A Ferrari só sabe construir clássicos, claro, mas este 250 GT é um dos meus preferidos. Já não se desenham automóveis assim. Ninguém tem a ousadia necessária a esta aventura estética.
Um dos mais notáveis carros de corrida do seu tempo, o 250 GT era uma verdadeira máquina de devorar asfalto: o chassis leve, a curta distância entre eixos, a baixa altura ao solo e os 240 cavalos do motor de 12 cilindros garantiam performances assustadoras. Tudo o resto garantia classe.
Se o diabo fosse um automóvel, seria um 250 GT Berlineta SWB.
domingo, março 31, 2019
segunda-feira, março 25, 2019
quarta-feira, março 20, 2019
Vivaldi metálico.
Ainda a propósito de boa música metalizada, os Sinfonity, que vão estar em Portugal no fim deste mês, arranham um intempestivo Vivaldi, com ganas de electrificar o mundo:
Sinfonity plays Vivaldi . Four Seasons . Storm
Sinfonity plays Vivaldi . Four Seasons . Storm
terça-feira, março 19, 2019
E agora algo completamente diferente.
Deafheaven. Uma banda de Black Metal que este meu querido amigo fez o favor de me apresentar e que tem muito que se lhe diga. Eu já não ouvia metal há décadas, bem entendido, mas fiquei super agradado com esta opereta aqui:
Deafheaven . You Without End
Deafheaven . You Without End
Jornal de Letras - 2016/2018 - #03
Maquiavel e a Dama . Somerset Maugham . Livros do Brasil
Uma obra meio biográfica, meio ficcional, que relata uma paixoneta que Maquiavel entretém em Imola, enquanto procura desesperadamente convencer César Bórgia a não incluir Florença nos seus planos de conquista. Sendo escrito por quem é, um dos grandes mestres da novela, não admira que o leitor esteja perante um bocado magistral de literatura. Acresce que a tradução desta edição dos anos cinquenta é assinada por Erico Veríssimo, o que transforma este livrinho numa rara e preciosa jóia. Cinco estrelas.
Fanny Owen . Augustina Bessa-Luís . Guimarães Editores
Nunca tinha lido nada da Augustina e pensava que isso era uma lacuna grave. Depois de ler este enfadonho romance, percebi que fiz muitíssimo bem em ingorá-la durante tantos anos. Até Camilo Castelo Branco, um dos protagonista da rábula e que seria a todos os títulos um personagem literário de grande potencial, se torna um chato irrecuperável. Sendo que a obra, se assim lhe podemos chamar, tem como génese uma encomenda do Manuel de Oliveira para o seu filme "Francisca", não é de estranhar que se trate de uma estopada das antigas, mas ainda assim acho que não vou repetir o erro de voltar a pegar num livro escrito por esta senhora.
Mistérios de Lisboa . Camilo Castelo Branco . 3 vols . Parceria A. M. Ferreira Lda.
A propósito do Camilo, desde que descobri que tinha na cave as obras completas desta figura monumental (a propriedade da colecção é do meu sogro), tenho procurado ler alguma coisa para além d'O Judeu e da Queda de um Anjo, que já tinha lido há muitos anos, embora, claro está, tenha perfeita consciência que morrerei sem consumir nem um terço da coisa, porque o homem escreveu muito para lá daquilo que é admissível dar conta. Comecei por esta trilogia, que é deliciosa: um vasto conjunto de pequenas novelas sobre os intestinos emocionais, psicológicos e sociais da Lisboa do Século XIX, naquele registo ultra-romântico e meio decadente que caracteriza o imortal autor. Adorei, para dizer a verdade.
A Lógica do Dinheiro . Niall Ferguson . Temas e Debates
Este é um autor que sigo com zelo de discípulo porque se trata claramente de um dos mais brilhantes intelectuais ingleses da sua geração. Fiz a recensão crítica do seu "Colosso" aqui há uns três anos atrás, para o Deus Me Livro, e esta obra também merecia semelhante dedicação, para a qual não tenho vagar neste momento. Fica em vez disso - e se calhar melhor do que isso - um documentário poderoso que Ferguson realizou em 2016 sobre o tema do dinheiro. E uma nota só: alguma vez te passou pela cabeça, gentil leitor, que o dinheiro é o único elo de confiança verdadeiramente unânime que é possível estabelecer entre todos os povos da Terra? Sobre o dinheiro, e o seu valor não nominal, parecemos estar todos de acordo. É, na verdade, a única coisa sobre a qual todos concordamos no correr da história universal.
O Pátio Maldito . Ivo Andric . Cavalo de Ferro
Ivo Andric é um dos poucos Nobel que de facto mereceram o prémio nos últimos 70 anos. É claro que este Pátio Maldito não está no patamar olímpico de Uma Ponte Sobre o Drina, mas não deixa de ser uma novela intensa, saborosa e multi-dimensional sobre um monge cristão que é enfiado, por erro judicial, na pior prisão de Instambul. Excelente bocadinho de literatura.
O Arquipélago Gulag . Aleksandr Soljenítsin . Sextante Editora
Sempre tive uma enorme admiração por Soljenítsin, depois de ter lido O Pavilhão dos Cancerosos na adolescência. Mas, tendo absorvido posteriormente muita informação sobre a vida e a obra deste grande herói russo, este enorme guerreiro da liberdade, nunca mais li nada escrito por ele. Isso aconteceu só agora com este monumental documento que constitui factualmente um dos mais importantes contributos para a queda do Império Soviético.
Soljenítsin relata, com fôlego enciclopédico e coragem épica, todo o indiscriminado e absoluto horror dos campos de trabalho do regime dos sovietes. E fá-lo graças à recolha de milhares de casos concretos, de pessoas reais apanhadas na teia da mais sinistra aranha do século XX: a do totalitarismo comunista.
Testemunho impressionante da brutalidade e do niilismo a que chegou o poder soviético, O Arquipélago Gulag devia ser leitura obrigatória para os millenials deste mundo (e outros parvos mais velhos), que encaram o socialismo como uma receita plausível para os males da civilização.
Jordan B. Peterson redigiu o prefácio para uma recente edição em Inglês desta obra imortal. Aqui fica esse prefácio, lido por ele mesmo:
Curvas Ideais, Relações Desconhecidas e Outras Histórias da Matemática . Jorge Buescu . Gradiva
O meu estimado amigo Jorge Buesco é sem qualquer dúvida o grande divulgador da Matemática e da Física no nosso país e já aqui muito escrevi a propósito dos volumes que o emérito professor da FCUL tem editado pela Gradiva. Este novo conjunto de ensaios não foge à boa regra de ensinar ciência a leigos através do recurso às histórias que estão por trás das descobertas, dos cálculos e dos teoremas. Das ondas gravitacionais (e respectivas hesitações de Einstein) aos problemas do tráfego automóvel, da geometria de Almada Negreiros ao Bitcoin, mergulhamos com o Professor num universo de charadas e enigmas, de falhanços e de glórias, de ideias terra-transformadoras e episódios recambulescos para ficarmos um bocadinho mais sábios.
Se gostas de ler sobre ciência, gentil leitor, compra e lê todos os livros do Professor Buescu.
Cem Provérbios Chineses . Recolha e comentários de Fan Wixin . Instituto cultural de Macau
Os proverbios chineses não são bem um equivalente dos provérbios como os entendemos em Portugal. Os nossos provérbios têm origem na sabedoria popular. Os provérbios chieneses tâm origem na erudição histórica. O que os torna bem mais interessantes.
Por exemplo, para dizer que não se deve julgar ninguém de forma definitiva, sem ter em conta a sua capacidade de evoluir no tempo, um chinês recorre ao seguinte provérbio: "ao fim de três dias sem ser visto, um homem deve ser olhado com outros olhos". A máxima tem origem numa história que decorre entre os anos 20 e 80 da nossa era, no chamado Período dos Três Reinos. Um general analfabeto, Lu Mong, valente mas intelectualmente desconsiderado, é destacado pelo seu rei para um palco operacional de grande complexidade. Três anos depois é visitado por Lu Su, o Ministro da Guerra, que verifica, espantado, que Lu Mong tinha resolvido os problemas militares com mestria táctica, inovando sobre a doutrina da guerra. Perante o pasmo do ministro, Lu Mong contrapõe a frase proverbial, que fica para a posteridade.
Este livro é uma verdadeira montanha de sabedoria e erudição oriental, cuja leitura me deu um prazer enorme.
Uma obra meio biográfica, meio ficcional, que relata uma paixoneta que Maquiavel entretém em Imola, enquanto procura desesperadamente convencer César Bórgia a não incluir Florença nos seus planos de conquista. Sendo escrito por quem é, um dos grandes mestres da novela, não admira que o leitor esteja perante um bocado magistral de literatura. Acresce que a tradução desta edição dos anos cinquenta é assinada por Erico Veríssimo, o que transforma este livrinho numa rara e preciosa jóia. Cinco estrelas.
Fanny Owen . Augustina Bessa-Luís . Guimarães Editores
Nunca tinha lido nada da Augustina e pensava que isso era uma lacuna grave. Depois de ler este enfadonho romance, percebi que fiz muitíssimo bem em ingorá-la durante tantos anos. Até Camilo Castelo Branco, um dos protagonista da rábula e que seria a todos os títulos um personagem literário de grande potencial, se torna um chato irrecuperável. Sendo que a obra, se assim lhe podemos chamar, tem como génese uma encomenda do Manuel de Oliveira para o seu filme "Francisca", não é de estranhar que se trate de uma estopada das antigas, mas ainda assim acho que não vou repetir o erro de voltar a pegar num livro escrito por esta senhora.
Mistérios de Lisboa . Camilo Castelo Branco . 3 vols . Parceria A. M. Ferreira Lda.
A propósito do Camilo, desde que descobri que tinha na cave as obras completas desta figura monumental (a propriedade da colecção é do meu sogro), tenho procurado ler alguma coisa para além d'O Judeu e da Queda de um Anjo, que já tinha lido há muitos anos, embora, claro está, tenha perfeita consciência que morrerei sem consumir nem um terço da coisa, porque o homem escreveu muito para lá daquilo que é admissível dar conta. Comecei por esta trilogia, que é deliciosa: um vasto conjunto de pequenas novelas sobre os intestinos emocionais, psicológicos e sociais da Lisboa do Século XIX, naquele registo ultra-romântico e meio decadente que caracteriza o imortal autor. Adorei, para dizer a verdade.
A Lógica do Dinheiro . Niall Ferguson . Temas e Debates
Este é um autor que sigo com zelo de discípulo porque se trata claramente de um dos mais brilhantes intelectuais ingleses da sua geração. Fiz a recensão crítica do seu "Colosso" aqui há uns três anos atrás, para o Deus Me Livro, e esta obra também merecia semelhante dedicação, para a qual não tenho vagar neste momento. Fica em vez disso - e se calhar melhor do que isso - um documentário poderoso que Ferguson realizou em 2016 sobre o tema do dinheiro. E uma nota só: alguma vez te passou pela cabeça, gentil leitor, que o dinheiro é o único elo de confiança verdadeiramente unânime que é possível estabelecer entre todos os povos da Terra? Sobre o dinheiro, e o seu valor não nominal, parecemos estar todos de acordo. É, na verdade, a única coisa sobre a qual todos concordamos no correr da história universal.
O Pátio Maldito . Ivo Andric . Cavalo de Ferro
Ivo Andric é um dos poucos Nobel que de facto mereceram o prémio nos últimos 70 anos. É claro que este Pátio Maldito não está no patamar olímpico de Uma Ponte Sobre o Drina, mas não deixa de ser uma novela intensa, saborosa e multi-dimensional sobre um monge cristão que é enfiado, por erro judicial, na pior prisão de Instambul. Excelente bocadinho de literatura.
O Arquipélago Gulag . Aleksandr Soljenítsin . Sextante Editora
Sempre tive uma enorme admiração por Soljenítsin, depois de ter lido O Pavilhão dos Cancerosos na adolescência. Mas, tendo absorvido posteriormente muita informação sobre a vida e a obra deste grande herói russo, este enorme guerreiro da liberdade, nunca mais li nada escrito por ele. Isso aconteceu só agora com este monumental documento que constitui factualmente um dos mais importantes contributos para a queda do Império Soviético.
Soljenítsin relata, com fôlego enciclopédico e coragem épica, todo o indiscriminado e absoluto horror dos campos de trabalho do regime dos sovietes. E fá-lo graças à recolha de milhares de casos concretos, de pessoas reais apanhadas na teia da mais sinistra aranha do século XX: a do totalitarismo comunista.
Testemunho impressionante da brutalidade e do niilismo a que chegou o poder soviético, O Arquipélago Gulag devia ser leitura obrigatória para os millenials deste mundo (e outros parvos mais velhos), que encaram o socialismo como uma receita plausível para os males da civilização.
Jordan B. Peterson redigiu o prefácio para uma recente edição em Inglês desta obra imortal. Aqui fica esse prefácio, lido por ele mesmo:
Curvas Ideais, Relações Desconhecidas e Outras Histórias da Matemática . Jorge Buescu . Gradiva
O meu estimado amigo Jorge Buesco é sem qualquer dúvida o grande divulgador da Matemática e da Física no nosso país e já aqui muito escrevi a propósito dos volumes que o emérito professor da FCUL tem editado pela Gradiva. Este novo conjunto de ensaios não foge à boa regra de ensinar ciência a leigos através do recurso às histórias que estão por trás das descobertas, dos cálculos e dos teoremas. Das ondas gravitacionais (e respectivas hesitações de Einstein) aos problemas do tráfego automóvel, da geometria de Almada Negreiros ao Bitcoin, mergulhamos com o Professor num universo de charadas e enigmas, de falhanços e de glórias, de ideias terra-transformadoras e episódios recambulescos para ficarmos um bocadinho mais sábios.
Se gostas de ler sobre ciência, gentil leitor, compra e lê todos os livros do Professor Buescu.
Cem Provérbios Chineses . Recolha e comentários de Fan Wixin . Instituto cultural de Macau
Os proverbios chineses não são bem um equivalente dos provérbios como os entendemos em Portugal. Os nossos provérbios têm origem na sabedoria popular. Os provérbios chieneses tâm origem na erudição histórica. O que os torna bem mais interessantes.
Por exemplo, para dizer que não se deve julgar ninguém de forma definitiva, sem ter em conta a sua capacidade de evoluir no tempo, um chinês recorre ao seguinte provérbio: "ao fim de três dias sem ser visto, um homem deve ser olhado com outros olhos". A máxima tem origem numa história que decorre entre os anos 20 e 80 da nossa era, no chamado Período dos Três Reinos. Um general analfabeto, Lu Mong, valente mas intelectualmente desconsiderado, é destacado pelo seu rei para um palco operacional de grande complexidade. Três anos depois é visitado por Lu Su, o Ministro da Guerra, que verifica, espantado, que Lu Mong tinha resolvido os problemas militares com mestria táctica, inovando sobre a doutrina da guerra. Perante o pasmo do ministro, Lu Mong contrapõe a frase proverbial, que fica para a posteridade.
Este livro é uma verdadeira montanha de sabedoria e erudição oriental, cuja leitura me deu um prazer enorme.
quarta-feira, março 13, 2019
A contratação mais baratinha da história universal do pontapé na bola.
Há um ano atrás, Cristiano Ronaldo demonstrou claramente, neste mesmo palco de Turim, que a diferença estava nele e em mais ninguém e o Real Madrid eliminou a Juventus. Hoje, voltou a provar o seu ponto: quem tem o CR7 costuma seguir em frente na mais exigente competição de futebol já inventada. E a Juventus suplantou um outro grande de Espanha.
A miserável quantia que os italianos pagaram ao rival ibérico por este marciano, talvez o melhor jogador de futebol de sempre, já está, claro, mais que paga e mais que rentabilizada. Este foi, muito provavelmente, o melhor negócio já feito por um clube desde que alguém numa universidade inglesa decidiu que a bola devia ser redonda e jogada preferencialmente com os pés.
Nesta altura da sua carreira, Ronaldo faz história de cada vez que entra em campo. Às vezes, como aconteceu hoje, faz mais que isso. Faz posteridade.
segunda-feira, março 11, 2019
domingo, março 10, 2019
Convém ler o dr. Gonçalves:
O PS (o PS dos boatos sobre Sá Carneiro, o PS do livro censurado de Rui
Mateus, o PS da Casa Pia, o PS das inúmeras habilidades do “eng.”
Sócrates, o PS dos telefonemas irados ou doces aos directores de
informação, o PS que manda na linha editorial dos jornais a ponto de os
tornar irrelevantes ou extintos, o PS que deu à Lusa uma credibilidade
idêntica à do saudoso “O Crime”, o PS que inventou a ERC, o PS dos
resgates à banca e dos saques ao contribuinte, o PS das negociatas
disfarçadas de “desígnios”, o PS sem vergonha da vergonha dos incêndios
de 2017, o PS das austeridades viradas na retórica e agravadas na
prática, o PS do blogue Câmara Corporativa, do sr. Abrantes e de
incontáveis jagunços que saltitam nas “redes sociais” e nos espaços de
“opinião pública”, o PS da propaganda descarada, o PS dos paquistaneses
travestidos de militantes, o PS que branqueia o rosto do líder como
branqueia cada embrulhada em que se mete, o PS das prosperidades que
terminam em bancarrota, o PS dos srs. Centeno, Ferro e César, o PS que
mais do que qualquer outro partido se confunde com o sinistro “aparelho
de Estado”, o PS enfim que, há dias, criou a agência espacial
portuguesa) quer acabar com as “fake news”.
Primeiro parágrafo da crónica de ontem de Alberto Gonçalves, no Observador. Convém ler o resto.
Primeiro parágrafo da crónica de ontem de Alberto Gonçalves, no Observador. Convém ler o resto.
Pela Estrada Fora #19
O segmento da Nacional 9-1, que sobe da Penha Longa para a Malveira da Serra, é um monumento ao asfalto. A estrada é sinuosa tanto como é rápida, e transita de forma espectacular da cenografia fechada da floresta para um palco panorâmico e exuberante sobre o Atlântico. Além disso, oferece várias entradas para troços absolutamente lindos - e desertos - do velho Rally de Portugal. Pode parecer incrível, mas Sintra ainda tem algumas estradas secretas (assunto para um próximo post).


sexta-feira, março 08, 2019
Com o Twitter à mostra.
Da primeira vez que Joe Rogan entrevistou Jack Dorsey, o criador e actual CEO do Twitter, a coisa não correu muito bem, porque Rogan não estava nitidamente num dia bom e poupou imenso o entrevistado, principalmente nas questões ligadas à censura e aos constantes atentados à livre expressão por parte do gigante americano. Mas sendo Joe Rogan o tipo decente que é, percebeu bem a avalanche de críticas e decidiu gravar outro programa dedicado ao assunto. Voltou a convidar Dorsey, que veio acompanhado pela sua directora de moderação - Vijaya Gadde, mas agora optou por convidar também o tremendo Tim Pool, para que os executivos da rede social do canário fossem confrontados por um adversário à altura. E Tim Pool é um desses.
Nem vale a pena dizer que este podcast resultou bem melhor do que o anterior, tanto mais que dá para perceber perfeitamente que o Tweeter não é uma plataforma ideologicamente neutra. A conversa é sempre elevada e extremamente interessante; tanto Dorsey como Gadde mostram uma atitude dialéctica, positiva e até humilde, que é de assinalar, mas não conseguem na verdade disfarçar o preconceito ideológico, que começa logo por estar presente nas regras impostas aos utilizadores. E acaba num problema central, reconhecido por Dorsey: o pensamento de esquerda é dominante nas grandes techs de S. Francisco e dessa generalizada inclinação resultam plataformas preconceituosas, imparciais e, frequentemente, censórias. Marquei o início do vídeo para um momento que é bem explícito, mas todo o talkshow é eloquente nessa revelação. E das duas uma: ou o Twitter corrige a sua actuação doutrinária ou vai ter que perder os benefícios fiscais de que usufrui por não ter estatuto editorial. É preciso ter em conta que estamos a falar da mais poderosa máquina de fazer política dos tempos que correm.
De qualquer forma, estas 3 horas de formidável debate mostram que a América ainda conserva as suas velhas virtudes: liberdade de pensamento e de discurso, idealismo e capacidade de gerar massa crítica, material e cultural, para mudar o mundo.
Eu sei bem que em Portugal há muita gente que nem sequer se apercebe do que está acontecer com as grandes empresas tecnológicas americanas, que se transformaram em poderosas máquinas de convergência ideológica e, logo, de censura aberta e massiva. Infelizmente, desconfio que, mais tarde ou mais cedo, vamos todos sofrer os efeitos dessa tirania, independentemente até do espectro político em que nos localizamos. Mas por essa altura, o fenómeno será muito mais difícil de travar. Esse é, aliás, um dos problemas históricos do fascismo. É sempre diagnosticado tarde demais.
Nem vale a pena dizer que este podcast resultou bem melhor do que o anterior, tanto mais que dá para perceber perfeitamente que o Tweeter não é uma plataforma ideologicamente neutra. A conversa é sempre elevada e extremamente interessante; tanto Dorsey como Gadde mostram uma atitude dialéctica, positiva e até humilde, que é de assinalar, mas não conseguem na verdade disfarçar o preconceito ideológico, que começa logo por estar presente nas regras impostas aos utilizadores. E acaba num problema central, reconhecido por Dorsey: o pensamento de esquerda é dominante nas grandes techs de S. Francisco e dessa generalizada inclinação resultam plataformas preconceituosas, imparciais e, frequentemente, censórias. Marquei o início do vídeo para um momento que é bem explícito, mas todo o talkshow é eloquente nessa revelação. E das duas uma: ou o Twitter corrige a sua actuação doutrinária ou vai ter que perder os benefícios fiscais de que usufrui por não ter estatuto editorial. É preciso ter em conta que estamos a falar da mais poderosa máquina de fazer política dos tempos que correm.
De qualquer forma, estas 3 horas de formidável debate mostram que a América ainda conserva as suas velhas virtudes: liberdade de pensamento e de discurso, idealismo e capacidade de gerar massa crítica, material e cultural, para mudar o mundo.
Eu sei bem que em Portugal há muita gente que nem sequer se apercebe do que está acontecer com as grandes empresas tecnológicas americanas, que se transformaram em poderosas máquinas de convergência ideológica e, logo, de censura aberta e massiva. Infelizmente, desconfio que, mais tarde ou mais cedo, vamos todos sofrer os efeitos dessa tirania, independentemente até do espectro político em que nos localizamos. Mas por essa altura, o fenómeno será muito mais difícil de travar. Esse é, aliás, um dos problemas históricos do fascismo. É sempre diagnosticado tarde demais.
quarta-feira, março 06, 2019
Se usas os teus neurónios - e não o tom da tua pele - para teres opinião própria,
estás fodido:
É difícil pensar que ainda vivemos dentro dos parâmetros da democracia clássica ocidental, quando as pessoas são publicamente castigadas por terem uma opinião que é apenas diferente.
É difícil pensar que ainda vivemos dentro dos parâmetros da democracia clássica ocidental, quando as pessoas são publicamente castigadas por terem uma opinião que é apenas diferente.
terça-feira, março 05, 2019
The Leftovers: uma redefinição conceptual do produto televisivo.
Para não estragar nada a quem ainda não viu esta série, mostro apenas o impecável opening title da segunda temporada de "The Leftovers", uma produção da HBO que está a mexer imenso com o esqueleto da minha sensibilidade.
A série foi produzida entre 2015 e 2017, mas só agora decidi investir nisto e foi em boa hora, porque se trata de um produto televisivo que é capaz, como poucos, de terra-transformar radicalmente a geografia emocional do espectador.
The Leftovers desenrola-se sob um pressuposto inicial que parece de modesta intensidade dramática: a narrativa começa 4 anos depois de um evento sobrenatural ter feito desaparecer 2% da população humana global. Só que a forma como Damon Lindelof e Tom Perrotta trabalham sobre este pressuposto é densa e tentacular e transcende qualquer tipo de cliché apocalíptico. As consequências do desaparecimento de 2 pessoas em 100 não se revelam tanto no sofrimento directo daqueles que perderam os seus familiares e amigos, mas sim na angústia existencial que se abate sobre toda a sociedade. Na dificuldade de entendimento físico e metafísico do fenómeno, que leva a um surto de esquizofrenia individual e colectiva e religiosa que é verdadeiramente aterrador.
Os personagens desta série são sujeitos a um percurso desesperante de caos e inquietude, de contrariedades e arrependimentos, de solidão e niilismo, de tal forma que são incapazes de se apresentar como heróis ou vilões: são apenas gente de quem temos pena, ou por quem nutrimos simpatia. São pessoas normais, frágeis e complexas, apanhadas numa tempestade desenhada por Schopenhauer.
Estou agora a terminar a segunda temporada e desconfio que, como já fez em "Lost", Lindelof não vai explicar todas as anomalias ontológicas a que submete a interpretação do audiente, mas, ainda assim, não tenho motivos para descrer que a terceira temporada não consolide a genialidade toda do projecto.
Da irreverência vanguardista da banda sonora ao classicismo temático do guião, que se inspira na tragédia grega tanto como nas escrituras judaico-cristãs, este é, sem dúvida alguma, um contributo sério para a redefinição do que deve ser a televisão no século XXI. E, por uma vez, trata-se de um produto não politizado. O que, nos tempos que correm, não é dizer pouco. Cinco estrelas.
A série foi produzida entre 2015 e 2017, mas só agora decidi investir nisto e foi em boa hora, porque se trata de um produto televisivo que é capaz, como poucos, de terra-transformar radicalmente a geografia emocional do espectador.
The Leftovers desenrola-se sob um pressuposto inicial que parece de modesta intensidade dramática: a narrativa começa 4 anos depois de um evento sobrenatural ter feito desaparecer 2% da população humana global. Só que a forma como Damon Lindelof e Tom Perrotta trabalham sobre este pressuposto é densa e tentacular e transcende qualquer tipo de cliché apocalíptico. As consequências do desaparecimento de 2 pessoas em 100 não se revelam tanto no sofrimento directo daqueles que perderam os seus familiares e amigos, mas sim na angústia existencial que se abate sobre toda a sociedade. Na dificuldade de entendimento físico e metafísico do fenómeno, que leva a um surto de esquizofrenia individual e colectiva e religiosa que é verdadeiramente aterrador.
Os personagens desta série são sujeitos a um percurso desesperante de caos e inquietude, de contrariedades e arrependimentos, de solidão e niilismo, de tal forma que são incapazes de se apresentar como heróis ou vilões: são apenas gente de quem temos pena, ou por quem nutrimos simpatia. São pessoas normais, frágeis e complexas, apanhadas numa tempestade desenhada por Schopenhauer.
Estou agora a terminar a segunda temporada e desconfio que, como já fez em "Lost", Lindelof não vai explicar todas as anomalias ontológicas a que submete a interpretação do audiente, mas, ainda assim, não tenho motivos para descrer que a terceira temporada não consolide a genialidade toda do projecto.
Da irreverência vanguardista da banda sonora ao classicismo temático do guião, que se inspira na tragédia grega tanto como nas escrituras judaico-cristãs, este é, sem dúvida alguma, um contributo sério para a redefinição do que deve ser a televisão no século XXI. E, por uma vez, trata-se de um produto não politizado. O que, nos tempos que correm, não é dizer pouco. Cinco estrelas.
segunda-feira, março 04, 2019
A lógica do ódio e como vencê-la.
Aqui há duas semanas atrás, Hayden Williams, um jovem activista conservador, foi violentamente agredido no Campus de Berkeley, apenas porque manifestava o seu apoio a Trump. As imagens são chocantes.
Dez dias depois, a polícia de Richmond lá conseguiu identificar o agressor, Zacckary Greenberg, que vai ser certamente poupado pelo sistema judicial californiano, embora dificilmente consiga escapar a uma pena onerosa no processo civil que concerteza se seguirá.
Este episódio é bem demonstrativo do fascismo que impera na academia americana, e das dificuldades relativas à liberdade de expressão que os estudantes conservadores experimentam actualmente nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa.
Se repararem bem no áudio do vídeo, os meliantes acusam Hayden de incentivar o ódio pela razão de usar um boné MAGA (Make America Great Again) e apresentam como solução o espancamento do rapaz. A lógica aqui é totalitária: se a tua voz incomoda, a violência é a melhor forma de repor o silêncio.
Provavelmente naquele que é o momento mais importante - e vibrante - do seu discurso interminável no CPAC deste ano, Donald Trump chama Hayden Williams ao púlpito para celebrrar a sua coragem, incentivar o seu zelo e prometer aos americanos que vai castigar financeiramente as universidades que não respeitem a Primeira Emenda da Constituição Americana, que garante a liberdade religiosa, a liberdade da imprensa e a liberdade de expressão e de manifestação pública da opinião. O momento, está aqui documentado e é, a todos os títulos, de enorme relevância política:
Digam o que disserem de Trump, e eu próprio já disse horrores dele, parece-me cada dia mais claro que o actual Presidente dos Estados Unidos está uns furos acima, em classe e razão ética e sabedoria política, dos seus adversários do Partido Democrata, e a anos luz de distância da turba marxista que domina os media e as universidades. À violência gratuita e totalitária, contrapõe ordens executivas que fazem sentido, que são razoáveis e que defendem a moral da constituição que prometeu respeitar.
A ideia é eficaz, legal e leal. Não recorre a métodos de supressão pela violência ou pela proibição. Limita-se a usar o poder do dinheiro - e o poder da lei - para fazer justiça.
É assim que se combate o fascismo.
Clássicos de culto: o Mini 1275 GT de 1969.
De todos os minis, este é o meu preferido. Construído pela British Leyland e redesenhado por Roy Haynes, O 1275 GT era, para a altura, um pequeno diabo. Apesar de não exceder os 140 kms/h, a verdade é que chegava a essa marca num instantinho. A excelente relação peso-potência (11,5 kgs / Cv), o torque impressionante (94.0 Nm @5500 rpm), aliados à estabilidade e aderência míticas do Mini, colocavam este modelo no segmento desportivo e faziam as delícias da classe operária.
Eu conduzi um destes, há muitos anos, e posso garantir que a sensação era a de que estavas aos comandos de um kart vitaminado com esteroides.
Olha bem para esta caixinha. Está mesmo a convidar-te para um shot de adrenalina, não está?
Eu conduzi um destes, há muitos anos, e posso garantir que a sensação era a de que estavas aos comandos de um kart vitaminado com esteroides.
Olha bem para esta caixinha. Está mesmo a convidar-te para um shot de adrenalina, não está?
94.0 Nm or 69 lb.ft @ 5500 rpm
read more at: https://www.ultimatespecs.com/car-specs/Austin/19215/Austin-Mini-1275-GT.html
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11.5 kg/hp
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11.5 kg/hp
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11.5 kg/hp
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11.5 kg/hp
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Características técnicas aqui.
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sexta-feira, março 01, 2019
Se não tens inimigos, inventa-os.
A Nike transformou-se nos últimos dez a quinze anos numa espécie de fabricante de ténis para militantes do Bloco de Esquerda. E está constantemente a bombardear o mercado com mensagens de carácter ideológico que são tão perigosas como imbecis, assentes em pressupostos falsos e clichés de outros tempos, que já não fazem sentido nenhum. Por exemplo, não faz sentido nenhum vitimizar as atletas de alta competição pelo simples facto de serem mulheres, porque elas não são vítimas de coisa nenhuma, pelo contrário. São multimilionárias como os atletas masculinos, são idolatradas como os atletas masculinos, respeitadas como os atletas masculinos e ultra-protegidas como eles. A Nike age e comunica como se vivêssemos na primeira metade do século XX e inventa secretos inimigos que na verdade já não existem há um século.
Nuns breves cinco minutos, Ben Shapiro mostra o último spot feminista da marca e faz a respectiva análise crítica, com o brilhantismo do costume. Vale a pena ver.
Esta invenção de vilões para a construção de figuras heroicas está muito na moda nos Estados Unidos. Jussie Smollett, o medíocre e manhoso e obscuro actor da série Empire, simulou recentemente, em Chicago, um ataque racista e homofóbico contra si próprio, na expectativa de que o episódio projectasse a sua carreira - e a sua conta bancária - para o primeiro plano da celebridade plástica de Hollywood. A estratégia só não deu resultado porque a polícia da cidade dedicou vastos recursos à investigação do suposto crime de ódio, só para perceber rapidamente que Jussie é um charlatão dos piores. E agora, claro, o rapazinho está em muitos maus lençóis com a justiça americana. Mas no entretanto, foi glorificado pelos media como um deus, representado como um herói dos tempos modernos e apoiado pela turba do Twitter como um mártir na batalha contra o racismo, o preconceito e a imoralidade de Trump.
Os palhaços do costume na CNN, na CBS, no Washington Post, no New York Times, no Guardian e até no Observador, só para falar nos que mais me chateiam, caíram que nem patinhos saloios na fraude de Smollett, e agora estão a engolir sapos vivos como gente grande.
Nos tempos que correm, a heroicidade surge pela vitimização e não pela valentia. Surge pela cor da pele e não pela nobreza de carácter. Surge pelas opções sexuais e não pelas opções de vida. E mesmo quando não há vítimas, finge-se o martírio. Mesmo quando não há vilões, inventam-se uns. É triste. É desesperante. Mas é verdade.
Nuns breves cinco minutos, Ben Shapiro mostra o último spot feminista da marca e faz a respectiva análise crítica, com o brilhantismo do costume. Vale a pena ver.
Esta invenção de vilões para a construção de figuras heroicas está muito na moda nos Estados Unidos. Jussie Smollett, o medíocre e manhoso e obscuro actor da série Empire, simulou recentemente, em Chicago, um ataque racista e homofóbico contra si próprio, na expectativa de que o episódio projectasse a sua carreira - e a sua conta bancária - para o primeiro plano da celebridade plástica de Hollywood. A estratégia só não deu resultado porque a polícia da cidade dedicou vastos recursos à investigação do suposto crime de ódio, só para perceber rapidamente que Jussie é um charlatão dos piores. E agora, claro, o rapazinho está em muitos maus lençóis com a justiça americana. Mas no entretanto, foi glorificado pelos media como um deus, representado como um herói dos tempos modernos e apoiado pela turba do Twitter como um mártir na batalha contra o racismo, o preconceito e a imoralidade de Trump.
Os palhaços do costume na CNN, na CBS, no Washington Post, no New York Times, no Guardian e até no Observador, só para falar nos que mais me chateiam, caíram que nem patinhos saloios na fraude de Smollett, e agora estão a engolir sapos vivos como gente grande.
Nos tempos que correm, a heroicidade surge pela vitimização e não pela valentia. Surge pela cor da pele e não pela nobreza de carácter. Surge pelas opções sexuais e não pelas opções de vida. E mesmo quando não há vítimas, finge-se o martírio. Mesmo quando não há vilões, inventam-se uns. É triste. É desesperante. Mas é verdade.
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
Project Cars 2: o verdadeiro simulador de corridas.
Este jogo aqui, que saiu no verão de 2017, mas que eu só comecei a jogar no fim do ano passado, é, até ver, o melhor simulador de automobilismo a correr em consola. Difícil para caraças, exigente como o diabo, está muitíssimo bem construído e permite total adaptação à perícia e experiência de condução de cada um. A inteligência artificial dos adversários, no modo arcade, é simplesmente imbatível e deixa o Gran-Turismo Sport a milhões de milhas de distância. Pode não ser tão bonito, em termos gráficos, como o jogo da Poliphony, mas é muito mais realista, muito mais versátil, muito mais divertido e muito mais completo. Tem mais circuitos, mais variações climáticas e horárias, mais carros, mais competições e mais maneiras diferentes de ser jogado. É uma perdição total. Um intenso e alucinante hino à velocidade.
Só é pena não ter VR (para a Playstation, porque para PC tem).
terça-feira, fevereiro 26, 2019
Pela Estrada Fora #18
Adoro esta estrada. São pouco mais que três quilómetros, mas a EM585, que leva a Sesimbra pelo lado nascente, é bela e rápida e vertiginosa. Oferece uma excelente vista para a Serra da Arrábida, de um lado, e para o Castelo de Sesimbra, do outro. No último terço de quem desce para a vila, abre-se uma magnífica panorâmica da baía. Conheço cada centímetro deste elogio do asfalto. E nunca me canso dele.
segunda-feira, fevereiro 25, 2019
A minha alma está parva.
Das duas três: ou sou eu que estou a perder qualidades, ou os senhores dos Brit Awards acordaram para a vida. Melhor álbum britânico da edição de 2019: A Brief Inquiry Into Online Relationships, dos The 1975. Concordo completamente.
E vejam bem a pinta da actuação dos rapazinhos na cerimónia da passada semana:
The 1975 . Sincerity is Scary (live form the Brits 2019
E vejam bem a pinta da actuação dos rapazinhos na cerimónia da passada semana:
The 1975 . Sincerity is Scary (live form the Brits 2019
sexta-feira, fevereiro 22, 2019
O atleticismo da estupidez.
A organização dos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, vai propor ao Comité Olímpico a adição de 4 novas modalidades, a saber: Escalada, Surf, Skateboarding e... Breakdance.
Sim, sim, não estou a meter uma peta: Breakdance.
Actividades desportivas de largo espectro sociológico como o Rugby, o Hóquei em Patins, o Futebol Americano, o Baseball ou o Cricket, são dispensáveis. Mas o Breakdance, não. O Breakdance é uma modalidade de inserção prioritária.
Sabendo da tendência do Comité Olímpico para a mais profunda imbecilidade, não é de admirar que a proposta dos franceses seja aceite. Porque se há coisa que não tem limites, essa coisa é a estupidez humana.
Sim, sim, não estou a meter uma peta: Breakdance.
Actividades desportivas de largo espectro sociológico como o Rugby, o Hóquei em Patins, o Futebol Americano, o Baseball ou o Cricket, são dispensáveis. Mas o Breakdance, não. O Breakdance é uma modalidade de inserção prioritária.
Sabendo da tendência do Comité Olímpico para a mais profunda imbecilidade, não é de admirar que a proposta dos franceses seja aceite. Porque se há coisa que não tem limites, essa coisa é a estupidez humana.
quinta-feira, fevereiro 21, 2019
Sexo em acordes.
Os dois seres humanos de extremo bom gosto que criam música sob o proverbial epíteto de Balthazar voltam ao Blogville a propósito da sua última criação, "Fever", que não é bem a bomba enorme que foi o disco anterior, é verdade, mas que, ainda assim, cumpre muitíssimo bem o objectivo de fazer amor com os tímpanos das pessoas. Senão oiçamos:
Balthazar . Wrong Vibration
Balthazar . Wrong Vibration
A Física no seu labirinto.
A Física contemporânea, principalmente na sua vertente teórica, dá vontade de rir. Ou, dependendo do humor de cada um num dado momento, dá vontade de chorar.
Através de um recente artigo Phys.Org, ficamos a saber que desconhecemos o paradeiro de um terço da matéria cósmica. Não, não é a Matéria Escura, de que desconhecemos tudo (menos o peso) e que constitui 23% do Universo. E não, não é a Energia Negra, de que desconhecemos tudo (menos o peso) e que constitui 73% do Universo.
Portanto: dos 4% restantes de matéria que de facto conhecemos, desconhecemos o paradeiro de um terço dela. Bestial. A grande característica da Física é a ignorância sobre a natureza, a mecânica e a localização da matéria, domínios que perfazem precisamente o seu principal objecto de estudo.
Neste artigo, publica-se o trabalho de uma equipa liderada por Orsolya Kovacs, que procura desesperadamente encontrar a morada desse terço da matéria desaparecido, com a ajuda das belas imagens captadas pelo Observatório de Raios X Chandra, que é propriedade da NASA. As conclusões são, porém e como sempre, bastante ambíguas.
Mas há mais: para além de não percebermos grande coisa sobre a matéria no seu estado presente, parece que afinal somos ignorantes também sobre a sua origem. Nos últimos dez anos temos assistido a um processo de discussão intensa, que tem sido bastante abafado, sobre a validade de uma teoria que é vendida às massas como uma verdade sagrada: a Teoria do Big Bang (e também do seu inevitável complemento, que é a Teoria da Inflação). Tudo indica que esta clássica e nem por isso imaginativa ideia de uma explosão - ou implosão - iniciática tem problemas conceptuais e metodológicos graves, o primeiro dos quais é fundamental, porque tem a ver com a detecção da radiação de micro-ondas, que é só a mais importante demonstração da validade da Teoria.
O Professor Pierre-Marie Robitaille, um nerd a sério que parece saído de um show dos marretas (mas que sabe do assunto como o diabo), faz a crítica dessa "prova", colocando até em dúvida a validade científica da famosa imagem da Radiação Cósmica de Fundo, neste pedagógico vídeo aqui:
Mas a discussão sobre a virtude do Big Bang (expressão inventada por Fred Hoyle, que por acaso nem concordava nada com a Teoria, em 1949) ultrapassa velozmente as questões da detecção da radiação cósmica apresentadas por Sargsya. Quem estiver interessado em comprovar o que escrevo, pode visitar alguns artigos interessantes sobre o tema aqui, aqui e aqui. As omissões e contradições - teóricas e matemáticas - relacionadas com o momento imediatamente anterior à implosão do ponto infinitesimal onde se concentrava toda a matéria cósmica, bem como a uniformidade térmica e a densidade estável do Universo actual são alguns dos factores que contribuem decisivamente para as enxaquecas dos teóricos ortodoxos.
Na verdade, só encontramos consolação na Física do século XXI se acreditarmos, da forma mais ortodoxa possível, na maior parte dos dogmas científicos dos três séculos anteriores. Mas se, por um momento, rejeitarmos a ciência como um sistema de crença num universo materialista, mensurável e potencialmente cognoscível, começamos a perceber a verdadeira dimensão da tragédia humana: vivemos numa realidade cuja natureza transcende largamente a nossa capacidade de entendimento.
Através de um recente artigo Phys.Org, ficamos a saber que desconhecemos o paradeiro de um terço da matéria cósmica. Não, não é a Matéria Escura, de que desconhecemos tudo (menos o peso) e que constitui 23% do Universo. E não, não é a Energia Negra, de que desconhecemos tudo (menos o peso) e que constitui 73% do Universo.
Portanto: dos 4% restantes de matéria que de facto conhecemos, desconhecemos o paradeiro de um terço dela. Bestial. A grande característica da Física é a ignorância sobre a natureza, a mecânica e a localização da matéria, domínios que perfazem precisamente o seu principal objecto de estudo.
Neste artigo, publica-se o trabalho de uma equipa liderada por Orsolya Kovacs, que procura desesperadamente encontrar a morada desse terço da matéria desaparecido, com a ajuda das belas imagens captadas pelo Observatório de Raios X Chandra, que é propriedade da NASA. As conclusões são, porém e como sempre, bastante ambíguas.
Mas há mais: para além de não percebermos grande coisa sobre a matéria no seu estado presente, parece que afinal somos ignorantes também sobre a sua origem. Nos últimos dez anos temos assistido a um processo de discussão intensa, que tem sido bastante abafado, sobre a validade de uma teoria que é vendida às massas como uma verdade sagrada: a Teoria do Big Bang (e também do seu inevitável complemento, que é a Teoria da Inflação). Tudo indica que esta clássica e nem por isso imaginativa ideia de uma explosão - ou implosão - iniciática tem problemas conceptuais e metodológicos graves, o primeiro dos quais é fundamental, porque tem a ver com a detecção da radiação de micro-ondas, que é só a mais importante demonstração da validade da Teoria.
O Professor Pierre-Marie Robitaille, um nerd a sério que parece saído de um show dos marretas (mas que sabe do assunto como o diabo), faz a crítica dessa "prova", colocando até em dúvida a validade científica da famosa imagem da Radiação Cósmica de Fundo, neste pedagógico vídeo aqui:
Mas a discussão sobre a virtude do Big Bang (expressão inventada por Fred Hoyle, que por acaso nem concordava nada com a Teoria, em 1949) ultrapassa velozmente as questões da detecção da radiação cósmica apresentadas por Sargsya. Quem estiver interessado em comprovar o que escrevo, pode visitar alguns artigos interessantes sobre o tema aqui, aqui e aqui. As omissões e contradições - teóricas e matemáticas - relacionadas com o momento imediatamente anterior à implosão do ponto infinitesimal onde se concentrava toda a matéria cósmica, bem como a uniformidade térmica e a densidade estável do Universo actual são alguns dos factores que contribuem decisivamente para as enxaquecas dos teóricos ortodoxos.
Na verdade, só encontramos consolação na Física do século XXI se acreditarmos, da forma mais ortodoxa possível, na maior parte dos dogmas científicos dos três séculos anteriores. Mas se, por um momento, rejeitarmos a ciência como um sistema de crença num universo materialista, mensurável e potencialmente cognoscível, começamos a perceber a verdadeira dimensão da tragédia humana: vivemos numa realidade cuja natureza transcende largamente a nossa capacidade de entendimento.
Mais um momento épico do professor Jordão.
Jorda B. Peterson esteve recentemente na Nova Zelândia e as reações à sua presença na remota nação dos All Black foram, como sempre, extremas. Entre o ódio cego da esquerda e o impacto incrível da sua mensagem nas vidas daqueles que o seguem e o leêm, o filósofo de Toronto discursa, nesta entrevista a um radialista local, com emoção e profundidade. Vale a pena ouvi-lo. É Jordan Peterson no seu melhor.
quinta-feira, fevereiro 14, 2019
Clássicos de culto: o Porsche 911 de 1963.
Sempre desgostei da expressão "uma imagem vale mais do que mil
palavras", até porque é rigorosamente falsa, até porque uma palavra vale
mais que mil imagens, caso contrário João tinha começado o seu
evangelho com a frase: "No princípio era a imagem" e não foi bem isso que
sucedeu. Ainda assim, resta muito pouco palavreado quando olhamos para esta fotografia aqui:
O 911 de 1963 é um objecto de culto. As linhas não são propriamente harmoniosas e as proporções também não estão de acordo com nenhuma regra de ouro que se conheça. Mas o resultado é genial e é intemporal e leva-nos sempre a um momento mágico de contemplação do que é absolutamente belo na indústria humana. Ferdinand Alexander Porsche tem aqui o seu apogeu operacional, como designer, principalmente, e como engenheiro, talvez.
Apesar da frente enorme, que na verdade não serve para nada (o porta-bagagens é ridículo e a metade dianteira do 911 parece destinar-se apenas à colocação das ópticas), trata-se de uma viatura de motor posterior e tracção traseira. Não obstante, ou talvez por isso, é considerado o desportivo mais bem sucedido de sempre em competição automóvel. Trata-se, obviamente, de uma coisa que não quer ser prática ou simpática ou amigável. É o carro do Ric Hochet (a versão de 72), o meu herói-detective da banda desenhada do paleolítico superior.
O realismo, o pragmatismo ou o utilitarismo são valores que não têm nada a ver com o 911, claro. Só o amor estético e dinâmico pelos automóveis, a paixão da velocidade e a glória da combustão interna é que valem como argumentos para esta conversa. Só a posteridade é que pode validar, como valida ainda hoje, esta obra prima do engenho humano.
História do 911 e características técnicas aqui.
O 911 de 1963 é um objecto de culto. As linhas não são propriamente harmoniosas e as proporções também não estão de acordo com nenhuma regra de ouro que se conheça. Mas o resultado é genial e é intemporal e leva-nos sempre a um momento mágico de contemplação do que é absolutamente belo na indústria humana. Ferdinand Alexander Porsche tem aqui o seu apogeu operacional, como designer, principalmente, e como engenheiro, talvez.
Apesar da frente enorme, que na verdade não serve para nada (o porta-bagagens é ridículo e a metade dianteira do 911 parece destinar-se apenas à colocação das ópticas), trata-se de uma viatura de motor posterior e tracção traseira. Não obstante, ou talvez por isso, é considerado o desportivo mais bem sucedido de sempre em competição automóvel. Trata-se, obviamente, de uma coisa que não quer ser prática ou simpática ou amigável. É o carro do Ric Hochet (a versão de 72), o meu herói-detective da banda desenhada do paleolítico superior.
O realismo, o pragmatismo ou o utilitarismo são valores que não têm nada a ver com o 911, claro. Só o amor estético e dinâmico pelos automóveis, a paixão da velocidade e a glória da combustão interna é que valem como argumentos para esta conversa. Só a posteridade é que pode validar, como valida ainda hoje, esta obra prima do engenho humano.
História do 911 e características técnicas aqui.
quarta-feira, fevereiro 13, 2019
De 1975 para a eternidade.
Este último disco dos The 1975, A Brief Inquiry Into Online Relationships, é uma obra prima da pop contemporânea. E mais não digo.
You learn a couple things when you get to my age
Like friends don't lie and it all tastes the same in the dark
When your vinyl and your coffee collection is a sign of the times
You're getting spiritually enlightened at 29
So just give yourself a try
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give?
I found a grey hair in one of my zoots
Like context in a modern debate, I just took it out
The only apparatus required for happiness is your pain and fucking going outside
And getting STDs at 27 really isn't the vibe
Jane took her own life at 16
She was a kid who had the box tattooed on her arm
And I was 25 and afraid to go outside
A millennial that baby-boomers like
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give?
And what would you say to your younger self?
Growing a beard's quite hard
And whiskey never starts to taste nice
And you'll make a lot of money, and it's funny
'Cause you'll move somewhere sunny and get addicted to drugs
And spend obscene amounts on fucking seeds and beans online
So just give yourself a try
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give?
The 1975 . Give Yourself a Try
You learn a couple things when you get to my age
Like friends don't lie and it all tastes the same in the dark
When your vinyl and your coffee collection is a sign of the times
You're getting spiritually enlightened at 29
So just give yourself a try
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give?
I found a grey hair in one of my zoots
Like context in a modern debate, I just took it out
The only apparatus required for happiness is your pain and fucking going outside
And getting STDs at 27 really isn't the vibe
Jane took her own life at 16
She was a kid who had the box tattooed on her arm
And I was 25 and afraid to go outside
A millennial that baby-boomers like
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give?
And what would you say to your younger self?
Growing a beard's quite hard
And whiskey never starts to taste nice
And you'll make a lot of money, and it's funny
'Cause you'll move somewhere sunny and get addicted to drugs
And spend obscene amounts on fucking seeds and beans online
So just give yourself a try
Won't you give yourself a try?
Won't you give yourself a try?
Won't you give?
The 1975 . Give Yourself a Try
Assim fala Zaratustra.
Pat Condell. Este senhor, escritor britânico que já foi em tempos comediante, é um dos meus youtubers favoritos. Não tem um estúdio xpto nem um daqueles microfones de podcast nem uma só câmara profissional nem uma porcaria de um cuidado de edição. Limita-se a virar as costas a uma parede branca, olhar para a lente do telemóvel e disparar verdades sobre verdades, com a veia rara de um tribuno romano. Os vídeos são curtos e claros. Sintetizam completamente a morte anunciada - e rápida - da Civilização Ocidental. Vale mesmo, mesmo, mesmo a pena ouvi-lo:
O Pat Condell é um belíssimo dinossauro. Vem direitinho do paleolítico da razão pura. É um Zaratustra sem capa vermelha.
O Pat Condell é um belíssimo dinossauro. Vem direitinho do paleolítico da razão pura. É um Zaratustra sem capa vermelha.
terça-feira, fevereiro 12, 2019
segunda-feira, fevereiro 11, 2019
Sobre as vantagens de ser Português.
Porque este meu grande amigo de vida comemorava meio século de existência, passei o fim de semana com ele e com mais um punhado de bons e velhos amigos, num vale secreto, lindíssimo, no coração da Serra de Aire.
É verdade que o tempo esteve tristonho. Mas o sítio - Alvados - é bonito mesmo num dia cinzento.
Estou a 120 kms de Lisboa, mas o silêncio, a paz, a sensação de total isolamento é de quem viajou para o outro lado da galáxia.
O hotel é destes que se usam agora, de arquitectura que ignora a paisagem e que prefere as linhas rectas porque sim e em que tens a banheira à cabeceira da cama e as luzes são complicadas de acender e és tu que serves os copos que bebes e que cozinhas a comida que comes e ainda pagas por isso e se calhar até pagas mais precisamente por causa disso - o que não faz sentido nenhum - mas é assim e até acabou por ser bem divertido.
No Domingo, fomos almoçar à Adega do Luís, que é um restaurante muito perto de Porto-de-Mós, daqueles que já não se usam: rústico, acolhedor, com boa comida portuguesa, que não é estragada por chefes nem por modas. Chove miudinho e o dia ainda está mais tristonho do que no sábado. Volto para Sesimbra, com o coração cheio de quem matou saudades de seres humanos que deveras estima. Mas meio rezinguão por causa da chuva, como se um dia chuvoso em fevereiro não fosse completamente normal.
Hoje, quando acordo, o dia está assim:
Conclusão: um gajo nascido num país com este clima e que tenha a sorte de fazer bons amigos não se pode queixar da vida.
É verdade que o tempo esteve tristonho. Mas o sítio - Alvados - é bonito mesmo num dia cinzento.
Estou a 120 kms de Lisboa, mas o silêncio, a paz, a sensação de total isolamento é de quem viajou para o outro lado da galáxia.
O hotel é destes que se usam agora, de arquitectura que ignora a paisagem e que prefere as linhas rectas porque sim e em que tens a banheira à cabeceira da cama e as luzes são complicadas de acender e és tu que serves os copos que bebes e que cozinhas a comida que comes e ainda pagas por isso e se calhar até pagas mais precisamente por causa disso - o que não faz sentido nenhum - mas é assim e até acabou por ser bem divertido.
No Domingo, fomos almoçar à Adega do Luís, que é um restaurante muito perto de Porto-de-Mós, daqueles que já não se usam: rústico, acolhedor, com boa comida portuguesa, que não é estragada por chefes nem por modas. Chove miudinho e o dia ainda está mais tristonho do que no sábado. Volto para Sesimbra, com o coração cheio de quem matou saudades de seres humanos que deveras estima. Mas meio rezinguão por causa da chuva, como se um dia chuvoso em fevereiro não fosse completamente normal.
Hoje, quando acordo, o dia está assim:
Conclusão: um gajo nascido num país com este clima e que tenha a sorte de fazer bons amigos não se pode queixar da vida.
sexta-feira, fevereiro 08, 2019
O regresso dos sovietes.
Esta é a terceira vez, em 51 anos, que sinto a urgência de combater o Socialismo.
Pensei que tinha ganho esta guerra em 1976, quando percebi que afinal os comunistas não iam ter qualquer hipótese de entregar a república recém nascida a um comité esquizofrénico de militares e apparatchiks, presidido por um caso clínico - Vasco Gonçalves - porque os portugueses recusaram na sua esmagadora maioria essa dantesca probabilidade; e pensei que tinha ganho, definitivamente, esta guerra em 1989, quando os desgraçados dos alemães que viviam sob o jugo de um estado socialista começaram a fugir desalmada e eloquentemente por entre as ranhuras de um muro vil, em colapso.
Pensei mal. Fui de vistas curtas. Esqueci-me que as gerações futuras poderiam não ter memória do que foi o Bloco de Leste. Do desastre que foi. Do inacreditável terror que foi. Julguei que não viveria o tempo suficiente para ver pessoas de 30 anos defenderem que o melhor futuro para a civilização ocidental é a sua sovietização.
Convenhamos: fui deveras inocente.
A certa altura do Discurso Sobre o Estado da Nação proferido no Congresso, terça-feira passada, Donald Trump viu-se obrigado a prometer aos cidadãos americanos que os Estados Unidos da América nunca serão uma república socialista (o vídeo em baixo sublinha esse momento). Houve muita gente que não aplaudiu: a maioria democrata do Congresso é significativamente constituída por socialistas.
Curiosamente e apesar desta maioria eleita, a verdade é que os americanos, na sua generalidade, estão de acordo com a promessa do seu Presidente porque, acreditando na CNN e na CBS, esclarecidas e oleadas máquinas de propaganda Never Trump, aconteceu isto:
Esta expressiva aprovação das audiências a um discurso, escrito por Stephen Miller, que é fortemente crítico do Socialismo, entre outros ismos, não invalida a melodramática ironia de os Estados Unidos serem hoje em dia o principal palco do combate entre as boas tradições liberais da governação ocidental e as mais niilistas revisões de Marx e de Lenine que se possam imaginar. O Socialismo está de volta com toda a força, como se não fosse uma escola de facínoras. Como se não fosse um projecto ruinoso em termos económicos, tanto como morais. Como se não fosse uma teoria falhada. Comprovadamente falhada. Historicamente falhada. Mil vezes falhada.
Falhou, espalhafatosamente, na Rússia. Falhou na Alemanha Oriental. Falhou na Roménia. Falhou na Hungria. Falhou na Polónia. Falhou na Checoslováquia. Até na Jugoslávia, que deve ser o exemplo menos falhado de todos, falhou completamente. Mas também falhou no Cambodja (e de que maneira, bom Deus), nos dois Vietnames de forma simétrica e, manifestamente, na China. Falhou no Brasil, falhou no Chile, falhou na geografia toda onde terá por breves e tristes momentos triunfado.
O Socialismo falhou e falha nos países nórdicos; falhou e falha em África; falha todos os dias e escandalosamente na Venezuela, na Bolívia, em Cuba e na Coreia do Norte. Não há, na gloriosa gesta socialista, uma puta de uma história de sucesso.
Mas o ressurgimento socialista, que é agora extremo nos Estados Unidos, é também crítico no Reino Unido: aposto um jantar no meu restaurante preferido que o próximo primeiro ministro ao serviço de Sua Majestade vai ser o infeliz Corbyn, que é um socialista dos antigos, ponto. E os londrinos até já têm um presidente da câmara que combina perigosamente a radicalização islâmica com o fanatismo marxista.
Este estranho e ignorante e ontologicamente irresponsável ressurgimento é há muitas décadas manifesto nos gabinetes de Bruxelas. Nos corredores do Eliseu. Nos lavabos do Bundestag. E, claro, por todo o lado da Assembleia da Terceira República Portuguesa. Para além do que é óbvio, convém não esquecer que o sinistro Francisco Louçã é Conselheiro de Estado e membro do Conselho Consultivo do Banco de Portugal. Sim, do Banco de Portugal.
Desde 1989 que penso, talvez de forma algo pretensiosa - admito, que estou do lado certo da História. Do lado da História que rejeita Hitler, tanto como Estaline. Do lado da História que preza acima de tudo a liberdade e - com ela - a responsabilidade individual e - com ela - a defesa do cidadão em relação à imanente e iminente ameaça totalitária dos governos e das ideologias. Do lado da História que separa a religião do estado e a política da justiça. Do lado da História que premeia as pessoas pelo que conseguem fazer na vida e não porque são de uma classe social específica, de um sexo específico, de uma raça específica, de uma tribo específica, de um clube de futebol específico, de uma agremiação de bandidos específica. Do lado da história que assume uma verdade fundamental: a condição humana define-se no confronto entre o bem e o mal. Em cada um de nós vive um potencial imenso de virtude e de infâmia. A cada um de nós cabe vencer essa interminável batalha.
Eu não quero que vençam essa batalha por mim. Até porque isso geralmente leva à abertura e subsequente preenchimento de incontáveis valas comuns. E não quero que vençam essa batalha pelos outros, que são meus aliados ou que são meus inimigos ou nem uma coisa nem outra. Até porque isso geralmente leva à inauguração e funcionalidade brava de bem organizados campos de extermínio. Viverei sob o sofrimento e a glória deste solitário combate, que não vai causar genocídios, porque é só a minha alma que está em jogo. E é esse jogo, acima de todos, que dá significado à vida.
É precisamente porque não quero entregar o significado da minha vida a ninguém, que nunca serei socialista. É precisamente por causa disso que, pela terceira vez na minha existência de 51 anos, sinto a urgência de combater o Socialismo.
Pensei que tinha ganho esta guerra em 1976, quando percebi que afinal os comunistas não iam ter qualquer hipótese de entregar a república recém nascida a um comité esquizofrénico de militares e apparatchiks, presidido por um caso clínico - Vasco Gonçalves - porque os portugueses recusaram na sua esmagadora maioria essa dantesca probabilidade; e pensei que tinha ganho, definitivamente, esta guerra em 1989, quando os desgraçados dos alemães que viviam sob o jugo de um estado socialista começaram a fugir desalmada e eloquentemente por entre as ranhuras de um muro vil, em colapso.
Pensei mal. Fui de vistas curtas. Esqueci-me que as gerações futuras poderiam não ter memória do que foi o Bloco de Leste. Do desastre que foi. Do inacreditável terror que foi. Julguei que não viveria o tempo suficiente para ver pessoas de 30 anos defenderem que o melhor futuro para a civilização ocidental é a sua sovietização.
Convenhamos: fui deveras inocente.
A certa altura do Discurso Sobre o Estado da Nação proferido no Congresso, terça-feira passada, Donald Trump viu-se obrigado a prometer aos cidadãos americanos que os Estados Unidos da América nunca serão uma república socialista (o vídeo em baixo sublinha esse momento). Houve muita gente que não aplaudiu: a maioria democrata do Congresso é significativamente constituída por socialistas.
Curiosamente e apesar desta maioria eleita, a verdade é que os americanos, na sua generalidade, estão de acordo com a promessa do seu Presidente porque, acreditando na CNN e na CBS, esclarecidas e oleadas máquinas de propaganda Never Trump, aconteceu isto:
Esta expressiva aprovação das audiências a um discurso, escrito por Stephen Miller, que é fortemente crítico do Socialismo, entre outros ismos, não invalida a melodramática ironia de os Estados Unidos serem hoje em dia o principal palco do combate entre as boas tradições liberais da governação ocidental e as mais niilistas revisões de Marx e de Lenine que se possam imaginar. O Socialismo está de volta com toda a força, como se não fosse uma escola de facínoras. Como se não fosse um projecto ruinoso em termos económicos, tanto como morais. Como se não fosse uma teoria falhada. Comprovadamente falhada. Historicamente falhada. Mil vezes falhada.
Falhou, espalhafatosamente, na Rússia. Falhou na Alemanha Oriental. Falhou na Roménia. Falhou na Hungria. Falhou na Polónia. Falhou na Checoslováquia. Até na Jugoslávia, que deve ser o exemplo menos falhado de todos, falhou completamente. Mas também falhou no Cambodja (e de que maneira, bom Deus), nos dois Vietnames de forma simétrica e, manifestamente, na China. Falhou no Brasil, falhou no Chile, falhou na geografia toda onde terá por breves e tristes momentos triunfado.
O Socialismo falhou e falha nos países nórdicos; falhou e falha em África; falha todos os dias e escandalosamente na Venezuela, na Bolívia, em Cuba e na Coreia do Norte. Não há, na gloriosa gesta socialista, uma puta de uma história de sucesso.
Mas o ressurgimento socialista, que é agora extremo nos Estados Unidos, é também crítico no Reino Unido: aposto um jantar no meu restaurante preferido que o próximo primeiro ministro ao serviço de Sua Majestade vai ser o infeliz Corbyn, que é um socialista dos antigos, ponto. E os londrinos até já têm um presidente da câmara que combina perigosamente a radicalização islâmica com o fanatismo marxista.
Este estranho e ignorante e ontologicamente irresponsável ressurgimento é há muitas décadas manifesto nos gabinetes de Bruxelas. Nos corredores do Eliseu. Nos lavabos do Bundestag. E, claro, por todo o lado da Assembleia da Terceira República Portuguesa. Para além do que é óbvio, convém não esquecer que o sinistro Francisco Louçã é Conselheiro de Estado e membro do Conselho Consultivo do Banco de Portugal. Sim, do Banco de Portugal.
Desde 1989 que penso, talvez de forma algo pretensiosa - admito, que estou do lado certo da História. Do lado da História que rejeita Hitler, tanto como Estaline. Do lado da História que preza acima de tudo a liberdade e - com ela - a responsabilidade individual e - com ela - a defesa do cidadão em relação à imanente e iminente ameaça totalitária dos governos e das ideologias. Do lado da História que separa a religião do estado e a política da justiça. Do lado da História que premeia as pessoas pelo que conseguem fazer na vida e não porque são de uma classe social específica, de um sexo específico, de uma raça específica, de uma tribo específica, de um clube de futebol específico, de uma agremiação de bandidos específica. Do lado da história que assume uma verdade fundamental: a condição humana define-se no confronto entre o bem e o mal. Em cada um de nós vive um potencial imenso de virtude e de infâmia. A cada um de nós cabe vencer essa interminável batalha.
Eu não quero que vençam essa batalha por mim. Até porque isso geralmente leva à abertura e subsequente preenchimento de incontáveis valas comuns. E não quero que vençam essa batalha pelos outros, que são meus aliados ou que são meus inimigos ou nem uma coisa nem outra. Até porque isso geralmente leva à inauguração e funcionalidade brava de bem organizados campos de extermínio. Viverei sob o sofrimento e a glória deste solitário combate, que não vai causar genocídios, porque é só a minha alma que está em jogo. E é esse jogo, acima de todos, que dá significado à vida.
É precisamente porque não quero entregar o significado da minha vida a ninguém, que nunca serei socialista. É precisamente por causa disso que, pela terceira vez na minha existência de 51 anos, sinto a urgência de combater o Socialismo.
quinta-feira, fevereiro 07, 2019
Uma crítica às Políticas de Identidade.
Ontem, David Azerrad foi convidado do Tucker Carlson, para fazer uma breve análise crítica das políticas de identidade. E fê-lo com génio. Vejam:
Pela Estrada Fora #17
Com um disco de embraiagem novinho em folha, sou o único a fazer ruído na Arrábida, num grandioso alvorecer de Fevereiro. Resultado: preciso de pastilhas de travões.
The Man Who Married a Robot
This is a story about a lonely, lonely man. He lived in a lonely house. On a lonely street. In a lonely part of the world. But, of course, he had the internet. The internet, as you know, was his friend — you could say, his best friend. They would play with each other every day, watching videos of humans doing all sorts of things: Having sex with each other; Informing people on what was wrong with them and their life; Playing games with young children at home with their parents
One day, the man — whose name was @SnowflakeSmasher86 — turned to his friend, the internet, and he said, “Internet, do you love me?”
The internet looked at him and said, “Yes. I love you very, very, very, very, very, very much. I am your best friend. In fact, I love you so much that I never, ever want us to be apart ever again ever’
‘I would like that,” said the man. And so they embarked on a life together. Wherever the man went, he took his friend. The man and the internet went everywhere together, except of course the places where the internet could not go. They went to the countryside. They went to birthday parties of the children of some of his less important friends. Different countries. Even the moon. When the man got sad, his friend had so many clever ways to make him feel better. He would get him cooked animals and show him the people having sex again, and he would always, always agree with him. This one was the man’s favorite, and it made him very happy. The man trusted his friend so much. “I feel like I could tell you anything,” he said, on a particularly lonely day
“You can. You can tell me anything. I’m your best friend. Anything you say to me will stay strictly between you and the internet.”
And so he did. The man shared everything with his friend: All of his fears and desires; All of his loves, past and present; All of the places he had been and was going, and pictures of his penis. He would tell himself, “Man does not live by bread alone.”
And then he died
In his lonely house
On the lonely street
In that lonely part of the world
You can go on his Facebook
The 1975 . The Man Who Married a Robot / Love Theme
De volta à baía.
terça-feira, fevereiro 05, 2019
Anedota ácida do ano.
Ele: Olha, se pudesses voltar atrás no tempo e matar o bebé Hitler, matavas o gajo?
Ela: Epá, acho que sim, mas...
Ele: Porra, pensa no bem que fazias pela humanidade.
Ela: Bem sei, mas se calhar não era capaz.
Ele: A sério? Já viste os milhões de pessoas que salvavas? Uma guerra mundial a menos, os campos de extermínio....
Ela: Tens razão, mas foda-se, não sei se conseguia matar um bebé, mesmo sendo o Hitler, pá.
Ele: Tenho a certeza que conseguias.
Ela: Como assim?
Ele: Já fizeste dois abortos. Mataste dois bebés que não eram Hitler.
Versão livre de uma piada do comediante Owen Benjamin, tirada da actuação no Kelsey Theater em Novembro de 2018.
Ela: Epá, acho que sim, mas...
Ele: Porra, pensa no bem que fazias pela humanidade.
Ela: Bem sei, mas se calhar não era capaz.
Ele: A sério? Já viste os milhões de pessoas que salvavas? Uma guerra mundial a menos, os campos de extermínio....
Ela: Tens razão, mas foda-se, não sei se conseguia matar um bebé, mesmo sendo o Hitler, pá.
Ele: Tenho a certeza que conseguias.
Ela: Como assim?
Ele: Já fizeste dois abortos. Mataste dois bebés que não eram Hitler.
Versão livre de uma piada do comediante Owen Benjamin, tirada da actuação no Kelsey Theater em Novembro de 2018.
Porque é que é cada vez mais difícil argumentar com a esquerda?
Simples: porque os objectivos não são os mesmos. À direita, acreditamos e queremos preservar a civilização ocidental e os seus valores fundamentais. À esquerda, querem destrui-la. Assim, não há diálogo possível. Owen Benjamin explica isto muito, mas mesmo muito bem, em mais um vivo exemplo do excelente trabalho de pedagogia que a PragerU está a fazer.
domingo, fevereiro 03, 2019
Outro recado para os senhores da Gilette.
Nesta lindíssima sequência, a natureza gentil e protectora do homem é bem evidente. Em plena queda, o instinto do rapaz é proteger a rapariga. Estes poucos segundos encerram um conceito para uma campanha de publicidade que seria bem mais feliz - e verdadeira - do que aquela que os senhores da Procter & Gamble em má hora decidiram lançar.
sexta-feira, fevereiro 01, 2019
O regresso dos heróis.
Os White Lies estão de volta, com "Five". Ainda estou nas primeiras audições, mas já dá para ver que o disco não desilude. Nem podia. Estes rapazes estão destinados à grandeza. São os heróis da malha.
Vou ficar umas boas semanas a ouvir isto em repeat.
White Lies . Tokyo
Vou ficar umas boas semanas a ouvir isto em repeat.
White Lies . Tokyo
quinta-feira, janeiro 31, 2019
Jornal de Letras - 2016/2018 - #02
As 48 Leis do Poder . Robert Greene e Jost Elfers . Escolar Editora
Este livro lindíssimo, com um trabalho de tipografia notável, foi-me oferecido por um querido amigo e devorado num instante. São 3000 anos da história do poder em 500 belas páginas de erudição, pragmatismo e boa ciência política. Leis como "finja ser amigo, aja como espião" ou como "despreze o que vier de graça" parecem cínicas e excessivamente draconianas, mas estão todas muito bem fundamentadas pela lógica, pela história e por um anedotário que é eloquente e muito divertido.
Uma edição de luxo de uma pequena editora cuja leitura recomendo vivamente.
Purity . Jonathan Franzen . D. Quixote
Este romance de Jonhnatan Frazen é tão fraquinho e desinteressante que ilustra bem o meu pessimismo em relação à ficção contemporânea. Leio cada vez menos romances porque os rmances que se escrevem hoje em dia são, em 95% dos casos, como este aqui: dispensáveis.
Conde Belissário . Robert Graves . Estúdios Cor
A propósito de novelas contemporâneas que não prestam para nada, eis um maravilhoso romance histórico publicado em 1938 de um grande romancista, poeta e ensaísta irlandês, autor crónico de obras primas de que o célebre "Eu, Cláudio" será o melhor exemplo. O livro, que descobri recentemente na cave a ganhar bolor, conta a história do General Belissário, lendário conquistador do império romano do oriente e súbdito do imperador bizantino Justiniano. Trata-se de excelente literatura e a excelente literatura tem, pelo menos, uma coisa boa: dá um enorme prazer ao leitor.
A Cartuxa de Parma . Stendhal . Estúdios Cor
Apesar de ser um apaixonado por "O Vermelho e o Negro", que já li 3 vezes, nunca até aqui tinha lido esta outra obra prima de Stendhal. Por uma razão ou por outra, não me deu este clássico tanto prazer como o outro. Mas a história de amor e traição protagonizada por Fabricio del Dongo e Sanseverina não deixa de ser arrebatadora. Stendhal não sabia fazer nada que não fosse grande literatura.
Stoner . John Williams. D. Quixote
Esta novela aqui, que segundo o New Yorker é "o melhor romance americano de que nunca ouvimos falar", foi originalmente publicada em 1965, mas só agora está a ser mais publicada e conhecida. Vá-se lá saber porquê: trata-se de um belo, embora soturno, manifesto existencialista que retrata a vida de um obscuro professor de literatura do midwest americano. Gostei imenso, por acaso.
Quinhentos Poemas Chineses . Coordenação de António Graça de Abreu e Carlos Morais José . Vega
A propósito desta livro, já postei aqui no blog algumas notas. Vale a pena dizer que esta edição da Vega foi importante para a minha descoberta da poesia chinesa, que deveras aprecio. Isto apesar de ninguém que não domina a língua dos mandarins poder realmente compreender a sua literatura. Qualquer tradução para português será sempre uma versão e não uma tradução, porque os chineses não têm alfabeto, mas sim uma escrita fundada em ícones (lologramas) que podem encerrar vários vocábulos e vários significados. Além disso, um poeta do período clássico chinês teria também que ser um mestre das artes gráficas, sendo que a componente visual dos poemas chineses, que também cumpre uma espécie de métrica, não tem expressão possível nos idiomas ocidentais. Voltarei a este assunto quando falar de um livro de poemas do grande Li Bai, que estou a ler agora.
Seja como for, quem gosta de poesia deve comprar este livro e lê-lo. Abre-se aqui uma janela para a infindável beleza da literatura oriental.
12 rules For Life - An Antidote to Chaos . Jordan B. Peterson . Allen Lane
Como não tive paciência para esperar pela edição portuguesa, mandei vir a versão original deste brilhante manual de sobrevivência, cuja recensão nã é necessária, já que tenho escrito, nos últimos meses, bastante sobre este livro. Se calhar o texto mais pertinente dos que postei, é este aqui, que foi escrito a propósito da visita do mestre a Portugal, precisamente com o objectivo de lançar este livro.
O império Imóvel ou o Choque dos Mundos . Alain Peyrefite . Gradiva
Um calhamaço de história como deve ser, esta odisseia da primeira embaixada britânica no Império do Meio é absolutamente fascinante. É a história de um fracasso tremendo, claro. Ingleses e chineses recusam entender-se. Esforçam-se até por se desentenderem. Do protocolo à geo-estratégia, há um mundo que os divide. O livro está magnificamente escrito, é extremamente fiel às fontes históricas e leva-nos por um percurso rocambolesco de equívocos e glórias, cumprido por homens que nem sempre tinham consciência do que estava em causa, mas que tinham claras ideias de dever, de honra e de sentido de estado. Homens que já não encontramos hoje. Histórias que já não acontecem.
Este livro de Peyrefite fica para mim como uma obra de referência, no contexto da disciplina da História. Mas também como uma lição de vida: os chineses recusaram as pretensões do esforço diplomático dos ingleses porque não conseguiram simplesmente imaginar que uma nação bárbara e tão mais insignificante na escala geográfica, demográfica e ontológica das coisas, pudesse realmente representar uma ameaça. Décadas mais tarde, aprenderam não pela diplomacia, mas pela eficácia dos canhões, que um império imóvel não tem grandeza. E foram humilhados por uma só frota britânica. Desse erro, velho de 230 anos, só agora estão a recuperar.
Este livro lindíssimo, com um trabalho de tipografia notável, foi-me oferecido por um querido amigo e devorado num instante. São 3000 anos da história do poder em 500 belas páginas de erudição, pragmatismo e boa ciência política. Leis como "finja ser amigo, aja como espião" ou como "despreze o que vier de graça" parecem cínicas e excessivamente draconianas, mas estão todas muito bem fundamentadas pela lógica, pela história e por um anedotário que é eloquente e muito divertido.
Uma edição de luxo de uma pequena editora cuja leitura recomendo vivamente.
Purity . Jonathan Franzen . D. Quixote
Este romance de Jonhnatan Frazen é tão fraquinho e desinteressante que ilustra bem o meu pessimismo em relação à ficção contemporânea. Leio cada vez menos romances porque os rmances que se escrevem hoje em dia são, em 95% dos casos, como este aqui: dispensáveis.
Conde Belissário . Robert Graves . Estúdios Cor
A propósito de novelas contemporâneas que não prestam para nada, eis um maravilhoso romance histórico publicado em 1938 de um grande romancista, poeta e ensaísta irlandês, autor crónico de obras primas de que o célebre "Eu, Cláudio" será o melhor exemplo. O livro, que descobri recentemente na cave a ganhar bolor, conta a história do General Belissário, lendário conquistador do império romano do oriente e súbdito do imperador bizantino Justiniano. Trata-se de excelente literatura e a excelente literatura tem, pelo menos, uma coisa boa: dá um enorme prazer ao leitor.
A Cartuxa de Parma . Stendhal . Estúdios Cor
Apesar de ser um apaixonado por "O Vermelho e o Negro", que já li 3 vezes, nunca até aqui tinha lido esta outra obra prima de Stendhal. Por uma razão ou por outra, não me deu este clássico tanto prazer como o outro. Mas a história de amor e traição protagonizada por Fabricio del Dongo e Sanseverina não deixa de ser arrebatadora. Stendhal não sabia fazer nada que não fosse grande literatura.
Stoner . John Williams. D. Quixote
Esta novela aqui, que segundo o New Yorker é "o melhor romance americano de que nunca ouvimos falar", foi originalmente publicada em 1965, mas só agora está a ser mais publicada e conhecida. Vá-se lá saber porquê: trata-se de um belo, embora soturno, manifesto existencialista que retrata a vida de um obscuro professor de literatura do midwest americano. Gostei imenso, por acaso.
Quinhentos Poemas Chineses . Coordenação de António Graça de Abreu e Carlos Morais José . Vega
A propósito desta livro, já postei aqui no blog algumas notas. Vale a pena dizer que esta edição da Vega foi importante para a minha descoberta da poesia chinesa, que deveras aprecio. Isto apesar de ninguém que não domina a língua dos mandarins poder realmente compreender a sua literatura. Qualquer tradução para português será sempre uma versão e não uma tradução, porque os chineses não têm alfabeto, mas sim uma escrita fundada em ícones (lologramas) que podem encerrar vários vocábulos e vários significados. Além disso, um poeta do período clássico chinês teria também que ser um mestre das artes gráficas, sendo que a componente visual dos poemas chineses, que também cumpre uma espécie de métrica, não tem expressão possível nos idiomas ocidentais. Voltarei a este assunto quando falar de um livro de poemas do grande Li Bai, que estou a ler agora.
Seja como for, quem gosta de poesia deve comprar este livro e lê-lo. Abre-se aqui uma janela para a infindável beleza da literatura oriental.
12 rules For Life - An Antidote to Chaos . Jordan B. Peterson . Allen Lane
Como não tive paciência para esperar pela edição portuguesa, mandei vir a versão original deste brilhante manual de sobrevivência, cuja recensão nã é necessária, já que tenho escrito, nos últimos meses, bastante sobre este livro. Se calhar o texto mais pertinente dos que postei, é este aqui, que foi escrito a propósito da visita do mestre a Portugal, precisamente com o objectivo de lançar este livro.
O império Imóvel ou o Choque dos Mundos . Alain Peyrefite . Gradiva
Um calhamaço de história como deve ser, esta odisseia da primeira embaixada britânica no Império do Meio é absolutamente fascinante. É a história de um fracasso tremendo, claro. Ingleses e chineses recusam entender-se. Esforçam-se até por se desentenderem. Do protocolo à geo-estratégia, há um mundo que os divide. O livro está magnificamente escrito, é extremamente fiel às fontes históricas e leva-nos por um percurso rocambolesco de equívocos e glórias, cumprido por homens que nem sempre tinham consciência do que estava em causa, mas que tinham claras ideias de dever, de honra e de sentido de estado. Homens que já não encontramos hoje. Histórias que já não acontecem.
Este livro de Peyrefite fica para mim como uma obra de referência, no contexto da disciplina da História. Mas também como uma lição de vida: os chineses recusaram as pretensões do esforço diplomático dos ingleses porque não conseguiram simplesmente imaginar que uma nação bárbara e tão mais insignificante na escala geográfica, demográfica e ontológica das coisas, pudesse realmente representar uma ameaça. Décadas mais tarde, aprenderam não pela diplomacia, mas pela eficácia dos canhões, que um império imóvel não tem grandeza. E foram humilhados por uma só frota britânica. Desse erro, velho de 230 anos, só agora estão a recuperar.
quarta-feira, janeiro 30, 2019
Clássicos de culto: o Citroën DS Pallas de 1968.
Este objecto de ficção científica aqui, desenhado num momento de grande inspiração pelo senhor Bertoni, é mais que um automóvel: é uma afirmação da criatividade e do engenho humanos. Dos faróis direccionais à lendária suspensão hidráulica, tudo neste carro grita por um futuro utópico, um futuro em que a inovação tecnológica e a elegância, o conforto e o bom gosto, a funcionalidade e sofisticação servem o destino do homem. Jay Leno tem um destes maravilhosos automóveis, na sua célebre garagem. E este vídeo descreve o DS - e ilustra a sua glória - muito melhor do que eu posso ou sei fazer.
Características técnicas aqui.
terça-feira, janeiro 29, 2019
De volta ao mistério.
Nestes deliciosos 11 minutos (exurb1a é um dos mais inspirados e eruditos e divertidos youtubers da web), explica-se tudo o que a Física sabe e tudo o que não sabe, para se chegar à conclusão que a ignorância é incomparavelmente superior à sabedoria. E assim, regressamos ao mistério. Ou a uma ideia de Deus.
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