Os Slow Readers Club estão, como toda a gente, enfiados em casa. Mas isso não quer dizer que deixem de nos presentear com excelentes clips do último albúm. Que grande ideia:
Slow Readers Club . Killing Me
sexta-feira, março 27, 2020
quinta-feira, março 26, 2020
Desespero em tempos de cólera.
‘We have to take care of the cure - That will make the problem worse no matter what’
Joe Biden sobre a melhor forma de combater o C-19. 24 de Março, 2020.
Depois de ter liquidado qualquer hipótese eleitoral a Bernie Sanders, o establishment democrata ficou com um um único sobrevivente para enfrentar Trump nas presidenciais de Novembro. O problema é que esse sobrevivente é Joe Biden, um sénior com 78 anos que está completamente senil (é dizer pouco) e que manifesta claramente a sua demência em cada um dos raros momentos em que seu staff o coloca perante a necessidade da oratória pública. Os exemplos de que Joe não tem condições intelectuais ou psicológicas para liderar a federação são mais que muitos (na ordem das centenas, mesmo) e estão resumidos aqui. O consequente desespero dos democratas com a débil condição do seu candidato é de tal forma intenso que o alinhadíssimo The Atlantic prontificou-se a publicar ontem esta peça propagandística hilariante: tudo o que se pede ao presuntivo nomeado democrata é que não morra. Tudo o que não seja morrer (demência, senilidade e desorientação geral) serve perfeitamente à América e aos americanos, pelos vistos.
Desejo-vos boa sorte, Estados Desunidos. Vão precisar dela.
quarta-feira, março 25, 2020
Vale tudo.
Os franceses confiscaram 130.000 máscaras que tinham como destino o Reino Unido. Os Checos ficaram com 100.000 que vinham da China para a Itália. Os alemães apropriaram-se de medicamentos que tinham sido adquiridos pelos suíços. Em Itália, o governador da Campânia ameaçou hoje os seus concidadãos com lança chamas enquanto os membros da União Europeia, bem como os senadores e os congressistas americanos, não se conseguem entender sobre as medidas a tomar para que as respectivas economias não caiam num buraco sem fundo.
Parece que o inesquecível Joker de Batman - The Dark Knight - tinha alguma razão:
"You see, their morals, their code, it's a bad joke, dropped at the first sign of trouble. They're only as good as the world allows them to be. I'll show you. When the chips are down, these civilized people, they'll eat each other. See, I'm not a monster. I'm just ahead of the curve."
E o Carl Benjamin, também (este, está quase sempre certo):
Parece que o inesquecível Joker de Batman - The Dark Knight - tinha alguma razão:
"You see, their morals, their code, it's a bad joke, dropped at the first sign of trouble. They're only as good as the world allows them to be. I'll show you. When the chips are down, these civilized people, they'll eat each other. See, I'm not a monster. I'm just ahead of the curve."
E o Carl Benjamin, também (este, está quase sempre certo):
terça-feira, março 24, 2020
Correcção ao texto anterior.
O Reino Unido entrou hoje em lockdown, pelo que aquilo que afirmo sobre a resposta do governo deste país ao Covid-19 deixa de ser válido.
E, já agora, aproveito para relatar que as luminárias do Facebook chegaram à brilhante conclusão de que o meu post de 17 de Março afinal não devia ter sido censurado. E pedem desculpa e tudo. Espectáculo.
E já que estamos nisto de um post sem interesse nenhum, dá-me vontade de arriscar e fazer futurologia: daqui a uma ou duas semanas, desconfio que vamos começar a assistir a uma reacção generalizada por parte das sociedades civis contra a opção lockdown. E creio que alguns governos vão mudar de estratégia antes que a curva do contágio comece a descer.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Congresso não se entende sobre o apoio financeiro à economia, com os democratas a tentarem enxertar a lei com políticas de identidade e medidas radicais de protecção ambiental, pelo que Trump poderá não ter remédio a não ser o de deixar a economia funcionar.
Vamos esperar para ver.
E, já agora, aproveito para relatar que as luminárias do Facebook chegaram à brilhante conclusão de que o meu post de 17 de Março afinal não devia ter sido censurado. E pedem desculpa e tudo. Espectáculo.
E já que estamos nisto de um post sem interesse nenhum, dá-me vontade de arriscar e fazer futurologia: daqui a uma ou duas semanas, desconfio que vamos começar a assistir a uma reacção generalizada por parte das sociedades civis contra a opção lockdown. E creio que alguns governos vão mudar de estratégia antes que a curva do contágio comece a descer.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Congresso não se entende sobre o apoio financeiro à economia, com os democratas a tentarem enxertar a lei com políticas de identidade e medidas radicais de protecção ambiental, pelo que Trump poderá não ter remédio a não ser o de deixar a economia funcionar.
Vamos esperar para ver.
segunda-feira, março 23, 2020
Entre o pânico e a razão: contributos para uma análise do risco no contexto do C-19.
Não quero de todo desvalorizar as consequências terríveis do Covid-19 e posso estar completamente errado - a seu tempo veremos isso - mas desde o princípio desta pandemia que tenho a opinião de que a maior parte dos países ocidentais - com a excepção da Inglaterra e da Rússia (se considerarmos a Rússia um país ocidental) está a gerir pessimamente esta praga chinesa.
Como já aqui escrevi, a estratégia que defendo seria a de fechar atempadamente as fronteiras e dirigir recursos logísticos, cuidados médicos e regimes de quarentena apenas aos grupos de risco, de forma a manter a economia a funcionar e a ganhar tempo para que as redes hospitalares não entrassem em colapso rapidamente, como está já a acontecer (e ainda não vimos o pior, claro).
A minha opinião deriva também de uma circunstância escandalosa: sabemos muito pouco, mas mesmo muito pouco sobre este vírus. Por exemplo:
- Não sabemos com precisão o seu índice de vítimas mortais. Oscila, mais coisa menos coisa, entre 6% e 0,2%, dependendo dos continentes, dos países, do nível de cuidados médicos instalados, do números de testes feitos e etc. A Organização Mundial de Saúde coloca a média mundial em 3,4%, mas esta percentagem está a sofrer objecções e alterações constantemente.
- Não dominamos de todo a mecânica e o pontencial endémico do vírus. Sabemos que tem um índice de transmissibilidade enorme (essa é se calhar a mais assustadora característica desta doença), mas não temos certezas nenhumas sobre os meios que usa, as resistências que apresenta, as fragilidades que esconde. Não sabemos sequer se a sua agressividade, tanto no contágio como nos sintomas, varia com a temperatura (!).
- Não sabemos porque é que há pessoas imunes ao C-19 ou porque é que a severidade dos sintomas, mesmo nas faixas etárias mais baixas, apresenta graus tão distintos.
- Ainda não sabemos quem foi o paciente zero e ainda não sabemos qual foi a origem do vírus e as causas da sua mutação genética.
- Não sabemos como tratar com eficácia os sintomas da patologia, nem que procedimentos clínicos adoptar para salvar vidas.
A ignorância em que estamos embrulhados deve-se em grande parte ao facto do Covid-19 ter surgido na China, um país governado por comunistas e, como todos os países governados por comunistas, secretivo, manhoso e irresponsável (na acepção humanitária da palavra). O Partido Comunista Chinês, ainda para mais, é certamente aquele que, na história horrorosa dos regimes comunistas, maior indiferença mostrou e mostra pelo valor individual da vida humana, embora a importância esmagadora que é atribuída ao colectivo não resulte, neste caso, apenas do pensamento ideológico, mas também da cultura e da realidade demográfica do Império do Meio. É no entanto factual que o regime chinês procurou esconder a ameaça global, para não perder a face. A linha temporal do fenómeno Covid-19 testemunha bem o lamentável comportamento das autoridades de Wuhan, primeiro, e depois de todo o aparelho sino-comunista.
Porém, não podemos em perfeita justiça atribuir culpas exclusivas à draconiana e incompetente burocracia chinesa por tudo o que não sabemos sobre o Covid-19, quatro meses depois da sua emergência. Há de facto aqui um problema gravíssimo na capacidade de resposta das instituições científicas no Ocidente, que não me surpreende nada e que só confirma o que tenho escrito em quantidades industriais neste blog sobre o estado miserável a que chegaram a maior parte das disciplinas exactas no século XXI.
Perante este quadro de desconhecimento do vírus, aconselhar-se-ia alguma cautela nas decisões políticas tomadas para combater o contágio. Aconselhados pelo puro e simples medo da turba, a maior parte dos governos optaram, com diferentes graus de rigidez, é certo, por fazer parar os seus países nas várias dimensões da realidade social. Esta paralisação multidimensional, desacompanhada de dados científicos credíveis e que nem sequer tem um fim programado, é devastadora em termos económicos, mas também em termos psicológicos e civilizacionais e os seus efeitos estão ainda para serem calculados com um mínimo de exactidão (se tal cálculo é possível).
Toda esta conversa vem a propósito de um artigo sobre a realidade britânica publicado ontem na Medium* e que disseca os dados disponibilizados pelo Office For National Statistics. Neste artigo, demonstram-se com alguma simplicidade dois factos: o primeiro é que o risco de mortalidade provocada pelo Covid-19 dificilmente vai transcender, em Inglaterra, o risco de mortalidade anual por outras causas clínicas, e a curva parece replicar completamente o desenho das mortes por outras doenças. O que vai acontecer é que esse risco incidirá sobre a população durante 3 ou 4 meses e não em 12 (e é por isso que se dá o constrangimento das redes de cuidados médicos). Daqui deriva o segundo facto: uma boa parte das fatalidades registadas no âmbito do C-19 aconteceriam na mesma, através de complicações provocadas pela gripe convencional e por outras patologias que ameaçam o sistema imunitário de pessoas com quadros clínicos complicados e idade avançada. Muitos dos doentes que morrem agora, e digo isto com o devido respeito pelo sofrimento e aflição das famílias atingidas pela pandemia, morreriam mais há frente no tempo, mas ainda no contexto estatístico do ano corrente. Os números são o que são e não mentem.
Vale a pena ler o artigo, mas só este quadro aqui dá bastante que pensar:
Acresce que a estratégia seguida pelo governo inglês, menos restritiva, mais cirúrgica e tendencialmente protectora dos motores económicos internos, está, pelo menos até ao momento em que escrevo estas linhas, a correr bem: o país é apenas o décimo no mundo e sexto na Europa com maior crescimento de infectados.
O futuro fará justiça sobre a validade das diferentes estratégias e da minha humilde opinião sobre o fenómeno. Mas que corremos o severo e ridículo risco de chegar ao verão com a economia global no ponto zero e evidências estatísticas de que foi o pânico e não a razão que triunfou sobre as decisões tomadas, isso corremos.
Até porque parecemos esquecer, neste momento, que as crises económicas também implicam mortandade, por directa ou indirectamente provocarem guerras, crimes, suicídios, abuso de estupefacientes, subnutrição e doenças.
A ver vamos.
----------
*Agradeço ao José Abel Aguiar a gentileza de ter partilhado comigo o artigo da Medium.
Como já aqui escrevi, a estratégia que defendo seria a de fechar atempadamente as fronteiras e dirigir recursos logísticos, cuidados médicos e regimes de quarentena apenas aos grupos de risco, de forma a manter a economia a funcionar e a ganhar tempo para que as redes hospitalares não entrassem em colapso rapidamente, como está já a acontecer (e ainda não vimos o pior, claro).
A minha opinião deriva também de uma circunstância escandalosa: sabemos muito pouco, mas mesmo muito pouco sobre este vírus. Por exemplo:
- Não sabemos com precisão o seu índice de vítimas mortais. Oscila, mais coisa menos coisa, entre 6% e 0,2%, dependendo dos continentes, dos países, do nível de cuidados médicos instalados, do números de testes feitos e etc. A Organização Mundial de Saúde coloca a média mundial em 3,4%, mas esta percentagem está a sofrer objecções e alterações constantemente.
- Não dominamos de todo a mecânica e o pontencial endémico do vírus. Sabemos que tem um índice de transmissibilidade enorme (essa é se calhar a mais assustadora característica desta doença), mas não temos certezas nenhumas sobre os meios que usa, as resistências que apresenta, as fragilidades que esconde. Não sabemos sequer se a sua agressividade, tanto no contágio como nos sintomas, varia com a temperatura (!).
- Não sabemos porque é que há pessoas imunes ao C-19 ou porque é que a severidade dos sintomas, mesmo nas faixas etárias mais baixas, apresenta graus tão distintos.
- Ainda não sabemos quem foi o paciente zero e ainda não sabemos qual foi a origem do vírus e as causas da sua mutação genética.
- Não sabemos como tratar com eficácia os sintomas da patologia, nem que procedimentos clínicos adoptar para salvar vidas.
A ignorância em que estamos embrulhados deve-se em grande parte ao facto do Covid-19 ter surgido na China, um país governado por comunistas e, como todos os países governados por comunistas, secretivo, manhoso e irresponsável (na acepção humanitária da palavra). O Partido Comunista Chinês, ainda para mais, é certamente aquele que, na história horrorosa dos regimes comunistas, maior indiferença mostrou e mostra pelo valor individual da vida humana, embora a importância esmagadora que é atribuída ao colectivo não resulte, neste caso, apenas do pensamento ideológico, mas também da cultura e da realidade demográfica do Império do Meio. É no entanto factual que o regime chinês procurou esconder a ameaça global, para não perder a face. A linha temporal do fenómeno Covid-19 testemunha bem o lamentável comportamento das autoridades de Wuhan, primeiro, e depois de todo o aparelho sino-comunista.
Porém, não podemos em perfeita justiça atribuir culpas exclusivas à draconiana e incompetente burocracia chinesa por tudo o que não sabemos sobre o Covid-19, quatro meses depois da sua emergência. Há de facto aqui um problema gravíssimo na capacidade de resposta das instituições científicas no Ocidente, que não me surpreende nada e que só confirma o que tenho escrito em quantidades industriais neste blog sobre o estado miserável a que chegaram a maior parte das disciplinas exactas no século XXI.
Perante este quadro de desconhecimento do vírus, aconselhar-se-ia alguma cautela nas decisões políticas tomadas para combater o contágio. Aconselhados pelo puro e simples medo da turba, a maior parte dos governos optaram, com diferentes graus de rigidez, é certo, por fazer parar os seus países nas várias dimensões da realidade social. Esta paralisação multidimensional, desacompanhada de dados científicos credíveis e que nem sequer tem um fim programado, é devastadora em termos económicos, mas também em termos psicológicos e civilizacionais e os seus efeitos estão ainda para serem calculados com um mínimo de exactidão (se tal cálculo é possível).
Toda esta conversa vem a propósito de um artigo sobre a realidade britânica publicado ontem na Medium* e que disseca os dados disponibilizados pelo Office For National Statistics. Neste artigo, demonstram-se com alguma simplicidade dois factos: o primeiro é que o risco de mortalidade provocada pelo Covid-19 dificilmente vai transcender, em Inglaterra, o risco de mortalidade anual por outras causas clínicas, e a curva parece replicar completamente o desenho das mortes por outras doenças. O que vai acontecer é que esse risco incidirá sobre a população durante 3 ou 4 meses e não em 12 (e é por isso que se dá o constrangimento das redes de cuidados médicos). Daqui deriva o segundo facto: uma boa parte das fatalidades registadas no âmbito do C-19 aconteceriam na mesma, através de complicações provocadas pela gripe convencional e por outras patologias que ameaçam o sistema imunitário de pessoas com quadros clínicos complicados e idade avançada. Muitos dos doentes que morrem agora, e digo isto com o devido respeito pelo sofrimento e aflição das famílias atingidas pela pandemia, morreriam mais há frente no tempo, mas ainda no contexto estatístico do ano corrente. Os números são o que são e não mentem.
Vale a pena ler o artigo, mas só este quadro aqui dá bastante que pensar:
Acresce que a estratégia seguida pelo governo inglês, menos restritiva, mais cirúrgica e tendencialmente protectora dos motores económicos internos, está, pelo menos até ao momento em que escrevo estas linhas, a correr bem: o país é apenas o décimo no mundo e sexto na Europa com maior crescimento de infectados.
O futuro fará justiça sobre a validade das diferentes estratégias e da minha humilde opinião sobre o fenómeno. Mas que corremos o severo e ridículo risco de chegar ao verão com a economia global no ponto zero e evidências estatísticas de que foi o pânico e não a razão que triunfou sobre as decisões tomadas, isso corremos.
Até porque parecemos esquecer, neste momento, que as crises económicas também implicam mortandade, por directa ou indirectamente provocarem guerras, crimes, suicídios, abuso de estupefacientes, subnutrição e doenças.
A ver vamos.
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*Agradeço ao José Abel Aguiar a gentileza de ter partilhado comigo o artigo da Medium.
domingo, março 22, 2020
Pedalada para dar e vender.
Estes amigos aqui, que são de agora mas que estão algures no espaço tempo que existe entre os Interpol e os Editors, debitam energia em quantidade industrial e o riff deste tema manda uma ventania danada. Impressionante.
The Slow Readers Club . All I Hear
The Slow Readers Club . All I Hear
sexta-feira, março 20, 2020
Concerto a uma voz.
Ac coisas que este senhor Michael Winslow consegue fazer com as cordas vocais são absolutamente espantosas. Neste caso, a coisa conseguida é a electricidade toda do velho e glorioso tema dos Led Zeppelin, "Whole Lotta Love", até porque a acompanhar o movimento operático só está um músico folk, Odd Nordstoga, com a sua boa viola acústica. Dois geniais minutinhos de barulho lindo.
quarta-feira, março 18, 2020
Tirania Facebook.
Acabei de ser censurado pelo Facebook, por um post completamente inócuo
sobre o facto das cadeias de televisão desportivas não terem neste
momento eventos para transmitir. O post é este.
Recebi uma nota muito lacónica a acusarem-me de estar a enganar as pessoas para ganhar likes! Vocês nem imaginam a minha preocupação diária com likes, caros mangas de alpaca com vontade supressora. É uma loucura de lados para os quais durmo melhor. Há porém cenas que me tiram o sono, sim. Uma delas é a censura omnipresente nas plataformas digitais todas - e não só. Que vontade de vomitar.
É claro que o post tem um momento de especulação parva, mas penso que todo o sapiens percebe que o jogo de sueca em Papua Nova Guiné é um, mesmo que débil, exercício de humor. E nada no texto é dirigido contra a estação ESPN, já que aquilo que se caricaturiza é o estado histérico a que a situação mundial chegou. Mas é preciso explicar isto?
Outra coisa que enerva quando te censuram é que nem sequer te dão direito ao contraditório. Estás cancelado e pronto. Aparece um botãozinho para carregar no caso de discordares e é assim. Acresce que a insinuação de prática desonesta é um insulto que é difícil de engolir. Muito difícil, mesmo.
Eu sei bem que o Facebook é uma máquina de suprimir opinião divergente a nível mundial, e que mais tarde ou mais cedo isto ia acontecer (estou até farto de publicar posts aqui no blog sobre o assunto), mas ainda assim, caramba, que a coisa deixa um gajo irritado, lá isso deixa.
Recebi uma nota muito lacónica a acusarem-me de estar a enganar as pessoas para ganhar likes! Vocês nem imaginam a minha preocupação diária com likes, caros mangas de alpaca com vontade supressora. É uma loucura de lados para os quais durmo melhor. Há porém cenas que me tiram o sono, sim. Uma delas é a censura omnipresente nas plataformas digitais todas - e não só. Que vontade de vomitar.
É claro que o post tem um momento de especulação parva, mas penso que todo o sapiens percebe que o jogo de sueca em Papua Nova Guiné é um, mesmo que débil, exercício de humor. E nada no texto é dirigido contra a estação ESPN, já que aquilo que se caricaturiza é o estado histérico a que a situação mundial chegou. Mas é preciso explicar isto?
Outra coisa que enerva quando te censuram é que nem sequer te dão direito ao contraditório. Estás cancelado e pronto. Aparece um botãozinho para carregar no caso de discordares e é assim. Acresce que a insinuação de prática desonesta é um insulto que é difícil de engolir. Muito difícil, mesmo.
Eu sei bem que o Facebook é uma máquina de suprimir opinião divergente a nível mundial, e que mais tarde ou mais cedo isto ia acontecer (estou até farto de publicar posts aqui no blog sobre o assunto), mas ainda assim, caramba, que a coisa deixa um gajo irritado, lá isso deixa.
terça-feira, março 17, 2020
Fazer de conta também bomba.
The New Division. Fingem que são Joy Division no século XXI. Fingem que são New Order para sempre. E eu não tenho nada contra isso. Pelo contrário: muito grato lhes fico.
The New Division . Fascination
The New Division . Fascination
Da quarentena à recessão.
Hoje fiz uma coisa que não faço há décadas: assisti aos primeiros segundos de uma conferência de imprensa de um ministro da República Portuguesa (foi por acaso). Quando sintonizei a coisa (ao calhas) a senhora Ministra da Saúde apresentava as condolências do seu governo à família da primeira vítima mortal do Covid-19 em Portugal. A voluntariosa e ingénua demonstração de pesar, fez-me pensar. Será que a senhora ministra vai apresentar condolências a todas as famílias dos falecidos, quando no fim do mês de março já somar 160 a 460 defuntos?* E quando contabilizar milhares de mortos, o que é mais que certo, vai estar ali com aquele ar sereno de quem está a controlar a situação completamente?
Mas não é só a ministra - um ser demissionário em potência e a muito breve prazo - que vai ver a sua figura de estilo transformada pela brutalidade dos factos. Por exemplo: será o entusiástico apoio aos profissionais da saúde, que, pontual, desperta com aplausos o silêncio deste temeroso recolhimento, pelas dez da noite, exactamente o mesmo entusiasmado tributo quando os médicos começarem a decidir quem vive e quem morre em função das camas e dos ventiladores disponíveis?
E os burocratas de Bruxelas, serão assim tão prestimosos com subsídios se isto durar, digamos, 3 meses?
E os portugueses, serão assim tão obedientes no seu acolhimento das ordens superiores, no seu recolhimento tele-trabalhoso, na sua pronta prestação eremita, quando entretanto foram despedidos dos seus empregos, quando entretanto virem os seus pequenos negócios caírem na falência; quando entretanto perceberem que a estratégia para combater o Covid-19 é um disparate medonho e os efeitos da recessão económica que virá depois forem bem mais assustadores - e se calhar - bem mais fatalistas do que a imaginação dos políticos e dos directores dos jornais e dos gestores das grandes empresas consegue projectar?
Sei que o pior está para vir. E desconfio que o pior que está para vir não tem nada a ver com o vírus chinês. Deriva antes de uma doença antiga, também endémica mas sobretudo crónica no Sapiens: a mais espúria estupidez.
* Projecção do Professor Jorge Buescu, num artigo de fundo para o Observador.
segunda-feira, março 16, 2020
O medo vende. Até um certo ponto.
Como profissional de comunicação tenho a obrigação de saber que o medo
vende à brava. Mas desconfio que os jornais vão continuar a perder a
pouca audiência que têm se persistirem nesta esquizofrenia do Covid-19,
porque há limites para o alarmismo, mesmo que os tentemos esticar ao
máximo e as pessoas vão acabar por se aborrecer de serem constantemente
conduzidas ao pânico. Isto já para não falar na idiotia total: é de
grande utilidade ficarmos a saber que a primeira vítima mortal do Covid-19 em Portugal foi um senhor amigo de Jorge Jesus ou que o actor Idris Elba testou positivo, por exemplo.
Por uma vez na vida, os meios de comunicação social podiam tentar ser imaginativos. Já que as pessoas vão inevitavelmente ter mais tempo do que costumam (nem que seja pelas horas que poupam em deslocações para o trabalho e para as escolas e nos afazeres diários que perderam o seu sentido), talvez fosse boa ideia criar conteúdos alternativos, que captassem a atenção e a sensibilidade dos leitores. Abrir suplementos relacionados com a história, as artes e as ciências; criar conteúdos sobre hobbies e outros nichos de interesse; publicar ficção folhetinesca como muito bem se fazia no fim do século XIX e princípio do Século XX em Portugal; implementar uma filosofia editorial que abrisse espaço mediático para personagens e fenómenos fora do mainstream; enfim, aproveitar esta janela de oportunidade para reinventar a imprensa, mesmo com os jornalistas a trabalhar em casa (ou precisamente por causa disso).
Mas não. Está tudo a carregar exclusivamente na mesma e deprimente tecla do susto. Como sempre. Que tristeza.
Por uma vez na vida, os meios de comunicação social podiam tentar ser imaginativos. Já que as pessoas vão inevitavelmente ter mais tempo do que costumam (nem que seja pelas horas que poupam em deslocações para o trabalho e para as escolas e nos afazeres diários que perderam o seu sentido), talvez fosse boa ideia criar conteúdos alternativos, que captassem a atenção e a sensibilidade dos leitores. Abrir suplementos relacionados com a história, as artes e as ciências; criar conteúdos sobre hobbies e outros nichos de interesse; publicar ficção folhetinesca como muito bem se fazia no fim do século XIX e princípio do Século XX em Portugal; implementar uma filosofia editorial que abrisse espaço mediático para personagens e fenómenos fora do mainstream; enfim, aproveitar esta janela de oportunidade para reinventar a imprensa, mesmo com os jornalistas a trabalhar em casa (ou precisamente por causa disso).
Mas não. Está tudo a carregar exclusivamente na mesma e deprimente tecla do susto. Como sempre. Que tristeza.
domingo, março 15, 2020
Uma cambada de coninhas.
Com o devido respeito pelas pessoas que vão de facto sofrer horrível e directamente os efeitos da epidemia Covid-19, devo dizer o seguinte:
Vivemos num mundo liderado por coninhas. Um outro tipo de pessoas-líderes que não fossem coninhas assim, pensavam duas vezes no que estão a fazer. Como são coninhas mesmo, coninhas do pior que há, só pensam no medo.
Os coninhas que só pensam no medo preocupam-se loucamente com a quantidade de votos que perdem por serem valentes e nem conseguem dormir dada a expectativa de serem vandalizados nas redes sociais ou de serem malditos nas colunas dos jornalecos que andam para aí a ser publicados e que, apesar da falência factual das respectivas audiências, metem imenso medo aos coninhas.
E o medo é um horroroso conselheiro.
No mês de Janeiro deste fenómeno só existia uma estratégia sã que as nações ocidentais tinham para seguir, no contexto do Covid-19, e que divido em três pontos fundamentais.
O primeiro é puramente político: responsabilizar a China, de forma a que a China se visse obrigada a ser globalmente responsável e, assim, contribuinte desinteressada da rede logística global de que é, na breve história do século XXI, a primeira beneficiária. Mas como estamos a falar de coninhas ocidentais, isso está completamente fora do espectro ontológico e a China neste momento está até - super e suprema ironia - a gozar o prato de ser uma ditadura e de - por esse glorioso facto - ser capaz de circunscrever e eliminar de forma bastante mais célere e prosaica as mesmas circunstâncias epidémicas que as frágeis e juridicamente complexas democracias têm épicas dificuldades em resolver.
O segundo ponto fundamental é de ordem pragmática: havia que fechar fronteiras ao turismo e à migração não prioritária. As fronteiras permaneceriam abertas ao movimento logístico de grande impacto económico e não mais que isso. Mas como vivemos na União-Europeia-de-Portas-Abertas em que fechar fronteiras é uma política nazi, vá de deixá-las abertas. Até ver.
(Actualização: o Costa fechou agora ao turismo a fronteira com Espanha. Devia tê-lo feito há um ou dois meses atrás).
O terceiro, e mais que óbvio princípio lógico seria o de investir na protecção do grupo de risco: pessoas imuno-deficientes e/ou pessoas com mais de 65 anos. Esta seria a medida com melhores resultados estatísticos, no que tem a ver com a mortalidade do vírus, mas a cambada de coninhas que nos governa não é só deficitária de coragem. Também é deficitária de lucidez e de inteligência e é por isso que estamos neste momento a uma quântica distância do colapso das instituições fundadoras e fundamentais da sociedade só por causa de uma merda de uma doença que mata uma pessoa em cem.
Vão morrer, nos próximos meses, mais pessoas em acidentes rodoviários. Fechamos as estradas? Já morreram mais pessoas este Inverno da gripe comum. Fechámos para o Inverno? Morrem, todos os dias de cada mês e em todas as estações do ano, imensas pessoas nos hospitais portugueses por infecções que lá apanham. Fechamos os hospitais?
Por amor de Deus, não sejam tão coninhas. E, já agora, pensem em que género de economia, em que espécie de mundo vão aterrar já a seguir, no Verão, quando o vírus sair do ciclo diário dos jornais e escapar à indignação parva das redes sociais e o que houver para mostrar de todo este inferninho de agora for desempregos e falências e o reforço de uma estado falido mas subsídiário e o exponencial declínio desta Civilização pela qual os vossos avós, que não eram coninhas nenhuns, se sacrificaram em números - esses sim - abismais, para a deixar de tal forma perfeitinha que pudesse agora ser completamente aniquilada pela infame ausência daquilo que mais falta faz ao Homem Civilizado: um par de tomates.
sexta-feira, março 13, 2020
Um planeta com muitos mundos ou o maior equívoco da globalização.
Um dos mais fraudulentos mitos da globalização é o que instalou a ideia de que, porque vivem no mesmo planeta, as pessoas vivem no mesmo mundo. Não vivem. Eu, por exemplo, vivo num mundo completamente diferente do chinês que, num dos mais relevantes órgãos de propaganda do seu partido, deixou a ameaça de cortar o abastecimento de medicamentos aos Estados Unidos, de tal forma que os americanos fiquem submersos num oceano de Covid 19.
E também não vivo no mesmo ecossistema dos congressistas e dos senadores americanos que permitiram, nos últimos 20 anos, que os seus constituintes ficassem dependentes dos medicamentos fabricados num país inimigo.
Mas se calhar o melhor exemplo de que num só planeta cabem vários e distintos mundos, volta a ser chinês: um diligente funcionário de Wuhan decidiu distribuir rações de carne de porco à população num camião do lixo.
E está tudo dito.
quarta-feira, março 11, 2020
Better Man.
Todos tentamos ser melhores bichos, mesmo quando não sabemos o que é melhor num bicho.
Courteeners . Better Man
Courteeners . Better Man
segunda-feira, março 09, 2020
O derradeiro cavaleiro do apocalipse.
Por causa de uma porcaria de um vírus que nos países do Ocidente tem a
mesma perigosidade da gripe - e da histeria ridícula de políticos,
jornalistas e capitalistazinhos cobardes que vendem as acções ao
primeiro espirro - há uma forte possibilidade que milhões de pessoas
caiam no desemprego e que centenas de milhar de pequenas e médias
empresas sejam levadas à falência.
A estupidez do Sapiens é ilimitada (infelizmente não podemos dizer o mesmo da sua inteligência), bem sei. Mas seria de esperar que as elites se comportassem de forma mais responsável. Porque o que é verdadeiramente assustador no Covid-19 é a capacidade que este vírus demonstra em expor a inacreditável fragilidade da civilização instalada. Imaginem só o que seria do mundo se em vez de um índice de mortalidade de 1,7%, o vírus matasse, digamos, 8 pessoas em cem? Morriam essas 8 pessoas da gripe chinesa e depois morriam as restantes 92 de fome, de outras doenças e da violência generalizada que provavelmente substituiria as instituições colapsadas. Portanto: esqueçam a guerra nuclear, a colisão meteórica ou a erupção vulcânica. O verdadeiro cavaleiro do apocalipse é microbiano.
A estupidez do Sapiens é ilimitada (infelizmente não podemos dizer o mesmo da sua inteligência), bem sei. Mas seria de esperar que as elites se comportassem de forma mais responsável. Porque o que é verdadeiramente assustador no Covid-19 é a capacidade que este vírus demonstra em expor a inacreditável fragilidade da civilização instalada. Imaginem só o que seria do mundo se em vez de um índice de mortalidade de 1,7%, o vírus matasse, digamos, 8 pessoas em cem? Morriam essas 8 pessoas da gripe chinesa e depois morriam as restantes 92 de fome, de outras doenças e da violência generalizada que provavelmente substituiria as instituições colapsadas. Portanto: esqueçam a guerra nuclear, a colisão meteórica ou a erupção vulcânica. O verdadeiro cavaleiro do apocalipse é microbiano.
sábado, março 07, 2020
Da espada de Dâmocles ao pesadelo de César.
Carl Benjamin, a.k.a. Sargon of Akkad, é um notável youtuber e pundit britânico que tem feito a sua carreira pelas vertentes do comentário político e da intervenção cidadã, mas como o Youtube retira a possibilidade de financiamento a certos canais que não concordam com a verdade oficial e absoluta das big tech e porque Benjamin é um tipo que tem interesses e inteligência e cultura que transcendem as vilanias da ciência do governo dos homens, decidiu - e bem - criar um canal completamente diferente - The Symposium - com conteúdos transversais sobre a cultura ocidental, porventura mais focados na história e nas histórias da antiguidade clássica.
Estes vídeos, que são melhor consumidos como pod-casts e que podem completamente ser ouvidos enquanto fazemos outra cena qualquer, como trabalhar ou correr ou pedalar ou postar selfies no Instagram ou criar um grupo de amigos no What's App ou lá o que as pessoas fazem na vida quando estão acordadas, são um exemplo virtuoso do que pode ser um programa pedagógico de larga audiência e a prova de que, apesar do Youtube (leia-se: apesar da Google), a plataforma do monitor vermelho continua a bombar alternativas, enquanto o mainstream mediático se fecha cada vez mais numa horrorosa, desertificada e aborrecida concórdia de elites.
Um esclarecido retrato dos Suevos, talvez a mais selvática cultura bárbara que a civilização romana teve que enfrentar, ilustra a elevação e a amigabilidade do discurso. E deixa os censores do Youtube (leia-se: os censores da Google) com um problema grande: que motivo pode haver para que este vídeo não inclua publicidade, de forma a que tanto o servidor da plataforma como o criador do conteúdo ganhem a sua justa recompensa material?
A censura é sempre contraproducente e o Youtube perde milhões e milhões de dólares todos os dias, quando retira a possibilidade de rendimento aos seus criadores. Por causa da ideologia, triunfa a falência. Não deve ser grande coisa, então, essa ideologia.
Estes vídeos, que são melhor consumidos como pod-casts e que podem completamente ser ouvidos enquanto fazemos outra cena qualquer, como trabalhar ou correr ou pedalar ou postar selfies no Instagram ou criar um grupo de amigos no What's App ou lá o que as pessoas fazem na vida quando estão acordadas, são um exemplo virtuoso do que pode ser um programa pedagógico de larga audiência e a prova de que, apesar do Youtube (leia-se: apesar da Google), a plataforma do monitor vermelho continua a bombar alternativas, enquanto o mainstream mediático se fecha cada vez mais numa horrorosa, desertificada e aborrecida concórdia de elites.
Um esclarecido retrato dos Suevos, talvez a mais selvática cultura bárbara que a civilização romana teve que enfrentar, ilustra a elevação e a amigabilidade do discurso. E deixa os censores do Youtube (leia-se: os censores da Google) com um problema grande: que motivo pode haver para que este vídeo não inclua publicidade, de forma a que tanto o servidor da plataforma como o criador do conteúdo ganhem a sua justa recompensa material?
A censura é sempre contraproducente e o Youtube perde milhões e milhões de dólares todos os dias, quando retira a possibilidade de rendimento aos seus criadores. Por causa da ideologia, triunfa a falência. Não deve ser grande coisa, então, essa ideologia.
sexta-feira, março 06, 2020
Courteeners para sempre.
Um conselho de amigo para quem gosta de pop/rock contemporâneo: oiçam a
última opus dos Courteeners - "More. Again. Forever.". Trata-se de um
disco inspirado, em boa hora parido por uma banda praticamente
desconhecida em Portugal, mas que bomba que se farta há uns bons 15 anos
ou assim. Desde a remota altura de "Not Nineteen Forever" que o que espero de facto destes rapazes é Mais, é Outra Vez e é Para
Sempre. É que eles conseguem, sem excepção, ser extremamente simpáticos com o ouvido enquanto recusam ceder a facilitismos de rápido acesso às tabelas de vendas e aos
prémios do gosto duvidoso. Seis estrelas em cinco possíveis.
Courteeners . Hanging Off Your Cloud
Courteeners . Hanging Off Your Cloud
segunda-feira, março 02, 2020
Prazer acústico.
Os The Slow Readers Club, que são convidados deste blog desde 2015, decidiram editar uma breve e desligada da corrente eléctrica revisitação de alguns dos seus temas e a obra é uma maravilha sensorial. Escolhi este musiquinha: três minutos e quinze segundos de puro prazer acústico.
The Slow Readers Club . Supernatural
The Slow Readers Club . Supernatural
quarta-feira, fevereiro 26, 2020
Que sonzaço.
X Ambassadors. No que diz respeito à fabricação, comércio e distribuição de malhas, esta banda é um caso sério.
X Ambassadors . Hold You Down
X Ambassadors . Hold You Down
domingo, fevereiro 23, 2020
Astrofísicos: não sabem o que fazer à vida.
Nos tempos que correm, de cada vez que tenho a infeliz ideia de pesquisar conteúdos sobre física fico sem saber se hei-de rir, se hei-de chorar ou se hei-de acender uma velinha pelas dores dos astrofísicos e dos físicos teóricos e dos matemáticos e dos falsos profetas que infestam os meios de comunicação com as "glórias" da ciência contemporânea.
Hoje entrei na QuantaMagazine e a notícia em destaque era esta: depois da observação, pelo LIGO - Gravitational Wave Observatory, da colisão de duas estrelas de neutrões (apenas a segunda observação deste fenómeno alguma vez realizada), a comunidade científica chegou por unanimidade à deprimente conclusão que o modelo canónico de sabedoria sobre super novas e estrelas de neutrões pode ser diligentemente enviado para o caixote do lixo das teorias que duram bastante tempo só para percebermos que não percebemos nada do assunto. É preciso voltar ao ponto zero, refazer radicalmente a matemática e inventar uma nova teoria, que há-de ter o mesmo destino da velha, claro.
A física contemporânea está constantemente a ser confrontada com os limites, os paradoxos e os erros do beco sem saída onde convicta e irresponsavelmente se colocou no fim do século XIX e no princípio do Século XX: a escola positivista/materialista já deu o que tinha a dar há muito tempo e agora é só somar frustrações e assumir ignorâncias e voltar aos respectivos pontos de partida.
Os dados do LIGO são dramáticos se pensarmos que há muitos desgraçados nas universidades de todo o mundo que dedicaram a sua vida aos falsos pressupostos que agora caíram do pedestal da pretensão académica. E cómicos, precisamente pela mesma razão.
Hoje entrei na QuantaMagazine e a notícia em destaque era esta: depois da observação, pelo LIGO - Gravitational Wave Observatory, da colisão de duas estrelas de neutrões (apenas a segunda observação deste fenómeno alguma vez realizada), a comunidade científica chegou por unanimidade à deprimente conclusão que o modelo canónico de sabedoria sobre super novas e estrelas de neutrões pode ser diligentemente enviado para o caixote do lixo das teorias que duram bastante tempo só para percebermos que não percebemos nada do assunto. É preciso voltar ao ponto zero, refazer radicalmente a matemática e inventar uma nova teoria, que há-de ter o mesmo destino da velha, claro.
A física contemporânea está constantemente a ser confrontada com os limites, os paradoxos e os erros do beco sem saída onde convicta e irresponsavelmente se colocou no fim do século XIX e no princípio do Século XX: a escola positivista/materialista já deu o que tinha a dar há muito tempo e agora é só somar frustrações e assumir ignorâncias e voltar aos respectivos pontos de partida.
Os dados do LIGO são dramáticos se pensarmos que há muitos desgraçados nas universidades de todo o mundo que dedicaram a sua vida aos falsos pressupostos que agora caíram do pedestal da pretensão académica. E cómicos, precisamente pela mesma razão.
sexta-feira, fevereiro 21, 2020
Jornalistas de seis anos de idade.
Historiador, biógrafo, ensaísta, cientista-político, polemista: génio. Vasco Pulido Valente morreu hoje e o país ficou sem um dos poucos intelectuais que não envergonham a República e a lamentável e infantil redacção do Observador, que acredita que o universo foi criado quando Einstein pôs a língua de fora, que Portugal teve a sua origem quando aderiu à União Europeia e que a democracia foi inventada por António Costa, decidiu reduzir a posteridade do célebre autor de "Glória" a esta parangona aviltante: Vasco Pulido Valente, o criador da "geringonça".Depois, quando as pessoas deixarem de todo de ler jornais (ou blogs que passam por jornais) e estes rapazinhos sem barba nem talento nem consciência de coisa alguma forem esplendidamente despedidos, não se venham queixar do triste fado. Deus é grande, é justo e não dorme.
quinta-feira, fevereiro 20, 2020
A Política é divertida.
Sei que é difícil defender este argumento, mas eu acho mesmo que a política é divertida. O nono debate das primárias do Partido Democrata foi divertido como nenhuma comédia pode ser. Se isto fosse ficção não tinha piada nenhuma, mas como é real, é hilariante. Os candidatos desataram desde o primeiro momento num boxe desenfreado que é puro entretenimento. A dado ponto, o desgraçado do Bloomberg (acho que foi a primeira vez na vida que tive pena de um bilionário) está quase para ir à cara da insuportável Warren, de tal forma electrificado se encontra o diálogo. A porrada retórica ferve para todos os lados, entre o silêncio envergonhado dos jornalistas e os gritinhos constrangidos da audiência.
Ben Shapiro comenta e ilustra o combate corpo a corpo, aqui:
O mais cómico de tudo isto é que neste momento o eleitorado democrata oscila entre o comunista Bernie e o ex-republicano, sete vezes mais rico do que Trump, Mike Bloomberg.
Dá mesmo vontade de rir.
Ben Shapiro comenta e ilustra o combate corpo a corpo, aqui:
O mais cómico de tudo isto é que neste momento o eleitorado democrata oscila entre o comunista Bernie e o ex-republicano, sete vezes mais rico do que Trump, Mike Bloomberg.
Dá mesmo vontade de rir.
segunda-feira, fevereiro 17, 2020
Heavy Metal And Video Games
Eric Elbogen volta a fazer das suas. Só o nome deste tema vale por tudo o resto. Caramba.
Say Hi . Heavy Metal And Video Games
Say Hi . Heavy Metal And Video Games
sexta-feira, fevereiro 14, 2020
389 crimes de ódio contra apoiantes de Trump desde 2015.
Para quem tem a ideia de que a esquerda é pacífica e a direita é que é de porradas, está aqui uma lista certificada e discriminada de 389 crimes de ódio cometidos contra republicanos nos Estados Unidos da América, desde 2015.
É claro que este não é o género de informação que a Sic Notícias ou a CNN gostem de partilhar com as audiências. Mas para alguma coisa serve este blog.
É claro que este não é o género de informação que a Sic Notícias ou a CNN gostem de partilhar com as audiências. Mas para alguma coisa serve este blog.
A SAS detesta os seus clientes.
A companhia aérea SAS lançou uma original (ou
deprimente?) campanha em que, basicamente, afirma que a Escandinávia não
tem cultura própria e não conta, nem nunca contou, para o totobola da
civilização. A SAS acha que os nórdicos não valem nada. O que os salva,
segundo esta brilhante (ou deprimente?) mensagem publicitária são os
imigrantes que, num grandiloquente acto de generosidade, estão dispostos
a ir viver para estas regiões inóspitas e gélidas, vá-se lá saber
porque misteriosas razões, dado o conforto, a prosperidade e a liberdade
que se vive nos seus países de origem.
O filme foi publicado na página Youtube da companhia onteontem e já soma neste momento mais de 14 mil dislikes contra apenas 1.3 mil likes, o que diz muito da reacção dos cidadãos suecos, dinamarqueses e noruegueses a este lindo (ou deprimente?) exercício de auto-aversão.
O filme foi publicado na página Youtube da companhia onteontem e já soma neste momento mais de 14 mil dislikes contra apenas 1.3 mil likes, o que diz muito da reacção dos cidadãos suecos, dinamarqueses e noruegueses a este lindo (ou deprimente?) exercício de auto-aversão.
O que diz Metaxas.
Tenho escrito imenso aqui no blog sobre a forte possibilidade da ciência vir a demonstrar, no fim das contas, a existência de Deus (um exemplo aqui). Eric Metaxas, o autor daquele que é provavelmente o mais popular artigo de divulgação científica escrito no século XXI, confirma, nestra palestra, tudo o que tenho afirmado e mais: os erros de Darwin, os erros de Freud, os erros de Eistein, os erros de Carl Sagan, os erros dos materialistas todos, que nos são apresentados como verdades absolutas, não consolam, não resolvem, não acertam no âmago das grandes questões que intrigam e exaltam o espírito humano. É preciso fazer melhor. É preciso corrigir os falsos paradigmas e construir novos. Com base na ciência contemporânea e no senso comum, é preciso reinventar um modelo filosófico e empírico que seja mais fiável na interpretação da realidade e na definição da matéria e no entendimento da consciência humana, que transcenda o reducionismo materialista, a obsessão pela aleatoriedade (de que a natureza não faz eco) e a tenebrosa - e fraudulenta - convicção de que o universo, tanto como a vida, são ausentes de significado.
My feet go boom boom boom.
Estes rapazinhos mexem com o esqueleto de qualquer um. É um pop/rock de onomatopeias e percussões endémicas, dançarino e feliz consigo próprio. Saudável.
X Ambassadors . Boom
X Ambassadors . Boom
Um critério esperto.
O OkCupid decidiu lançar esta campanha nojenta, que encoraja os utilizadores do site a escolherem o seu parceiro sexual com base na sua opinião política: "It's ok to choose mr. right based on how far he leans left."
A ideia é de um radicalismo extremo e imbecil e só intensifica a divisão social e a lógica de barricada que reina nos Estados Unidos e não só. Mas que se lixe. Se é para acabar de vez com a cultura, se é para terminar definitivamente a civilização, quanto mais rápido, quanto mais destrutivo for o processo, melhor.
Fico espantado comigo por ainda conseguir ficar chocado com estas merdas.
A ideia é de um radicalismo extremo e imbecil e só intensifica a divisão social e a lógica de barricada que reina nos Estados Unidos e não só. Mas que se lixe. Se é para acabar de vez com a cultura, se é para terminar definitivamente a civilização, quanto mais rápido, quanto mais destrutivo for o processo, melhor.
Fico espantado comigo por ainda conseguir ficar chocado com estas merdas.
segunda-feira, fevereiro 10, 2020
Internacional Socialista de Hollywood.
A cerimónia de entrega dos óscares tem "evoluído" nas últimas décadas no sentido da total ridicularia ao ponto da Academia não encontrar ninguém suficientemente puro para apresentar o evento. As audiências têm caído na medida da correcção política e da idiotia e da hipocrisia que reina neste triste espectáculo, claro, mas ainda assim, este ano, a coisa mergulhou substancialmente mais fundo no poço da infâmia e, a certo ponto, uma infeliz premiada resolveu evocar o célebre slogan do Manifesto do Partido Comunista, "Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!"
Parece que a actual Meca da Internacional Socialista tem o código postal de Hollywood, Los Angeles. É daqueles decrépitos bairros operários de Beverly Hills, Santa Monica e Bel Air, habitados por gente modestamente assalariada, génios oprimidos, talentos injustiçados e activistas de jacto privado, que provêm hoje as mais nobres e sábias interpretações da literatura marxista.
Liderado por revolucionários autênticos, austeros profetas e intelectuais abnegados como Brad Pitt, Robert De Niro e Meryl Streep, este é em definitivo o movimento que vai dar o grande salto para a frente de que a humanidade está dramaticamente carecida. O materialismo dialéctico ganha uma dimensão moral nunca antes experimentada. Os amanhã que cantam são amplificados por um inaudito poder vocal. Marx vive, Engels também e unidos venceremos.
Agora digam-me se há pachorra para isto.
domingo, fevereiro 09, 2020
A Solução Final.

Esta descendente da família Adams, que é, por incrível que possa parecer, professora de filosofia em Cambridge, defende, num livro que teve a infeliz ideia de escrever e que alguém desgraçadamente publicou, uma solução prática e eficaz para as alterações climáticas: a extinção da humanidade.
O artigo que anuncia o feliz lançamento desta obra monumental reza assim, a certa altura: "O livro argumenta que, devido aos danos causados a outras criaturas vivas na Terra, devemos começar gradualmente a eliminar a reprodução. Mas, em vez de oferecer um olhar sombrio para o futuro da humanidade, gerou discussões devido ao seu tom alegre e otimista, ao estabelecer uma visão positiva para o futuro da Terra - sem a humanidade."
Este optimismo apocalíptico envergonha, com a sua alegria metodológica, outros visionários positivistas que tentaram à sua maneira combater as alterações climáticas através da extinção de substanciais fracções da humanidade, como Mao Tse Tung, José Estaline e Adolf Hitler. A Solução Final de Patricia MacCormack é de longe mais radical e abrangente, mais ambiciosa e universal, já que resolve concomitantemente e em definitivo outro tipo de problemas como o racismo, o sexismo, a probreza a as injustiças sociais.
Greta Thunberg pode voltar para a escola. O planeta está salvo.
_____
Sargon of Akkad, o famoso activista e crítico britânico e um dos meus youtubers favoritos, destrói a obra de Patricia MacCormack muito melhor do que eu posso fazer, aqui:
sexta-feira, fevereiro 07, 2020
Um perigoso exercício de pretensão.
Não costumo meter-me com outras páginas de Facebook, porque o Facebook já é explosivo o suficiente e as coisas que de vez em quando lá - e aqui - escrevo já são bombásticas quanto baste. Mas o meu querido amigo Márcio Candoso, que é um realizado facebooker, inspirado poeta, colaborador intermitente do Blogville e uma pessoa de inteligência e talento, teve a infeliz ideia de postar uma frase que deu comigo em doido, de tal forma pretensiosa, de tal forma perigosa ela é. A frase foi esta: "A democracia é demasiado importante para que fique ao critério das pessoas".
Para além do óbvio facto de que a democracia que não depende do critério das pessoas (leia-se, totalidade dos cidadãos de uma dada nação) não é democracia, é oligarquia, acresce imensamente ao meu imenso incómodo a extrema presunção da frase. O Marcio Candoso acha que há muita gente que não devia participar da vida democrática, enquanto estipula implicitamente, que ele, e um punhado de bem pensantes como ele, é que deviam completamente estabelecer o democrático critério. A palavra democracia passa assim, no pensamento do meu amigo Márcio Candoso, a ter a conotação que tinha, por exemplo, na extinta e vencida e draconiana e soviética República Democrática Alemã. E o velho Adolfo também pensava um bocado desta perigosa forma e foi por isso que mandou incendiar o Reichstag.
É claro que o Márcio Candoso não tem uma maneira objectiva de saber que pessoas ilustres são dignas de aceder ao voto e que pessoas insignificantes é que não têm. Nem está interessado nisso, obviamente, porque é manifesto que o critério dele vai ser o ideológico: quem concorda com as ideias do Márcio Candoso sobre o que deve ser uma república no Ocidente, acede à mecânica democrática, quem não concorda, não acede. E as ideias dele, bolorentas e caducas e tecnicamente falidas sobre o que deve ser uma república no Ocidente, consubstanciam-se nisto: uma imensa monarquia Sueca, anacronicamente localizada nas duas ou três décadas do pós-guerra.
Por amor de Deus.
A verdade é que o Márcio acha que quem não concorda com ele é imbecil ou imoral. Por exemplo, em 2016, Trump foi eleito com 63 milhões de votos. Esta gente toda é, sem excepção, no visionário e discutível programa humanista do Márcio, ou imbecil ou imoral (o Márcio ignora que um terço destes destituídos barra canalhas também tinham votado no Obama, mas a vida - e a ciência estatísitica - é assim irónica).
Outro exemplo: os 14 milhões de ingleses que deram uma eloquente e massiva vitória a Boris Johnson nas legislativas de Dezembro último, deviam todos ser afastados das urnas, por demência ou banditismo ideológico. Também aqui, o Márcio parece esquecer que uns bons 4 milhões destes desgraçados passaram a vida a votar no Labour, partido com que ele simpatiza mais e cujos eleitores considera de certeza pessoas dignas da sua democracia. O problema é que os eleitores têm esta péssima mania de alterar o sentido do seu voto, ou seja, de passarem de pessoas inteligentes e morais a abjectos subptodutos regimentais que deviam ser internados rapidamente. Principalmente quando mudam de opinião no sentido inverso ao que o Márcio acha decente e intelectualmente válido e isso tudo.
O meu amigo está clamorosamente errado. E está clamorosamente do lado errado da história. E este simples facto demonstra o erro: a crónica eleitoral da Terceira República Portuguesa resume-se ao facto de muito pouca gente inteligente votar estupidamente e de muita gente estúpida votar com grande inteligência. É essa aliás uma das mais notáveis virtudes das democracias ocidentais: a de instituir uma inteligência colectiva - a do bom senso - que transcende largamente a capacidade intelectual de cada indivíduo.
quarta-feira, fevereiro 05, 2020
E depois o Trump é que é um bruto.
Ontem, no final do discurso sobre o Estado da Nação, a líder democrata do Congresso, Nancy Pelosi, achou por bem rasgar o "transcript" que lhe foi entregue em mão, como manda o protocolo, pelo Presidente Donald Trump.
Esta atitude infantil, mal criada e enraivecida é bem sintomática do estado de nervos em que se encontra o Partido Democrata. E da educação de Pelosi. Em novembro deste ano, a senhora é capaz de pagar bem caro este e outros infelizes comportamentos como este. O Deus da democracia é grande. E não dorme.
Esta atitude infantil, mal criada e enraivecida é bem sintomática do estado de nervos em que se encontra o Partido Democrata. E da educação de Pelosi. Em novembro deste ano, a senhora é capaz de pagar bem caro este e outros infelizes comportamentos como este. O Deus da democracia é grande. E não dorme.
Elogio do Ventura
De cada vez que os palhaços da República condenam o Ventura,
o Ventura ganha cinco mil votos.
De cada vez que os palhaços da República condenam a intenção
de devolver a deputada gaga à sua linda Guiné principal;
O ventura ganha dez mil votos.
De cada vez que o presidente da Assembleia da República tenta
a desastrada e infame tentativa de fazer calar o Ventura,
O Ventura ganha cem mil votos.
O Ventura, de cada vez que abre a boca e é censurado a seguir,
ganha vontos que nunca mais acabam.
O Ventura já vale mais votos que o Partido Comunista Português,
que anda para aqui e para ali na vida política portuguesa
desde o fim do século dezanove, pá.
O Ventura, que na verdade até é um gajo que não interessa a ninguém
e que começou a sua vida política a comentar o Benfica
no pior dos canais de televisão à excepção de todos os outros,
soma votos todos os dias
ao ritmo que o Presidente do Benfica soma euros na sua conta pessoal
E que o presidente da República soma vergonhas de baixo populismo
porque
Não há ninguém no mundo mais populista que o presidente da República e
o Ventura é um menino ao pé do populista mor-Marcelo.
Nunca imaginou o Ventura que ia ser tão ético,
que ia ter tanta razão nos intestinos da República, ao ponto de ser
censurado.
O Ventura arrisca-se a ser um sucesso político de verdade,
sem ter culpa nem mérito.
A culpa do sucesso político do Ventura,
como a culpa do mérito político do Ventura
é dos autistas que o rodeiam na assembleia da República e eles são todos
Autistas sem excepção.
Nas eleições legislativas de 2023, vou votar no Ventura.
Não por causa do Ventura, que é uma besta.
Por causa dos autistas, que são bestas
mais bestas, maiores bestas do que ele,
sem comparação.
O Ventura, comparado com o Ferro Rodrigues,
é um herói do caralho.
o Ventura ganha cinco mil votos.
De cada vez que os palhaços da República condenam a intenção
de devolver a deputada gaga à sua linda Guiné principal;
O ventura ganha dez mil votos.
De cada vez que o presidente da Assembleia da República tenta
a desastrada e infame tentativa de fazer calar o Ventura,
O Ventura ganha cem mil votos.
O Ventura, de cada vez que abre a boca e é censurado a seguir,
ganha vontos que nunca mais acabam.
O Ventura já vale mais votos que o Partido Comunista Português,
que anda para aqui e para ali na vida política portuguesa
desde o fim do século dezanove, pá.
O Ventura, que na verdade até é um gajo que não interessa a ninguém
e que começou a sua vida política a comentar o Benfica
no pior dos canais de televisão à excepção de todos os outros,
soma votos todos os dias
ao ritmo que o Presidente do Benfica soma euros na sua conta pessoal
E que o presidente da República soma vergonhas de baixo populismo
porque
Não há ninguém no mundo mais populista que o presidente da República e
o Ventura é um menino ao pé do populista mor-Marcelo.
Nunca imaginou o Ventura que ia ser tão ético,
que ia ter tanta razão nos intestinos da República, ao ponto de ser
censurado.
O Ventura arrisca-se a ser um sucesso político de verdade,
sem ter culpa nem mérito.
A culpa do sucesso político do Ventura,
como a culpa do mérito político do Ventura
é dos autistas que o rodeiam na assembleia da República e eles são todos
Autistas sem excepção.
Nas eleições legislativas de 2023, vou votar no Ventura.
Não por causa do Ventura, que é uma besta.
Por causa dos autistas, que são bestas
mais bestas, maiores bestas do que ele,
sem comparação.
O Ventura, comparado com o Ferro Rodrigues,
é um herói do caralho.
terça-feira, janeiro 28, 2020
Destas biclas, gosto.
O bombástico Clube de Bicicletas de Bombaim está de volta. Tudo o resto pode dar errado, mas estes rapazes acertam sempre.
Bombaim Bicycle Club . Everything Else Has Gone Wrong
Bombaim Bicycle Club . Everything Else Has Gone Wrong
segunda-feira, janeiro 27, 2020
Do pânico viral ao vírus gripal.
Não tenho qualquer tipo de formação nesta área, nem quero estar para aqui armado em parvo a tranquilizar as pessoas ao desvalorizar a perigosidade de um vírus de que sei quase nada, mas ainda assim, há duas ou três coisas sobre a histeria relacionada com o Coronavírus que considero higiénico assinalar.
A questão central aqui, como sempre acontece com estes epifenómenos amplificados pelos geradores de pânico a que chamamos comunicação social, não é bem a perigosidade do novo vírus. É mais o facto de ser novo. E de ser chinês. E de ter morcegos na história, ou laboratórios secretos, onde se fabricam belicismos químicos. É por isso que o vírus é notícia. As pessoas lêem estas notícias, borram-se de medo e lêem mais notícias sobre o assunto para se borrarem um bocado mais. E quanto mais notícias lêem mais receitas facturam os jornais por causa do medo que as pessoas têm de morrer.
Eu preferia que a comunicação social se dedicasse a outro tipo de inquirições como por exemplo: porque raio é que, chegado à terceira década do século XXI, eu ainda tenho que sofrer, durante duas semanas, dores musculares, dores de cabeça, dores de ouvidos, dores de rins, nariz entupido com ranho abundante, tosse seca, tosse molhada, frios e arrepios, febres e fastios, prostração, depressão e mal estar existencial por causa de uma merda de um vírus - o da gripe - cujos sintomas já foram sistematizados por Hipócrates há 2400 anos, cuja origem e método endémico são conhecidos há que tempos e cujas panaceias têm a eficácia de um charro para quem tem cancro nos pulmões?
Apesar das célebres vacinas, o vírus da gripe matou no Inverno de 2018, em Portugal, 3000 pessoas e nos Estados Unidos, só nos últimos 4 meses, 8.200 infelizes e na União Europeia, nos últimos dois anos, cerca de 150.000 desgraçados. Perante estes números, as notícias de apocalipse por vírus chinês são capazes de ser algo exageradas. Já as reportagens sobre a incompetência generalizada, por parte das ciências médicas, das autoridades sanitárias e de protecção civil em lidar com a porcaria deste velho vírus assassino, escasseiam escandalosamente. Porque a gripe não é um fenómeno novo. Não entramos em pânico com este vírus que nos é tão familiar e que nos mata às centenas de milhar por ano, da mesma forma que nos borramos completamente com o vírus do morcego chinês, que é exótico e parece saído de um daqueles filmes de Hollywood que são feitos mesmo à medida dos nossos piores pesadelos.
Tudo isto é de uma irracionalidade tão profunda que às vezes duvido da racionalidade do Sapiens.
sexta-feira, janeiro 24, 2020
Uma tirania do sono.
As regras procedimentais para o tribunal de Impeachment no Senado americano são um bocadinho draconianas. Por um lado, os senadores são obrigados a presenciar na íntegra todas as sessões, que podem durar 16 horas por dia, e por outro, não podem beber café. Sim, é verdade, não podem beber café. Estão condenados à água ou ao leite.
A coisa torna-se realmente insustentável quando Adam Schiff, o orador de serviço pelo lado democrata, descarrega sobre a sonolenta assembleia entediantes, repetitivos e alucinados discursos de 3 e 4 horas por unidade. O congressista é conhecido mais por ser um mentiroso descarado do que um tribuno eloquente, mas mesmo apesar de repetir loucamente as mais inacreditáveis e delirantes acusações sem apresentar qualquer vestígio de evidência factual (O actual presidente dos Estados Unidos da América é um agente russo, o líder da maioria republicana no Senado é um agente russo, a Rússia está prestes a invadir os Estados Unidos e toda a gente que não votar a destituição de Trump é um traidor à pátria, só para atirar assim à pressa alguns lunáticos exemplos), a verdade é que o esforçado senhor não consegue evitar que se instale no Senado uma espécie de tirania do sono.
O processo de impeachment, que antes de transitar para o senado já tinha sido um aborrecimento monumental no Congresso, parece afectar os senadores com uma mistura de LSD e drunfos: os democratas entretêm-se com ficções de carácter psicadélico enquanto os republicanos ressonam abundantemente. No entretanto, as audiências descem a pique. Apesar das cadeias televisivas de largo espectro mediático estarem a transmitir esta estupada (a CBS já desistiu e substituiu as intermináveis sessões plenárias por telenovelas), ninguém na verdade está a seguir o sedativo processo.
A razão do desinteresse do público americano pelo fastidioso e interminável julgamento está na previsibilidade do seu desfecho: toda a gente sabe que o Senado, de maioria republicana, nunca irá destituir um presidente republicano sem provas concretas de acto criminoso, mesmo tratando-se de Donald Trump, que não tem assim tantos amigos no partido pelo qual foi eleito; e toda a gente sabe que este processo é acima de tudo político e que não há qualquer razão formal ou legal ou até moral para destituir o actual inquilino da Casa Branca.
E assim sendo, os eleitores evitam a maçada e os senadores aproveitam para por o sono em dia. É a democracia a funcionar.
terça-feira, janeiro 14, 2020
Scotland Yard: uma polícia da opinião.
Há muita em gente em Portugal - e não só - que ainda não percebeu bem até que ponto as democracias ocidentais se estão a transformar em ditaduras. As pessoas pensam que vivem em democracia porque exercem o direito de voto, ponto final. Acontece que o pior fascismo não é o político. O pior fascismo é anterior ao momento político. O pior fascismo é aquele que controla o que pensas, o que dizes, o que escreves, o que lês, o que vês, o que aprendes, o que vestes, o que comes, o que bebes. E esse fascismo está completamente instalado. Para esses ingénuos distraídos, que ainda não deram pelo terrífico regime que se instalou na Europa e na América nos últimos 20 ou 30 anos, fica aqui um breve e claro exemplo. Esta é a Inglaterra dos tempos que correm. Arrepiante, não?
sexta-feira, janeiro 10, 2020
Poema do asfalto
Não sigas ninguém.
Persegue somente o caminho que tu asfaltas.
Mais tarde ou mais cedo vais chegar à horrível conclusão
que os teus heróis são uns merdas do pior e assim sendo,
não sigas ninguém.
Se vais por um caminho que alguém abriu, segues pelo caminho errado:
abre o teu próprio.
Pega na porcaria da catana e desbrava.
Pega na merda da betoneira e asfalta.
O caminho que desbravas e asfaltas pode levar a nenhum lugar.
Na maior parte dos casos, vai de certeza levar a nenhum lugar
porque a geografia é fodida e porque
o planeta é imenso e super difícil de asfaltar.
Azar.
Fizeste por ti e pelo teu caminho e, assim sendo, não tens culpa nenhuma.
É cem vezes melhor ter azar do que ter culpa, acredita.
O pior da vida não é teres asfaltado o caminho que leva a lugar nenhum.
O pior da vida é teres seguido o caminho que alguém asfaltou e que não leva a lugar nenhum.
Percebes?
Persegue somente o caminho que tu asfaltas.
Mais tarde ou mais cedo vais chegar à horrível conclusão
que os teus heróis são uns merdas do pior e assim sendo,
não sigas ninguém.
Se vais por um caminho que alguém abriu, segues pelo caminho errado:
abre o teu próprio.
Pega na porcaria da catana e desbrava.
Pega na merda da betoneira e asfalta.
O caminho que desbravas e asfaltas pode levar a nenhum lugar.
Na maior parte dos casos, vai de certeza levar a nenhum lugar
porque a geografia é fodida e porque
o planeta é imenso e super difícil de asfaltar.
Azar.
Fizeste por ti e pelo teu caminho e, assim sendo, não tens culpa nenhuma.
É cem vezes melhor ter azar do que ter culpa, acredita.
O pior da vida não é teres asfaltado o caminho que leva a lugar nenhum.
O pior da vida é teres seguido o caminho que alguém asfaltou e que não leva a lugar nenhum.
Percebes?
segunda-feira, janeiro 06, 2020
Ricky Gervais destrói as estrelinhas de Hollywood.
Não costumo ligar nenhuma a estes eventos aborrecidos e irritantes e politicamente correctos e extremamente hipócritas com
que a constrangedora indústria de Hollywood masturba
a auto-estima periodicamente. Mas o monólogo de Ricky Gervais na cerimónia dos Golden Globe Awards é um daqueles momentos épicos em que a verdade, que tem sido escandalosamente escondida e disfarçada e manipulada, rebenta em glória pirotécnica através do mais corrosivo e corajoso humor que se possa imaginar.
Tenho que deixar aqui, para a posteridade electrónica, a transcrição de um pequeno, mas poderoso, segmento do monólogo:
"Apple roared into the TV game with The Morning Show, a superb drama about the importance of dignity and doing the right thing, made by a company that runs sweatshops in China. So you say you're woke but the companys you work for, I mean, unbelievable: Apple, Amazon, Disney... If ISIS started a streaming service, you would call your agents, wouldn't you? So, if you do win an award tonight, don’t use it as a platform to make a political speech. You’re in no position to lecture the public about anything. You know nothing about the real world. Most of you spent less time in school than Greta Thunberg. So, if you win, come up, accept your little award, thank your agent and your God and fuck off."
Em resumo: Gervais lançou ontem, sobre esta corja de retardados, uma fabulosa, inspirada e merecidíssima carga de cavalaria. E basta olhar para as carinhas constrangidas da audiência para percebermos o acerto militar da ofensiva. Lindo. Absolutamente lindo.
Tenho que deixar aqui, para a posteridade electrónica, a transcrição de um pequeno, mas poderoso, segmento do monólogo:
"Apple roared into the TV game with The Morning Show, a superb drama about the importance of dignity and doing the right thing, made by a company that runs sweatshops in China. So you say you're woke but the companys you work for, I mean, unbelievable: Apple, Amazon, Disney... If ISIS started a streaming service, you would call your agents, wouldn't you? So, if you do win an award tonight, don’t use it as a platform to make a political speech. You’re in no position to lecture the public about anything. You know nothing about the real world. Most of you spent less time in school than Greta Thunberg. So, if you win, come up, accept your little award, thank your agent and your God and fuck off."
Em resumo: Gervais lançou ontem, sobre esta corja de retardados, uma fabulosa, inspirada e merecidíssima carga de cavalaria. E basta olhar para as carinhas constrangidas da audiência para percebermos o acerto militar da ofensiva. Lindo. Absolutamente lindo.
sexta-feira, janeiro 03, 2020
terça-feira, dezembro 31, 2019
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