não sendo de todo uma figura de absolutos, é um excelente exemplo de homem mediano. E como tal, enquanto alto quadro do regime, foi porventura vítima da sua impreparação psíquica e intelectual e das terríveis tentações do poder. Motivado por uma ética ferozmente individualista, cedeu, provavelmente, à força gravítica de não ter qualidades notáveis.
segunda-feira, novembro 24, 2014
O artista e o astrónomo.
"Vicent Van Gogh's Starry Night is the first painting I know of where
the background is the subject of the painting. And the background is
the night sky. It elevated the cosmos to become fair game to the artist.
And I submit to you that cosmic discovery does not become mainstream
until the artist embrace it."
Neil deGrasse Tyson
The Great Debate . Arizona State University . September 2013
Neil deGrasse Tyson
The Great Debate . Arizona State University . September 2013
domingo, novembro 23, 2014
A tempestade perfeita.
As últimas 48 horas de António Costa são de pesadelo. Ontem, na véspera de assumir o cargo de Secretário-Geral do Partido Socialista, o seu camarada de armas e referência fundamental, espécie de Obi-Wan Kenobi ao contrário, é detido com aparato mediático, no aeroporto de Lisboa. Hoje, na tomada de posse, não tem remédio a não ser deixar-se espancar pelos jornalistas. Sem querer trair publicamente uma fraqueza de carácter, Costa lá vai falando de "sentimentos pessoais", mas não é capaz de dizer sequer o nome do amigo e nota-se bem que as prioridades estão mais do lado da sobrevivência pessoal do que da solidariedade fraternal. Nem as acusações de conspiração, que eram previsíveis, são bem vindas pela direcção do Partido, tendo sido proferidas apenas pelos desalinhados João Soares e Edite Estrela. É que não há uma saída sem custos políticos para a miserável situação em que se encontra este messias de trazer por casa.
Uma coisa é certa: para que Costa chegue a primeiro-ministro em 2015, vai ter agora que fazer bastante mais do que jogar às escondidas.
O problema da culpa.
Hoje, na sua coluna do Observador, Helena Matos diz muito do que há para dizer sobre a detenção de José Sócrates. Só com uma humilde objecção: se é enorme verdade que a culpa por este sujeito ter chegado a primeiro-ministro - e ter imperado como primeiro-ministro - é de todos os portugueses (o resultado de uma república não é da responsabilidade dos cidadãos que votam assim ou assado, é da responsabilidade dos cidadãos, ponto), acho sinceramente que ele também contribuiu em substância para o drama, simplesmente por ser o sujeito que é. E deve responder por isso. Afinal, não estamos nós todos, já há uns anos largos, a pagar pelo crime de lesa-pátria cometido quando o elegemos e durante a eternidade toda em que o aturámos? O José Sócrates só agora começou a liquidar a sua parte.
E depois, como aprendemos com Hannah Arendt, há sempre um problema em dividir as responsabilidades pelo limite absoluto: quando todos temos culpa, ninguém tem culpa. É uma síntese que valida a sua antítese.
E depois, como aprendemos com Hannah Arendt, há sempre um problema em dividir as responsabilidades pelo limite absoluto: quando todos temos culpa, ninguém tem culpa. É uma síntese que valida a sua antítese.
sábado, novembro 22, 2014
Elogio do chilindró.
Convenhamos, esta é uma das manchetes mais bonitas da história do jornalismo português. Quando entrei no Observador nem queria acreditar. Esta é daquelas notícias que são boas demais para serem verdadeiras. É daquelas notícias que desmentem a velha teoria de que uma boa notícia não é notícia.
A detenção de José Sócrates, para além de me deixar extremamente satisfeito (não é bonito ficar contente com as desgraças alheias mas no caso do ex-primeiro-ministro-sinistro acho que posso abrir uma excepção) é mais uma demonstração que, de facto, algo em Portugal está, finalmente, a mudar. Para melhor. Afinal, os donos disto tudo também podem ir dentro.
Só espero que o Ministéiro Público saiba o que está a fazer e que Sócrates passe uns anos valentes a ver o sol aos quadradinhos. É, mesmo assim, muito menos do que ele merece.
A detenção de José Sócrates, para além de me deixar extremamente satisfeito (não é bonito ficar contente com as desgraças alheias mas no caso do ex-primeiro-ministro-sinistro acho que posso abrir uma excepção) é mais uma demonstração que, de facto, algo em Portugal está, finalmente, a mudar. Para melhor. Afinal, os donos disto tudo também podem ir dentro.
Só espero que o Ministéiro Público saiba o que está a fazer e que Sócrates passe uns anos valentes a ver o sol aos quadradinhos. É, mesmo assim, muito menos do que ele merece.
quinta-feira, novembro 20, 2014
E agora, algo de realmente importante.

Rosetta mission selfie at 16 km | 14/10/2014 4:00 pm | ESA/Rosetta/Philae/CIVA
A missão Rosetta fez uma das mais importantes descobertas científicas da história da humanidade. Apesar de estar em falência energética, porque o sítio onde aterrou tem muito mais horas de sombra do que de sol e, assim, o seu quadro fotovoltaíco não pode contribuir para alimentar as baterias a um ritmo normal, o módulo Philae já detectou moléculas orgânicas na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A equipa responsável pela missão ainda não revelou quais foram as moléculas encontradas e qual o seu grau de complexidade, mas esta descoberta comprova, na minha opinião sem grande margem para dúvidas, que a vida biológica é bastante comum no universo.
Não sei se algumas vez postei algo tão importante como isto, aqui no blog.
sexta-feira, novembro 14, 2014
Cem pérolas.
Este é um post muito especial. No contexto do décimo aniversário do Blogville, convidei o meu grande e velho amigo Carlos Rafael a contribuir com um post. A verdade é que o convite é redundante, na medida em que o Rafael contribui todos os dias para este blog porque é apenas a pessoa com maior influência sobre o meu ouvido nos últimos 20 anos. 90% da música que oiço e que aqui publico vem directamente ou indirectamente da constante procura pelo som perfeito deste meu amigo.
Num acto de grande generosidade, o post do Rafael inclui uma lista de 100 clips acessível a todos e que recomendo vivamente. Quem gosta de música alternativa tem muito para aprender, tem muito para apreciar, nesta playlist.
Congrats Blogville
Dez Anos de Liberdade… a verdade é que nenhum subtítulo poderia descrever melhor este fantástico blog. Dez anos passaram e posso assegurar que, salvo raras exceções, não deixei passar mais que uma semana sem vir verificar os posts do meu grande amigo. Os temas abordados têm sido os mais diversos, desde a política, à matemática, à economia e cultura, mas acho que posso considerar (e até com algum orgulho), de ter contribuído para um em específico.
Aproveito pois esta efeméride para escrever algo sobre essa paixão que nos une: A Música…
Não abdicando das minhas preferências musicais, que terão sempre que incluir os géneros Rock, Pop, Indie, Alternativa e Eletrónica (não obrigatoriamente nesta ordem), tenho dedicado algum tempo à tentativa de descobrir bandas menos comerciais. É certo que durante esta minha pesquisa, e no decorrer dos anos, muitas delas acabaram por se tornar bandas de referência, e até capazes de encher pavilhões (por exemplo os “The Black Keys”), no entanto, a grande maioria continuam no desconhecimento do comum dos mortais…
Ao longo dos tempos, o Blogville tem dado a conhecer muita dessas bandas através de posts do youtube, mas já que estamos em celebração decidi fazer uma playlist com um resumo das grandes malhas que temos tido a sorte de compartilhar.
Indie Playlist: grandes malhas By Carlos Rafael
Colectânea em actualização constante.
Uma pequena mostra do que podemos encontrar nesta colecção de pérolas:
The Drums | I Hope Time Doesn't Change Him
Reggie Wats covers Van Halen's Panama | AV Club
No | So Scared | Sofar Los Angeles
Telekinesis | Please Ask for help
The Polyphonic Spree | Hold Yourself Up
Num acto de grande generosidade, o post do Rafael inclui uma lista de 100 clips acessível a todos e que recomendo vivamente. Quem gosta de música alternativa tem muito para aprender, tem muito para apreciar, nesta playlist.
Congrats Blogville
Dez Anos de Liberdade… a verdade é que nenhum subtítulo poderia descrever melhor este fantástico blog. Dez anos passaram e posso assegurar que, salvo raras exceções, não deixei passar mais que uma semana sem vir verificar os posts do meu grande amigo. Os temas abordados têm sido os mais diversos, desde a política, à matemática, à economia e cultura, mas acho que posso considerar (e até com algum orgulho), de ter contribuído para um em específico.
Aproveito pois esta efeméride para escrever algo sobre essa paixão que nos une: A Música…
Não abdicando das minhas preferências musicais, que terão sempre que incluir os géneros Rock, Pop, Indie, Alternativa e Eletrónica (não obrigatoriamente nesta ordem), tenho dedicado algum tempo à tentativa de descobrir bandas menos comerciais. É certo que durante esta minha pesquisa, e no decorrer dos anos, muitas delas acabaram por se tornar bandas de referência, e até capazes de encher pavilhões (por exemplo os “The Black Keys”), no entanto, a grande maioria continuam no desconhecimento do comum dos mortais…
Ao longo dos tempos, o Blogville tem dado a conhecer muita dessas bandas através de posts do youtube, mas já que estamos em celebração decidi fazer uma playlist com um resumo das grandes malhas que temos tido a sorte de compartilhar.
Indie Playlist: grandes malhas By Carlos Rafael
Colectânea em actualização constante.
Uma pequena mostra do que podemos encontrar nesta colecção de pérolas:
The Drums | I Hope Time Doesn't Change Him
Reggie Wats covers Van Halen's Panama | AV Club
No | So Scared | Sofar Los Angeles
Telekinesis | Please Ask for help
The Polyphonic Spree | Hold Yourself Up
quinta-feira, novembro 13, 2014
Razões que nos levam longe.
Com o humor e a vivacidade que lhe são de natureza, Bill Nye explica algumas das razões que levaram um punhado de cientistas a trabalhar durante 20 anos para fazer chegar uma sonda à superfície de um cometa.
What cities would look like if lit only by the stars.
O que há de belo num rochedo.
Nem tudo correu bem com a sonda Philae, que tendo conseguido acopular no 67P, não está convenientemente ancorada. Por causa da fraca força gravítica do cometa, a sonda pode muito bem soltar-se e ficar à deriva no espaço sideral, caso a equipa da ESA não consiga resolver o problema. Mas nem que seja pelas imagens absolutamente operáticas que a missão nos tem oferecido nas últimas horas, já terá valido a pena o esforço monumental.
quarta-feira, novembro 12, 2014
Como aterrar num predragulho cósmico.
Pela primeira vez na história da conquista espacial, uma sonda vai aterrar na superfície de um cometa. Depois de percorrer mais de seis mil milhões de quilómetros, a Rosetta está prestes a "largar" o módulo Philae no grande calhau 67P/Churyumov-Gerasimenko. Um sonho muitas vezes repetido em obras de ficção científica sofre assim o duro teste da realidade, dentro de uma hora.
Rosetta launched in 2004 and arrived at Comet 67P/Churyumov-Gerasimenko on 6 August 2014. It is the first mission in history to rendezvous with a comet, escort it as it orbits the Sun, and deploy a lander to its surface. Rosetta is an ESA mission with contributions from its member states and NASA. Rosetta's Philae lander is provided by a consortium led by DLR, MPS, CNES and ASI.
O cometa 67P tem várias características sensuais: transpira com o calor do sol, cheira muito mal (a ovos podres, literalmente) e canta uma estranha canção, que podemos ouvir, amplificada para o espectro do ouvido humano, aqui:
Para além das importantes oportunidades de conhecimento científico que vai proporcionar, esta missão é um pequeno mas significativo passo na direcção de um futuro de plena operacionalidade da tecnologia humana no âmbito do Sistema Solar. Caso tudo corra bem, claro.
Mais informações aqui.
terça-feira, novembro 11, 2014
Um perigo, claro e presente.
A propósito do excelente artigo que Fernando Martins publicou hoje no Observador, sobre os recentes acontecimentos na Catalunha, devo dizer que me parece preocupante a leviandade com que encaramos em Portugal uma possivel secessão catalã.
A independência da Catalunha é um cenário assustador para a Península Ibérica porque pode contribuir para a desintegração do estado espanhol. E como Castela, sózinha, não é forte no contexto ibérico (como, por exemplo, a Inglaterra o é no contexto britânico), o caos instalar-se-á muito rapidamente.
Na eventualidade de uma secessão catalã, podemos esperar movimentações mais ou menos virulentas por parte de outras forças independentistas. No caso óbvio do País Basco, há que ter em conta que este se estende ao lado francês dos Pirinéus, o que pode complicar muito o evoluir dos acontecimentos.
Mas o mais preocupante para nós, portugueses, é que é precisamente um estado espanhol forte e uma Espanha unificada que têm contribuído, mais do que qualquer outra variável, para fixar as nossas velhas fronteiras. No bordel inimaginável de uma Península Ibérica de pequenos estados-nação, Portugal teria que enfrentar, mais tarde ou mais cedo, ameaças à sua integridade territorial, algo que não acontece há muito, muito tempo. Infelizmente a história tem tendência a repetir-se, independente-
mente dos séculos que passam.
Há aqui um perigo, claro e presente.
A independência da Catalunha é um cenário assustador para a Península Ibérica porque pode contribuir para a desintegração do estado espanhol. E como Castela, sózinha, não é forte no contexto ibérico (como, por exemplo, a Inglaterra o é no contexto britânico), o caos instalar-se-á muito rapidamente.
Na eventualidade de uma secessão catalã, podemos esperar movimentações mais ou menos virulentas por parte de outras forças independentistas. No caso óbvio do País Basco, há que ter em conta que este se estende ao lado francês dos Pirinéus, o que pode complicar muito o evoluir dos acontecimentos.
Mas o mais preocupante para nós, portugueses, é que é precisamente um estado espanhol forte e uma Espanha unificada que têm contribuído, mais do que qualquer outra variável, para fixar as nossas velhas fronteiras. No bordel inimaginável de uma Península Ibérica de pequenos estados-nação, Portugal teria que enfrentar, mais tarde ou mais cedo, ameaças à sua integridade territorial, algo que não acontece há muito, muito tempo. Infelizmente a história tem tendência a repetir-se, independente-
mente dos séculos que passam.
Há aqui um perigo, claro e presente.
segunda-feira, novembro 10, 2014
Pouco a pouco, chegam ao topo.
Courteeners | How good it was
O último disco dos Courteeners, Concrete Love, é a afirmação de uma banda excepcional. Que só vai parar no olimpo do Rock. E Liam Fray, o protagonista, bem que merece o estatuto de rock star. Tem tudo o que é preciso: muito talento, bom aspecto e absoluta determinação. Vai ser difícil parar este som.
domingo, novembro 02, 2014
sábado, novembro 01, 2014
Manhattan, ou o fim da inocência.
Um dos grandes momentos da televisão contemporânea, na minha mais que modestíssima opinião, é isto aqui. Até porque prova que uma pequena produtora, com um pequeno orçamento, pode ser capaz de materializar uma ambição inacreditável: a de criar uma telenovela sobre o projecto Manhattan, a coisa mais classificada - e maldita - da história da ciência. Não estou a exagerar: basta pensarmos que o governo americano conseguiu colocar, com algum sucesso e durante 4 anos, uma boa parte dos seus cientistas mais proeminentes (e respectivas famílias) num pequeno perímetro em Los Alamos, a trabalhar numa arma do apocalipse sem que ninguém desse por isso (bom, mais ou menos).
A história da feitura da bomba atómica supera em irrealidade qualquer conto de ficção científica e é claro que a produção da WGN se preocupa mais com os valores da audiência do que com a realidade histórica, mas ainda assim, concretiza-se um drama intenso e pungente, bem projectado por uma notável direcção de actores.
A certa altura, pergunta-se a uma das heroínas da estória: acreditas em Deus? E ela diz: "claro que acredito em Deus. Até o conheci pessoalmente. Chama-se Niels Bohr." Neste momento, qualquer pessoa que goste minimamente de televisão (seja ela televisionada ou não), qualquer pessoa que goste minimamente de ciência, não vai por certo perder o episódio que vem a seguir. Afinal, estes são os personagens que acabaram de vez com a inocência humana.
Muito provavelmente, esta vai ser uma série de uma temporada apenas, mas não faz mal. Porque esta temporada apenas valeu por anos luz.
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