sábado, fevereiro 25, 2012

Rocketville #3 - Projecto Daedalus.


O Projeto Daedalus foi o primeiro estudo credível de viabilidade para uma missão interestelar, usando recursos da década de 1970 e projecções sobre a tecnologia existente no final do Século XX.
Um dos principais objetivos era simplesmente o de estabelecer se o voo interestelar poderia ser realizado. A conclusão foi de que era possível, mas que seria muito difícil e oneroso.
O potencial da fusão nuclear como um mecanismo de propulsão que permitiria o voo interestelar tem sido reconhecido desde a primeira metade do século XX. A ideia foi proposta inicialmente em 1947, por Stanislaw Ulam, um astrofísico de Los Alamos. No seguimento das propostas de Ulam, Ted Taylor iniciou o projeto Orion em 1958.
Pouco mais de uma década mais tarde, Alan Bond, da Sociedade Interplanetária Britânica acreditava que era o momento certo para investigar a viabilidade da fusão para uma missão interestelar. Ele discutiu a ideia com outros membros da sociedade e o projeto Daedalus nasceu.


O Projeto Daedalus durou pouco mais de 5 anos - de 10 de Janeiro de 1973 a 15 de Maio de 1978. Foram investidas aproximadamente 100.000 horas de trabalho, num projecto que integrou 13 designers principais e dezenas de consultores científicos.
O coração do Daedalus era constituído pelo propulsor de fusão nuclear, no qual pequenas ampolas de combustível seriam injectadas a alta velocidade numa câmara de reacção e inflamadas por feixes de electrões de alta energia. Conceptualmente, a ideia não é muito diferente de um motor de combustão interna de injecção electrónica convencional, em que pequenas gotas de gasolina são injetadas numa câmara de combustão e inflamadas.
Os produtos resultantes da fusão na câmara de reacção seriam canalizados axialmente para a retaguarda do veículo principal por um número de bobinas de campo, que actuavam como um catalisador magnético. Este material ejectado seria responsável pelo impulso geral do veículo.


Daedalus seria construída em órbita e teria uma massa inicial de 54 mil toneladas. Foi projectada para ser uma nave de dois estágios, com a primeira fase transportando 46 mil toneladas de combustível e a segunda fase transportando 4 mil toneladas. Após uma fase de impulso total de quase quatro anos, o engenho iria alcançar a velocidade máxima de 12,2% da velocidade da luz para atingir o seu objectivo (estrela de Barnard, localizada a cerca de seis anos-luz de distância da Terra) cinquenta anos depois.
Daedalus foi desenhada como uma sonda não tripulada e iria permanecer no sistema solar de Barnard durante um período de tempo relativamente curto (cerca de dois dias, o suficiente para atravessar todo sistema), durante o qual iria reunir dados científicos importantes.


Uma das características notáveis do projeto Daedalus foi o uso de Hélio 3 em ampolas de combustível. O Hélio 3 é um dos combustíveis mais difíceis de inflamar, já que exige uma temperatura de ignição superior, quando comparado a outros combustíveis de fusão. No entanto, a sua libertação de energia é uma dos mais elevadas entre os diversos combustíveis de fusão, proporcionando assim um maior impulso.







Fontes: Wikipedia | Discovery News | The Atlantic

O rosto da conspiração.


Há um livro maldito e alegremente ignorado que se chama "Uma Conspiração de Estúpidos" (só o título merece um prémio Nobel, porque não há melhor definição da humanidade). Este livro, posso dizer isto com algum amor à verdade, custou a vida ao seu autor, John Kennedy Toole, que, cansado das rejeições das editoras, decidiu suicidar-se e foi a sua mãe, 11 anos depois da morte do filho, que conseguiu publicar o romance, que é bastante genial e que acabou por ganhar o Pulitzer Prize de 1981.
Isto tudo para dizer que finalmente dei de caras com o Ignatius J. Reilly, o protagonista da Conspiração. É este gajo na foto, que veio direitinha de um blog do outro mundo, que se dedica muito simplesmente a materializar os rostos de personagens célebres da literatura, através de recursos tecnológicos de inspiração forense. Agora não me digam, por favor, que a tecnologia é fútil. Se serve para isto, é gloriosa.

Um pássaro na gaiola virtual.


The Walls | Bird in a Cage

"The band are not present but are projected onto a screen. The Walls perform 'Bird in a Cage' from their forthcoming album 'Stop the Lights' at the Temple House Festival, Sligo in Sept. 2010. They've developed a two-man show that ingeniously features the full band without the actual musicians being present. It means they can do shows abroad where the budget doesn't allow for bringing the extra personnel. This is one of the first few gigs they've performed this way and they hope to travel to the US and Europe with it next year. The new album is a multi-layered affair, less guitar-based than their previous work, but featuring lots of synths, brass, mandolin and of course guitars. So performing this way means they can still showcase the songs as they are meant to be heard and the audience still get to see all the musicians involved. Not all the songs are performed like this. Some are stripped down to vocals, guitars or keyboards and percussion but there are always interesting visuals as well. According to Joe the show is 'an ongoing work in progress where the only limits are your imagination'.
'Bird in a Cage' is an autobiographical story of growing up in Dublin and moving to the west of Ireland as a young boy and the apprehension and finally the happiness that the experience brings."


Fonte: 101 Watts

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

A natureza da besta.

Escrito durante a leitura d'O Retorno, de Dulce Maria Cardoso.

Eu devo ser um monstro.
Devo ser um monstro ignorante, é o que é.
Eu devo ser um ogre, como o outro,
Devo não ser daqui,
Devo ser de um exo-planeta qualquer
Que dista milhões de anos-trevas daqui.
Eu devo ser estúpido ou, pelo menos,
Surdo de inteligência.

Eu devo ser um monstro, sim,
Um alienígena que não pode ligar para casa,
Um exilado de lado nenhum,
Um retornado sem África.
Sim, sim, eu sou o gajo que no dia da independência de Angola ficou apátrida.
Eu que nunca estive em Angola, que até odeio Angola,
Que até detesto angolanos, não por serem pretos,
Mas por serem angolanos,
Fiquei desprovido de um país, nesse dia.

Devo ser um refugiado da Cidade de Deus;
Ninguém me ia querer lá, na cidade perfeita,
Espiritual, pan-utópica de Santo Agostinho.
Ou melhor: eu não me quero nessa cidade;
Porque sou eu que sou um monstro e não os outros
Santos como Santo Agostinho,
Que não são da mesma espécie que eu,
Que não são da mesma ordem do ser:
Eu sou de outra ordem. Sou esquisito,
Sou de alma disforme, sou de estranhar.

Eu devo ser um monstro daqueles que assustam as crianças,
Daqueles que se escondem nos armários das crianças
Ou debaixo da cama delas.
Eu devo ser daquele tipo de monstros
De que os guionistas de Hollywood parecem gostar,
Se bem que gostam tanto deles porque é tudo treta e ficção
- Na realidade ninguém gosta desses monstros e o que é mais,
Monstros como eu não gostam lá muito deles próprios,
Principalmente porque cheiram mal do karma;
Principalmente porque têm mau hálito no pensamento
E não levam jeito para os negócios.

Eu devo ser mesmo uma besta vinda directamente de um lugar remoto
Do espaço-tempo porque, para além de achar que não sou deste lugar,
Também suspeito que não sou deste tempo.
Não sou deste tempo dos maricas que adoptam crianças.
Não sou deste tempo das crianças que não se sabem comportar.
Não sou deste tempo em que mentir é o mesmo que dizer a verdade.
Não sou deste tempo em que o telejornal sabe a verdade absoluta
E não sou deste tempo em que os cientistas já desistiram da verdade absoluta
E não sou deste tempo em que já não tem piada anunciar a morte de Deus
(Como a piada que tinha Nietzsche)
E não sou deste tempo em que ninguém acredita em nada a não ser
Nos seus direitos adquiridos.
Como se o simples facto de nascer,
Como se o simples facto de existir
Fosse suficiente para ter direitos.
Como se o simples facto de ter um direito a um dado momento,
Seja prova de que esse direito vai permanecer eternamente a partir daí,
Divino e imutável,
Como se fosse evidente que no cosmos há uma lei
Que nega a mutação do pensamento político
E do circunstancialismo económico e do contexto social.

Eu devo ser um monstro porque aqui, agora, não me sinto em casa,
Não me sinto em paz,
Não sinto que sou daqui, do Porto
Como nunca senti que fosse daí, de Lisboa,
Como nunca senti que fosse de qualquer tempo ou lugar em especial.

Platão diria que eu devo ser algo,
Kant diria que eu tenho que ser algo, 
São Tomás de Aquino diria que eu acredito que sou algo
E o francês que não sabia o que estava a dizer
Diria que eu julgo que sou alguém porque penso nisso
E para cúmulo da idiotia, Aristóteles achava que eu seguramente existo
Só porque sou movimento, e logo, consequência de qualquer coisa
Que existiu antes de mim.
Ora merda.
Eu não sou nada, não devo ser nada, não tenho que ser nada,
Não tenho que acreditar que sou alguma coisa,
E nem por isso é o meu movimento escasso
A causa de consequências que me transcendem para que a vida faça sentido.
Não é preciso ser filósofo para perceber que a vida não faz sentido nenhum.
Pelo menos para mim, que sou um monstro,
Que sempre fui um monstro,
Que sempre serei um monstro,
O monstro.
Monstro.

Gosto desta palavra.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Tão bonito que não precisa de vídeo.



Heartless Bastards | Only For You

GJ1214b: àgua em estado líquido, a 230º centígrados.


Esta é uma representação artística do GJ1214b, uma super-Terra que orbita uma estrela anã vermelha a 40 anos-luz da Terra. As recentes observações do telescópio espacial Hubble demonstram que se trata de um planeta constituído essencialmente por água e envolto numa atmosfera extremamente densa e húmida. As elevadas temperaturas e as elevadas pressões podem formar materiais exóticos como "gelo quente" e "água superfluída". Mais pequeno que Urano e maior que a Terra, O GJ1214b apresenta-se assim como um novo tipo de mundo, completamente diferente dos planetas do nosso sistema solar e de todos os exo-planetas conhecidos até agora.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Carreira 28


POR ARTUR PAIXÃO


Carreira 28. Campo de Ourique / Martim Moniz. Viagem de marcante sabor turístico, muito aprazível, percorrendo, ronceiramente, a Estrela com a sua mui digna catedral, cruza o Chiado, desce ao centro da baixa Pombalina, sobe até à Sé, roça a feira da Ladra e o casario de Alfama, empina-se até a Graça após o que desce os Anjos para desembocar na Almirante Reis e tranquiliza-se, por fim, no Martim Moniz para retornar pela mesma via ao ponto de partida,
Não há outra carreira que proporcione lugares tão fascinantes de Lisboa.
Espreito pela janela a que me encosto os pequenos grandes detalhes do percurso descobrindo novos aspectos que aqui e ali antes se me haviam escapado.
- Dá-me licença? O sujeito acomoda-se a meu lado no único banco disponível, pequenote, sessenta e tal anos, descarnado, com um tufo de cabelos grisalhos na meia calva.
- Uma viagem muito agradável esta, não acha? Faço-a todos os santos dias e não me canso nunca, a caminho do meu maldito psiquiatra. E a verdade é que sempre se descobrem coisas novas pelo mesmo caminho, novidades nas coisas por onde se havia passado sem que as tivéssemos topado.
- É verdade. Também acontece comigo.
- O que me falta ultimamente nestas viagens é a companhia da Greta Garbo ou da Grace, aquela deliciosa senhora do Mónico, que se espatifou com a caranguejola precipício abaixo, lembra-se?
- Desculpe mas a Greta não deve ser do seu tempo e não me perece provável que a adorável princesa Grace pudesse viajar consigo na 28. Estão ambas fora do seu tempo e realidade
- A Kim Novak , uma mulher espantosa, disse-me exactamente o mesmo, docemente encostada toda aquela sumptuosidade no meu ombro, mas como discordar daquela opulência? Porque sabe? Não se trata duma questão de realidade ou tempo mas mais precisamente de colagens às coisas do espírito. O meu psiquiatra é precisamente da mesma opinião. Diz-me que recebe com frequência a Monroe e o Stalone e outros notáveis presentes e passados em perfeita sintonia quanto à sua competência nesta difícil ciência. Claro que vejo na sua evidente complexidade de discordância senão de arrogância um sinal tão evidente como a exibição dessa agressiva gravata dum encarnado intolerável em contraponto com a garridice da minha camisola verde.
- Talvez deva mudar de psiquiatra…
- Claro que não e essa observação foge à questão dado que o doutor é um ferrenho simpatizante do Belenenses e precisa, coitado, do meu apoio. O amigo é, evidentemente do Benfica eu do Sporting, esse grande pilar do desporto nacional o que, de há muito tempo a esta parte me arrasta para o homem do Belenenses, derreado por uma depressão prolongada porque se as coisas não mudam em Alvalade e depressa, afundo-me num problema sem saída.
- Essas coisas da Greta, da Grace, da Kim Novak e outras que tais mais do seu assistente psiquiátrico não fazem sentido.
- Tem razão com certeza. Diga-me, onde está o Belenenses? Onde pára o Sporting, esse desgraçado grémio falido a quem como que religiosamente contribuo com a minha quota mensal sabe Deus com que sacrifício para me remeter afinal para um achincalhante motivo de troça permanente? E os senhores de sorriso aberto, escarninho, inchados como patos ao vento. Ainda ontem, trocando impressões com o filho do meu grande amigo Kirk Douglas, chegámos à conclusão que há que fazer tábua rasa deste inadmissível desclassificado e escarnecidosportinguismo, e começar do zero nem quem seja nos distritais.
- Não é caso para isso. Não desespere. Haja esperança homem. São ciclos.
- Esse é o tipo de conversa que tive com o Obama que é primo afastado do Hulk. Não vou nessa e ele também me pareceu apreensivo e que de momento o Partido Republicano proibe-o de tentar reunir fundos para reabilitar uma entidade falida. Tanto mais que até o José Eduardo dos Santos, de mãos dadas com o BCP, não querem nem ouvir falar do assunto, muito menos o estafermo da Merkel.
- Pois meu amigo, a situação está preta. Chegamos ao fim da linha. Mas se isso o ajuda a verdade a que a minha gravata encarnada é um pretexto para não me chatearem. É que na verdade sou um sportinguista de pequenino, de raiz.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Kepler: um ano e meio de descobertas.



Estes são os sistemas solares com mais de um planeta em trânsito que foram descobertos até agora pelo observatório espacial Kepler, que constitui a primeira missão da NASA destinada a encontrar exo-planetas. As dimensões relativas das órbitas e dos planetas estão correctas.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Rocketville #2 - A visão de Hergé.


Editados em 1953 e 54, os dois volumes da Série Tintin consagrados à viagem à Lua são um clássico da BD. Considerando a época em que foi criado, o célebre foguetão foi muito bem concebido e revela a preocupação de Hergé em respeitar parâmetros tecnológicos credíveis.


O motor principal é aparentemente um propulsor termo-nuclear contínuo do estilo NERVA, abastecido com plutónio. O local de lançamento integra um reactor que produz o combustível. A nave desloca e aterra com um foguete químico auxiliar abastecido por ácido nítrico e anilina, de forma a impedir a contaminação do solo na Terra e na Lua. Todos os procedimentos de lançamento e acoplagem são tecnicamente correctos.


Em toda a aventura existe apenas um erro técnico: os astronautas deitam-se nos seus beliches de aceleração de barriga para baixo, posição que é a pior possível para o efeito. Este erro deveu-se muito provavelmente a um equívoco de interpretação do diagrama do foguetão lunar de Von Braun. Nesse diagrama, os membros da tripulação que controlam os monitores de navegação estão de facto deitados de barriga para baixo. Mas os astronautas que se encontram nas estações de aceleração estão deitados de barriga para cima.




HERGÉ ROCKET

1. Radio and radar aerial
2. Reserve tanks
3. Control cabin
4. Living quarters
5. Stores
6. Storage tanks, air, water, etc.
7. Auxiliary engine propellant tanks
8. Air lock and storage compartments
9. Vehicle and storage deck
10. Anti-radiation shield
11. Motors
12. Exhaust nozzle
13. Stabilizing fins
14. Landing-support fairing
15. Shock absorbers
2. AIR-LOCKS
16. Passenger air-lock
17. Protective-clothing room
18. Cargo-loading air-lock
19. Air-lock control room
3. CONTROL CABIN
20. Control desk
21. Air-refrigeration plant
22. Work table
23. Observation equipment
24. Laboratory
4. LIVING QUARTERS
25. Electric cooker
26. Refrigerator
27. Air purifier
28. Bunks
29. Lockers



Fontes: Atomic Rockets | Spaceship Handbook

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sangue no frigorífico.



Não há males que durem para sempre. É verdade. Por exemplo, parece que a produção televisiva e cinematográfica dos países escandinavos está a mudar. Para melhor. Em vez da lenta esquizofrenia inspirada pelos strindbergs e alimentada pelos bergmans deste mundo, que durou décadas e mais décadas de sonolência neo-realista (e cujo único resultado positivo foi o cinema de Lars Von Trier), o que nos chega agora do frio são obras que se fundamentam na qualidade técnica, na intensidade dramática, no ritmo da narrativa e na profundidade arquitectural dos personagens. No cinema e na televisão, bombam por estes dias produtos-primos de uma nova visão do audio-visual que vem do frio. E que congela em definitivo, se bem que tardiamente, a nefasta influência socialistóide dos eruditos de algibeira de uma Europa de outros tempos.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Obra prima da semana.



Isto aqui é tão pop que só dura uma semana. Mas, talvez por isso ou ainda porém, é belo, na sua muito própria superfície das coisas. Senão vejamos:

I can barely look at you, don't tell me who you lost it to
Didn't we say we had a deal, didn't I say how bad I'd feel?
Everyone needs a helping hand, who said I would not understand?
Someone up the social scale for when you're going off the rails have

Post break-up sex that helps you forget your ex
What did you expect from post break-up sex

Leave it 'till the guilt consumes, I found you in the nearest room
All our friends were unaware, most had just passed out downstairs
To think I'd hoped you'd be ok, no I can't think of what to say
Maybe I misunderstood but I can't believe you're feeling good from

Post break-up sex that helps you forget your ex
What did you expect from post break-up sex

When you love somebody but you find someone
And it all unravels and it comes undone

Post break-up sex that helps you forget your ex
What did you expect from post break-up sex

Post break-up sex that helps you forget your ex
What did you expect from post break-up sex


The Vaccines | Post Break-up Sex

sábado, janeiro 14, 2012

Rocketville #1 - A visão de Wernher Von Braun.



Esta é a nave que, em 1952, Von Braun projectou para levar o homem à Lua. Propulsionado por 30 reactores, o engenho é enorme (ligeiramente mais alto que a estátua da liberdade), comparado com o módulo lunar "Eagle" que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin até à superfície da Lua a 20 de Julho de 1969.


Esboço original de W. Von Braun


Os motores estão localizados nas duas esferas inferiores enquanto a esfera superior funciona como cápsula habitacional de cinco andares para a tripulação, com cockpit, laboratório, observatório e dormitório. Por baixo desta esfera, montados sobre uma plataforma giratória que permite a rotação de 360 graus da cápsula, estão os braços de acoplagem.
A Nave integra 18 tanques que armazenam 800 mil galões de Hidrazina - combustível que é ainda hoje usado como propulsor de satélites. Mais de metade destes tanques são ejectados depois do lançamento, efectuado numa estação orbital.
A navegação seria realizada através de giroscópios gigantes ("control moment gyros"), ao contrário do método utilizado posteriormente pela NASA ("reaction control thrusters").

Von Braun concebeu este projecto (e mais outros 35) para um conjunto de artigos em que estava a trabalhar para a revista Collier's, entitulado "“Man Will Conquer Space Soon!”, onde previa para breve uma viagem tripulada até à Lua.


Ilustração de Fred Freeman


Deck 1: Control Deck. Workstations for Captain, Pilot, Flight Engineer, and Radio Operator. Telescope in the center is for taking navigational sightings through the iris-shuttered astrodome. Note ladderway on the right.
Deck 2: Navigation Deck. The large table is the chart recorder. An analog device indicates the spacecraft's current position, which can be compared to the planned position printed on the chart. On the right is the auxiliary astrodome and telescope/tracking camera. On the left is the shower, placed here due to lack of any other place to put it.
Deck 3: Crew Deck. The normal crew complement is 30, but the quarters has contour chairs for 60 in case another spacecraft in the expedition has a catastrophic failure. The spare chairs are folded up on the walls and stanchions. To the right is the ship's mess and kitchen.
Deck 4: Storage Deck. General storage. Also contains the main electrical distribution panel. The toilet is also located here (but isn't shown).
Deck 5: Consumables Deck. Oxygen, drinking water, grey water.
Deck 6: Main air lock.




Fontes: Atomic Rockets | Astronautix

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Histórias da NFL.

Uma das dez mil razões que justificam a minha paixão pela NFL é que esta liga produz histórias incríveis ao mesmo ritmo que os quarterbacks lançam para touchdown.
A temporada 2011/2012 foi, no que concerne a esta prodigiosa capacidade de gerar rábulas, absolutamente fenomenal. Por agora deixo aqui uma, que é a mais eloquente, mas, calhando, outras se seguirão.


O ESTRANHO CASO DE TIM TEBOW, O ANTI-QUARTERBACK.

Numa liga que é cada vez mais a liga dos quarterbacks e cada vez menos a liga dos running backs (leia-se: passa-se mais a bola do que se corre com ela), o novo grande herói americano tinha todas as hipóteses de falhar a sua primeira época a titular. Tanto mais que não começou a titular. Os Denver Broncos iniciaram a época com Kyle Orton no lugar de maestro, mas com um registo de quatro derrotas para uma vitória apenas, mandaram Kyle Orton para a orquestra de Kansas City e deram a Tim uma oportunidade de mostrar o seu jogo. Ora, acontece que Tim Tebow não gosta nada de passar a bola. Prefere mil vezes correr com ela. E sempre que tem de passá-la, o gesto técnico não é assim muito bonito, é esforçado, é contra-natura e a bola sai-lhe das mãos com uma trajectória de parafuso assimétrico de tal forma errática que parece sempre chegar ao seu destino como por milagre. Mas se os wide receivers não vão nunca fazer grandes números numa equipa com Tim Tebow a quarterback, o mesmo se pode dizer dos running backs. É que o rapaz acredita em correr com a bola, desde que seja ele a fazê-lo. A título ilustrativo desta tendência para o protagonismo, a ESPN passa inúmeras vezes um segmento em que, entre duas jogadas, um Tebow muito zangado dirige-se ao banco e esclarece, aos berros, a sua equipa técnica de que só há ali um gajo que corre com a bola: ele.
É assim fácil perceber porque é que muita gente desconfiava que Timothy Richard Tebow não iria fazer muitos amigos na NFL. E que a maior parte dos críticos condenava o homem ao fracasso total. Ora o que aconteceu foi precisamente o contrário. Contra tudo e contra todos, invertendo o recorde negativo dos broncos de 1-4 para 8-5 nos seus primeiros 8 jogos na NFL e contribuindo decisivamente para o apuramento dos Denver Broncos para os play-offs, algo que já não acontecia há uns anos largos, o vencedor do Heisman Trophy de 2006 (que distingue anualmente o melhor jogador de futebol universitário) tornou-se rapidamente na maior atracção da NFL, fazendo subir as audiências a novos recordes e criando, em tempo real, a "Mile High Magic" (referência à altitude da cidade de Denver e à magia de Tebow).
Tim Tebow é um atleta extraordinário e nem seria de esperar outra coisa de um quarterback que não receia correr para cima de linebackers que pesam cento e cinquenta quilos. Mas acima de tudo, são as suas qualidades humanas que o elevam às alturas do mito vivo. Competitivo como ninguém e corajoso até à insanidade (no liceu, jogou 15 minutos com uma fractura na tíbia, tendo corrido nesse período 54 jardas para um touchdown), devoto acólito da igreja do seu pai e líder nato, o rapazinho parece ter um talento único para congregar as equipas em torno de um objectivo, que é vencer, mesmo que isso implique o sacrifício das estatísticas, das convenções tácticas e da simples beleza do jogo pelo ar.
Os Denver Broncos terminaram a época regular em apuros, perdendo os três últimos jogos, nos quais Tebow se mostrou absolutamente incapaz de lançar a bola ou construir o mais débil fio de jogo. No último jogo aconteceu uma outra história dentro desta história. Os Broncos recebiam os Chiefs (precisamente o franchise para onde tinha sido enviado Kyle Orton) e precisavam de ganhar para garantir a passagem aos playoffs sem ficar à espera que outras equipas "dessem um jeitinho". Porém, Kyle Orton jogava aqui a sua honra e, perante um adversário totalmente desinspirado, os Kansas Chiefs humilharam a cidade de Denver e deixaram nas mãos dos Oakland Raiders o sucesso ou insucesso da temporada de Tim Tebow. Foi precisamente nessa altura que os deuses decidiram intervir: Oakland perdeu o último jogo da época e abriu assim as portas a Denver, que, com um dúbio recorde de oito vitórias e oito derrotas conseguia ainda assim permanecer na prova.



Por esta altura, já ninguém no seu perfeito juízo acreditava que Tim Tebow e companhia poderiam constituir uma séria ameaça aos Pittsburgh Steelers - eternos favoritos da NFL - que se deslocavam a Denver com a disposição de quem tem que cumprir um mero formalismo. Ora acontece que um ressuscitado Tebow lançou perto de 400 jardas e dois touchdowns de se lhe tirar o chapéu, correu para mais outro touchdown e eliminou os Steelers com uma limpeza arrepiante (e uma ajudinha grande da sua impecável linha defensiva). No vídeo em cima, está a primeira e única jogada do prolongamento (os Steelers são os Steelers e mesmo um Ben Rothliesberger lesionado obrigou os Broncos ao esforço extra), em que Tebow, num momento de suprema ironia, lança a bola para um incrível touchdown de 80 jardas, calando todas os críticos e assegurando em 8 segundos um lugar na posteridade.
Os Denver Broncos estão agora nas meias-finais da sua conferência, deslocando-se no próximo fim-de-semana a Boston, para enfrentar os mais que temíveis New England Patriots de Tom Brady, provavelmente um dos três melhores quarterbacks da história da NFL. Mas tudo é possível. O importante, segundo Tim Tebow, é acreditar. Acreditar em Deus, acreditar na vitória, acreditar na magia. E eu, que sou ateu por filosofia e que sou céptico por natureza, acredito nos Denver Broncos.


segunda-feira, janeiro 09, 2012

Mathew White e a estatística de tudo.

"Matar uma pessoa é o máximo que se pode fazer-lhe."

Matthew White. Este homem é qualquer coisa. Estatístico e bibliotecário, decidiu inventar uma nova maneira de interpretar a história, oferecendo uma visão brilhante do percurso humano que é suportada apenas pelos factos. Este magnífico livrinho aqui, por exemplo, dedica-se à grave tarefa de contar cadáveres. É de gargalhada, porque Matthew White mantém o seu fino sentido de humor na trincheira das piores chacinas, mas é sobretudo esclarecedor porque os números não são equívocos, mesmo quando derivam de simples estimativas.
Ao contrário do que supomos, as guerras entre estados têm matado menos gente do que as que são travadas por hordas tribais, falanges nacionalistas, milícias de mercenários, bandos de bandidos, colunas de bárbaros, legiões de escravos, esquadrões revolucionários ou exércitos confederados. Ao contrário do que supomos, o caos é pior que a tirania: os maiores genocídios da história tendem a resultar mais da quebra de autoridade do que do exercício de autoridade. Ao contrário do que supomos, o mundo político foi e é extremamente desorganizado. As estruturas de poder tendem a ser informais e temporárias. Muitos dos protagonistas deste livro, homens como Estaline, Cromwell, Tamerlão, César ou Aníbal, exerceram a autoridade suprema sem deterem um cargo formal no governo. A maior parte das guerras não se iniciam de forma clara, com declaração e mobilização (ou o inverso) e não terminam com rendições e tratados. Os soldados e as nações mudam, sem qualquer problema, de lado a meio das guerras. Por vezes, até a meio das batalhas. Ao contrário do que supomos, a guerra mata mais civis do que militares e o soldado tem, geralmente, a profissão mais segura que se pode ter em tempos de guerra. Ao contrário do que supomos, a grande parte dos maiores criminosos da história morrem pacificamente, de velhice. Ao contrário do que supomos, a violência genocida é o maior motor da história e podemos afirmar calmamente, perante a mais erudita assembleia de sábios, que a mais importante figura do Século XX foi um assassino de massas, mesmo quando assassinou apenas uma pessoa (é o caso de Gavrilo Princip, que, ao enviar para o inferno o Arquiduque Franz Ferdinand, coloca em movimento uma cadeia de acontecimentos que vai gerar cerca de 80 milhões de mortos).
O Grande Livro das Coisas Horríveis é uma pérola e uma poderosa arma intelectual que podemos usar para descontruir por completo o humanismo pegajoso e ingénuo que reina sobre o pensamento e o discurso sócio-político contemporâneo. E também para reforçar uma evidência que já está demonstrada desde a antiguidade clássica (Anaximandro): a destruição é "justa" e necessária, porque está intimamente relacionada com a criação. É necessário que caiam impérios para existirem impérios, e assim sucessivamente até ao fim da literatura, quero dizer, da humanidade.
Mas, muito para além da atrocitologia (a ciência histórica das atrocidades humanas), Matthew White leva o processo estatístico aos 360 graus do horizonte histórico: no seu magnífico portal Historical Atlas of the Twentieth Century o homem reduz - ou amplia - tudo aos números. E estes falam com eloquência sobre o passado e sobre o futuro. Afinal, se a História existe, é para que se aprenda com ela.

domingo, janeiro 08, 2012

Moleskine Power | Da natureza da imagem.


Francis Albert Sinatra

I've Got You Under My Skin | Frank Sinatra | Live at Madison Square Garden | 1974

POR ARTUR PAIXÃO

Meu grande amigo ignorado no teu espaço e no meu tempo, pelo menos desde a minha juventude que ditou uma admiração que permanece, inquebrável, e empatia para todo o sempre. Será um tanto meloso mas não retiro uma vírgula.
Enquanto arrumo estas linhas, tenho em fundo essa voz, confundida no imenso caleidoscópio da elegância com que sempre te exibiste nos palcos do mundo, demasiado pequeno para ti, bem sei, excepto no Porto, onde tiveste de sofrer as agruras da fria nortada daquelas paragens que te lixou o brilho e uns dos teus 20/30 capachinhos, diria de muito bom gosto e indispensáveis para atapetar a mais notável das calvas de pelo menos 50/60 anos de inigualável actividade, por entre uma chusma de medíocres danados por te chegar aos calcanhares. Com algumas excepções que acompanhaste sem vedetismos ou arrogâncias, que dispensavas generosamente. Aliás, era suficiente a tua presença. Única.
Nos meus 80 anos vida, calcula que mantenho religiosamente arrumados pelo menos 60 dos teus - parece que se diz - “long-plays”; eu que tenho grande dificuldade em distinguir o inglês do javanês; aqueles em vinil que podiam servir de tampa a uma terrina de amassada de torresmos, e agora que te revivo diariamente tenho para aí uma sacada duns bons 50 quilos de cassetes e CD´S que não faço ideia de como compartimentar em termos de respeito dado que não disponho de espaço no cubículo em que me arrumo com um quarto, exígua cozinha para trabalhar uma fritura de migas e uma pia medieval para os despejos que adivinhas, por outro lado não é concebível arrecadar parte do teu imenso espólio sob o miserável catre onde alinho, pela noite, os ossos enquanto te oiço até cerrar as pestanas e sendo tão leves, à parte a tua voz, é sempre um testemunho pelo tanto de belo que nos deixaste. Neste exacto momento ouço o dueto com o também inesquecível amigo, o Sammy Davis. Era assim um bocado para o torradinho e vítima dum ligeiro estrabismo que, por sinal, lhe ia muito bem.
Tiveste momentos inesquecíveis com amigalhaços da maior de que não esqueço, por exemplo, o dueto com a tua filha. Uma efeméride que te honrou e constitui uma afirmação de amor filial que te enriqueceu, dado que nesta questão de amores nunca foste constante, pelo menos aos duros que nunca chegaram ao fundo da tua sensibilidade ou jamais te conheceram de facto, personagem à deriva de permanentes solicitações com que foste confrontado sem defesa possível, especialmente após as noitadas de outra galáxia em que te entregaste, antes e depois à embriaguês da Ava Gardner e depois mais esta e aquela e mais outras, não importa se antes ou depois duma copaneira de marca.
Estou certo que agiste sempre a contento com ou sem capachinho. Com ou sem acessórios não se fez o homem que foste. Essa é também a opinião da minha sogra, uma senhora de critica severa muito respeitável.
Diz-se que desfrutaste dum bom empurrão da rapaziada da Máfia e de outros grupelhos de muito má reputação. Mas não importa se os usaste ou foste usado, é perfeitamente irrelevante. Porque no fim, o que fica é a Voz, a história, o grande senhor.
Declarou-se agora que encarnaste um filmezeco pornográfico num desses pasquins ordinários, segundo eco duma biografia não autorizada, de há uma catrefa de anos, em que desempenhavas um viril “O homem da Máscara Negra” por uma miserável retribuição de 70 e poucos dólares numa situação pouco credível de penúria. Esquece. Lembras-te da tua inolvidável interpretação no “Até à Eternidade”? foi mais do que a tua inteira remissão.
Lembro-me que quando da minha juventude também participei numa cena não muito edificante com uma senhora de muito traquejo com uma rabadilha como que movida a pilhas extras fortes que me preparou, com carinhoso profissionalismo, um montão de indecências que não me fazem corar um bocadinho e, antes me marcou para cometimentos que me deram carta de alforria e fez subir a fasquia da minha reputação um bom par de patamares. Tudo a troco de cem paus o minuto.
Estou agora a ouvir-te no “L.A. Is My Lady” em fundo. Segue-se a espantosa mistura com o bom do Jobim sobre a garota de Ipanema, recordas? que bateu no fundo à dureza do calceteiro e do mais empedernido estivador. Fica para a eternidade, garanto-te com a chancela da minha sogra e até do ordinário do meu senhorio.
Também memorável aquela desgarrada com o Tony Bennett.
Apreciei a tua recusa de te fazeres ouvir com aquele palonço do Elton Jones. Subiste muito na minha consideração pela tua indisponibilidade para emparelhares com esse fedelho contra-natura, mesmo tendo sido assegurado que não estaria a menos de 20 metros de distância da tua insigne figura, por providência cautelar. De facto, seria desastroso embarcares na abertura do espectáculo com a balada da bela e do monstro como essa figurinha ridícula sugerira.
Não há espaço para uma referência mais ampla da colossal discografia. Mas não queria deixar uma homenagem sentida àquele miúdo, um tal Robbie Wiliams, pronto para uma porta escancarada para o sucesso, que no circunspecto Albert Hall de Londres, no decurso dum inesquecível serão, apoiado pela magnífica Orquestra Sinfónica de Londres, a certo tempo, iniciou ele próprio o teu espantoso My Way - diz-se aqui, “À Minha Maneira”, rodeado dum friso de garotas do tipo “agarrem-me, por favor segurem-me”, e interrompeu-se de súbito para te projectar num ecrã gigante para terminares a canção por entre um silêncio mágico, comovido, para depois rebentar numa imparável explosão incontida de emoção. Inesquecível! Mora naquele rapaz um respeito muito grande e um seguidor absolutamente fiel.
Devo dizer-te, que nessa mesma linha e saudade, por alguns restos de noite já com uns abafados no saco a caminho de penantes, cantarolo-te, tentando comedidamente gingar à tua maneira inigualável, o que acaba em sérias dificuldades para acertar com a chave da porta e um significativo olhar de reprovação da consorte. Incompreensões, 'tás a ver?
Não é por acaso que alguns estarolas aqui do Bairro me chamavam o Sinatra de faz de conta, agora já não, que perdi o pio.
Os fados não permitiram que ao menos por um fugidio momento nos cruzássemos para te homenagear ao menos com uma taça de Esporão de reserva, um espanto do nosso Alentejo, estendendo-se por uma planície de sonho, de paz e muita bolota, qualquer coisa como um Paraíso meio adormecido que os teus concidadãos de Nova Iorque, cegos de tanto néon, nunca entenderiam mesmo antes de se encharcarem com as suas discretas botijas de Whisky de bolso. Aliás nem saías daqui por uma boa temporada, se te fosse dado degustar um leitão assado na Bairrada, apoiado num espumante de tarar num pequeno lugarejo do nosso jardim à beira mar plantado.
Estou próximo de ti porque por enquanto deves permanecer no Purgatório, na expectativa do julgamento final e aí não se dobram facilmente às brejeirices que te preenchem o canastro. Quando chegar o momento, com essa admirável dicção diz apenas, com humildade - Sou a voz. Não é justo julgar um artista da tua dimensão com o mesmo critério que usarão comigo, um simples funileiro reformado. E proclamar alto e bom som que estou e estarei sempre contigo. Se houver por aí malta do género Count Baisie vamos armar uma festa de estalo contigo.
Por último queria registar um apontamento que me escapou no “Até À Eternidade”, com um desenho sóbrio, brilhante, totalmente em contraponto com a esfuziante coreografia de, por exemplo, “Um dia em Nova Yorque” em que comparticipas com o Geny Kelly, dançando tanto quanto essa também inesquecível figura. Com todo esse talento, encarnavas o que quisesses. Até o Robin dos Bosques, excepto um regresso ao Porto.
Por fim, meu amigo Francis: quando eu também chegar por aí sussurra-me ao ouvido, se não for possível juntar essa flagelada multidão - diz-se por aqui que por aí são pouco dados a permitir o espírito associativo - “Nova Iorque, Nova Iorque”.
Entretanto fico-me, por agora, a reviver-te com o admirável Jobim e a espantosa Garota de Ipanema.

Garota de Ipanema | Frank Sinatra e António Carlos Jobim  | 1967

quinta-feira, janeiro 05, 2012

The Tale of the Tomato Garden.

An old Italian lived alone in New Jersey. He wanted to plant his annual tomato garden, but it was very difficult work, as the ground was so hard. His only son, Vincent, who used to help him, was in prison. The old man wrote a letter to his son and described his predicament:

Dear Vincent,
I am feeling pretty sad, because it looks like I won't be able to plant my tomato garden this year. I'm just getting too old to be digging up a garden plot. I know if you were here my troubles would be over. I know you would be happy to dig the plot for me, like in the old days.
Love, Papa


A few days later he received a letter from his son.

Dear Pop,
Don't dig up that garden. That's where the bodies are buried.
Love, Vinnie


At 4 a.m. the next morning, FBI agents and local police arrived and dug up the entire area without finding any bodies. They apologized to the old man and left. That same day the old man received another letter from his son.

Dear Pop,
Go ahead and plant the tomatoes now. That's the best I could do under the circumstances.
Love you, Vinnie

100 dólares, para começar bem o ano.



Several Woman's magazines
Stacked up on top of a picture of me
When I tried to call
No one answered

It's not even that I'm all angry
Just kind of confused why you do this thing
You said, there's an understanding

I offer you a small dog in the kitchen
I just wanted you to feel at home

And that's why I'm fine
I am fine, I am fine, I am fine
I just need 100 dollars
And I am fine, I am fine, I am completely fine
I just need 100 dollars
From you
And you and you
And you and you

Andy Hull (Manchester Orchestra) | 100 Dollars

Ano Z.

Pieter Bruegel o velho | O Triunfo da Morte (detalhe) | 1562


Dois mil e doze, trazes azares de dois mil e treze, trazes incêndios em jardins zoológicos, trazes jazigos e jazes na urna do medo, promessa aziaga; dois mil e doze do fim-do-mundo no zurzir dos profetas, ano zagalote; zerzelim venenoso; dois mil e doze, dúzia de ovos a mais - podres; dois mil e doze, ano dos Zoilos de Bocage, dos invejosos de Zeus, dos que gritam Zapata! Dois mil e doze, inferno zen, greve de zelo no cosmos, posfácio-epitáfio de Zenão, última letra zê do alfabeto-zodíaco, último número-zé-ninguém do infinito abaixo de zero; dois mil e doze dos Zoavos, que é porrada-que-ferve: zás, trás, pás! Dois mil e doze zeribando, és vingança de Zaratrusta na comédia do fim.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Mensagem de Ano Novo.

Estes oito minutos de esplendor que constituem o prólogo de "Melancholia", a última obra prima de Lars Von Trier, falam por mim. Eu queria dizer que entre o caos e a mediocridade, entre a cobardia e a ignorância, entre a estupidez e a crueldade, no fulcro obstinado e apocalíptico de um mundo decadente haverá, ainda assim, um vestígio de esperança, uma frágil presença do que é belo, uma nano-promessa para o futuro. Mas o Lars diz isso tudo e mais alguma coisa. Feliz 2012.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

O elogio da loucura.


Cumprindo a sua tristemente célebre tradição de equívocos, a revista Time acaba de eleger como Homem do Ano a turba que se manifesta. A turba que ocupa e conspurca a Wallstreet, como a turba dos fanatismos religiosos do Cairo, como a turba que incendeia Londres. São todas turbas justas e dignas de um título honorífico. Entre os laureados está este senhor na fotografia e os rapazinhos que violaram a jornalista Lara Logan em plena praça Tahrir.
A equipa editorial da Time, que em má hora teve esta triste ideia e que sofre de uma ingenuidade arrepiante e perigosa, parece acreditar que esta gente que se manifesta por esse mundo fora luta pela democracia, pelo estado de direito e pela justiça social. Ora, o que acontece é que os manifestantes do Cairo ou de Damasco, na sua maioria, pretendem apenas substituir regimes ditatoriais laicos por regimes ditatoriais religiosos; os manifestantes de Atenas pretendem tão só manter os seus privilégios de párias; os manifestantes de Nova Iorque fazem tudo o que podem para abolir o direito à propriedade e os manifestantes de Londres desejam muito simplesmente assaltar a loja de electrodomésticos e roubar o LCD necessário à plena fruição da Playstation 3 que compraram com o dinheiro do subsídio de desemprego.
A equipa editorial da Time, que tem uma visão infantil do mundo e que padece de um humanismo de centro esquerda que está a arruinar a civilização ocidental, elege agora como Homem do Ano o manifestante com a mesma displicência e ignorância que elegeu para o mesmo título em 1939 um senhor chamado Adolf Hitler. Ora, os movimentos de base populista patrocinados pela extrema esquerda europeia e pelo radicalismo islâmico constituem, hoje em dia, uma ameaça tão séria como na altura era já séria a ameaça constituída pelos movimentos de base populista patrocinados pelo partido nazi.
Compreendo a dificuldade em eleger para Homem do Ano seja quem for, neste mundo sem glória, nestes tempos de caos e mediocridade, mas, caramba, não pode ser essa a desculpa para uma escolha assim infame.

Ainda e sempre à procura da razão da matéria.


Ainda não foi desta que os senhores do CERN apanharam o Bosão de Higgs em flagrante delito, na gigantesca pista de corridas subatómicas que montaram para o efeito, mas - pelo que se soube ontem - estamos lá perto. É que já deu para perceber que esta ínfima coisinha deve ter uma valor de massa entre os 116 e os 130 Gev (Giga-electrãoVolts), e essa percepção permite apontar os detectores de forma mais precisa, pelo que em 2012 já devemos ficar todos muito entendidos sobre esta pergunta: porque raio é que existe matéria no universo? Ou não. A ciência não parece tão competente a encontrar verdades, como é eficaz a revelar mistérios. E assim sendo, desconfio bem que, encontrando finalmente a porcaria da Partícula que Deus teima em esconder-nos, vamos ficar um bocadinho na mesma. O universo usa e abusa da lógica das matrioskas russas. Mesmo a bonequinha mais pequena ainda terá lá dentro não sei quantas outras bonequinhas para nosso pasmo e entretenimento.
Podem pois estar descansados os padres de todo o mundo: não está para breve o arranjo de uma verdade absoluta que substitua os dogmas da fé.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

O Natal do Sr. Alarcão

Por Artur Paixão


Vem aí o Natal, dia em que se celebra o nascimento de Jesus Cristo, festivamente, mas também, segundo consulta aturada, de qualquer individuo parido em qualquer dia do ano. Na minha cinzenta e ignorada biografia, que sou ninguém e nem sequer arrumo letras para fado vadio, não foi celebrado Natal nem mesmo por altura dos meus filhos, netos e bisnetos. Os sucessos ficaram-se pelos costumados cumprimentos da praxe, umas palmadinhas no costaço e uns sorrisos de simpatia e circunstância.
Nada de balões multicoloridos, espetadas do lombo, broas e rabanadas.
Diz-se que a Natividade assinala o parir de J. Cristo, da virgem Maria (!) ou de um Santo. Não sei nada desta intrigante trilogia, desta complicada associação que aliás, sempre me confundiu desde que há cerca de setenta anos atrás frequentava a catequese do padre Vitalino, embrulhado num bibe de quadradinhos verdes e pretos que detestava.
Assim como eu, os meus filhos, netos e bisnetos, os meus amorosos descendentes não tiveram festarolas e pançadas, espumantes e avinhados decentes. Tanto quanto sei o meu pai e meu avô não foram objecto desse tipo de festanças, parece-me que por força das severas tradições dum tetra-avô pouco dado a usanças que pusessem em perigoso desnorte as suas economias. Fraldas muitas e muito pó de talco para amenizar os ardores do rabito deve ter sido o que me foi dado quando me despejaram neste mundo chanfrado faz uma cabazada de Invernos.
Por mim sempre apreciei mais os arraiais de Santo António, em especial os de Alfama, talvez um tanto a escorregar para ritual pagão, no assar da sardinha com batata cozida com pele, pimentos e água pé e bailaricos bastante distantes do fervor devido ao bom do Sto. António; Alfama recheada de cantinhos, ruelas e travessinhas onde se beliscavam, animadamente, os traseiros de mulatinhas sorridentes e se acediam mais intimamente às rendinhas de algumas senhoras carentes, por entre os fumos das desilusões dos sessenta anos.
E depois, com os setenta e tal milhões que nasceram neste últimos anos, o planeta seria uma espécie de feira em festa permanente, cheio de balões a rebentar-nos nas trombas - um infatigável assar de entremeadas.
Ainda ontem, no andar de cima, nasceu mais um infeliz e o que ouvi foi um estrepitosa berraria e uma escaldante cacofonia de risos estridentes, fados, rumbas e, para meu completo desespero, o Quim Barreiros e o seu nefando fole.
Porém, a grande questão é que não sei como vou desencalhar-me este ano, caído como estou no fundo negro duma penúria total. Se a reforma não chega sequer para a ordem de despejo que não tarda aí, por via dos quatro ou cinco meses em atraso de rendas, como vou comprar as habituais peúgas, apitos, caramelos e toda essa tralha para a cambada, ainda mais quando estou a tentar reunir uns tostões para comprar umas alpargatas nos chineses para substituição dos destroçados chanatos que me arrastam as calosidades da planta dos pés pelo duro empedrado da calçada da Bica e o Pai Natal nas tintas.
Estoira-me a cachola na busca duma saída para esta desgraçada situação. E depois, aquela maldita consoada em que devo comparecer com o fatinho num fio, as mãos a abanar e um sorriso amarelo sem sequer os dentes que se foram em tempos já sem memória. E neste bocado de vazio, metido num buraco do caneco, passa no Chiado um desses bonecos de Carnaval de trunfa branca e bigode caído até ao saco testicular a gritar um ressonante “Hó Hó Hó", pago à hora, afora a barba, a gritar-me que é tempo de coisas boas e presentes para os meninos, mais para a botija que traz no bolso.
Arrasto-me no espelho deslumbrante das montras a rebentar para o que eles dizem, por entre odiosos néons TENHA UM NATAL FELIZ, UM NATAL DIFERENTE. Diferente, com certeza; feliz, uma merda. Leve agora e pague depois em suaves prestações. Levar, levava mas, quanto às prestações, nem as suavíssimas teriam nada de suave.
E depois, com este aspecto, sem cartões de crédito, sem referências nem, ao menos, um fiador creditado - perguntem ao meu senhorio - era mais do que certo que o insensível calmeirão da segurança me despejasse no olho da rua, rasgando-me provavelmente o resto das ceroulas que me restam.
Há-de haver uma solução. Parece-me viável intrometer-me numa dessas grandes superfícies onde a malta se entrechoca na busca dum consumismo desenfreado. Misturar-me nessa feliz multidão e enfiar, com descrição, as manápulas numas coisitas pequenas, coloridas e safar-me de peito cheio, sem passar pela caixa, como que distraído.
Não. Não tenho gâmbias nem frieza para me meter numa dessas, depois humilhado e exposto por razão duns cueiros e babetes para os miúdos, mesmo que ainda em saldo.
Pensei em apanhar uns tantos pombos sempre dependurados na varandita do casebre. Depená-los e assá-los no forno da padaria do Venâncio, um compincha da maior, por sinal padrinho do meu filhote mais velho. Não foi possível porque logo que os bicharocos me pressentiam, rumavam para os píncaros da capela mais próxima.
Outra ideia foi a de pedir ao Zeferino, famoso poeta de cantares populares aqui da Bica e meu habitual parceiro da sueca, que me alinhasse um poema de categoria, dramático, que metesse Cristo, Maria e cordeirinhos, para ler com emoção à cambada. Que não era muito do jeito, propondo-me uma desgarrada que ensaiaríamos na tasca do Careca onde ainda tenho uns créditos mal parados.
Ocorreu-me, em desespero, aplicar uma traulitada na cabaça dum desses policias de reconhecidos maus fígados, amacacados, da velha guarda que há por aqui à dúzia para me enjaularem, presumivelmente, até esmorecerem essas baboseiras do Natal mais a missa do Galo que é um frete de todo tamanho, tendo, antes, o cuidado de endereçar em tom dorido, um desses postais ilustrados alusivos à quadra de festas felizes e muita saúde, onde declarava que por motivos inesperados e de muita delicadeza, lamentava não estar presente como tanto desejava.
Pensando bem meti a ideia no saco dado que seria muito possível magoar a ossada em resultado dum retorno de bastonada, atendendo a que no momento do cometimento não teria ainda tomado o pequeno almoço e o grande - uma remota miragem. De construção débil, acabaria no hospital para aplicação de pensos rápidos e muito hematoma, distribuídos a esmo, sujeito depois a presença em Tribunal, que como sabemos despeja um malfeitorzeco no olho da rua num abrir e fechar de olhos, desde que não haja crime de sangue, o que infelizmente não seria o caso.
Subtrair as malinhas de velhas senhoras após operações junto dos Multibancos que não levantam peva e pelo contrário vão atulhar as máquinas de pagamentos com facturas da EDP do gás e da água sabe Deus com que sacrifício, que se está borrifando para estes detalhes, muito ocupado com as contas do Vaticano é coisa que não é do meu carácter.
Entretanto, a Santa Casa de Misericórdia recusou uma exposição muito bem elaborada, onde constavam até algumas citações da Constituição e balelas da Democracia, alegando que servia milhões de ensarilhados e que as verbas haviam caído drasticamente no que se refere a lotarias, totolotos e outras jogatinas bem como certas restrições impostas pelo Orçamento do Estado e que assim, as reduzidas verbas, não contemplavam donativos para as filhoses natalícias e outros assins de forma, aliás, muito comovente. Aproxima-se esse malfadado Dezembro e eu vazio de ideias e bolsos, quando, de súbito e enfim! me ocorre um processo infalível. Eureka!
Na Bica há uma série de transversais que descem no sentido do elevador. Há por ali umas passadeiras para peões com as marcadas desgastadas, pouco perceptíveis a olho nú, quanto mais para a malta carregada de dioptrias, com consultas agendadas no departamento desse tipo de zarolhos, míopes e ceguetas para daqui a pelo menos ano e meio. Ali a iluminação pública não vale um par de velas e a Câmara não liga nenhuma; os aceleras descem a abrir para evitar o mostrengo do elevador, a caminho do Papa Açorda e outros centros de gastronomia semelhantes.
Foi assim que saí do beco das Alforrecas, onde ainda assento a condenada ocupação apoiado na bengala do meu saudoso avô, caminhando, tropegamente, como convém a um sénior de vista curta, portador de deploráveis varizes há mais de vinte anos e pública consternação, metido no fatinho preto no fio, adornado duns óculos escuros para encher a encenação, e escolho uma geringonça de menos peso e aí estou eu, pisando a passadeira com a lentidão estudada, disposto a partir um par de costelas, pelo menos uma perna e algumas outras contusões avulsas.
Hospital de S. José ali à mão. Atropelamento por criminosa negligência - que o Seguro vai pagar - uma indemnização à vitima que deve pagar a substituição do fatinho preto no fio, dos chanatos rotos e de alguma roupa interior, que me vai permitir um justo repousar numa cama confortável; refeições decentes e muito amável carinho em volta.
A perna engessada e as costelas partidas e algumas intervenções de somenos não têm a menor importância. A cambada foi informada do lamentável acidente e apareceu em massa pelo dia da Natividade ou lá o que é. E ninguém esqueceu de me mimar com uma farta provisão de rabanadas salpicadas com canela, como tanto gosto.

Acho que o Pai Natal me vai oferecer esta máquina de guerra, que dá para matar muita gente:



Pena que não exista no mercado uma máquina para dar um tiro bem certeiro no José Sócrates, que essa sim, seria a mais bela das prendas de Natal.

Anti-facebook: os perigos do pacifismo.

"Pacifism is objectively pro-Fascist. This is elementary common sense. If you hamper the war effort of one side you automatically help that of the other. Nor is there any real way of remaining outside such a war as the present one. In practice, ‘he that is not with me is against me’. The idea that you can somehow remain aloof from and superior to the struggle, while living on food which British sailors have to risk their lives to bring you, is a bourgeois illusion bred of money and security. Mr Savage remarks that ‘according to this type of reasoning, a German or Japanese pacifist would be “objectively pro-British”.’ But of course he would be! That is why pacifist activities are not permitted in those countries (in both of them the penalty is, or can be, beheading) while both the Germans and the Japanese do all they can to encourage the spread of pacifism in British and American territories. The Germans even run a spurious ‘freedom’ station which serves out pacifist propaganda indistinguishable from that of the P.P.U. They would stimulate pacifism in Russia as well if they could, but in that case they have tougher babies to deal with. In so far as it takes effect at all, pacifist propaganda can only be effective against those countries where a certain amount of freedom of speech is still permitted; in other words it is helpful to totalitarianism."
George Orwell | Pacifism and War - 1941

Moleskine Power | Zangado com Deus.


terça-feira, dezembro 06, 2011

Uma possibilidade de vida.

Esta é uma representação mais ou menos fantasista do aspecto que pode ter o Kepler 22-b, um planeta semelhante à Terra, que cumpre uma órbita dentro da zona habitável de um sistema solar que dista 600 anos-luz da Terra.
A missão Kepler é a primeira da NASA que tem como objectivo encontrar planetas semelhantes à Terra na chamada zona habitável - ou seja, planetas cujas características e distâncias em relação à estrela do seu sistema permitem pensar na existência de água em estado líquido e de uma atmosfera que poderá ser compatível com a vida (segundo os nossos parâmetros, claro está). Com o Kepler 22-b passam a ser três os exoplanetas – planetas fora do nosso sistema solar – com condições para que a vida possa ser uma possibilidade.
Nos tempos que correm, isto é mesmo o melhor que a NASA pode fazer, porque de resto, está fechada para balanço.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

The :Kubrik Experience


Mais uma experiência :Kubrik.

Terreiro do Paço Terreiro do Paço

Levo a vida passo a passo,
gasto as solas ao compasso
da cidade que pulsa e arde.
O Paço que passeio é um terraço,
o chão que piso é de ferro e aço
e vibra e brilha ao sol da tarde.

Terreiro do Paço, Terreiro do Paço,
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Paro e tiro um cigarro do maço;
transitam transeuntes em cansaço
com a pressa que levam na boa.
Vão d’ombros caídos pelo Paço,
o destino é um cheirinho de bagaço
e de sonhos traídos à toa.

Terreiro do Paço, Terreiro do Paço,
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Este é o movimento escasso,
é a praça que devagar devasso,
são as ruas do tempo que voa.
O futuro é um buraco no espaço,
esta é a distância que eu abraço
e roubo aos deuses de Lisboa.

Terreiro do Paço, já não sei o que faço.
Terreiro do Paço, já nem sei o que faço.